Acabo de assistir ao documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg, que retrata o período onde um dos clubes mais populares do país viveu uma experiência tão singular quanto magnífica.
A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.
Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.
Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?
Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?
Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.
As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.
E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.
Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.
Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.
A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.
Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.
Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.
Valeu,
Bruno Porpetta
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sábado, 29 de agosto de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
O tal do futebol
“Para estufar esse filó como eu
sonhei, só se eu fosse o Rei.”, dizia Chico Buarque, em “O Futebol”.
Começou o Campeonato Brasileiro
da CBF, aquele que nos prova a cada ano como esta entidade é um atraso de vida
para o nosso futebol. O que vimos na primeira rodada, em termos de público, é
vergonhoso. Salve-se aí o Fluminense, com seus 20 mil no Maracanã, e o
Palmeiras em São Paulo.
O que se vê em campo é de fazer
chorar. Da alegria do Botafogo pela vitória importante na estreia contra o
Paysandu, na série B, ao tempo perdido pelo Flamengo em Atibaia, com um time
perdido em campo.
O Vasco, ou pela ressaca, ou pelo
choque de realidade, também estreou mal. Perdeu dois pontos importantes. O Flu,
ao menos, venceu. Mesmo que a bola tenha sido bem pequena.
NO TEMPO DE DONDON
Vivemos tempos onde o resultado
se tornou primordial, o caminho para isso só importa se for vencedor. Apenas
dois lances, em todo o final de semana, são dignos de nota.
“Um senhor chapéu, para delírio
das gerais no coliseu”, de Valdívia – que só fez isso no jogo, mas valeu o
salgado ingresso da arena de nome proibido pela CBF e a Globo, tal como a Liesa
fez com a Beija Flor em 89.
“Captar o visual de um chute a
gol”, de Renato Cajá – que golaço – jogando pela Ponte Preta diante do
Grêmio, no substituto do saudoso Olímpico.
A primeira impressão do
Brasileiro é a de saudades de tabelas assim: “Para Mané, para Didi, para Mané,
Mané para Didi, para Didi, para Mané, para Didi, para Pagão, para Pelé e
Canhoteiro.” O final dessa história a gente sabe onde acaba.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Um último domingo de magia
Segunda-feira, o futebol brasileiro já acordará mais medíocre.
Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.
Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.
Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.
Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.
Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.
É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.
Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.
Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...
O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.
Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.
O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.
Valeu,
Bruno Porpetta
Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.
Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.
Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.
Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.
Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.
É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.
Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.
Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...
O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.
Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.
O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Cotidiano
O leitor já deve estar cansado de
ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.
A “margarida” que atende pelo
nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que
transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu
aparecer.
Chamou uma coletiva de imprensa
e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por
tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.
Sheik, Bolívar, Julio César e
Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o
desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.
Cá entre nós, imagina se o seu
patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria
para trabalhar?
A resposta para a primeira
pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros.
Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.
Esta situação no Botafogo se
repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram
recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco
a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados
improváveis.
Com cada vez menos jogadores no
elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que
qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.
O eclíptico presidente coloca o
Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito
com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes
mais ativas contra os desmandos do sumido.
Quem é o
próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
A torcida do Botafogo ora pelas
almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete
azul seja o próprio Assumpção.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Nada de novo
O mundo do futebol coleciona
casos de racismo. Em todo o planeta,
também no Brasil, não só no Rio Grande do Sul. O caso Aranha é o início da
contagem regressiva para o próximo.
A única chance que temos para
começar a desatar esses nós é, sem qualquer delírio de soluções imediatas,
punir exemplarmente os envolvidos. A garota, os outros e, também, o Grêmio.
A garota e os outros estúpidos da
arquibancada por razões escancaradas. Foram flagrados pela TV. Já o tricolor
gaúcho, por mais que tenha tomado posturas aparentemente enérgicas, está
envolvido pela terceira vez, nos últimos anos, em casos de racismo.
Chegou a hora desses idiotas
verem o tamanho do estrago que causam, tanto na vida dos negros e negras do
nosso povo, como para o próprio clube. Conviver no sistema carcerário
brasileiro, um verdadeiro depósito de negros e pobres, pode fazê-los pensar um bocado.
A exclusão do Grêmio na Copa do
Brasil é pouco. É preciso limitar o número de ingressos à metade da capacidade
de um estádio distante de Porto Alegre, além de uma pesada multa. Ou seja, doer
no bolso do clube. Os outros clubes, rapidamente, se precaveriam.
Até porque o racismo não é
gremista, nem só no futebol, é uma questão nacional. O sujeito enlatado no trem,
em sua maioria, é negro. Não é à toa.
O Brasil é um país racista. Os
negros foram jogados para os cantos das cidades, recebem menos, trabalham mais.
Qualquer semelhança com o século retrasado não é mera coincidência.
Os negros e negras do nosso povo
não fazem parte da elite, que andaram dizendo por aí que não existe. Nem
esquerda, nem direita, nem branco, nem negro... mas nada que umas tuitadas não
possam mudar, de repente.
Do gremista Humberto Gessinger: “Nessa
terra de gigantes, eu sei, já ouvimos tudo isso antes.”.
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 29 de junho de 2014
Circo de horrores
O que dizer da atuação da seleção brasileira contra o Chile pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo?
Acho que o título é auto-explicativo.
Nunca começamos tão bem uma partida nesta Copa. Até o gol do Chile, ensaiávamos fazer um bom jogo, dentro das claras limitações que nosso elenco possui.
Pois bem, após o gol de Alexis Sanchez, em falha de Hulk na defesa, o caldo entornou. O Brasil viu 50 se repetindo, viu em Sanchez uma espécie de Ghiggia e não se viu mais a seleção brasileira em campo.
Muito se especula sobre o emocional dos jogadores, o que, a meu ver, procede. Este emocional acabou com o time e até com a coxa esquerda de Neymar.
Mas o que pouco se fala é do emocional de Felipão.
Felipão demonstra em suas coletivas estar profundamente abalado, intranquilo, ansioso. Quem mais enxerga o fantasma de 50 onde ele não existe é o próprio treinador da seleção.
Talvez porque se falou muito em título, desde a vitória na Copa das Confederações. Aliás, talvez não. É isso mesmo!
O treinador, na onda de seu prestígio popular, acabou por embarcar na história da obrigação pelo título, que não existe, nem nunca existiu.
Como se pode exigir o título de uma geração mais frágil que as anteriores? Do time de um craque só? Impossível!
Isto não significa que o Brasil não possa ser campeão. Pode, mas não tem obrigação, nem time, pra isso.
Não acredito que o Brasil vá repetir uma atuação tão ruim daqui pra frente, mas vai enfrentar times mais prontos, com menos peso nas costas e jogadores de alta qualidade.
