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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Escrever é preciso...

Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.

No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.

É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.




Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.

Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.

Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.

Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!

Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.

Nem que seja por escrito.

Bem-vind@s novamente!


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Óleo de peroba

Se você acha que a política é um meio sujo, você ainda não conhece o mundo do futebol.

Sobre a política ainda é possível exercer algum controle público, existem instrumentos e mecanismos de defesa do interesse coletivo. Por mais que lhe neguem acesso cada vez mais, algum acesso você tem.



No futebol, tal como no tráfico de drogas, armas, contrabando e quaisquer atividades criminosas em todo o mundo, existe uma estrutura paralela ao “nosso mundo” onde rola muita grana.

Este dinheiro que você não sabe de onde vem, tampouco sabe para onde vai. Mas, por onde passa, vai enriquecendo dirigentes e empresários que se valem da nossa paixão pelo esporte.

É possível que a real intenção das investigações tocadas conjuntamente pelo FBI e a justiça suíça não seja das mais nobres, mas elas estão provocando um estrago danado ao que parecia um eterno sossego destes aproveitadores do futebol.

Joseph Blatter, que a princípio não larga o osso até fevereiro de 2016, está na mira dos suíços. Seu provável substituto, Michel Platini, também ganhou motivos para arregalar os olhos, com seu nome citado como destinatário de parte da bufunfa.

Enquanto isso, Zico não consegue míseras cinco cartas de recomendação para seguir adiante em sua candidatura à presidência da FIFA. Ele pode não ser santo, mas decididamente não faz parte do esquema.

A barbárie no mundo do futebol é tamanha que, diante das investigações sobre um suposto calote em impostos dado por Neymar aqui no Brasil, o empresário do atleta “recomenda” publicamente que o pai – aquele que levou a comissão mais gorda da história por uma transação de jogador – tire seu dinheiro do país e o leve para paraísos fiscais.


É o espírito olímpico da cara de pau, superando limites.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 29 de agosto de 2015

Do que nos faz tanta falta

Acabo de assistir ao documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg, que retrata o período onde um dos clubes mais populares do país viveu uma experiência tão singular quanto magnífica.

A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.

Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.

Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?

Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?



Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.

As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.

E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.

Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.

Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.

A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.

Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.

Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Primavera nos dentes

Ronaldinho Gaúcho está de volta ao futebol brasileiro. Agora é jogador do Fluminense, após passagem discreta pelo Querétaro, do México.



O custo para o clube é relativamente alto. O que se coloca em questão, depois de inúmeros casos de descompromisso com a própria carreira, são os benefícios.

Sua passagem pelo Flamengo foi um desastre. Conquistou apenas um Carioca, sem nenhum brilhantismo. Seu melhor momento com a camisa rubro-negra foi em um jogo histórico contra o Santos, na Vila Belmiro.

No Atlético-MG, foi da redenção ao ocaso em curto período. Após se destacar na conquista da Libertadores em 2013, resolveu se dedicar à noite com afinco. Saiu do Galo como ídolo, embora a torcida já não visse a hora disso acontecer.

O OUTRO LADO DA MOEDA

E não é que pode dar certo? Pare e pense.

Do ponto de vista comercial, qualquer solo que Ronaldinho pise é digno de nota no mundo todo. Naquele papo de internacionalização da marca do Flu, é uma tacada de gênio da diretoria. Tão genial quanto o futebol que ele já teve e conquistou fãs em todo o planeta.

Dentro do campo, pode ser o último clube de Ronaldinho. Ele tem 35 anos e pode se motivar a querer encerrar a carreira de forma, no mínimo, digna. Pode ficar alheio ao jogo por 88 minutos, mas se colocar o Fred duas vezes na cara do gol, como ele sabe muito bem fazer, o adversário que se vire para fazer três e vencer o jogo.

Enfim, se por um lado pode desestabilizar um time certinho que, ao contrário de todas as previsões, está nas cabeças do Brasileirão. Por outro, pode motivar ainda mais essa molecada a correr por ele, jogar por ele.


