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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Escrever é preciso...

Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.

No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.

É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.




Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.

Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.

Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.

Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!

Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.

Nem que seja por escrito.

Bem-vind@s novamente!


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Trocando as moscas

Fazer que se está mudando tudo é a melhor forma de não se mudar nada.

Hoje, assistimos a uma faxina geral na FIFA, Conmebol, UEFA, federações nacionais, etc.

 Foto: Eny Miranda/GOVERJ

O ex-todo poderoso Blatter e seu provável sucessor Michel Platini foram punidos com uma suspensão de oito anos fora de qualquer atividade relacionada ao futebol.

Muito bem! Estaríamos assistindo a uma faxina ética na entidade que comanda o futebol no mundo?

É bom observar mais. A FIFA é presidida, desde o afastamento de Blatter e até 27 de fevereiro, quando ocorrerá o congresso eleitoral extraordinário, pelo camaronês Issa Hayatou, sobre quem pesam também uma gama enorme de acusações.

O próximo presidente da FIFA será eleito pelo mesmo colégio eleitoral. Ou seja, pela maioria de votos dentre as mais de 200 federações e confederações nacionais, além das confederações continentais.

O que ninguém vem questionando, até o momento, é justamente o papel das entidades que compõem o colégio eleitoral.

Não vou reproduzir o discurso mesquinho e racista de quem acha que o voto do Gabão não pode valer o mesmo que o da Itália. O que distancia Gabão e Itália é a geopolítica mundial, a economia dos países. O futebol, dentro de campo, é o mesmo. Uns com mais qualidade, outros com menos. Mas chutar uma bola é uma prerrogativa de oito a cada dez crianças em todo o mundo.

Mas as eleições na FIFA, diante do cenário econômico dos países e, por consequência, de suas federações, são marcadas pela troca de favores. Pela ajudinha financeira, travestida de auxílio no "desenvolvimento do futebol".

Ver jornalistas exaltando o papel de João Havelange na popularização do futebol nos quatro cantos do mundo chega a ser aviltante.

Como se o centro do império não tivesse intenção alguma de colocar a periferia no bolso e, assim, manter o controle sobre o vetor principal de onde a grana transita.

Isso é mais antigo que o guaraná com rolha.

João Havelange é, no máximo, um cara "moderno". Ou seja, quando ninguém ainda sabia como aquele negócio podia dar um belo dinheiro, Havelange foi lá e mostrou como. Ninguém tá nem aí pro esporte, esqueça disso.

O centro da questão, a meu ver, está justamente nas regras pouco democráticas que definem os dirigentes das federações nacionais e continentais.

O que nos remete ao cerne de tudo isso. Os clubes!

A falta de democracia e transparência começa na célula do organismo. Os clubes são microcosmos do que é a FIFA, a Conmebol, a CBF, etc...

Ou seja, as eleições da FIFA mudarão o presidente, o secretário-geral e outros... Para não mudar nada!

E a imprensa ainda acha que estão fazendo "reformas"...


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Óleo de peroba

Se você acha que a política é um meio sujo, você ainda não conhece o mundo do futebol.

Sobre a política ainda é possível exercer algum controle público, existem instrumentos e mecanismos de defesa do interesse coletivo. Por mais que lhe neguem acesso cada vez mais, algum acesso você tem.



No futebol, tal como no tráfico de drogas, armas, contrabando e quaisquer atividades criminosas em todo o mundo, existe uma estrutura paralela ao “nosso mundo” onde rola muita grana.

Este dinheiro que você não sabe de onde vem, tampouco sabe para onde vai. Mas, por onde passa, vai enriquecendo dirigentes e empresários que se valem da nossa paixão pelo esporte.

É possível que a real intenção das investigações tocadas conjuntamente pelo FBI e a justiça suíça não seja das mais nobres, mas elas estão provocando um estrago danado ao que parecia um eterno sossego destes aproveitadores do futebol.

Joseph Blatter, que a princípio não larga o osso até fevereiro de 2016, está na mira dos suíços. Seu provável substituto, Michel Platini, também ganhou motivos para arregalar os olhos, com seu nome citado como destinatário de parte da bufunfa.

Enquanto isso, Zico não consegue míseras cinco cartas de recomendação para seguir adiante em sua candidatura à presidência da FIFA. Ele pode não ser santo, mas decididamente não faz parte do esquema.