No momento, o Brasil só tem mais camisa que os seus adversários diretos na caminhada para o hexa, embora isto não seja pouca coisa.
O problema da torcida comprar a ideia da obrigação é um, que não precisa de solução. O treinador comprar esta ideia é outro, que é muito difícil de solucionar. Se ele já introjetou no time esta ideia, não dá pra fazer um cavalo-de-pau agora e dizer que não era bem isso.
Ou seja, se o hexa vier, será desse jeito. Matando-nos do coração.
Portanto, aproveite a semana para realizar um check-up. Enquanto é tempo...
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
De que lado você samba?
O dia 16 de dezembro de 2013 é uma data marcada por mais uma morte do futebol brasileiro.
Um país cujo campeonato é, mais uma vez, decidido nos tribunais.
Diferentemente do italiano, onde as relações que levaram ao rebaixamento da Juventus e deram o título a Inter de Milão eram criminosas e quem arbitrou sobre a questão foi a justiça comum, aqui temos um tribunal corporativo que se move ao sabor do vento que sopra mais forte.
É inegável que, do ponto de vista legal, a Portuguesa cometeu um equívoco primário que acabou por lhe tirar os pontos e a permanência na primeira divisão.
Da mesma forma que, falando em peso político, o Fluminense possui muito mais que a Portuguesa.
Pois bem, este post não é pra qualquer pessoa.
Quem me conhece, sabe que sou comunista. Desses chatos que não gostam de shopping center, McDonalds e outros símbolos do capitalismo, embora muitas vezes por motivos mais torpes que as teorias marxistas.
Gostaria de falar aos comunistas, aos que sonham com outra sociedade, aos que sabem que o estrito cumprimento das leis - feitas por aqueles a quem costumeiramente combatemos - favorecem aos poderosos, à legitimação da ordem hegemônica. Resumindo, à opressão de classe que dizemos lutar contra.
Sob a batuta da lei, massacramos os povos originários do Brasil. Porque, afinal de contas, as propriedades portuguesas estavam assim determinadas.
De acordo com a lei, negros e negras viveram em condições sub-humanas nas senzalas, trabalhando de sol a sol para os senhores da casa grande, sendo vendidos, trocados, devolvidos, como se fossem pedaços de carne que deterioram ao relento. Tava lá, escritinho no nosso caderno supremo de normas que nos regiam.
Pela lei, esses "vagabundos" do MST devem ser retirados à força das terras ocupadas (ou poderíamos dizer invadidas?) porque nossa constituição coloca a propriedade (mesmo concentrada nas mãos de poucos) no mesmo patamar da vida. Não tem o que discutir, é lei!
O aborto é crime, tá na lei! Homofobia pode, porque não tá!
Esta semana vi várias daquelas frases clássicas sobre direito, justiça... Acho que este ponto nós precisamos voltar a estudar. Lutamos pelo direito ou por justiça?
A frase que me chamou mais atenção sem sequer ser publicada nesta semana foi:
"Aos amigos, tudo! Aos inimigos..." Olha ela aí de novo!
Para concluir (nos três minutos de vossa atenção que toda reunião, de forma protocolar, me dá), o que aconteceu hoje está absolutamente dentro da lei.
O que, para nós comunistas, não devia significar absolutamente nada!
Aliás, em outros tempos, ser comunista também foi ilegal...
Valeu,
Bruno Porpetta
P.S.: Este post está recheado de fotos do "estrito cumprimento da lei".
quarta-feira, 24 de julho de 2013
De 62 a 68, em 51 anos (o Brasil de Amarildo a Amarildo)
Pelé saía de campo lesionado, no empate em 0 a 0 entre Brasil e Tchecoslováquia.
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Merecido luto
Morreu, aos 71 anos, Jon Lord.
O tecladista "só" era fundador do Deep Purple, e um dos poucos músicos que admirei que se "aposentou".
A este gênio dos teclados, nem um minuto de silêncio. Muito pelo contrário!
Valeu,
Bruno Porpetta
O tecladista "só" era fundador do Deep Purple, e um dos poucos músicos que admirei que se "aposentou".
A este gênio dos teclados, nem um minuto de silêncio. Muito pelo contrário!
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 14 de julho de 2012
Para não passar em branco... parabéns para nós!
Devido à correria de campanha, só agora vai uma singela homenagem ao dia do rock.
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 26 de junho de 2012
Futebol pra todo gosto
Após a eliminação do Santos, diante do Corinthians, pela Libertadores, voltou à tona o debate sobre a eterna dicotomia entre o feio que vence e o bonito que perde.
O título improvável do Chelsea, na Liga dos Campeões, reacendeu-o. Principalmente pela eliminação do Barcelona nas semifinais, onde o próprio time azul londrino aplicou, segundo seu treinador, um futebol à italiana.
Se me perguntassem, em uma dessas entrevistas de emprego para treinador de um clube qualquer da oitava divisão da região metropolitana do Rio, como eu armaria meu time, à brasileira ou à italiana, cravaria na primeira sem dúvida alguma.
Acho legal, divertido, bonito, entre outros inúmeros atributos. Tendo a pensar que um passe magistral, ou um drible desconcertante, é mais caro aos meus belos olhos quase verdes do que um robô programado para marcar e correr.
Creio eu que isso se deve ao fato de ser brasileiro mesmo. Fui criado pela vida pra querer fazer gols, não desarmes. Se puderem ser lindos gols, melhor ainda. Um golaço me renderia mais assunto pra mesa redonda (de bar) após a pelada do que um carrinho.
Mas na mesa, todos são livres para exaltar os feitos que quiserem, tal como podem ter as concepções de futebol que lhes derem na telha.
O que não gosto é de ver meu estilo de jogo predileto pejorado como um retumbante fracasso em termos de resultado. O futebol, assim tratado como arte, já venceu, e muito!
O próprio Barcelona, no retrospecto recente, não se pode considerar um fracasso. Longe disso, inclusive.
Mas não dá pra dizer também que ele é absoluto. Existe o chamado futebol-força, cuja força é menor que a organização, e para ser organizado o talento também é indispensável.
Pensado como um tabuleiro de xadrez, o campo de futebol comporta movimentos calculados, precisos, impondo uma lógica cerebral a um esporte cuja emoção pode levar à glória, ou à ruína.
O grande mérito do futebol organizado a partir da defesa é a previsão de situações que, em dias menos inspirados, os craques não conseguem agir. O coletivo sobrepõe-se ao indivíduo, e a palavra "solidariedade" não está solta na boca dos cronistas. Todos defendem, e muitos atacam. Em geral, de forma cirúrgica.