Algo que na cabeça dos garotos era inimaginável fora do videogame, pode resultar em um final de ano feliz nos gramados.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Muita sede ao pote

Há quem acredite que viver cheio da grana, passeando em iates com belas modelos, frequentar os melhores hotéis e restaurantes do mundo, beber os melhores vinhos, é tudo na vida. Deve ser bom mesmo, mas a conta, de uma forma ou de outra, um dia chega.

Não é de hoje que a imprensa fustiga as extravagâncias dos homens ligados à FIFA. E não há problema algum falar em “homens”, porque mulheres neste meio são mero adorno. E de pensar que vem daí todas as decisões sobre o futebol feminino, por exemplo. Nada mais ilustrativo.

Mas a fortuna, em especial aquela adquirida de forma pouco ortodoxa, é um castelo de areia. Um dia cai, por mais que possa levar muito tempo.



E já tem tempo que esses magnatas da FIFA se divertem às custas da nossa paixão. O futebol, que é um meio de vida para milhões em todo o mundo, para eles é a própria vida. Todo o luxo e a luxúria possível no mundo se realizam através do futebol, que todos sabemos ser um grande negócio.

Dando uma olhada no nosso quintal, observamos o papel cumprido por João Havelange para que a FIFA se tornasse esse monstro. Um bicho que jorra dinheiro.

O ex-presidente da CBD (a CBF de outrora) e da FIFA, transformou o futebol mundial em uma máquina de sustentar toda a palhaçada acima referida. E deixou filhos adotivos ao longo do tempo.
Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, Nicolas Leóz e outras pragas, crias de Havelange, que venderam a paixão do brasileiro e de todo o continente americano para qualquer um que pudesse distribuir dinheiro na mão de todos eles. Muito dinheiro.

As investigações estão, depois de 24 anos chafurdando na lama da FIFA, tirando suas primeiras conclusões. A princípio, somente os sete presos, além de Nicolas Leóz e Jack Warner foram citados nominalmente no relatório. Sobre os outros, indícios bem fortes, mas apenas indícios. Até para Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo que contratava jogadores e não lhes pagava em suaves prestações, acabou sobrando.

O que desespera os demais figurões, como Del Nero, que saiu correndo da Suíça, é que o barbante só tem uma ponta para fora. Ainda há muito para puxar. E, quem diria, os EUA parecem dispostos a fazer isso. Embora os EUA sempre nos deem motivos para desconfiança.

Para salvar o futebol desta quadrilha da FIFA, existem duas iniciativas a ser tomadas.

Uma delas é institucional. É preciso aprovar a Medida Provisória 671, que trata da responsabilidade fiscal dos clubes de futebol e derrotar este Congresso que, se não abrirmos os olhos, revoga até a Lei Áurea.

A segunda é fundamental. Sem ela, não tem MP, não tem futebol, não tem nada. Os torcedores precisam se colocar nesta questão e ocupar as ruas pedindo as cabeças dos dirigentes da FIFA e da CBF.

Os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil – que entrou no ratatá da grana investigada – devem ter faixas, bandeiras, apitos, cornetas e, se for do gosto do freguês, até panelas nas arquibancadas denunciando esses caras.

Do ponto de vista simbólico, as investigações do FBI cumprirão o papel importante de mandar vários da quadrilha para execração pública. É ótimo, mas não é tudo.


Há quem financie tudo isso. Até então chamados de parceiros comerciais, amanhã não se sabe. Os tais parceiros não gostam de atrelar suas marcas a escândalos, a menos que ainda seja segredo.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cavalo selado

A teledramaturgia brasileira, que nos enche de orgulho pelo mundo afora, às vezes peca pelo roteiro pronto. Uma repetição de histórias com outros nomes, outras personagens e os mesmos dilemas e finais.

A vida é muito mais dinâmica, contraditória e curiosa do que as novelas. É na realidade que as pessoas se dão mais o direito de deixar passar o cavalo selado duas ou mais vezes, sem montá-lo.



