Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.
No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.
É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.
Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.
Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.
Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.
Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!
Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.
Nem que seja por escrito.
Bem-vind@s novamente!
Valeu,
Bruno Porpetta
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Trocando as moscas
Fazer que se está mudando tudo é a melhor forma de não se mudar nada.
Hoje, assistimos a uma faxina geral na FIFA, Conmebol, UEFA, federações nacionais, etc.
O ex-todo poderoso Blatter e seu provável sucessor Michel Platini foram punidos com uma suspensão de oito anos fora de qualquer atividade relacionada ao futebol.
Muito bem! Estaríamos assistindo a uma faxina ética na entidade que comanda o futebol no mundo?
É bom observar mais. A FIFA é presidida, desde o afastamento de Blatter e até 27 de fevereiro, quando ocorrerá o congresso eleitoral extraordinário, pelo camaronês Issa Hayatou, sobre quem pesam também uma gama enorme de acusações.
O próximo presidente da FIFA será eleito pelo mesmo colégio eleitoral. Ou seja, pela maioria de votos dentre as mais de 200 federações e confederações nacionais, além das confederações continentais.
O que ninguém vem questionando, até o momento, é justamente o papel das entidades que compõem o colégio eleitoral.
Não vou reproduzir o discurso mesquinho e racista de quem acha que o voto do Gabão não pode valer o mesmo que o da Itália. O que distancia Gabão e Itália é a geopolítica mundial, a economia dos países. O futebol, dentro de campo, é o mesmo. Uns com mais qualidade, outros com menos. Mas chutar uma bola é uma prerrogativa de oito a cada dez crianças em todo o mundo.
Mas as eleições na FIFA, diante do cenário econômico dos países e, por consequência, de suas federações, são marcadas pela troca de favores. Pela ajudinha financeira, travestida de auxílio no "desenvolvimento do futebol".
Ver jornalistas exaltando o papel de João Havelange na popularização do futebol nos quatro cantos do mundo chega a ser aviltante.
Como se o centro do império não tivesse intenção alguma de colocar a periferia no bolso e, assim, manter o controle sobre o vetor principal de onde a grana transita.
Isso é mais antigo que o guaraná com rolha.
João Havelange é, no máximo, um cara "moderno". Ou seja, quando ninguém ainda sabia como aquele negócio podia dar um belo dinheiro, Havelange foi lá e mostrou como. Ninguém tá nem aí pro esporte, esqueça disso.
O centro da questão, a meu ver, está justamente nas regras pouco democráticas que definem os dirigentes das federações nacionais e continentais.
O que nos remete ao cerne de tudo isso. Os clubes!
A falta de democracia e transparência começa na célula do organismo. Os clubes são microcosmos do que é a FIFA, a Conmebol, a CBF, etc...
Ou seja, as eleições da FIFA mudarão o presidente, o secretário-geral e outros... Para não mudar nada!
E a imprensa ainda acha que estão fazendo "reformas"...
Valeu,
Bruno Porpetta
Hoje, assistimos a uma faxina geral na FIFA, Conmebol, UEFA, federações nacionais, etc.
Foto: Eny Miranda/GOVERJ
O ex-todo poderoso Blatter e seu provável sucessor Michel Platini foram punidos com uma suspensão de oito anos fora de qualquer atividade relacionada ao futebol.
Muito bem! Estaríamos assistindo a uma faxina ética na entidade que comanda o futebol no mundo?
É bom observar mais. A FIFA é presidida, desde o afastamento de Blatter e até 27 de fevereiro, quando ocorrerá o congresso eleitoral extraordinário, pelo camaronês Issa Hayatou, sobre quem pesam também uma gama enorme de acusações.
O próximo presidente da FIFA será eleito pelo mesmo colégio eleitoral. Ou seja, pela maioria de votos dentre as mais de 200 federações e confederações nacionais, além das confederações continentais.
O que ninguém vem questionando, até o momento, é justamente o papel das entidades que compõem o colégio eleitoral.
Não vou reproduzir o discurso mesquinho e racista de quem acha que o voto do Gabão não pode valer o mesmo que o da Itália. O que distancia Gabão e Itália é a geopolítica mundial, a economia dos países. O futebol, dentro de campo, é o mesmo. Uns com mais qualidade, outros com menos. Mas chutar uma bola é uma prerrogativa de oito a cada dez crianças em todo o mundo.
Mas as eleições na FIFA, diante do cenário econômico dos países e, por consequência, de suas federações, são marcadas pela troca de favores. Pela ajudinha financeira, travestida de auxílio no "desenvolvimento do futebol".
Ver jornalistas exaltando o papel de João Havelange na popularização do futebol nos quatro cantos do mundo chega a ser aviltante.
Como se o centro do império não tivesse intenção alguma de colocar a periferia no bolso e, assim, manter o controle sobre o vetor principal de onde a grana transita.
Isso é mais antigo que o guaraná com rolha.
João Havelange é, no máximo, um cara "moderno". Ou seja, quando ninguém ainda sabia como aquele negócio podia dar um belo dinheiro, Havelange foi lá e mostrou como. Ninguém tá nem aí pro esporte, esqueça disso.
O centro da questão, a meu ver, está justamente nas regras pouco democráticas que definem os dirigentes das federações nacionais e continentais.
O que nos remete ao cerne de tudo isso. Os clubes!