A barbárie no mundo do futebol é tamanha que, diante das investigações sobre um suposto calote em impostos dado por Neymar aqui no Brasil, o empresário do atleta “recomenda” publicamente que o pai – aquele que levou a comissão mais gorda da história por uma transação de jogador – tire seu dinheiro do país e o leve para paraísos fiscais.


É o espírito olímpico da cara de pau, superando limites.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nome aos bois

Aos poucos, os caras que controlam o futebol brasileiro transformaram o esporte em uma vaca, que lhes deu leite aos litros por muito tempo. Continua dando, mas a teta dá sinais de que pode secar.

O Estatuto do Torcedor, dentre os méritos que possui, um deles é o fim da esculhambação de regulamentos das competições. Ou seja, um regulamento não muda durante o campeonato, nem para o do ano seguinte. O que acaba com qualquer chance da tal virada de mesa que pode salvar o Vasco no fim do ano.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil

Mas existem coisas que são de competência exclusiva das entidades que administram o esporte. Leia-se, estão na mão da CBF e federações estaduais. Aí, você já pode imaginar o resto.

A arbitragem é uma destas tarefas. Portanto, a culpa de toda essa bagunça no Brasileirão, provocada por uma bobagem maior que a outra feita pelos apitadores, é da CBF.

Marco Polo Del Nero, que está exilado em seu próprio país, pois não existe qualquer lugar no mundo que seja o paraíso penal para ricos como o Brasil, é quem “organiza” essa balbúrdia toda. Isso para não falar de um que já está preso, outro processado,...

A resistência da CBF em admitir a profissionalização dos árbitros, o uso da tecnologia e a racionalidade das escalas provoca a situação do último Fla-Flu, onde o zagueiro Wallace enfia o braço na bola e o olho despreparado do sujeito não vê. Para não falar dos outros inúmeros crimes cometidos país afora.

Esta direção do nosso futebol é responsável pelo desinteresse crescente do público pelo campeonato. Assim como provocou o desdém pela nossa seleção, alvo de piadas até hoje envolvendo os números sete e um.


A seleção joga, desfalca os times, e ninguém vê. Ainda prefere o Brasileirão. Não se sabe até quando.



Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

As máscaras do Brasileirão

Nobres leitores e leitoras. Eu andava até meio paradão por aqui, mas a situação da arbitragem me força a escrever um bocadinho.

Peço licença para meter a mão nessa cumbuca.

O que se vê durante o campeonato, mexido pelos erros de arbitragem, é curioso.



Os árbitros, diante de tantas bobagens que tem feito, adiam o início dos jogos para pedir 0,5% do direito de arena dos clubes. Ou seja, ao invés de pedir a profissionalização da profissão, com dedicação exclusiva à arbitragem, o que reduz a possibilidade de erros bisonhos, pelo menos.

Poderia enumerar inúmeras vantagens da profissionalização dos árbitros, mas talvez esse seja um assunto já batido. É tão óbvio, que não tem muito o que explicar.

Nada mais normal que um profissional apitar jogos entre profissionais.

Os clubes, por sua vez, conseguem uma proeza.

Unem a justeza de todas as palavras dirigidas aos árbitros ao mero denuncismo barato, sem nomes, sem evidências, só ilações.

Segundo alguns dirigentes, pode haver um esquema a favor do Corinthians levado a cabo pela arbitragem. Jura mesmo?

O Corinthians, apesar de ter sido beneficiado em alguns lances (o que não inclui o jogo contra o Sport), voltou a ser uma máquina de estabilidade. A mesma que levou Tite a outros títulos, em anos anteriores, pelo clube.

Tem o futebol mais redondo do momento. Merece estar onde está.

O que pode se discutir é um ou dois pontos a mais de vantagem. Que é importante, mas não fundamental.

O Atlético-MG, que tem o futebol mais bonito, vem sentindo o desgaste e, em alguns jogos, foi mal. É bom que recupere seu melhor futebol, sob pena de não pegar mais o Corinthians na liderança até o final.

Creditar tudo aos árbitros, se sentir perseguido e tal, já é um exagero.

O Fluminense também pode reclamar bastante da arbitragem. Até do jogo contra a Chapecoense,  onde ficou evidente que o árbitro demorou, mas marcou corretamente. Ajudado pelo quinto árbitro, que estava ligado na TV, embora não pudesse, mas devesse.

Este é outro escândalo. A adoção da tecnologia no futebol é urgente. Cada ano que passa, o futebol vai ficando mais difícil para o olho nu.