A denúncia publicada por Jamil Chade, no Estadão, não chega a ser propriamente uma novidade, muito menos uma surpresa. É a comprovação documental do pão bolorento que é a CBF. A razão fundamental de cada gol alemão na Copa.

A CBF, que cuida mal de suas competições, terceirizou os cuidados com a seleção. Ou seja, a rigor, a entidade não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Dá saudades de caras como João Saldanha, que nunca admitiria a escalação de qualquer jogador por qualquer outra pessoa que não fosse ele mesmo.

A MESMA PRAÇA, O MESMO BANCO...

Sob nova direção, a CBF continua gerando renda (e não é pouca) ao ex-fugitivo Ricardo Teixeira. Através da seleção, mediando negociações de contratos. Passeando pelo mundo em paraísos fiscais.

É lamentável o “piti” de Walter Feldman, na Folha, contra Juca Kfouri. Sobram adjetivos para definir essa manifestação histérica e patética do homem responsável pela aproximação ainda maior e mais perigosa da CBF com o Congresso, de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

Não há nada de novo na CBF, como não havia na política nas últimas eleições. O projeto Marina, que mostrou-se mais do mesmo e tinha como parte o senhor Feldman, explica bem o que é a CBF atual. Mais do mesmo.


Já houve uma CPI da CBF, que deu com os burros n’água. Haverá outra? É hora de montar o cavalo.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 12 de maio de 2015

O tal do futebol

“Para estufar esse filó como eu sonhei, só se eu fosse o Rei.”, dizia Chico Buarque, em “O Futebol”.



Começou o Campeonato Brasileiro da CBF, aquele que nos prova a cada ano como esta entidade é um atraso de vida para o nosso futebol. O que vimos na primeira rodada, em termos de público, é vergonhoso. Salve-se aí o Fluminense, com seus 20 mil no Maracanã, e o Palmeiras em São Paulo.

O que se vê em campo é de fazer chorar. Da alegria do Botafogo pela vitória importante na estreia contra o Paysandu, na série B, ao tempo perdido pelo Flamengo em Atibaia, com um time perdido em campo.

O Vasco, ou pela ressaca, ou pelo choque de realidade, também estreou mal. Perdeu dois pontos importantes. O Flu, ao menos, venceu. Mesmo que a bola tenha sido bem pequena.

Enfim, nada diferente do que andou se vendo por aí. Com exceção de Pato e Ganso, que voltaram a jogar bola, não houve nada de extraordinário nesta primeira rodada.




NO TEMPO DE DONDON

Vivemos tempos onde o resultado se tornou primordial, o caminho para isso só importa se for vencedor. Apenas dois lances, em todo o final de semana, são dignos de nota.

“Um senhor chapéu, para delírio das gerais no coliseu”, de Valdívia – que só fez isso no jogo, mas valeu o salgado ingresso da arena de nome proibido pela CBF e a Globo, tal como a Liesa fez com a Beija Flor em 89.



“Captar o visual de um chute a gol”, de Renato Cajá – que golaço – jogando pela Ponte Preta diante do Grêmio, no substituto do saudoso Olímpico.

A primeira impressão do Brasileiro é a de saudades de tabelas assim: “Para Mané, para Didi, para Mané, Mané para Didi, para Didi, para Mané, para Didi, para Pagão, para Pelé e Canhoteiro.” O final dessa história a gente sabe onde acaba.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

No espocar dos fogos

Virada de ano é tempo de festa. Não podemos, nem devemos nos permitir a outra coisa que não seja a alegria. Os anos já são duros demais para que não tenhamos direito à alegria, ao menos, na virada do ano e no carnaval.

Dos ministérios de Brasília, tivemos algumas notícias boas em meio a uma penca de ruins. Não será fácil aguentar Joaquim Levy, Kátia Abreu e, em especial, para nós que gostamos de esporte, George Hilton.



O esporte no Brasil continua sendo troco na montagem dos ministérios. E olha que vai dar dinheiro pra uma galera com os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016!