A falta de democracia e transparência começa na célula do organismo. Os clubes são microcosmos do que é a FIFA, a Conmebol, a CBF, etc...
Ou seja, as eleições da FIFA mudarão o presidente, o secretário-geral e outros... Para não mudar nada!
E a imprensa ainda acha que estão fazendo "reformas"...
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Óleo de peroba
Se você acha que a política é um
meio sujo, você ainda não conhece o mundo do futebol.
Sobre a política ainda é possível
exercer algum controle público, existem instrumentos e mecanismos de defesa do
interesse coletivo. Por mais que lhe neguem acesso cada vez mais, algum acesso
você tem.
No futebol, tal como no tráfico
de drogas, armas, contrabando e quaisquer atividades criminosas em todo o
mundo, existe uma estrutura paralela ao “nosso mundo” onde rola muita grana.
Este dinheiro que você não sabe
de onde vem, tampouco sabe para onde vai. Mas, por onde passa, vai enriquecendo
dirigentes e empresários que se valem da nossa paixão pelo esporte.
É possível que a real intenção
das investigações tocadas conjuntamente pelo FBI e a justiça suíça não seja das
mais nobres, mas elas estão provocando um estrago danado ao que parecia um
eterno sossego destes aproveitadores do futebol.
Joseph Blatter, que a princípio
não larga o osso até fevereiro de 2016, está na mira dos suíços. Seu provável
substituto, Michel Platini, também ganhou motivos para arregalar os olhos, com
seu nome citado como destinatário de parte da bufunfa.
Enquanto isso, Zico não consegue
míseras cinco cartas de recomendação para seguir adiante em sua candidatura à
presidência da FIFA. Ele pode não ser santo, mas decididamente não faz parte do
esquema.
A barbárie no mundo do futebol é
tamanha que, diante das investigações sobre um suposto calote em impostos dado
por Neymar aqui no Brasil, o empresário do atleta “recomenda” publicamente que
o pai – aquele que levou a comissão mais gorda da história por uma transação de
jogador – tire seu dinheiro do país e o leve para paraísos fiscais.
É o espírito olímpico da cara de
pau, superando limites.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Nome aos bois
Aos poucos, os caras que controlam
o futebol brasileiro transformaram o esporte em uma vaca, que lhes deu leite
aos litros por muito tempo. Continua dando, mas a teta dá sinais de que pode
secar.
O Estatuto do Torcedor, dentre os
méritos que possui, um deles é o fim da esculhambação de regulamentos das
competições. Ou seja, um regulamento não muda durante o campeonato, nem para o
do ano seguinte. O que acaba com qualquer chance da tal virada de mesa que pode
salvar o Vasco no fim do ano.
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil
Mas existem coisas que são de
competência exclusiva das entidades que administram o esporte. Leia-se, estão
na mão da CBF e federações estaduais. Aí, você já pode imaginar o resto.
A arbitragem é uma destas tarefas.
Portanto, a culpa de toda essa bagunça no Brasileirão, provocada por uma
bobagem maior que a outra feita pelos apitadores, é da CBF.
Marco Polo Del Nero, que está
exilado em seu próprio país, pois não existe qualquer lugar no mundo que seja o
paraíso penal para ricos como o Brasil, é quem “organiza” essa balbúrdia toda.
Isso para não falar de um que já está preso, outro processado,...
A resistência da CBF em admitir a
profissionalização dos árbitros, o uso da tecnologia e a racionalidade das
escalas provoca a situação do último Fla-Flu, onde o zagueiro Wallace enfia o
braço na bola e o olho despreparado do sujeito não vê. Para não falar dos outros
inúmeros crimes cometidos país afora.
Esta direção do nosso futebol é
responsável pelo desinteresse crescente do público pelo campeonato. Assim como
provocou o desdém pela nossa seleção, alvo de piadas até hoje envolvendo os
números sete e um.
A seleção joga, desfalca os
times, e ninguém vê. Ainda prefere o Brasileirão. Não se sabe até quando.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
As máscaras do Brasileirão
Nobres leitores e leitoras. Eu andava até meio paradão por aqui, mas a situação da arbitragem me força a escrever um bocadinho.
Peço licença para meter a mão nessa cumbuca.
O que se vê durante o campeonato, mexido pelos erros de arbitragem, é curioso.
Os árbitros, diante de tantas bobagens que tem feito, adiam o início dos jogos para pedir 0,5% do direito de arena dos clubes. Ou seja, ao invés de pedir a profissionalização da profissão, com dedicação exclusiva à arbitragem, o que reduz a possibilidade de erros bisonhos, pelo menos.
Poderia enumerar inúmeras vantagens da profissionalização dos árbitros, mas talvez esse seja um assunto já batido. É tão óbvio, que não tem muito o que explicar.
Nada mais normal que um profissional apitar jogos entre profissionais.
Os clubes, por sua vez, conseguem uma proeza.
Unem a justeza de todas as palavras dirigidas aos árbitros ao mero denuncismo barato, sem nomes, sem evidências, só ilações.
Segundo alguns dirigentes, pode haver um esquema a favor do Corinthians levado a cabo pela arbitragem. Jura mesmo?
O Corinthians, apesar de ter sido beneficiado em alguns lances (o que não inclui o jogo contra o Sport), voltou a ser uma máquina de estabilidade. A mesma que levou Tite a outros títulos, em anos anteriores, pelo clube.