Deve reclamar do gol mal anulado contra o Corinthians, que pode ter decidido o resultado. Impedimento fácil de dar, que o bandeirinha teve toda a convicção do mundo na maior bobagem da sua vida. Foi tão escandaloso que até gancho pegou o sujeito.

Assim como foi escandalosa a manchete de vôlei dada pelo zagueiro Wallace, no Fla-Flu.

Daí por diante, vira papo de boteco. Criam-se as teses mais mirabolantes para explicar derrotas que, apesar dos erros de arbitragem, aconteceriam de qualquer forma.

Em suma, muito da imagem que se faz do campeonato é reflexo da imagem que tem a CBF diante dos olhos de todos.

Quem vai acreditar em um campeonato, ou em sua arbitragem, organizado por um sujeito que tem pânico de sair do Brasil, pois pode ser preso em qualquer outro lugar que não esse paraíso penal para ricos que é o nosso país?

Aí, toda teoria tem sua razão de ser, mesmo que não tenha razão nenhuma.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ah! Esses dirigentes..

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não acompanhou a seleção aos Estados Unidos, onde disputará amistosos e desfalcará times brasileiros no andamento do Brasileirão.

Se viajar, provavelmente não volta.



Este mesmo sujeito anunciou, quase ao mesmo tempo, o calendário do futebol brasileiro para 2016 e o possível fim do horário de 22h nos jogos do campeonato.

Enquanto condena nossos clubes a passarem quase um mês desfalcados durante as principais competições do país, faz uma média, em prévio acordo com a emissora que detém os direitos de transmissão do futebol, com a galera.

O fim desse horário indecente do futebol no Brasil era uma reivindicação antiga de quem, ao menos, tem o tal do polegar opositor. A mudança anteciparia em 20 minutos o início das partidas. Às 21h40, ficou melhor para você?

Del Nero não veio do nada, ele é produto de outros tantos dirigentes de clubes e federações. Como Eurico Miranda, que acredita na possibilidade de ampliar o número de clubes na Série A do ano que vem. O Estatuto do Torcedor impede que isso aconteça. Não passa de galhofa.

Mas curioso mesmo é o caso do Cruzeiro. O presidente Gilvan vai a público demitir Luxemburgo, após ter demitido Marcelo Oliveira, que o eliminou da Copa do Brasil, sem confessar nenhum erro.

Jogou a culpa na imprensa e na torcida. Dá para levar a sério?

Este sujeito vota na federação, que vota na CBF. É o começo da cadeia alimentar no futebol brasileiro. Onde um engole o outro e todos engolem o nosso futebol.

Os nossos dirigentes mantêm negócios em paraísos fiscais, vivendo no paraíso penal, para ricos, brancos e bem vestidos, que é o Brasil. Prisão aqui é só para garotos indo à praia, coincidentemente todos negros e pobres.


Gol da Alemanha.


Valeu,


Bruno Porpetta

sábado, 29 de agosto de 2015

Do que nos faz tanta falta

Acabo de assistir ao documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg, que retrata o período onde um dos clubes mais populares do país viveu uma experiência tão singular quanto magnífica.

A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.

Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.

Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?

Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?



Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.

As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.

E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.

Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.

Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.

A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.

Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.

Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Não é por vinte centavos

A arbitragem brasileira está sob protesto desde a rodada passada do Brasileirão. Reivindicam que se revogue o veto da Presidenta Dilma ao artigo do Profut que destinava 0,5% dos direitos de arena (grana paga pela TV aos “atores” do espetáculo) para os árbitros e assistentes.

É legítimo que uma categoria se mobilize para reivindicar aquilo que considera justo para si. Portanto, é bastante aceitável que organizem ações coletivas para chamar a atenção para a questão.



Mas, supondo que uma moeda caiu entre nós, nos abaixamos e cochichamos uns com os outros: eles merecem?

Não é de hoje que o debate acerca da profissionalização dos árbitros e assistentes se tornou fundamental para melhorar a qualidade da arbitragem no Brasil. Como um árbitro pode se preparar para as partidas tendo que vender imóveis durante a semana?

Porém, nada disso mereceu até hoje atenção especial por parte da arbitragem. Nunca antes na história desse país os árbitros moveram uma palha pelo seu próprio direito de ter carteira assinada, férias, décimo terceiro e, fundamentalmente, dedicação exclusiva ao ofício.

Dedicação que leva ao aprimoramento. Como os jogadores, que treinam a semana toda para exibirem o melhor de si para a torcida. Se não conseguem, são outros quinhentos.