Se antes já tínhamos dificuldade em estabelecer uma política inclusiva consistente do esporte na vida do povo brasileiro, agora esta perspectiva parece mais distante.

Resultado: os atletas revivem 2013 e se organizam na crítica a escolha do novo Ministro do Esporte. Ou seja, é preciso levantar o traseiro da poltrona para garantir uma política desportiva séria. Independente do nome que ocupe a pasta.

Veta, Dilma!

A começar pelo veto ao golpe da cartolagem dado ao apagar das luzes do Congresso, incluindo mais uma farra com a nossa cara, com nosso dinheiro. Na prática, liberaram o “calote premiado” no futebol brasileiro.

A vergonhosa manobra que deu 20 anos para que os clubes nos enrolassem, sem nada que impeça o calote, deve cair nas mãos da Presidenta Dilma.

Aparentemente ela deve vetar o artigo colocado sacanamente em uma MP que tratava de aerogeradores, mas não custa dar mais uma cobrada nisso.

No nosso quintal, além do toque de caixa nos Jogos Olímpicos, o sr. Rubens Lopes – comandante do futebol no estado do Rio – impõe multa a quem critique o Campeonato Carioca.


Os tempos parecem sombrios, mas a disposição para resistir a tudo isso e mudar alguma coisa também parece crescer. Que façamos nosso 2015 feliz! 


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um último domingo de magia

Segunda-feira, o futebol brasileiro já acordará mais medíocre.

Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.



Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.

Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.

Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.

Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.

É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.

Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.

Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...

O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.

Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.

O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A quem ama futebol...

Esta noite foi espetacular!

De repente, cinco torcidas de cinco gigantes do futebol brasileiro passaram os últimos 15 minutos desta quarta-feira vidradas, em pânico absoluto.

O São Paulo por um gol de cair fora da Sul-Americana. O Cruzeiro a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Santos a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Atlético-MG a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Flamengo a um gol de cair fora da Copa do Brasil.

Respiraram aliviadas as torcidas do São Paulo, do Cruzeiro e do Galo. Santistas e rubro-negros voltam para casa chorando.



Quanto aos santistas, não tenho muito o que falar. Caíram para o melhor time do Brasil e de forma digna.

Vou tratar do meu quintal. Vou falar, especificamente, do único time que não quis jogar futebol nesta quarta-feira. Vou falar do Flamengo.

Futebol é um esporte tão maravilhoso, tão apaixonante, que talvez uma das grandes frustrações da minha vida foi não ter talento suficiente pra viver jogando futebol. Nem talento, nem equilíbrio emocional para ser profissional e vestir outra camisa que não fosse a do Flamengo.

Respeito quem conseguiu.

Pois bem. É tão maravilhoso que eu não consigo entender como quase um time todo consegue passar 90 minutos sem jogá-lo.

Não vou me ater, inicialmente, à escalação do time. Obra daquele que, a meu ver, foi quem mais errou nesta noite. O "pofexô".

O jogo de futebol é bom para quem tem a bola. Ainda assim é possível ter menos a bola e jogar bem, se a proposta for mais defensiva. Mas para isso é preciso ter alguma válvula de escape da defesa para o ataque.

A falta de um passador no primeiro tempo que colocasse os mais rápidos para puxar o contra-ataque e a ausência dos mais rápidos no segundo tempo foram determinantes para que o time não saísse de trás da linha do meio-campo.

Aliás, este é outro ponto. O jogo se ganha no meio-campo. Se você não consegue sequer segurar a bola por ali, você está perdido.

Não se abre mão da bola e de dois terços do campo ao mesmo tempo impunemente.

Aí passamos aos "destaques" individuais.

Eduardo da Silva NUNCA poderia dar um toque de letra antes da linha do meio-campo com a defesa toda saindo, era hora de dominar a bola e escolher a melhor jogada. Tinha espaço para isso.

Os laterais não podem ser driblados o tempo todo como foram. Estes, ao menos, tem atenuantes. O Léo jogou uma partida e meia no Brasileirão, passou boa parte do ano no departamento médico. João Paulo é ruim mesmo.