Tem o futebol mais redondo do momento. Merece estar onde está.
O que pode se discutir é um ou dois pontos a mais de vantagem. Que é importante, mas não fundamental.
O Atlético-MG, que tem o futebol mais bonito, vem sentindo o desgaste e, em alguns jogos, foi mal. É bom que recupere seu melhor futebol, sob pena de não pegar mais o Corinthians na liderança até o final.
Creditar tudo aos árbitros, se sentir perseguido e tal, já é um exagero.
O Fluminense também pode reclamar bastante da arbitragem. Até do jogo contra a Chapecoense, onde ficou evidente que o árbitro demorou, mas marcou corretamente. Ajudado pelo quinto árbitro, que estava ligado na TV, embora não pudesse, mas devesse.
Este é outro escândalo. A adoção da tecnologia no futebol é urgente. Cada ano que passa, o futebol vai ficando mais difícil para o olho nu.
Deve reclamar do gol mal anulado contra o Corinthians, que pode ter decidido o resultado. Impedimento fácil de dar, que o bandeirinha teve toda a convicção do mundo na maior bobagem da sua vida. Foi tão escandaloso que até gancho pegou o sujeito.
Assim como foi escandalosa a manchete de vôlei dada pelo zagueiro Wallace, no Fla-Flu.
Daí por diante, vira papo de boteco. Criam-se as teses mais mirabolantes para explicar derrotas que, apesar dos erros de arbitragem, aconteceriam de qualquer forma.
Em suma, muito da imagem que se faz do campeonato é reflexo da imagem que tem a CBF diante dos olhos de todos.
Quem vai acreditar em um campeonato, ou em sua arbitragem, organizado por um sujeito que tem pânico de sair do Brasil, pois pode ser preso em qualquer outro lugar que não esse paraíso penal para ricos que é o nosso país?
Aí, toda teoria tem sua razão de ser, mesmo que não tenha razão nenhuma.
Valeu,
Bruno Porpetta
Peço licença para meter a mão nessa cumbuca.
O que se vê durante o campeonato, mexido pelos erros de arbitragem, é curioso.
Os árbitros, diante de tantas bobagens que tem feito, adiam o início dos jogos para pedir 0,5% do direito de arena dos clubes. Ou seja, ao invés de pedir a profissionalização da profissão, com dedicação exclusiva à arbitragem, o que reduz a possibilidade de erros bisonhos, pelo menos.
Poderia enumerar inúmeras vantagens da profissionalização dos árbitros, mas talvez esse seja um assunto já batido. É tão óbvio, que não tem muito o que explicar.
Nada mais normal que um profissional apitar jogos entre profissionais.
Os clubes, por sua vez, conseguem uma proeza.
Unem a justeza de todas as palavras dirigidas aos árbitros ao mero denuncismo barato, sem nomes, sem evidências, só ilações.
Segundo alguns dirigentes, pode haver um esquema a favor do Corinthians levado a cabo pela arbitragem. Jura mesmo?
O Corinthians, apesar de ter sido beneficiado em alguns lances (o que não inclui o jogo contra o Sport), voltou a ser uma máquina de estabilidade. A mesma que levou Tite a outros títulos, em anos anteriores, pelo clube.
Tem o futebol mais redondo do momento. Merece estar onde está.
O que pode se discutir é um ou dois pontos a mais de vantagem. Que é importante, mas não fundamental.
O Atlético-MG, que tem o futebol mais bonito, vem sentindo o desgaste e, em alguns jogos, foi mal. É bom que recupere seu melhor futebol, sob pena de não pegar mais o Corinthians na liderança até o final.
Creditar tudo aos árbitros, se sentir perseguido e tal, já é um exagero.
O Fluminense também pode reclamar bastante da arbitragem. Até do jogo contra a Chapecoense, onde ficou evidente que o árbitro demorou, mas marcou corretamente. Ajudado pelo quinto árbitro, que estava ligado na TV, embora não pudesse, mas devesse.
Este é outro escândalo. A adoção da tecnologia no futebol é urgente. Cada ano que passa, o futebol vai ficando mais difícil para o olho nu.
Deve reclamar do gol mal anulado contra o Corinthians, que pode ter decidido o resultado. Impedimento fácil de dar, que o bandeirinha teve toda a convicção do mundo na maior bobagem da sua vida. Foi tão escandaloso que até gancho pegou o sujeito.
Assim como foi escandalosa a manchete de vôlei dada pelo zagueiro Wallace, no Fla-Flu.
Daí por diante, vira papo de boteco. Criam-se as teses mais mirabolantes para explicar derrotas que, apesar dos erros de arbitragem, aconteceriam de qualquer forma.
Em suma, muito da imagem que se faz do campeonato é reflexo da imagem que tem a CBF diante dos olhos de todos.
Quem vai acreditar em um campeonato, ou em sua arbitragem, organizado por um sujeito que tem pânico de sair do Brasil, pois pode ser preso em qualquer outro lugar que não esse paraíso penal para ricos que é o nosso país?
Aí, toda teoria tem sua razão de ser, mesmo que não tenha razão nenhuma.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Ah! Esses dirigentes..
O presidente da CBF, Marco Polo
Del Nero, não acompanhou a seleção aos Estados Unidos, onde disputará amistosos
e desfalcará times brasileiros no andamento do Brasileirão.