Árbitro no Brasil passa a semana com a cabeça em outra coisa, para chegar no domingo e marcar pênaltis inexistentes, não dar os escandalosos, não ver impedimentos onde caberiam transatlânticos entre o atacante e o penúltimo homem da defesa. Enfim, todo tipo de absurdo.

Lembram de pedir o direito de arena, mas se esquecem de fazer uma autocrítica sobre o seu desempenho e reivindicar melhores condições para melhorá-lo.


Hoje, não merecem nem cinco centavos.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Castigo a galope

A demissão de treinadores no Brasil é tão corriqueira que merece um “demissiômetro” no Largo da Carioca para contar quantos já caíram ao longo do ano.



Este último final de semana foi exemplar dos efeitos dessa “cultura”. O Inter foi atropelado pelo Grêmio após demitir, sem maiores explicações, o treinador Diego Aguirre.

Ao mesmo tempo, Ricardo Gomes viu o Botafogo perder para o Santa Cruz. Uma derrota que lhe tirou a liderança da série B, posição onde se encontrava o alvinegro quando demitiu, sem muitas explicações, Renê Simões.

Por outro lado, Cristóvão não foi demitido do Flamengo. Mas convive com a eterna ameaça de demissão pela imprensa e parte da torcida. A sorte dele é que, pelo menos, a direção do clube está com ele.

O time que ataca cada vez mais a cada partida, ao mesmo tempo em que leva gols em lances de bola parada em jogos seguidos, é passível de críticas. Nem perto da sacanagem orquestrada contra o treinador rubro-negro. Não à toa, ele pode dizer que é vítima de racismo.

Renê Simões perdeu o emprego após cair na Copa do Brasil para um time da primeira divisão. À frente, por exemplo, do Vasco, campeão carioca.

Era o líder da série B, coisa que no início do ano era improvável dizer que aconteceria. Aliás, o Botafogo era, a princípio, o patinho feio, inclusive, do Carioca.

Diego Aguirre pecou por assumir a Libertadores como a sua competição, largando o Brasileiro. Mas foi vítima de uma covardia por parte da direção do Inter, que o demitiu em busca de um “fato novo”. Dito e feito, ganhou uma mão cheia de “fatos novos”, justamente, do Grêmio.


Enfim, essa dança das cadeiras entre treinadores só serve a empresários, que ganham comissões a cada contrato. Para o futebol, não tem a menor serventia.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tortura prolongada

Faça-se a seguinte pergunta. O que foi pior? Levar 7x1 da Alemanha em uma Copa no Brasil, ou ser eliminado pela segunda vez consecutiva pelo Paraguai, nas quartas-de-final da Copa América e nos pênaltis?



Independente da resposta de sua preferência, uma coisa é certa. O futebol apresentado pela seleção brasileira é lastimável. Consegue ser, ao mesmo tempo, feio, chato e quase inofensivo.

Para piorar, em qualquer situação dessas, o time era uma manteiga derretida do ponto de vista emocional. Um chora e sai correndo alucinadamente pelo campo, outro senta na bola e vira de costas, mete a mão na bola com os olhos fechados e reclama.

Os dirigentes da CBF, que controlam essa coisa toda com mão de ferro para não ficar sem o ouro, já deviam ter sido todos afastados. Eles não têm nem moral, nem competência para gerir o futebol brasileiro.

Nossos treinadores são meros batedores de palmas na beira do campo. Treinam seus times à base do “vamos lá”. E não abrem mão de seus “conceitos”, típicos da idade média do futebol. A política do pulso firme acumula rotundos fracassos.

MAIS UM POUQUINHO

No entanto, o futebol brasileiro dá poucos sinais de disposição para mudar. Os clubes são administrados como um “ratatá” de churrasco, que compra a carne, mas pendura o carvão. Ainda tem as federações estaduais, que são isso aí que você conhece. E a CBF, onde o Secretário-Geral é o único a aparecer, porque ainda não foi citado em investigação nenhuma.

O Brasileirão é tosco. Uma imensidão de jogos deploráveis, com poucos gols e quase nenhum craque.


Não é difícil imaginar que o resultado desse entulho dirigindo o nosso futebol seria uma sequência de micos. A seleção brasileira é a única que nunca deixou de participar de uma Copa do Mundo. Pelo menos, por enquanto.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Não toque em mim!