As substituições foram um fiasco. Quem é Elton? Quem é Matheus? O que fazem? Como se reproduzem? Com a palavra, Sérgio Chapelin...

No entanto, como disse anteriormente, Luxemburgo foi quem mais errou.

Samir é titular deste time até com câncer no esôfago. As substituições foram descabidas. Ele estava nervoso demais e, por consequência, o time também. As pixotadas da defesa e a incapacidade de manter a bola nos pés nos faziam pensar que o Atlético estava classificado desde o primeiro tempo, uma questão puramente emocional.

O trabalho de Luxemburgo foi pro vinagre? Não. Mas é preciso reconhecer que ele não está entre os grandes treinadores da atualidade. O seu trabalho foi importante pra sair da confusão, mas ninguém passa 10 anos sem vencer títulos nacionais à toa. Até a Copa do Brasil ficou grande demais pra ele.

Pois bem. Agora é juntar os cacos, levantar a cabeça e, temporariamente, mudar um pouco de assunto.

Aliás, a final da Copa do Brasil nos traz um fator interessante. Muito anda se falando em terceiro turno das eleições. Aécio é Cruzeiro, Dilma é Galo.

O Flamengo deve ser a Marina, neste raciocínio.

Para não dizer que esqueci de mim mesmo, paguei pela minha soberba. Se estivesse no Irã, mereceria umas 120 chibatadas por cantar vitória antes da hora. E não dá pra dizer que não me alertaram do risco que eu corria... né, Gustavo?


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ponta esquerda

Na Copa de 82, ficou famoso um personagem humorístico interpretado por Jô Soares chamado Zé da Galera. O dito cujo sacaneava o treinador Telê Santana, colocando em suas falas o bordão “Bota ponta, Telê!”.



Aquela época era o ocaso do ponteiro, que fez parte dos esquemas táticos do futebol até os anos 70. Embora, desde 58, o ponta esquerda já compunha mais a marcação no meio-campo da seleção brasileira. O sujeito em questão era Zagallo.

Com a chegada dos anos 80 e a necessidade de ter mais marcadores atrás da linha de ataque, os pontas começaram a desaparecer.

O futebol foi mudando ao longo do tempo. Por muito tempo, ficou mais chato. Sem os pontas, a linha de fundo virou quase um território proibido. Quase não se pisava por ali.

Aí veio o Barcelona de Guardiola, que por marcar e trocar passes no campo de ataque, percebeu que não podia se confinar na intermediária. Alguém teria que ir à linha de fundo.

Foi o retorno do ponta. Não exatamente com as mesmas funções de antigamente, mas estava lá.

Hoje, os pontas, além de ir à linha de fundo, voltam para marcar a saída dos laterais. Os atacantes abertos pelos lados do campo foram fundamentais para dar mais graça ao futebol atual.

Ou seja, redescobriu-se que o futebol é a arte da ocupação de espaços. Quase um xadrez de peças “malemolentes”. Este é o centro da discussão mais inevitável do momento: as eleições presidenciais.

No segundo turno, cada um correu para a ponta do ataque onde se sentiu mais à vontade para jogar. Dilma foi à esquerda, Aécio à direita.

Na defesa adversária, FHC, o lateral-direito, dava várias pixotadas. O jogo era por ali, pela ponta-esquerda.

A estratégia deu certo. A vitória veio pela esquerda.


Para governar, é hora de entender o recado que o Brasil deu: “Bota ponta-esquerda, Dilma!”.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um convite ao sofá

O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.



Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do árbitro da Copa, diga-se de passagem.

Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva, com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.

Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.

Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.

O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.

Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.

O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco para quem quer ir à Libertadores.


Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas especialmente no bolso.


Valeu,


Bruno Porpetta

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Nada de novo

O mundo do futebol coleciona casos de racismo. Em todo o planeta, também no Brasil, não só no Rio Grande do Sul. O caso Aranha é o início da contagem regressiva para o próximo.

A única chance que temos para começar a desatar esses nós é, sem qualquer delírio de soluções imediatas, punir exemplarmente os envolvidos. A garota, os outros e, também, o Grêmio.