Se viajar, provavelmente não
volta.
Este mesmo sujeito anunciou,
quase ao mesmo tempo, o calendário do futebol brasileiro para 2016 e o possível
fim do horário de 22h nos jogos do campeonato.
Enquanto condena nossos clubes a
passarem quase um mês desfalcados durante as principais competições do país,
faz uma média, em prévio acordo com a emissora que detém os direitos de
transmissão do futebol, com a galera.
O fim desse horário indecente do
futebol no Brasil era uma reivindicação antiga de quem, ao menos, tem o tal do
polegar opositor. A mudança anteciparia em 20 minutos o início das partidas. Às
21h40, ficou melhor para você?
Del Nero não veio do nada, ele é
produto de outros tantos dirigentes de clubes e federações. Como Eurico
Miranda, que acredita na possibilidade de ampliar o número de clubes na Série A
do ano que vem. O Estatuto do Torcedor impede que isso aconteça. Não passa de
galhofa.
Mas curioso mesmo é o caso do
Cruzeiro. O presidente Gilvan vai a público demitir Luxemburgo, após ter
demitido Marcelo Oliveira, que o eliminou da Copa do Brasil, sem confessar
nenhum erro.
Jogou a culpa na imprensa e na
torcida. Dá para levar a sério?
Este sujeito vota na federação,
que vota na CBF. É o começo da cadeia alimentar no futebol brasileiro. Onde um
engole o outro e todos engolem o nosso futebol.
Os nossos dirigentes mantêm
negócios em paraísos fiscais, vivendo no paraíso penal, para ricos, brancos e
bem vestidos, que é o Brasil. Prisão aqui é só para garotos indo à praia,
coincidentemente todos negros e pobres.
Gol da Alemanha.
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 29 de agosto de 2015
Do que nos faz tanta falta
Acabo de assistir ao documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg, que retrata o período onde um dos clubes mais populares do país viveu uma experiência tão singular quanto magnífica.
A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.
Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.
Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?
Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?
Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.
As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.
E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.
Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.
Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.
A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.
Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.
Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.
Valeu,
Bruno Porpetta
A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.
Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.
Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?
Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?
Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.
As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.
E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.
Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.
Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.
A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.
Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.
Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Não é por vinte centavos
A arbitragem brasileira está sob protesto desde a rodada
passada do Brasileirão. Reivindicam que se revogue o veto da Presidenta Dilma
ao artigo do Profut que destinava 0,5% dos direitos de arena (grana paga pela
TV aos “atores” do espetáculo) para os árbitros e assistentes.
É legítimo que uma categoria se mobilize para reivindicar
aquilo que considera justo para si. Portanto, é bastante aceitável que
organizem ações coletivas para chamar a atenção para a questão.
Mas, supondo que uma moeda caiu entre nós, nos abaixamos e
cochichamos uns com os outros: eles merecem?
Não é de hoje que o debate acerca da profissionalização dos
árbitros e assistentes se tornou fundamental para melhorar a qualidade da
arbitragem no Brasil. Como um árbitro pode se preparar para as partidas tendo
que vender imóveis durante a semana?
Porém, nada disso mereceu até hoje atenção especial por
parte da arbitragem. Nunca antes na história desse país os árbitros moveram uma
palha pelo seu próprio direito de ter carteira assinada, férias, décimo
terceiro e, fundamentalmente, dedicação exclusiva ao ofício.
Dedicação que leva ao aprimoramento. Como os jogadores, que
treinam a semana toda para exibirem o melhor de si para a torcida. Se não
conseguem, são outros quinhentos.
Árbitro no Brasil passa a semana com a cabeça em outra
coisa, para chegar no domingo e marcar pênaltis inexistentes, não dar os
escandalosos, não ver impedimentos onde caberiam transatlânticos entre o
atacante e o penúltimo homem da defesa. Enfim, todo tipo de absurdo.
Lembram de pedir o direito de arena, mas se esquecem de
fazer uma autocrítica sobre o seu desempenho e reivindicar melhores condições
para melhorá-lo.
Hoje, não merecem nem cinco centavos.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Castigo a galope
A demissão de treinadores no Brasil é tão corriqueira que merece
um “demissiômetro” no Largo da Carioca para contar quantos já caíram ao longo
do ano.
Este último final de semana foi exemplar dos efeitos dessa “cultura”.
O Inter foi atropelado pelo Grêmio após demitir, sem maiores explicações, o
treinador Diego Aguirre.
Ao mesmo tempo, Ricardo Gomes viu o Botafogo perder para o
Santa Cruz. Uma derrota que lhe tirou a liderança da série B, posição onde se
encontrava o alvinegro quando demitiu, sem muitas explicações, Renê Simões.
Por outro lado, Cristóvão não foi demitido do Flamengo. Mas
convive com a eterna ameaça de demissão pela imprensa e parte da torcida. A
sorte dele é que, pelo menos, a direção do clube está com ele.
O time que ataca cada vez mais a cada partida, ao mesmo
tempo em que leva gols em lances de bola parada em jogos seguidos, é passível
de críticas. Nem perto da sacanagem orquestrada contra o treinador rubro-negro.
Não à toa, ele pode dizer que é vítima de racismo.
Renê Simões perdeu o emprego após cair na Copa do Brasil para
um time da primeira divisão. À frente, por exemplo, do Vasco, campeão carioca.