Sem talento, até mesmo a eficiência se liquefaz. Sem eficiência, o talento pode se dispersar pelo gramado.
Portanto, muito mais que a eliminação do Santos, a classificação do Corinthians - tal como o título do Chelsea - é digno de exaltação.
Comprovando a tese da mistura maravilhosa de eficiência e talento, tanto Drogba, quanto Danilo, andam merecendo uma estátua em frente ao Stamford Bridge e... bem, aí o Corinthians escolhe se na Fazendinha, no Pacaembu ou no Itaquerão.
Percebam como Danilo, sempre que o sufoco se avizinha do time corinthiano, vai lá e mete um golzinho salvador. Isso é o que se chama de poder de decisão.
Além dele, ainda tem o Emerson, que parece o Midas. Onde o Sheik pisou, nos últimos três anos, as galerias de troféus cresceram.
Voltando à vaca fria, não existe um estilo de futebol melhor que o outro. Existe o que cada indivíduo aprecia mais ou menos. Que nem música, exatamente do mesmo jeito.
Respeitar o estilo antagônico é prudente, eu diria. E com canja de galinha fica uma delícia!
Valeu,
Bruno Porpetta
O título improvável do Chelsea, na Liga dos Campeões, reacendeu-o. Principalmente pela eliminação do Barcelona nas semifinais, onde o próprio time azul londrino aplicou, segundo seu treinador, um futebol à italiana.
Se me perguntassem, em uma dessas entrevistas de emprego para treinador de um clube qualquer da oitava divisão da região metropolitana do Rio, como eu armaria meu time, à brasileira ou à italiana, cravaria na primeira sem dúvida alguma.
Acho legal, divertido, bonito, entre outros inúmeros atributos. Tendo a pensar que um passe magistral, ou um drible desconcertante, é mais caro aos meus belos olhos quase verdes do que um robô programado para marcar e correr.
Creio eu que isso se deve ao fato de ser brasileiro mesmo. Fui criado pela vida pra querer fazer gols, não desarmes. Se puderem ser lindos gols, melhor ainda. Um golaço me renderia mais assunto pra mesa redonda (de bar) após a pelada do que um carrinho.
Mas na mesa, todos são livres para exaltar os feitos que quiserem, tal como podem ter as concepções de futebol que lhes derem na telha.
O que não gosto é de ver meu estilo de jogo predileto pejorado como um retumbante fracasso em termos de resultado. O futebol, assim tratado como arte, já venceu, e muito!
O próprio Barcelona, no retrospecto recente, não se pode considerar um fracasso. Longe disso, inclusive.
Mas não dá pra dizer também que ele é absoluto. Existe o chamado futebol-força, cuja força é menor que a organização, e para ser organizado o talento também é indispensável.
Pensado como um tabuleiro de xadrez, o campo de futebol comporta movimentos calculados, precisos, impondo uma lógica cerebral a um esporte cuja emoção pode levar à glória, ou à ruína.
O grande mérito do futebol organizado a partir da defesa é a previsão de situações que, em dias menos inspirados, os craques não conseguem agir. O coletivo sobrepõe-se ao indivíduo, e a palavra "solidariedade" não está solta na boca dos cronistas. Todos defendem, e muitos atacam. Em geral, de forma cirúrgica.
Sem talento, até mesmo a eficiência se liquefaz. Sem eficiência, o talento pode se dispersar pelo gramado.
Portanto, muito mais que a eliminação do Santos, a classificação do Corinthians - tal como o título do Chelsea - é digno de exaltação.
Comprovando a tese da mistura maravilhosa de eficiência e talento, tanto Drogba, quanto Danilo, andam merecendo uma estátua em frente ao Stamford Bridge e... bem, aí o Corinthians escolhe se na Fazendinha, no Pacaembu ou no Itaquerão.
Percebam como Danilo, sempre que o sufoco se avizinha do time corinthiano, vai lá e mete um golzinho salvador. Isso é o que se chama de poder de decisão.
Além dele, ainda tem o Emerson, que parece o Midas. Onde o Sheik pisou, nos últimos três anos, as galerias de troféus cresceram.
Voltando à vaca fria, não existe um estilo de futebol melhor que o outro. Existe o que cada indivíduo aprecia mais ou menos. Que nem música, exatamente do mesmo jeito.
Respeitar o estilo antagônico é prudente, eu diria. E com canja de galinha fica uma delícia!
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 23 de junho de 2012
Ao mestre, com carinho
Há exatos 40 anos, nascia em Marseille, na França, o neto de argelinos, símbolo de uma França etnicamente diversificada, que mudou para sempre a história do futebol francês e mundial.
O nome dele é Zinedine Zidane, ou Zizou, para os íntimos da bola.
Quando qualquer francês normal imaginava que nunca haveria ninguém como Platini, eis que surgiu Zidane. Além da Euro, ganhou a Copa. E inscreveu seu nome na galeria dos maiores jogadores de toda a história do futebol no mundo. E que me perdoe Platini, mas Zizou é o maior jogador da França, desde a revolução burguesa!
Havia uma outra disputa em curso, no período em que Zidane jogou, pelo mundo da bola.
Um certo Ronaldo Nazário andava nas cabeças, ganhava prêmios, títulos, marcava muitos gols. Zidane não costumava ser artilheiro, somente decisivo.
Se enfrentaram pela primeira vez, naquela competição realmente importante no mundo, justo em uma final!
Era 1998, e a França de Zidane marcava 3 a 0 no Brasil, do combalido Ronaldo, e era campeã da Copa do Mundo pela primeira vez. Dois gols do camisa 10 francês, ambos de cabeça, que não era lá sua especialidade.
Demos um desconto à situação de Ronaldo, recém saído de uma convulsão, e que sequer deveria estar em campo naquela partida.
O novo encontro em Copas, foi este acima no vídeo, em 2006, nas quartas-de-final. Ano em que a França, com um time bem mais limitado que o de 1998, foi conduzida por Zidane à final, até sua cabeçada (mesmo que equivocada, merecida) em Materazzi.
Um lance determinou quem era o craque daquela geração. Muito mais que a cobrança de falta pela esquerda do campo, nos pé de Henry, que acabou definindo o placar, outro lance foi decisivo.
Zidane deu um chapéu em Ronaldo!
Por mais que o estado de Ronaldo também não fosse dos melhores, visivelmente acima do peso, estavam ali os dois melhores jogadores do mundo na ocasião, e levar um chapéu define muita coisa.
O franco-argelino Zinedine Zidane, foi o melhor jogador do mundo naquele período, e é um dos maiores gênios do futebol.
Ele entrou naquela pequena lista, que inclui "apenas" Maradona, Romário e Zico, e agora também, Lionel Messi.