A garota e os outros estúpidos da arquibancada por razões escancaradas. Foram flagrados pela TV. Já o tricolor gaúcho, por mais que tenha tomado posturas aparentemente enérgicas, está envolvido pela terceira vez, nos últimos anos, em casos de racismo.

Chegou a hora desses idiotas verem o tamanho do estrago que causam, tanto na vida dos negros e negras do nosso povo, como para o próprio clube. Conviver no sistema carcerário brasileiro, um verdadeiro depósito de negros e pobres, pode fazê-los pensar um bocado.

A exclusão do Grêmio na Copa do Brasil é pouco. É preciso limitar o número de ingressos à metade da capacidade de um estádio distante de Porto Alegre, além de uma pesada multa. Ou seja, doer no bolso do clube. Os outros clubes, rapidamente, se precaveriam.

Até porque o racismo não é gremista, nem só no futebol, é uma questão nacional. O sujeito enlatado no trem, em sua maioria, é negro. Não é à toa.

O Brasil é um país racista. Os negros foram jogados para os cantos das cidades, recebem menos, trabalham mais. Qualquer semelhança com o século retrasado não é mera coincidência.

Os negros e negras do nosso povo não fazem parte da elite, que andaram dizendo por aí que não existe. Nem esquerda, nem direita, nem branco, nem negro... mas nada que umas tuitadas não possam mudar, de repente.


Do gremista Humberto Gessinger: “Nessa terra de gigantes, eu sei, já ouvimos tudo isso antes.”.



Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Torcida que canta e vibra, há 100 anos

Sou Flamengo! Até as pedras portuguesas de calçada sabem disso. Algumas até ousam me sacanear nas derrotas. Outras sorriem para mim nas vitórias.

Mas devo confessar que o Palmeiras me traz lembranças interessantes. Pro bem e pro mal.

A primeira lembrança que tenho do agora centenário Palmeiras foi em uma derrota, digamos assim, vexatória. Assisti à final do Campeonato Paulista de 86, onde a Inter de Limeira sagrou-se campeã ao derrotar o Palmeiras. O alviverde da capital foi, em várias ocasiões, a alegria do interior.

Mas tem uma lembrança que, sinceramente, me deixa puto até hoje.

Em 88, o Zetti - então goleiro do Palmeiras - quebrou a perna em um lance no Maracanã, contra o Flamengo, e o Gaúcho (que depois seria campeão brasileiro pelo Flamengo em 92) acabou indo pro gol. O jogo terminou 1 a 1 e, por conta do regulamento daquela Copa União, foi para os pênaltis.



E não é que o filho da puta, além de fazer o dele, ainda pegou dois?

Pois é, ainda teve o dia em que eu fui "palmeirense". A convite de um grande amigo, fui ao Palestra Itália assistir a um jogo contra o Deportivo Tachira, da Venezuela, pela Libertadores.

O Parque Antártica era (até porque aquele já não existe mais) um estádio ótimo para assistir futebol, menos para os visitantes. A torcida adversária ficava de frente para a piscina e assistia ao jogo com a cabeça virada pro lado. Fui para assistir decentemente a um jogo no Parque Antártica.

Este meu amigo estava acompanhado por outro, que mais adiante, nós três, juntos com um sãopaulino, formaríamos uma banda, mas aí é outra história.

Tinha visto este cara uma vez na vida, o bastante para ter falado de futebol por umas duas horas e meia. Ele me reconheceu algum tempo depois.

- Você não é...

- Sim, sou! (dei um abraço nele e continuei) Agora, fique em silêncio, senão eu vou morrer aqui.

O Palmeiras ganhou por 2 a 0, e não pude ser acusado de pé frio. Depois, fomos beber cerveja e comer os excelentes sanduíches de linguiça no entorno do estádio.

Ir ao Parque Antártica como visitante era uma tortura. Não era fácil ter que usar casaco no verão para esconder a camisa do Flamengo e, via de regra, você chega ao estádio no meio dos palmeirenses. Em algum lugar, você vai encontrá-los. Seja no metrô ou no entorno.