Era o líder da série B, coisa que no início do ano era improvável
dizer que aconteceria. Aliás, o Botafogo era, a princípio, o patinho feio,
inclusive, do Carioca.
Diego Aguirre pecou por assumir a Libertadores como a sua competição,
largando o Brasileiro. Mas foi vítima de uma covardia por parte da direção do
Inter, que o demitiu em busca de um “fato novo”. Dito e feito, ganhou uma mão
cheia de “fatos novos”, justamente, do Grêmio.
Enfim, essa dança das cadeiras entre treinadores só serve a
empresários, que ganham comissões a cada contrato. Para o futebol, não tem a
menor serventia.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Tortura prolongada
Faça-se a seguinte pergunta. O
que foi pior? Levar 7x1 da Alemanha em uma Copa no Brasil, ou ser eliminado
pela segunda vez consecutiva pelo Paraguai, nas quartas-de-final da Copa
América e nos pênaltis?
Independente da resposta de sua
preferência, uma coisa é certa. O futebol apresentado pela seleção brasileira é
lastimável. Consegue ser, ao mesmo tempo, feio, chato e quase inofensivo.
Para piorar, em qualquer situação
dessas, o time era uma manteiga derretida do ponto de vista emocional. Um chora
e sai correndo alucinadamente pelo campo, outro senta na bola e vira de costas,
mete a mão na bola com os olhos fechados e reclama.
Os dirigentes da CBF, que
controlam essa coisa toda com mão de ferro para não ficar sem o ouro, já deviam
ter sido todos afastados. Eles não têm nem moral, nem competência para gerir o
futebol brasileiro.
Nossos treinadores são meros
batedores de palmas na beira do campo. Treinam seus times à base do “vamos lá”.
E não abrem mão de seus “conceitos”, típicos da idade média do futebol. A
política do pulso firme acumula rotundos fracassos.
MAIS UM POUQUINHO
No entanto, o futebol brasileiro
dá poucos sinais de disposição para mudar. Os clubes são administrados como um
“ratatá” de churrasco, que compra a carne, mas pendura o carvão. Ainda tem as
federações estaduais, que são isso aí que você conhece. E a CBF, onde o
Secretário-Geral é o único a aparecer, porque ainda não foi citado em
investigação nenhuma.
O Brasileirão é tosco. Uma
imensidão de jogos deploráveis, com poucos gols e quase nenhum craque.
Não é difícil imaginar que o
resultado desse entulho dirigindo o nosso futebol seria uma sequência de micos.
A seleção brasileira é a única que nunca deixou de participar de uma Copa do
Mundo. Pelo menos, por enquanto.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Não toque em mim!
Poderia ser apenas uma frase de
uma música sertaneja qualquer, mas para espanto de todos e todas é a postura da
arbitragem neste Campeonato Brasileiro.
Esta coisa de jogador, treinador
e qualquer outro ser humano não poder sequer falar com o árbitro, além de soar ridículo,
é absolutamente autoritário. Digno de quem pensa o futebol da mesma forma em
que pensou o país entre 1964 e 1985.
Ver o árbitro se portando como um
Batman no alto de um prédio em Gotham
City, com o peito estufado e olhando para o horizonte, diante de um jogador ou
treinador que reclama, algumas vezes, com razão, é de doer.
Jogador expulso porque disse “não
foi falta” é uma completa ausência de bom senso. A decisão do árbitro já é
soberana por si só, sem a necessidade de imposição adicional. A reclamação é do
jogo, cabendo ao árbitro ignorá-la ou puni-la em caso de abuso.
A punição como primeiro recurso
só prejudica o jogo. A farta distribuição de cartões em uma partida amarra a
mesma. Ninguém quer se arriscar a tomar o segundo e, assim, some do jogo.
BATE, MAS NÃO FALA
Ainda há outra questão. Igualar a
reclamação à jogada violenta, além de absurdo, pode tornar a arbitragem mais
tolerante com a pancada. Diante da determinação de evitar a “rodinha” em torno
do árbitro, ao amarelar um ou outro e, ao mesmo tempo, não querer prejudicar o
espetáculo com expulsões a rodo, a tendência é que o juiz “afine” na hora da
pancada.
Resumidamente, a decisão da
Comissão de Arbitragem da CBF é absurda, equivocada e inconsequente. O que não
chega a ser uma surpresa, vindo de quem vem.
Não é de hoje, e nem só por isso,
que a CBF é um poço de equívocos. Não à toa, seus dirigentes saem do Congresso
da FIFA presos ou correndo.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Muita sede ao pote
Há quem acredite que viver cheio da grana, passeando em
iates com belas modelos, frequentar os melhores hotéis e restaurantes do mundo,
beber os melhores vinhos, é tudo na vida. Deve ser bom mesmo, mas a conta, de
uma forma ou de outra, um dia chega.
Não é de hoje que a imprensa fustiga as extravagâncias dos
homens ligados à FIFA. E não há problema algum falar em “homens”, porque
mulheres neste meio são mero adorno. E de pensar que vem daí todas as decisões
sobre o futebol feminino, por exemplo. Nada mais ilustrativo.
Mas a fortuna, em especial aquela adquirida de forma pouco
ortodoxa, é um castelo de areia. Um dia cai, por mais que possa levar muito
tempo.