Poderia ser apenas uma frase de uma música sertaneja qualquer, mas para espanto de todos e todas é a postura da arbitragem neste Campeonato Brasileiro.

Esta coisa de jogador, treinador e qualquer outro ser humano não poder sequer falar com o árbitro, além de soar ridículo, é absolutamente autoritário. Digno de quem pensa o futebol da mesma forma em que pensou o país entre 1964 e 1985.



Ver o árbitro se portando como um Batman no alto de um prédio em Gotham City, com o peito estufado e olhando para o horizonte, diante de um jogador ou treinador que reclama, algumas vezes, com razão, é de doer.

Jogador expulso porque disse “não foi falta” é uma completa ausência de bom senso. A decisão do árbitro já é soberana por si só, sem a necessidade de imposição adicional. A reclamação é do jogo, cabendo ao árbitro ignorá-la ou puni-la em caso de abuso.

A punição como primeiro recurso só prejudica o jogo. A farta distribuição de cartões em uma partida amarra a mesma. Ninguém quer se arriscar a tomar o segundo e, assim, some do jogo.

BATE, MAS NÃO FALA

Ainda há outra questão. Igualar a reclamação à jogada violenta, além de absurdo, pode tornar a arbitragem mais tolerante com a pancada. Diante da determinação de evitar a “rodinha” em torno do árbitro, ao amarelar um ou outro e, ao mesmo tempo, não querer prejudicar o espetáculo com expulsões a rodo, a tendência é que o juiz “afine” na hora da pancada.

Resumidamente, a decisão da Comissão de Arbitragem da CBF é absurda, equivocada e inconsequente. O que não chega a ser uma surpresa, vindo de quem vem.


Não é de hoje, e nem só por isso, que a CBF é um poço de equívocos. Não à toa, seus dirigentes saem do Congresso da FIFA presos ou correndo.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Muita sede ao pote

Há quem acredite que viver cheio da grana, passeando em iates com belas modelos, frequentar os melhores hotéis e restaurantes do mundo, beber os melhores vinhos, é tudo na vida. Deve ser bom mesmo, mas a conta, de uma forma ou de outra, um dia chega.

Não é de hoje que a imprensa fustiga as extravagâncias dos homens ligados à FIFA. E não há problema algum falar em “homens”, porque mulheres neste meio são mero adorno. E de pensar que vem daí todas as decisões sobre o futebol feminino, por exemplo. Nada mais ilustrativo.

Mas a fortuna, em especial aquela adquirida de forma pouco ortodoxa, é um castelo de areia. Um dia cai, por mais que possa levar muito tempo.



E já tem tempo que esses magnatas da FIFA se divertem às custas da nossa paixão. O futebol, que é um meio de vida para milhões em todo o mundo, para eles é a própria vida. Todo o luxo e a luxúria possível no mundo se realizam através do futebol, que todos sabemos ser um grande negócio.

Dando uma olhada no nosso quintal, observamos o papel cumprido por João Havelange para que a FIFA se tornasse esse monstro. Um bicho que jorra dinheiro.

O ex-presidente da CBD (a CBF de outrora) e da FIFA, transformou o futebol mundial em uma máquina de sustentar toda a palhaçada acima referida. E deixou filhos adotivos ao longo do tempo.
Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, Nicolas Leóz e outras pragas, crias de Havelange, que venderam a paixão do brasileiro e de todo o continente americano para qualquer um que pudesse distribuir dinheiro na mão de todos eles. Muito dinheiro.

As investigações estão, depois de 24 anos chafurdando na lama da FIFA, tirando suas primeiras conclusões. A princípio, somente os sete presos, além de Nicolas Leóz e Jack Warner foram citados nominalmente no relatório. Sobre os outros, indícios bem fortes, mas apenas indícios. Até para Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo que contratava jogadores e não lhes pagava em suaves prestações, acabou sobrando.

O que desespera os demais figurões, como Del Nero, que saiu correndo da Suíça, é que o barbante só tem uma ponta para fora. Ainda há muito para puxar. E, quem diria, os EUA parecem dispostos a fazer isso. Embora os EUA sempre nos deem motivos para desconfiança.

Para salvar o futebol desta quadrilha da FIFA, existem duas iniciativas a ser tomadas.

Uma delas é institucional. É preciso aprovar a Medida Provisória 671, que trata da responsabilidade fiscal dos clubes de futebol e derrotar este Congresso que, se não abrirmos os olhos, revoga até a Lei Áurea.