Além de tudo isso, outros confrontos entre Flamengo e Palmeiras foram bastante marcantes para mim. A final da Copa Mercosul, que ganhamos lá no Palestra, com gol de Lê. O confronto na Copa do Brasil, onde fomos eliminados, perdendo por 4 a 2, com dois gols iguais e os dois com falta no Clemer (que a porcada nunca vai admitir).

Resumindo, o Palmeiras é um gigante do futebol brasileiro pelo qual tenho um profundo respeito. Por isso, não poderia me furtar a contar estas histórias no dia de seu centenário.

O alviverde do Parque Antártica possui torcedores fanáticos. Uma torcida que me deu grandes amigos, pelos quais, às vezes, sinto até pena pelo estado crítico que o Palmeiras vive.

O Palmeiras me deu até ídolos, como Marcos, que é mais humano que a média dos jogadores de futebol no Brasil. O cara é campeão da Libertadores e para em posto de gasolina pra beber um vinho e comemorar com outros torcedores. Toma café durante um jogo de Libertadores. É campeão do mundo pela seleção. Como não gostar de um cara desses?



Ao Palmeiras, meus sinceros parabéns! Desejo que protagonizem ainda grandes confrontos com o Flamengo, para sempre.

Mas não me peçam pra chamar a "arena" pelo nome novo. Não tenho contrato com ninguém pra ficar fazendo propaganda. Vai ser sempre Parque Antártica, ou Palestra Itália.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Que dia! Que noite!

Este 13 de agosto de 2014 tem tudo para ser uma data lembrada por muito tempo na história.



Começa com a trágica morte de Eduardo Campos e os demais passageiros e tripulantes do avião que caiu na minha cidade natal. Exatos nove anos depois da morte do avô do presidenciável, o lendário Miguel Arraes.

Não deixa de ser lamentável, pelas pessoas que cercavam suas vidas. Também não os redime de eventuais equívocos em vida, e Eduardo Campos tinha vários equívocos.

Mas como qualquer grande "evento" que envolva política, algumas reações chegam a dar náuseas em qualquer um que possua senso de humanidade e, principalmente, de ridículo.

Passam as horas e a noite reserva uma rodada incrível da Copa do Brasil.

Três gigantes do nosso futebol estão fora, eliminados por times considerados pequenos, mas que se mostraram tão gigantes quanto os derrotados.

O Bragantino não tinha uma noite tão heroica desde o título paulista em 90. Tempos em que a linguiça de Bragança Paulista ainda era notícia. E o São Paulo vai lamber suas feridas no Brasileirão e na Sul-Americana.

O Ceará, que já havia vencido o jogo de ida, em pleno Beira-Rio, venceu de novo. Fez 5 a 2 no agregado e despachou o Inter com uma autoridade monumental.

No Maracanã, o Fluminense, que por muito tempo se regozijou com a histórica derrota do Flamengo para o América do México e a atuação exuberante do gordinho Cabañas, agora também tem um América pra chamar de seu. O América de Natal-RN conseguiu improváveis, mas merecidos, 5 a 2 e reverteu a derrota por 3 a 0 na primeira partida, se classificando pelos gols fora de casa.

Para completar, houve a grande final da Libertadores (que as TV's brasileiras se recusaram a exibir, mostrando, mais uma vez, que nossa mídia simboliza os "valores" das nossas elites, que se orgulham de odiar os vizinhos sul-americanos) que consagrou, pela primeira vez, o San Lorenzo como campeão. Tudo decidido em um pênalti cobrado pelo paraguaio Ortigoza para o time argentino, sobre o goleiro argentino Don, dos paraguaios do Nacional.

Este papado argentino tem feito tão bem ao futebol do país que já levou a seleção à final da Copa e o San Lorenzo (time do Chico) ao título inédito da Libertadores. Divino?


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sim, é só porque ele é preto!