E já tem tempo que esses magnatas da FIFA se divertem às
custas da nossa paixão. O futebol, que é um meio de vida para milhões em todo o
mundo, para eles é a própria vida. Todo o luxo e a luxúria possível no mundo se
realizam através do futebol, que todos sabemos ser um grande negócio.
Dando uma olhada no nosso quintal, observamos o papel
cumprido por João Havelange para que a FIFA se tornasse esse monstro. Um bicho
que jorra dinheiro.
O ex-presidente da CBD (a CBF de outrora) e da FIFA,
transformou o futebol mundial em uma máquina de sustentar toda a palhaçada
acima referida. E deixou filhos adotivos ao longo do tempo.
Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, Nicolas Leóz e outras
pragas, crias de Havelange, que venderam a paixão do brasileiro e de todo o
continente americano para qualquer um que pudesse distribuir dinheiro na mão de
todos eles. Muito dinheiro.
As investigações estão, depois de 24 anos chafurdando na
lama da FIFA, tirando suas primeiras conclusões. A princípio, somente os sete
presos, além de Nicolas Leóz e Jack Warner foram citados nominalmente no relatório.
Sobre os outros, indícios bem fortes, mas apenas indícios. Até para Kleber
Leite, ex-presidente do Flamengo que contratava jogadores e não lhes pagava em
suaves prestações, acabou sobrando.
O que desespera os demais figurões, como Del Nero, que saiu
correndo da Suíça, é que o barbante só tem uma ponta para fora. Ainda há muito
para puxar. E, quem diria, os EUA parecem dispostos a fazer isso. Embora os EUA
sempre nos deem motivos para desconfiança.
Para salvar o futebol desta quadrilha da FIFA, existem duas
iniciativas a ser tomadas.
Uma delas é institucional. É preciso aprovar a Medida
Provisória 671, que trata da responsabilidade fiscal dos clubes de futebol e
derrotar este Congresso que, se não abrirmos os olhos, revoga até a Lei Áurea.
A segunda é fundamental. Sem ela, não tem MP, não tem
futebol, não tem nada. Os torcedores precisam se colocar nesta questão e ocupar
as ruas pedindo as cabeças dos dirigentes da FIFA e da CBF.
Os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil – que entrou
no ratatá da grana investigada – devem ter faixas, bandeiras, apitos, cornetas
e, se for do gosto do freguês, até panelas nas arquibancadas denunciando esses
caras.
Do ponto de vista simbólico, as investigações do FBI cumprirão
o papel importante de mandar vários da quadrilha para execração pública. É
ótimo, mas não é tudo.
Há quem financie tudo isso. Até então chamados de parceiros comerciais,
amanhã não se sabe. Os tais parceiros não gostam de atrelar suas marcas a
escândalos, a menos que ainda seja segredo.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Cavalo selado
A teledramaturgia brasileira, que
nos enche de orgulho pelo mundo afora, às vezes peca pelo roteiro pronto. Uma
repetição de histórias com outros nomes, outras personagens e os mesmos dilemas
e finais.
A vida é muito mais dinâmica,
contraditória e curiosa do que as novelas. É na realidade que as pessoas se dão
mais o direito de deixar passar o cavalo selado duas ou mais vezes, sem
montá-lo.
A denúncia publicada por Jamil
Chade, no Estadão, não chega a ser
propriamente uma novidade, muito menos uma surpresa. É a comprovação documental
do pão bolorento que é a CBF. A razão fundamental de cada gol alemão na Copa.
A CBF, que cuida mal de suas
competições, terceirizou os cuidados com a seleção. Ou seja, a rigor, a
entidade não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Dá saudades de caras como
João Saldanha, que nunca admitiria a escalação de qualquer jogador por qualquer
outra pessoa que não fosse ele mesmo.
A MESMA PRAÇA, O MESMO BANCO...
Sob nova direção, a CBF continua
gerando renda (e não é pouca) ao ex-fugitivo Ricardo Teixeira. Através da
seleção, mediando negociações de contratos. Passeando pelo mundo em paraísos
fiscais.
É lamentável o “piti” de Walter
Feldman, na Folha, contra Juca
Kfouri. Sobram adjetivos para definir essa manifestação histérica e patética do
homem responsável pela aproximação ainda maior e mais perigosa da CBF com o
Congresso, de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
Não há nada de novo na CBF, como
não havia na política nas últimas eleições. O projeto Marina, que mostrou-se
mais do mesmo e tinha como parte o senhor Feldman, explica bem o que é a CBF
atual. Mais do mesmo.
Já houve uma CPI da CBF, que deu
com os burros n’água. Haverá outra? É hora de montar o cavalo.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Vai começar a festa?
Neste final de semana começam os estaduais.
Mas para o nosso quintal interessa mesmo o Carioca. O que ficou conhecido como “charmoso”,
devido à queda acentuada de qualidade durante os anos 90, que se arrastou ao
longo dos anos.
Não é nenhum absurdo creditar
parte dos nossos insucessos ao grande feudo instalado na FERJ (Federação de
Futebol do Estado do Rio de Janeiro), encabeçado por Rubens Lopes, cria do
lendário homem de “boa imagem”, o Caixa d’Água.
Nesse mato não tem só cachorro.
Existe uma gama de bichos que devoram nosso campeonato ao longo dos anos.