A segunda é fundamental. Sem ela, não tem MP, não tem futebol, não tem nada. Os torcedores precisam se colocar nesta questão e ocupar as ruas pedindo as cabeças dos dirigentes da FIFA e da CBF.

Os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil – que entrou no ratatá da grana investigada – devem ter faixas, bandeiras, apitos, cornetas e, se for do gosto do freguês, até panelas nas arquibancadas denunciando esses caras.

Do ponto de vista simbólico, as investigações do FBI cumprirão o papel importante de mandar vários da quadrilha para execração pública. É ótimo, mas não é tudo.


Há quem financie tudo isso. Até então chamados de parceiros comerciais, amanhã não se sabe. Os tais parceiros não gostam de atrelar suas marcas a escândalos, a menos que ainda seja segredo.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cavalo selado

A teledramaturgia brasileira, que nos enche de orgulho pelo mundo afora, às vezes peca pelo roteiro pronto. Uma repetição de histórias com outros nomes, outras personagens e os mesmos dilemas e finais.

A vida é muito mais dinâmica, contraditória e curiosa do que as novelas. É na realidade que as pessoas se dão mais o direito de deixar passar o cavalo selado duas ou mais vezes, sem montá-lo.



A denúncia publicada por Jamil Chade, no Estadão, não chega a ser propriamente uma novidade, muito menos uma surpresa. É a comprovação documental do pão bolorento que é a CBF. A razão fundamental de cada gol alemão na Copa.

A CBF, que cuida mal de suas competições, terceirizou os cuidados com a seleção. Ou seja, a rigor, a entidade não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Dá saudades de caras como João Saldanha, que nunca admitiria a escalação de qualquer jogador por qualquer outra pessoa que não fosse ele mesmo.

A MESMA PRAÇA, O MESMO BANCO...

Sob nova direção, a CBF continua gerando renda (e não é pouca) ao ex-fugitivo Ricardo Teixeira. Através da seleção, mediando negociações de contratos. Passeando pelo mundo em paraísos fiscais.

É lamentável o “piti” de Walter Feldman, na Folha, contra Juca Kfouri. Sobram adjetivos para definir essa manifestação histérica e patética do homem responsável pela aproximação ainda maior e mais perigosa da CBF com o Congresso, de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

Não há nada de novo na CBF, como não havia na política nas últimas eleições. O projeto Marina, que mostrou-se mais do mesmo e tinha como parte o senhor Feldman, explica bem o que é a CBF atual. Mais do mesmo.


Já houve uma CPI da CBF, que deu com os burros n’água. Haverá outra? É hora de montar o cavalo.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vai começar a festa?

Neste final de semana começam os estaduais. Mas para o nosso quintal interessa mesmo o Carioca. O que ficou conhecido como “charmoso”, devido à queda acentuada de qualidade durante os anos 90, que se arrastou ao longo dos anos.

Não é nenhum absurdo creditar parte dos nossos insucessos ao grande feudo instalado na FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), encabeçado por Rubens Lopes, cria do lendário homem de “boa imagem”, o Caixa d’Água.



Nesse mato não tem só cachorro. Existe uma gama de bichos que devoram nosso campeonato ao longo dos anos.

A polêmica dos ingressos é pitoresca. A FERJ promove um festival de preços baixos, Flamengo e Fluminense se pronunciam contrários. Por trás de toda esta história, a figura de Eurico Miranda.

Apesar das razões comerciais da dupla Fla-Flu, não dá pra ser contra ingresso barato. Pega até mal, né não? Apesar da conhecida dupla Rubens-Eurico, existe a chance de o povo voltar aos estádios.

Na bola, pode ser melhor

Os times cariocas, fora da Libertadores, jogarão pra valer o estadual. A ligeira vantagem do Flamengo, neste ano de vacas magras, coloca mais pressão sobre o rubro-negro.

O Fluminense tenta segurar aquele que, hoje, é um bom time. Amanhã, ninguém sabe. No Vasco, time novo, treinador novo e um velho dirigente.

O Botafogo é uma incógnita cuja tarefa é voltar à elite do futebol nacional. Depois do desastroso ex-presidente, qualquer notícia de General Severiano já é melhor que as do ano passado.

O Bangu enfiou cinco no time chinês. Por mais que Vágner Love, Montillo e Cuca estejam praticamente dando um rolé por estas bandas, cinco é bastante coisa. Pode surpreender.

Já o time do Macaé, repleto de empresários fazendo testes, acabou de levar a Série C do Brasileiro. Será, no mínimo, curioso.