Ou seja, Zidane está, para mim, que tive a honra de poder, ao menos, assistir pela televisão suas exibições, entre os cinco maiores jogadores da história.
Só pra constar, Pelé não conta! É o Clóvis Bornay do futebol! É hors concours!
De qualquer forma, em seu aniversário, não pude deixar de prestar minhas reverências à Zidane.
Acima de tudo, obrigado!
E parabéns também pra Cindy Lauper, que fez 59 anos ontem. Ela merece, ao menos, uma citação!
Valeu,
Bruno Porpetta
O nome dele é Zinedine Zidane, ou Zizou, para os íntimos da bola.
Quando qualquer francês normal imaginava que nunca haveria ninguém como Platini, eis que surgiu Zidane. Além da Euro, ganhou a Copa. E inscreveu seu nome na galeria dos maiores jogadores de toda a história do futebol no mundo. E que me perdoe Platini, mas Zizou é o maior jogador da França, desde a revolução burguesa!
Havia uma outra disputa em curso, no período em que Zidane jogou, pelo mundo da bola.
Um certo Ronaldo Nazário andava nas cabeças, ganhava prêmios, títulos, marcava muitos gols. Zidane não costumava ser artilheiro, somente decisivo.
Se enfrentaram pela primeira vez, naquela competição realmente importante no mundo, justo em uma final!
Era 1998, e a França de Zidane marcava 3 a 0 no Brasil, do combalido Ronaldo, e era campeã da Copa do Mundo pela primeira vez. Dois gols do camisa 10 francês, ambos de cabeça, que não era lá sua especialidade.
Demos um desconto à situação de Ronaldo, recém saído de uma convulsão, e que sequer deveria estar em campo naquela partida.
O novo encontro em Copas, foi este acima no vídeo, em 2006, nas quartas-de-final. Ano em que a França, com um time bem mais limitado que o de 1998, foi conduzida por Zidane à final, até sua cabeçada (mesmo que equivocada, merecida) em Materazzi.
Um lance determinou quem era o craque daquela geração. Muito mais que a cobrança de falta pela esquerda do campo, nos pé de Henry, que acabou definindo o placar, outro lance foi decisivo.
Zidane deu um chapéu em Ronaldo!
Por mais que o estado de Ronaldo também não fosse dos melhores, visivelmente acima do peso, estavam ali os dois melhores jogadores do mundo na ocasião, e levar um chapéu define muita coisa.
O franco-argelino Zinedine Zidane, foi o melhor jogador do mundo naquele período, e é um dos maiores gênios do futebol.
Ele entrou naquela pequena lista, que inclui "apenas" Maradona, Romário e Zico, e agora também, Lionel Messi.
Ou seja, Zidane está, para mim, que tive a honra de poder, ao menos, assistir pela televisão suas exibições, entre os cinco maiores jogadores da história.
Só pra constar, Pelé não conta! É o Clóvis Bornay do futebol! É hors concours!
De qualquer forma, em seu aniversário, não pude deixar de prestar minhas reverências à Zidane.
Acima de tudo, obrigado!
E parabéns também pra Cindy Lauper, que fez 59 anos ontem. Ela merece, ao menos, uma citação!
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Apenas respire
Se tem uma data muito chata, é o Dia dos Namorados!
Pra começar, foi uma invenção da cultura da cabeça baixa das nossas elites diante do todo-poderoso império estadunidense. Lá, conhecido como Valentine's Day, é mais uma data de estímulo ao consumo. Você deve ter motivos para dar presentes a todos os seres humanos com os quais se relaciona, diante do que, os comerciantes agradecem, e a economia sorri.
O papel da mídia na propagação do simbolismo da data, e seus óbvios efeitos sobre o aquecimento das vendas, fazem a programação televisiva dar até diabetes. São matérias nos telejornais, cenas nas novelas, programas especiais, musicais,... A celebração do amor mais piegas que existe. Na verdade, uma ode ao mau gosto.
A histeria desesperada dos "excluídos", torna a data ainda mais estúpida. Como se a solução dos problemas da humanidade estivesse diretamente ligada à presença do outro em suas vidas.
Quer esquentar os pés? Use meias! E grossas!
Nem tudo na vida são flores, mas nelas, apesar das inconveniências, não saltam aos olhos os espinhos. O que te faz reparar nas flores são as pétalas.
Portanto, mesmo diante de tantas agressões ideológicas que a data representa, ela provoca evidentes reflexões.
Refletir sobre o amor, ou sobre o não-amor, é refletir sobre si próprio, fundamentalmente, mas com especial atenção ao papel do outro.
Olhar para dentro de si, e enxergar um vazio que carece de preenchimento pelo outro, nada mais é do que um autoflagelo. É como uma oração católica apostólica e, acima de tudo, romana, onde volta-se aos céus pedindo piedade, clemência, compaixão, por aquilo que você não se tornou. Nada mais impiedoso consigo próprio, como pode esperar que os céus tenham por você aquilo que sequer você se deu?
Pensando bem, é impiedoso até com os céus.
Porque não oferecemos pessoas inteiras aos outros? Porque sempre a ideia da metade da laranja? Aliás, porque laranja?
A ideia da dependência é o que nos torna cada vez mais sós, mesmo acompanhados.
Se partirmos do pressuposto que o ser humano busca a felicidade, não é possível imaginá-la sem liberdade. E a busca do "complemento" nos aprisiona.
A felicidade é um horizonte, e a graça da vida é a perseguição.
O amor é uma escolha, feita por algum gnomo intrometido que, sem te pedir licença, te coloca o coração na boca com um simples sorriso do outro.
Atravessa barreiras, percorre distâncias, cresce na ausência, explode na presença.
As mãos dadas não expressam dependência, mas uma parceria nessa travessia rumo à miragem. Uma visão construída pelos olhos de ambos, alimentada pelos entreolhares.
E nada pode ser mais poético que um simples respirar de quem se ama!
Para quem ama, basta a existência.
O amor é uma revolução, e como já sabemos, esta não será televisionada.
Valeu,
Bruno Porpetta
Pra começar, foi uma invenção da cultura da cabeça baixa das nossas elites diante do todo-poderoso império estadunidense. Lá, conhecido como Valentine's Day, é mais uma data de estímulo ao consumo. Você deve ter motivos para dar presentes a todos os seres humanos com os quais se relaciona, diante do que, os comerciantes agradecem, e a economia sorri.
O papel da mídia na propagação do simbolismo da data, e seus óbvios efeitos sobre o aquecimento das vendas, fazem a programação televisiva dar até diabetes. São matérias nos telejornais, cenas nas novelas, programas especiais, musicais,... A celebração do amor mais piegas que existe. Na verdade, uma ode ao mau gosto.