A polêmica dos ingressos é
pitoresca. A FERJ promove um festival de preços baixos, Flamengo e Fluminense
se pronunciam contrários. Por trás de toda esta história, a figura de Eurico
Miranda.
Apesar das razões comerciais da
dupla Fla-Flu, não dá pra ser contra ingresso barato. Pega até mal, né não?
Apesar da conhecida dupla Rubens-Eurico, existe a chance de o povo voltar aos
estádios.
Na bola, pode ser melhor
Os times cariocas, fora da Libertadores,
jogarão pra valer o estadual. A ligeira vantagem do Flamengo, neste ano de
vacas magras, coloca mais pressão sobre o rubro-negro.
O Fluminense tenta segurar aquele
que, hoje, é um bom time. Amanhã, ninguém sabe. No Vasco, time novo, treinador
novo e um velho dirigente.
O Botafogo é uma incógnita cuja
tarefa é voltar à elite do futebol nacional. Depois do desastroso ex-presidente,
qualquer notícia de General Severiano já é melhor que as do ano passado.
O Bangu enfiou cinco no time chinês.
Por mais que Vágner Love, Montillo e Cuca estejam praticamente dando um rolé
por estas bandas, cinco é bastante coisa. Pode surpreender.
Já o time do Macaé, repleto de
empresários fazendo testes, acabou de levar a Série C do Brasileiro. Será, no
mínimo, curioso.
É pagar pra ver. Embora ainda discutam
se será muito ou pouco.
Valeu,
Bruno Porpetta
De Cabral a Cabral, é muita cara de pau!
O Brasil, enquanto colônia
portuguesa, saqueado dos índios de Pindorama, completará neste ano 515 de
idade. Essa história toda começou com Cabral, o primeiro a contar para a
metrópole europeia que existia um “continente” do lado de cá e que trocávamos
qualquer coisa por espelhos.
Não é difícil imaginar que os
indígenas mortos só se encontravam nesta condição porque resistiram e não
queriam espelhos por nada nesta terra. Assim como em 2013 houve, tirando certas
confusões de percurso, um levante dos que resistem nos dias atuais.
O desgaste ao governo Cabral, por
mais que não tenha contribuído decisivamente em uma mudança mais profunda de
valores, foi uma vitória dos que muitas vezes tombaram diante da “colonização”.
Assim como existe no futebol
aquela vitória que não vale nada, o “ganhou, mas não levou”, há também a
derrota que te classifica. Cabral perdeu lá, o atual governo Pezão se elege
quase sem falar em Cabral, mas retornou em 2015.
A nomeação de Marco Antônio
Cabral, filho dele de apenas 23 anos, para a Secretaria de Esportes e Juventude
do Estado do Rio de Janeiro é um triunfo de Cabral. Uma demonstração de força,
uma tiração de onda.
Marco Antônio, o novo secretário,
foi eleito deputado federal pelo PMDB com a campanha mais cara dentre todas.
Foram 6,7 milhões de reais despejados em sua campanha por empresas que
mantiveram, mantém e manterão por mais algum tempo contratos com o governo do
estado do Rio.
Cabralzinho agradece ao apoio e
agora tem em mãos a secretaria decisiva para tocar os negócios dos Jogos
Olímpicos do Rio 2016. A turma do PMDB só não tem o Ministério dos Esportes,
cujo titular é George Hilton, do qual já falamos antes. E não foi bem.
Cabe a nós, que derrubamos Cabral
uma vez, caminhar para derrubá-lo de novo. Agora está em nossas mãos.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Mais cômicos do que nunca
Os amigos de Aécio que dirigem o
futebol brasileiro não se cansam de tirar uma onda com a nossa cara. Só podem
ser humoristas, brincalhões, piadistas de mão cheia.
Não faz muito tempo, fomos
humilhados dentro de casa com uma vergonhosa goleada por 7 a 1 aplicada pela
Alemanha em plena capital mineira. Por muito menos do que isso, o goleiro
Barbosa foi crucificado por 64 anos. Cada gol da Alemanha serviu para redimir o
goleiro da Copa de 50.
Pois bem. Terminada a Copa de
2014, a CBF – tal como um vira-latas cheio de pulgas e carente de atenção –
solicitou à Federação Alemã datas para uma “revanche”. Aliás, nem isso a CBF
faz. Uma empresa chamada Pitch é a responsável por marcar os amistosos da
seleção, em uma escandalosa terceirização de tarefas.
A Alemanha negou, pois já tem
ocupadas todas as datas FIFA em 2015. O Brasil, ainda não. Nestas datas, o
campeonato alemão vai parar para que seus jogadores disputem os amistosos por
suas seleções. No Brasil, não.
Essa excrescência provoca
situações bizarras como as do atacante Diego Tardelli e do goleiro Jefferson,
que jogaram na terça em Cingapura contra o Japão.
O primeiro esteve em campo na
quarta-feira em BH e, graças à classificação do Galo às semifinais da Copa do
Brasil, se tornou herói. Já o segundo, deveria estar em campo na quinta, no
Pacaembu. Não jogou e virou vilão para dirigentes e comissão técnica do
Botafogo. Ambos vinham de 26 horas de vôo.
É inegável que o Brasil jogou bem
contra a Argentina e que Neymar arrasou o Japão, como se fosse ele próprio uma
bomba atômica. Daí a sermos “mais respeitados do que nunca”, como disse Marin,
não é só um exagero. É um escárnio!