É pagar pra ver. Embora ainda discutam se será muito ou pouco.


Valeu,

Bruno Porpetta

De Cabral a Cabral, é muita cara de pau!

O Brasil, enquanto colônia portuguesa, saqueado dos índios de Pindorama, completará neste ano 515 de idade. Essa história toda começou com Cabral, o primeiro a contar para a metrópole europeia que existia um “continente” do lado de cá e que trocávamos qualquer coisa por espelhos.

Não é difícil imaginar que os indígenas mortos só se encontravam nesta condição porque resistiram e não queriam espelhos por nada nesta terra. Assim como em 2013 houve, tirando certas confusões de percurso, um levante dos que resistem nos dias atuais.

O desgaste ao governo Cabral, por mais que não tenha contribuído decisivamente em uma mudança mais profunda de valores, foi uma vitória dos que muitas vezes tombaram diante da “colonização”.

Assim como existe no futebol aquela vitória que não vale nada, o “ganhou, mas não levou”, há também a derrota que te classifica. Cabral perdeu lá, o atual governo Pezão se elege quase sem falar em Cabral, mas retornou em 2015.



A nomeação de Marco Antônio Cabral, filho dele de apenas 23 anos, para a Secretaria de Esportes e Juventude do Estado do Rio de Janeiro é um triunfo de Cabral. Uma demonstração de força, uma tiração de onda.

Marco Antônio, o novo secretário, foi eleito deputado federal pelo PMDB com a campanha mais cara dentre todas. Foram 6,7 milhões de reais despejados em sua campanha por empresas que mantiveram, mantém e manterão por mais algum tempo contratos com o governo do estado do Rio.

Cabralzinho agradece ao apoio e agora tem em mãos a secretaria decisiva para tocar os negócios dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. A turma do PMDB só não tem o Ministério dos Esportes, cujo titular é George Hilton, do qual já falamos antes. E não foi bem.


Cabe a nós, que derrubamos Cabral uma vez, caminhar para derrubá-lo de novo. Agora está em nossas mãos.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mais cômicos do que nunca

Os amigos de Aécio que dirigem o futebol brasileiro não se cansam de tirar uma onda com a nossa cara. Só podem ser humoristas, brincalhões, piadistas de mão cheia.



Não faz muito tempo, fomos humilhados dentro de casa com uma vergonhosa goleada por 7 a 1 aplicada pela Alemanha em plena capital mineira. Por muito menos do que isso, o goleiro Barbosa foi crucificado por 64 anos. Cada gol da Alemanha serviu para redimir o goleiro da Copa de 50.

Pois bem. Terminada a Copa de 2014, a CBF – tal como um vira-latas cheio de pulgas e carente de atenção – solicitou à Federação Alemã datas para uma “revanche”. Aliás, nem isso a CBF faz. Uma empresa chamada Pitch é a responsável por marcar os amistosos da seleção, em uma escandalosa terceirização de tarefas.

A Alemanha negou, pois já tem ocupadas todas as datas FIFA em 2015. O Brasil, ainda não. Nestas datas, o campeonato alemão vai parar para que seus jogadores disputem os amistosos por suas seleções. No Brasil, não.

Essa excrescência provoca situações bizarras como as do atacante Diego Tardelli e do goleiro Jefferson, que jogaram na terça em Cingapura contra o Japão.

O primeiro esteve em campo na quarta-feira em BH e, graças à classificação do Galo às semifinais da Copa do Brasil, se tornou herói. Já o segundo, deveria estar em campo na quinta, no Pacaembu. Não jogou e virou vilão para dirigentes e comissão técnica do Botafogo. Ambos vinham de 26 horas de vôo.

É inegável que o Brasil jogou bem contra a Argentina e que Neymar arrasou o Japão, como se fosse ele próprio uma bomba atômica. Daí a sermos “mais respeitados do que nunca”, como disse Marin, não é só um exagero. É um escárnio!

Parece que combinam tudo antes. Marin lança uma piada dessas, vem o Del Nero e emenda dizendo que os alemães “não querem enfrentar o Brasil”.


É pra rir?


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cotidiano

O leitor já deve estar cansado de ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.

A “margarida” que atende pelo nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu aparecer.



Chamou uma coletiva de imprensa e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.

Sheik, Bolívar, Julio César e Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.

Cá entre nós, imagina se o seu patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria para trabalhar?