A histeria desesperada dos "excluídos", torna a data ainda mais estúpida. Como se a solução dos problemas da humanidade estivesse diretamente ligada à presença do outro em suas vidas.
Quer esquentar os pés? Use meias! E grossas!
Nem tudo na vida são flores, mas nelas, apesar das inconveniências, não saltam aos olhos os espinhos. O que te faz reparar nas flores são as pétalas.
Portanto, mesmo diante de tantas agressões ideológicas que a data representa, ela provoca evidentes reflexões.
Refletir sobre o amor, ou sobre o não-amor, é refletir sobre si próprio, fundamentalmente, mas com especial atenção ao papel do outro.
Olhar para dentro de si, e enxergar um vazio que carece de preenchimento pelo outro, nada mais é do que um autoflagelo. É como uma oração católica apostólica e, acima de tudo, romana, onde volta-se aos céus pedindo piedade, clemência, compaixão, por aquilo que você não se tornou. Nada mais impiedoso consigo próprio, como pode esperar que os céus tenham por você aquilo que sequer você se deu?
Pensando bem, é impiedoso até com os céus.
Porque não oferecemos pessoas inteiras aos outros? Porque sempre a ideia da metade da laranja? Aliás, porque laranja?
A ideia da dependência é o que nos torna cada vez mais sós, mesmo acompanhados.
Se partirmos do pressuposto que o ser humano busca a felicidade, não é possível imaginá-la sem liberdade. E a busca do "complemento" nos aprisiona.
A felicidade é um horizonte, e a graça da vida é a perseguição.
O amor é uma escolha, feita por algum gnomo intrometido que, sem te pedir licença, te coloca o coração na boca com um simples sorriso do outro.
Atravessa barreiras, percorre distâncias, cresce na ausência, explode na presença.
As mãos dadas não expressam dependência, mas uma parceria nessa travessia rumo à miragem. Uma visão construída pelos olhos de ambos, alimentada pelos entreolhares.
E nada pode ser mais poético que um simples respirar de quem se ama!
Para quem ama, basta a existência.
O amor é uma revolução, e como já sabemos, esta não será televisionada.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 22 de maio de 2012
Genial, Herrera!!
Nada contra quem pede música pro Fantástico, mesmo as piores possíveis.
Mas que foi ótimo o Herrera ter desdenhado da "brincadeira" global, isso foi.
Valeu,
Bruno Porpetta
Mas que foi ótimo o Herrera ter desdenhado da "brincadeira" global, isso foi.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Deus e o goleiro
Este post surgiu por pura pena. A pena do frango!
Assistindo à última rodada do campeonato inglês, a quantidade de falhas bisonhas dos goleiros foi gritante, e ficou evidente que a Inglaterra, às vésperas da Eurocopa, mas também bem próximo à Copa do Mundo, só tem um goleiro, e o nome dele é Joe Hart, do Manchester City.
Chega a ser aviltante um miserê desses para quem já teve Gordon Banks e Peter Shilton debaixo das balizas, mas a vida é formada de ciclos, e a Inglaterra está longe de passar um bom período.
Resumindo a ópera: haja reza para Hart não se contundir!
E é aí que eu queria chegar.
Se existe uma posição no futebol onde deveria ser expressamente proibido o ateísmo, esta é a de goleiro!
Imaginem só.
Via de regra, passou do goleiro, já era!
Ao dito cujo só resta aguçar bem a audição.
Não ouviu nada? A bola saiu. Ouviu um estouro seco? Foi na trave. Ou só aquele chiadinho? Perdeu, meu camarada. É gol!
A distância entre os três sons é de centímetros. E os centímetros no futebol, por maior a grita que os ateus possam produzir, são resultados de intervenção divina.
Eles pertencem ao mundo material até o momento em que a bola parte dos pés do atacante. Depois disso, são milhares de olhos de uma torcida empurrando ela para dentro, outros milhares empurrando-a para fora.
Diante de tantos olhares, alguém, muito superior, deve arbitrar a parada. Este, no caso, é Deus!
Ele decide a bola que entra, ou a que sai, a depender da fé do goleiro. Ao goleiro que o nega, fica fadado a ver suas redes balançando constantemente.
Não importa qual Deus. Seja o de mesmo nome, para os cristãos. Seja Jah, para os goleiros da Jamaica. Seja Olorum, para os do terreiro. Ou Alá, para os muçulmanos. O importante é que, para o goleiro, Ele exista!
Os atacantes que creditam seus gols, ou bons lances, a Deus, estão o profanando.
Deus possui muitas tarefas. Vez por outra se vê enrolado com algum maluco na cadeira de Presidente dos EUA, querendo bombardear o mundo inteiro em nome Dele. Ou com bancadas parlamentares evangélicas promovendo o atraso usando, em vão, o nome Dele.
Ou seja, Deus tem muita coisa pra fazer, não tendo tempo para driblar, tocar, chutar, bater escanteio e cabecear.
Por isso, Deus escolheu apenas um no campo para proteger, ou não. O goleiro!
Onde ele joga não nasce grama. A cada gol levado, é filmado sozinho com aquela cara de quem falhou na noite de núpcias. Quando o gol é do seu time, no máximo, ganha um abraço do zagueiro. Em geral, ele está só.
A começar pelo treino, onde passa boa parte do tempo apartado do time, fazendo exercícios específicos.
Portanto, diante de tamanha responsabilidade, de sua solidão intrínseca, e do direito à exclusividade da proteção divina, o goleiro não pode ser ateu.
Afinal de contas, Deus é, para os católicos, o chefe de São Pedro, o coordenador-geral da torneira do céu. O campo pesado e a bola molhada são dois adversários ferozes do goleiro. Se a bola escorrega, já era.
Ficam apenas, nas mãos do goleiro, as penas do frango.
Para nós, digno de pena. Para Deus, de castigo.
Valeu,
Bruno Porpetta
P.S.: Não pense que estamos muito melhores que a Inglaterra, ok?
Assistindo à última rodada do campeonato inglês, a quantidade de falhas bisonhas dos goleiros foi gritante, e ficou evidente que a Inglaterra, às vésperas da Eurocopa, mas também bem próximo à Copa do Mundo, só tem um goleiro, e o nome dele é Joe Hart, do Manchester City.
Chega a ser aviltante um miserê desses para quem já teve Gordon Banks e Peter Shilton debaixo das balizas, mas a vida é formada de ciclos, e a Inglaterra está longe de passar um bom período.
Resumindo a ópera: haja reza para Hart não se contundir!
E é aí que eu queria chegar.
Se existe uma posição no futebol onde deveria ser expressamente proibido o ateísmo, esta é a de goleiro!