Parece que combinam tudo antes.
Marin lança uma piada dessas, vem o Del Nero e emenda dizendo que os alemães “não
querem enfrentar o Brasil”.
É pra rir?
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Cotidiano
O leitor já deve estar cansado de
ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.
A “margarida” que atende pelo
nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que
transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu
aparecer.
Chamou uma coletiva de imprensa
e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por
tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.
Sheik, Bolívar, Julio César e
Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o
desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.
Cá entre nós, imagina se o seu
patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria
para trabalhar?
A resposta para a primeira
pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros.
Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.
Esta situação no Botafogo se
repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram
recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco
a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados
improváveis.
Com cada vez menos jogadores no
elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que
qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.
O eclíptico presidente coloca o
Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito
com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes
mais ativas contra os desmandos do sumido.
Quem é o
próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
A torcida do Botafogo ora pelas
almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete
azul seja o próprio Assumpção.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Tá tudo errado
Duas situações envolvendo o
Botafogo demonstram a inversão de valores no futebol brasileiro. Uma delas nos
tribunais, tão ou mais decisivos que os craques dentro de campo ultimamente. A
outra, entre goles de cerveja e suculentos pedaços de carne, linguiças e
drumetes.
O STJD julgou os casos de Emerson
Sheik, que reclamou da arbitragem no jogo com o Bahia e disparou contra a CBF
na saída do campo, e Airton, por pisar a cabeça de Pato na partida o São Paulo.
Sheik foi absolvido pelas
críticas à CBF, mas pegou quatro jogos de suspensão por ofensas ao árbitro.
Airton pegou dois jogos de gancho pela agressão. No mesmo julgamento, o meia
Valdívia pegou também dois jogos pelo pisão em Amaral, no confronto entre
Palmeiras e Flamengo.
Para o STJD ofender o árbitro é mais
grave que pisar na cabeça de um companheiro de profissão. Para os jogadores
fica a lição: melhor arrebentar alguém que se dirigir ofensivamente ao Deus
todo-poderoso vestido de preto.
Nossa arbitragem, que anda de mal
a pior, só falta ser condecorada pelos serviços prestados ao futebol. Após o
jogo entre Santos e Goiás, onde os “castanheiras” não viram um gol esmeraldino
onde entre a bola e a linha do gol cabia uma carreta, estes novos personagens
do futebol foram alçados à condição de árbitros.
Deixam de prejudicar o jogo da
linha de fundo e passam a fazer dentro do campo o que a pomba faz nos fios de
alta tensão.
A outra situação aconteceu no
churrasco do aniversariante Maurício Assumpção, presidente do Botafogo.
Os salários dos jogadores atrasam
e Jefferson vai a público dizer que, para fugir do rebaixamento, o time só pode
contar consigo mesmo, a comissão técnica e a torcida. Assumpção bebe, come e
ri. Chorar e sofrer, só na frente da Presidenta Dilma.
A cartolagem brasileira não
merece sequer um pão dormido.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Tempos sinistros
Emerson Sheik, por qualquer razão
que se possa imaginar, expôs o quanto a CBF coloca nossa democracia à prova,
retomando medos de outros tempos, quando falar o que se pensava era tratado
como crime contra a segurança nacional.
Não importa se Sheik está “politizando”
suas férias ou se acaba, involuntariamente, tornando-se uma liderança em um
processo de questionamentos à CBF que se iniciou com o Bom Senso FC. Deve-se
considerar, inclusive, a possibilidade de um processo coletivo arquitetado pelo
próprio movimento, utilizando-se de novas figuras, como Sheik e Ganso.
O mais importante é falar e,
principalmente, poder falar. Foi por este, e outros direitos, que muitos
tombaram. Foram torturados, mortos e seus cadáveres foram ocultados, negando a
suas famílias a simples chance de enterrá-los.
Nada que não vivemos nas favelas
e periferias do país nos dias de hoje, mas existe um especial simbolismo nas
mortes da ditadura militar. Uma referência em desrespeito aos direitos humanos.
Dentre as inúmeras similaridades
que temos entre o presente e o passado, uma delas é o cerceamento ao direito de
expressar suas opiniões. Por mais infames que possam ser, devem ser todas
ditas.
A hipótese da punição a Emerson,
já cogitada instantaneamente quando o atacante foi às câmeras de TV dizer que a
CBF era uma vergonha, é um resquício muito grande destes tempos que ninguém
nunca enterrará. A naturalização desta ideia é perigosíssima.
Uma coisa é a falta que provocou
sua expulsão na partida. Por esta, ainda dá uma discussão. Pelo desabafo,
nenhuma repreensão deve ser considerada normal.
Não é a toa que, ultimamente, vem
ganhando força uma turma que adora deveres, mas tem pouco apreço por direitos,
falando em “família”, “valores” e “moral”.
Que Deus nos proteja, mas que
façamos por onde.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Um convite ao sofá
O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto
entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.
Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos
fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do
árbitro da Copa, diga-se de passagem.
Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas
derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do
Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva,
com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.
Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam
pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público
ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.
Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O
árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.
O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti
não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda
assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.
Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela
arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo
de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o
Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.
O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores
apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na
cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco
para quem quer ir à Libertadores.
Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro
para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas
especialmente no bolso.
Valeu,
Bruno Porpetta
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