A resposta para a primeira pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros. Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.

Esta situação no Botafogo se repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados improváveis.

Com cada vez menos jogadores no elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.

O eclíptico presidente coloca o Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes mais ativas contra os desmandos do sumido.


Quem é o próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
                                                

A torcida do Botafogo ora pelas almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete azul seja o próprio Assumpção.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tá tudo errado

Duas situações envolvendo o Botafogo demonstram a inversão de valores no futebol brasileiro. Uma delas nos tribunais, tão ou mais decisivos que os craques dentro de campo ultimamente. A outra, entre goles de cerveja e suculentos pedaços de carne, linguiças e drumetes.



O STJD julgou os casos de Emerson Sheik, que reclamou da arbitragem no jogo com o Bahia e disparou contra a CBF na saída do campo, e Airton, por pisar a cabeça de Pato na partida o São Paulo.

Sheik foi absolvido pelas críticas à CBF, mas pegou quatro jogos de suspensão por ofensas ao árbitro. Airton pegou dois jogos de gancho pela agressão. No mesmo julgamento, o meia Valdívia pegou também dois jogos pelo pisão em Amaral, no confronto entre Palmeiras e Flamengo.

Para o STJD ofender o árbitro é mais grave que pisar na cabeça de um companheiro de profissão. Para os jogadores fica a lição: melhor arrebentar alguém que se dirigir ofensivamente ao Deus todo-poderoso vestido de preto.

Nossa arbitragem, que anda de mal a pior, só falta ser condecorada pelos serviços prestados ao futebol. Após o jogo entre Santos e Goiás, onde os “castanheiras” não viram um gol esmeraldino onde entre a bola e a linha do gol cabia uma carreta, estes novos personagens do futebol foram alçados à condição de árbitros.

Deixam de prejudicar o jogo da linha de fundo e passam a fazer dentro do campo o que a pomba faz nos fios de alta tensão.

A outra situação aconteceu no churrasco do aniversariante Maurício Assumpção, presidente do Botafogo.

Os salários dos jogadores atrasam e Jefferson vai a público dizer que, para fugir do rebaixamento, o time só pode contar consigo mesmo, a comissão técnica e a torcida. Assumpção bebe, come e ri. Chorar e sofrer, só na frente da Presidenta Dilma.


A cartolagem brasileira não merece sequer um pão dormido.


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tempos sinistros

Emerson Sheik, por qualquer razão que se possa imaginar, expôs o quanto a CBF coloca nossa democracia à prova, retomando medos de outros tempos, quando falar o que se pensava era tratado como crime contra a segurança nacional.



Não importa se Sheik está “politizando” suas férias ou se acaba, involuntariamente, tornando-se uma liderança em um processo de questionamentos à CBF que se iniciou com o Bom Senso FC. Deve-se considerar, inclusive, a possibilidade de um processo coletivo arquitetado pelo próprio movimento, utilizando-se de novas figuras, como Sheik e Ganso.

O mais importante é falar e, principalmente, poder falar. Foi por este, e outros direitos, que muitos tombaram. Foram torturados, mortos e seus cadáveres foram ocultados, negando a suas famílias a simples chance de enterrá-los.

Nada que não vivemos nas favelas e periferias do país nos dias de hoje, mas existe um especial simbolismo nas mortes da ditadura militar. Uma referência em desrespeito aos direitos humanos.

Dentre as inúmeras similaridades que temos entre o presente e o passado, uma delas é o cerceamento ao direito de expressar suas opiniões. Por mais infames que possam ser, devem ser todas ditas.

A hipótese da punição a Emerson, já cogitada instantaneamente quando o atacante foi às câmeras de TV dizer que a CBF era uma vergonha, é um resquício muito grande destes tempos que ninguém nunca enterrará. A naturalização desta ideia é perigosíssima.

Uma coisa é a falta que provocou sua expulsão na partida. Por esta, ainda dá uma discussão. Pelo desabafo, nenhuma repreensão deve ser considerada normal.

Não é a toa que, ultimamente, vem ganhando força uma turma que adora deveres, mas tem pouco apreço por direitos, falando em “família”, “valores” e “moral”.


Que Deus nos proteja, mas que façamos por onde.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um convite ao sofá

O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.



Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do árbitro da Copa, diga-se de passagem.

Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva, com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.

Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.

Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.

O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.

Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.

O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco para quem quer ir à Libertadores.


Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas especialmente no bolso.


Valeu,


Bruno Porpetta