Imaginem só.
Via de regra, passou do goleiro, já era!
Ao dito cujo só resta aguçar bem a audição.
Não ouviu nada? A bola saiu. Ouviu um estouro seco? Foi na trave. Ou só aquele chiadinho? Perdeu, meu camarada. É gol!
A distância entre os três sons é de centímetros. E os centímetros no futebol, por maior a grita que os ateus possam produzir, são resultados de intervenção divina.
Eles pertencem ao mundo material até o momento em que a bola parte dos pés do atacante. Depois disso, são milhares de olhos de uma torcida empurrando ela para dentro, outros milhares empurrando-a para fora.
Diante de tantos olhares, alguém, muito superior, deve arbitrar a parada. Este, no caso, é Deus!
Ele decide a bola que entra, ou a que sai, a depender da fé do goleiro. Ao goleiro que o nega, fica fadado a ver suas redes balançando constantemente.
Não importa qual Deus. Seja o de mesmo nome, para os cristãos. Seja Jah, para os goleiros da Jamaica. Seja Olorum, para os do terreiro. Ou Alá, para os muçulmanos. O importante é que, para o goleiro, Ele exista!
Os atacantes que creditam seus gols, ou bons lances, a Deus, estão o profanando.
Deus possui muitas tarefas. Vez por outra se vê enrolado com algum maluco na cadeira de Presidente dos EUA, querendo bombardear o mundo inteiro em nome Dele. Ou com bancadas parlamentares evangélicas promovendo o atraso usando, em vão, o nome Dele.
Ou seja, Deus tem muita coisa pra fazer, não tendo tempo para driblar, tocar, chutar, bater escanteio e cabecear.
Por isso, Deus escolheu apenas um no campo para proteger, ou não. O goleiro!
Onde ele joga não nasce grama. A cada gol levado, é filmado sozinho com aquela cara de quem falhou na noite de núpcias. Quando o gol é do seu time, no máximo, ganha um abraço do zagueiro. Em geral, ele está só.
A começar pelo treino, onde passa boa parte do tempo apartado do time, fazendo exercícios específicos.
Portanto, diante de tamanha responsabilidade, de sua solidão intrínseca, e do direito à exclusividade da proteção divina, o goleiro não pode ser ateu.
Afinal de contas, Deus é, para os católicos, o chefe de São Pedro, o coordenador-geral da torneira do céu. O campo pesado e a bola molhada são dois adversários ferozes do goleiro. Se a bola escorrega, já era.
Ficam apenas, nas mãos do goleiro, as penas do frango.
Para nós, digno de pena. Para Deus, de castigo.
Valeu,
Bruno Porpetta
P.S.: Não pense que estamos muito melhores que a Inglaterra, ok?
domingo, 13 de maio de 2012
Eles acreditam em milagres!
O futebol é um esporte mágico!
Aquela velha história de "22 homens correndo atrás de uma bola", tão decantada pelos inimigos do futebol, é uma tremenda conversa pra boi dormir.
Hoje, o esporte bretão, nunca foi tão bretão!
O que aconteceu hoje no Etihad Stadium foi daquelas coisas que nos fazem amar o futebol tanto, mais tanto, a ponto de ignorarmos a presença de nossas famílias em almoços de domingo. Ainda mais hoje, no Dia das Mães, onde está todo mundo na sala, com aquela macarronada suculenta e aquele rocambole de carne recheado com cheirinho de paraíso. O jogo entre Manchester City x Queens Park Rangers tornou tudo isso quase irrelevante.
Desde o gol do capitão Kompany, no clássico de Manchester, a parte azul da cidade definiria sua vida no jogo contra o Newcastle, o mais difícil da sequência até o final. Venceu em St. James Park por 2 a 0, e encaminhou o título. Será mesmo?
Sabe aquele dia onde nada dá certo?
Pois bem, o City andava naqueles dias.
No chute de Zabaleta, o City abria o placar e podia ignorar o resultado do Manchester United, em Sunderland, que já vencia por 1 a 0, gol de Rooney.
Do outro lado, havia o Queens Park Rangers precisando se livrar do rebaixamento. O mesmo que há duas rodadas atrás apanhou de 6 a 1 do Chelsea. Três bolas no gol, dois gols! Mesmo com um jogador a menos, desde os nove minutos do segundo tempo. O dia de festa se desenhava como tragédia.
Virou ataque contra defesa. O City martelava a zaga do QPR, que se virava como podia. Valia ali a máxima de "bola pro mato, que o jogo é de campeonato".
Aos 46 minutos, o mato estava na linha de fundo. Escanteio para o City, o time que mais marcou gols em jogadas de córner no campeonato inglês. Bola cruzada na área, cabeçada de Dzeko, bola na rede.
Ainda restava um gol para o título, e ele saiu aos 48, com chute do argentino Aguero. A tragédia havia se tornado festa novamente.
O título havia se tornado um milagre, que passeou por toda a cidade de Manchester, mas caiu no colo do lado azul da cidade. Depois de 44 anos!
Eles acreditaram e, na raça, conseguiram. Para a alegria dos irmãos Gallagher...
Valeu,
Bruno Porpetta
Aquela velha história de "22 homens correndo atrás de uma bola", tão decantada pelos inimigos do futebol, é uma tremenda conversa pra boi dormir.
Hoje, o esporte bretão, nunca foi tão bretão!
O que aconteceu hoje no Etihad Stadium foi daquelas coisas que nos fazem amar o futebol tanto, mais tanto, a ponto de ignorarmos a presença de nossas famílias em almoços de domingo. Ainda mais hoje, no Dia das Mães, onde está todo mundo na sala, com aquela macarronada suculenta e aquele rocambole de carne recheado com cheirinho de paraíso. O jogo entre Manchester City x Queens Park Rangers tornou tudo isso quase irrelevante.
Desde o gol do capitão Kompany, no clássico de Manchester, a parte azul da cidade definiria sua vida no jogo contra o Newcastle, o mais difícil da sequência até o final. Venceu em St. James Park por 2 a 0, e encaminhou o título. Será mesmo?
Sabe aquele dia onde nada dá certo?
Pois bem, o City andava naqueles dias.
No chute de Zabaleta, o City abria o placar e podia ignorar o resultado do Manchester United, em Sunderland, que já vencia por 1 a 0, gol de Rooney.
Do outro lado, havia o Queens Park Rangers precisando se livrar do rebaixamento. O mesmo que há duas rodadas atrás apanhou de 6 a 1 do Chelsea. Três bolas no gol, dois gols! Mesmo com um jogador a menos, desde os nove minutos do segundo tempo. O dia de festa se desenhava como tragédia.
Virou ataque contra defesa. O City martelava a zaga do QPR, que se virava como podia. Valia ali a máxima de "bola pro mato, que o jogo é de campeonato".
Aos 46 minutos, o mato estava na linha de fundo. Escanteio para o City, o time que mais marcou gols em jogadas de córner no campeonato inglês. Bola cruzada na área, cabeçada de Dzeko, bola na rede.
Ainda restava um gol para o título, e ele saiu aos 48, com chute do argentino Aguero. A tragédia havia se tornado festa novamente.
Já fazia tempo...
O título havia se tornado um milagre, que passeou por toda a cidade de Manchester, mas caiu no colo do lado azul da cidade. Depois de 44 anos!
Eles acreditaram e, na raça, conseguiram. Para a alegria dos irmãos Gallagher...
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 31 de março de 2012
Dia de lembrar o que deve ser lembrado
Na noite de 31 de março de 1964, partindo do batalhão de Juiz de Fora, um destacamento militar rumava ao Rio de Janeiro, lá chegando no dia 1º de abril. Iniciava-se ali o golpe que derrubaria o governo de João Goulart e instauraria o inferno que durou, oficialmente, 20 anos.
Tempo de torturas, assassinatos, desaparecimentos, de gente que ousava ser livre.
A manifestação ocorrida na quinta-feira, em frente ao Clube Militar, foi duramente reprimida pela Polícia Militar. Lá dentro, militares, de forma cínica, comemoravam a "revolução" de 64, enquanto do lado de fora eram chamados pelos adjetivos corretos, como torturadores e assassinos que foram, impunemente.
Há nove anos somos governados por gente que foi torturada e presa por estes lacaios dos interesses estadunidenses, e até agora não sabemos a verdade sobre os inúmeros corpos que nunca mais foram encontrados.
O vídeo acima, pode até estar meio "batido", mas acho que nenhuma canção daquele período retratou tão bem o que, pelo menos, sentimos, já que não podíamos falar.
A militância me ensinou ao longo da vida que, quando não se quer resolver nada sobre determinado tema, cria-se uma comissão para discutí-lo.
Estamos às voltas com o debate sobre o estabelecimento da Comissão da Verdade, cujo papel é desvendar o que há de mistério no período da ditadura militar no Brasil. Obviamente, os militares são contrários à comissão. Exatamente por isso, todos nós que, direta ou indiretamente, tivemos subtraídos por estes monstros 20 anos de nossas vidas, devemos defendê-la.
No limite, se tivermos que abrir mão de algo, que seja a comissão, nunca a verdade!
Valeu,
Bruno Porpetta
Tempo de torturas, assassinatos, desaparecimentos, de gente que ousava ser livre.
A manifestação ocorrida na quinta-feira, em frente ao Clube Militar, foi duramente reprimida pela Polícia Militar. Lá dentro, militares, de forma cínica, comemoravam a "revolução" de 64, enquanto do lado de fora eram chamados pelos adjetivos corretos, como torturadores e assassinos que foram, impunemente.
Há nove anos somos governados por gente que foi torturada e presa por estes lacaios dos interesses estadunidenses, e até agora não sabemos a verdade sobre os inúmeros corpos que nunca mais foram encontrados.
O vídeo acima, pode até estar meio "batido", mas acho que nenhuma canção daquele período retratou tão bem o que, pelo menos, sentimos, já que não podíamos falar.
A militância me ensinou ao longo da vida que, quando não se quer resolver nada sobre determinado tema, cria-se uma comissão para discutí-lo.
Estamos às voltas com o debate sobre o estabelecimento da Comissão da Verdade, cujo papel é desvendar o que há de mistério no período da ditadura militar no Brasil. Obviamente, os militares são contrários à comissão. Exatamente por isso, todos nós que, direta ou indiretamente, tivemos subtraídos por estes monstros 20 anos de nossas vidas, devemos defendê-la.
No limite, se tivermos que abrir mão de algo, que seja a comissão, nunca a verdade!
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 8 de março de 2012
Noites de Messi, Neymar e... Fred
A quarta-feira foi um dia de visitas a uma exposição de belas pinturas. Um dia que deixou a curadoria do Louvre com uma ponta de inveja.
Na noite catalã (fim da tarde para nós), foi a primeira bela obra de arte. Uma avalanche de bom futebol, conduzida pelo artista maior do planeta bola, Lionel Messi.
Não foi um jogo, foi um desfile.
É importante lembrar que o jogo valia vaga nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa. O Barcelona já havia vencido o jogo de ida, na Alemanha, por 3 a 1. Bastava administrar a importante vantagem conquistada pelo time catalão.
Mas a inspiração dos grandes artistas da humanidade se abateu sobre o Barça e, principalmente, sobre Messi. Só dele, foram cinco gols (pela primeira vez na história da competição). Destes, três golaços. O jovem Tello marcou outros dois e perdeu a oportunidade de guardar mais um no fim do jogo.
O goleiro Leno, a despeito de ter falhado em dois gols, não pode ser condenado. Nem Yashin seguraria esse rojão. Pela frente, havia o melhor time do mundo e um dos melhores da história do futebol. Em um dia de grande inspiração.
Os 7 a 1 foram pouco, por incrível que pareça!
É bom destacar que este gol solitário do Bayer, marcado por Bellarabi, foi belíssimo. Por isso a bola entrou. Hoje, só era permitido fazer gols com classe. Isto, o Barcelona tem de sobra. E quanta sobra!
De Barcelona para minha terra natal, a cidade de Santos.
O maior porto da América Latina, o maior jardim de orla do mundo, o bolinho de bacalhau do Toninho, o pastel do Carioca, os gigantescos sanduíches do CPE (Centro de Paqueras do Embaré), Plínio Marcos, Patrícia Galvão - a Pagu, e a Vila Belmiro.
O estádio Urbano Caldeira é uma terra dentro da terra. Por lá passaram Zito, Pepe, Dorval, Mengálvio, Coutinho... E naquele solo brilhou Pelé!
Em proporções mais terráqueas, por lá está Neymar, que hoje destruiu o Inter com três gols, dois dignos de reprodução em tela.
Noite inspirada, muito provavelmente, pela noite catalã. Neymar assistiu Messi, aprendeu como fazer e, com gratidão, esculachou.
Houve um personagem mais silencioso, sem gols, mas igualmente encantador e, enfim, reencontrando seu futebol. O que falar da partida de Paulo Henrique Ganso? Monumental, é o mínimo!
Pegamos um vôo para Buenos Aires, onde nossos poderosos reais bebem os melhores vinhos de uma combalida economia argentina, para aportar no estádio que melhor representa a dureza da Libertadores: La Bombonera.
O Fluminense foi, viu e venceu!
Com grandes partidas de Deco, Diguinho e Diego Cavalieri (o DDD?), o Fluminense se tornou o quarto clube brasileiro a derrotar o Boca Juniors dentro de seus domínios. Juntou-se ao Santos de Pelé, o Cruzeiro de Ronaldo e o Paysandu, de uma torcida apaixonada e maravilhosa, sacaneada pelos dirigentes locais e nacionais com mais constância que as chuvas de Belém.
Mas é preciso ressaltar que o Fluminense, além do grande time que tem, é o Fluminense de Fred.
O camisa nove do Flu é o que há de diferente na posição. Alia técnica e (muita) inteligência. Dá o seu tom para o jogo e marca gols. Volto a defender seu nome para a posição na seleção brasileira, e não recuo.
Quando o Fluminense precisou amarrar o jogo para suportar a pressão do Boca, lá estava Fred, que malandramente arrumou uma falta no campo defensivo, interrompendo uma sequência de golpes do time de Riquelme contra a meta tricolor.
Para mim, foi o cara da partida!
Pode não ter sido cinematográfico como os jogos anteriormente comentados, mas foi simbolicamente importante, principalmente porque reafirma o Flu como um dos favoritos ao título.
Voltando um pouco ao mundo dos mortais, e a pedido de Sally Liechocki, que merece reverências tantas, um breve comentário sobre a estreia do Independente, de Tucuruí-PA, na Copa do Brasil.
Perdeu por 1 a 0, para o São Paulo, em Belém.
Deve agradecer pela má atuação do tricolor paulista, pois com o placar magrinho ganhou a oportunidade de caminhar pela 25 de março, fazer umas comprinhas e, quem sabe, comer uma fogazza no Gianotti.
Valeu,
Bruno Porpetta
Na noite catalã (fim da tarde para nós), foi a primeira bela obra de arte. Uma avalanche de bom futebol, conduzida pelo artista maior do planeta bola, Lionel Messi.
O dono da bola
Não foi um jogo, foi um desfile.
É importante lembrar que o jogo valia vaga nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa. O Barcelona já havia vencido o jogo de ida, na Alemanha, por 3 a 1. Bastava administrar a importante vantagem conquistada pelo time catalão.
Mas a inspiração dos grandes artistas da humanidade se abateu sobre o Barça e, principalmente, sobre Messi. Só dele, foram cinco gols (pela primeira vez na história da competição). Destes, três golaços. O jovem Tello marcou outros dois e perdeu a oportunidade de guardar mais um no fim do jogo.
O goleiro Leno, a despeito de ter falhado em dois gols, não pode ser condenado. Nem Yashin seguraria esse rojão. Pela frente, havia o melhor time do mundo e um dos melhores da história do futebol. Em um dia de grande inspiração.
Os 7 a 1 foram pouco, por incrível que pareça!
É bom destacar que este gol solitário do Bayer, marcado por Bellarabi, foi belíssimo. Por isso a bola entrou. Hoje, só era permitido fazer gols com classe. Isto, o Barcelona tem de sobra. E quanta sobra!
De Barcelona para minha terra natal, a cidade de Santos.
O maior porto da América Latina, o maior jardim de orla do mundo, o bolinho de bacalhau do Toninho, o pastel do Carioca, os gigantescos sanduíches do CPE (Centro de Paqueras do Embaré), Plínio Marcos, Patrícia Galvão - a Pagu, e a Vila Belmiro.
O estádio Urbano Caldeira é uma terra dentro da terra. Por lá passaram Zito, Pepe, Dorval, Mengálvio, Coutinho... E naquele solo brilhou Pelé!
Neymar, um dos maiores terráqueos do Santos, carrega o sobrenatural
Em proporções mais terráqueas, por lá está Neymar, que hoje destruiu o Inter com três gols, dois dignos de reprodução em tela.
Noite inspirada, muito provavelmente, pela noite catalã. Neymar assistiu Messi, aprendeu como fazer e, com gratidão, esculachou.
Houve um personagem mais silencioso, sem gols, mas igualmente encantador e, enfim, reencontrando seu futebol. O que falar da partida de Paulo Henrique Ganso? Monumental, é o mínimo!
Ele está de volta? Amém!
Pegamos um vôo para Buenos Aires, onde nossos poderosos reais bebem os melhores vinhos de uma combalida economia argentina, para aportar no estádio que melhor representa a dureza da Libertadores: La Bombonera.
O Fluminense foi, viu e venceu!
Com grandes partidas de Deco, Diguinho e Diego Cavalieri (o DDD?), o Fluminense se tornou o quarto clube brasileiro a derrotar o Boca Juniors dentro de seus domínios. Juntou-se ao Santos de Pelé, o Cruzeiro de Ronaldo e o Paysandu, de uma torcida apaixonada e maravilhosa, sacaneada pelos dirigentes locais e nacionais com mais constância que as chuvas de Belém.
Mas é preciso ressaltar que o Fluminense, além do grande time que tem, é o Fluminense de Fred.
O camisa nove do Flu é o que há de diferente na posição. Alia técnica e (muita) inteligência. Dá o seu tom para o jogo e marca gols. Volto a defender seu nome para a posição na seleção brasileira, e não recuo.
Para o craque, basta uma bola
Quando o Fluminense precisou amarrar o jogo para suportar a pressão do Boca, lá estava Fred, que malandramente arrumou uma falta no campo defensivo, interrompendo uma sequência de golpes do time de Riquelme contra a meta tricolor.
Para mim, foi o cara da partida!
Pode não ter sido cinematográfico como os jogos anteriormente comentados, mas foi simbolicamente importante, principalmente porque reafirma o Flu como um dos favoritos ao título.
Voltando um pouco ao mundo dos mortais, e a pedido de Sally Liechocki, que merece reverências tantas, um breve comentário sobre a estreia do Independente, de Tucuruí-PA, na Copa do Brasil.
Perdeu por 1 a 0, para o São Paulo, em Belém.
Não é um bloco de carnaval, são só umas comprinhas na 25
Deve agradecer pela má atuação do tricolor paulista, pois com o placar magrinho ganhou a oportunidade de caminhar pela 25 de março, fazer umas comprinhas e, quem sabe, comer uma fogazza no Gianotti.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Twenty
Documentário, na íntegra, de Cameron Crowe, sobre os 20 anos do Pearl Jam, com legendas em espanhol.
Para quem não sabe, Pearl Jam é minha banda favorita. Eddie Vedder, um grande ídolo!
Recheado de fatos interessantes da história da banda de Seattle, é um prato cheio para quem gosta.
Assistam e divirtam-se!
Valeu,
Bruno Porpetta
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