Em tempos de reflexão sobre as lições deixadas pelos sete gols alemães na Copa, já se falou muita bobagem, mas também muita coisa relevante.

Dentre as maiores bobagens, a entidade que diz que administra o nosso futebol - a tal da CBF - responde por 96% delas. Falam e fazem, por supuesto.

Um tanto vem da imprensa, outro tanto dos treinadores - dentre eles o "pofexô" -, algum tiquinho da torcida. Ou seja, todo mundo já falou alguma bobagem de lá pra cá.



Dentre as coisas relevantes, uma delas foi Tite, que preferiu estudar mais para melhorar e chegar à Europa. O "mais cotado" antes da escolha de Dunga, quer chegar ao continente europeu, em um clube grande, porque lá é o exemplo. Pode quebrar a cara, mas não custa tentar.

Outro é Cuca, que parece ter se livrado da "uruca" de não ganhar nada. Já tem uma Libertadores no currículo, mas alguém com uma Libertadores não poderia ir pra China. Vai aprender o quê lá? Mandarim?

Muricy é outro que parece, pelo menos, estar atento às lições que o mundo lhe dá. Depois da surra que levou do Barcelona, pelo Santos, ele vem procurando mudar seus conceitos, tentando manter seu time mais com a bola nos pés e menos sobrevoando as cabeças. Não dá pra dizer que ele não está tentando.

O problema é que, em todos os aspectos positivos que o futebol brasileiro vem tentando se arrumar, sempre está associado um treinador branco, um visionário.

É nesta invisibilidade dirigida que, muitas vezes, deixamos passar batido o que tem realmente impressionado neste Brasil pós-goleada. Quem parece ter entendido tudo, até porque não precisou da goleada para aprender, já via tudo isso rolando aqui mesmo, é um negro.

Cristóvão Borges assumiu uma bucha no Vasco, logo após o AVC de Ricardo Gomes, que poucos teriam peito pra assumir. Levou o time na Libertadores e, não fosse o gol perdido pelo Diego Souza, estaria, no mínimo, nas semifinais da competição com um time bom, mas que não passava muito disso.

Algum tempo depois, sucumbiu à pressão da torcida vascaína e saiu. Não saiu correndo atrás de outro clube dias depois. Foi pra sua casa estudar.

Enquanto os jornalistas estão preocupados em saber quantas milhas os treinadores andaram acumulando em seus cartões-fidelidade de companhias aéreas indo para a Europa, Cristóvão diz ao blog do PVC que viajou pouco, suas reflexões vem de leitura e observação de algumas coisas bem mais próximas. Sampaoli, no tempo de Universidad do Chile, foi um dos alvos de seus olhares.



Depois de uma passagem pelo Bahia, em que conseguiu fazer um time sofrível permanecer na primeira divisão, Cristóvão tem uma grande chance no clube que o projetou como jogador. O Fluminense.

Nesta história de valorizar o passe como um fundamento sem igual na arte de ganhar bem os jogos, Cristóvão faz do Fluminense o time mais bonito de se ver. E ganha!

Mas sabe porque se pensa em Tite, se fala em Muricy e se traz o Dunga sempre? Pra além da panelinha da cúpula da CBF, é porque o Cristóvão é negro! Por isso o nome dele sequer aparece, mesmo que o seu trabalho venha dando frutos.

É simples. Somos um país racista, imagina a CBF?

E não acho que esta era a hora dele, nem a ocasião. Ele precisa de um título polpudo pra chamar de seu, além disso entrar na seleção agora significa baixar a cabeça pra essa gente, coisa que ele nunca deve fazer.

Não é preciso transpor simplesmente o esquema alemão para cá, basta ocupar bem os espaços. Isto faz muita diferença no futebol.

A lição alemã passa mais pela organização do futebol, que é justamente quem não quer aprender nada.

E tenho dito...


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vergonha própria e alheia

A tendência mais provável é que, diante da péssima repercussão que a votação imediata do Proforte pode ter, ela ocorrerá após as eleições. Mais um sinal de que as eleições são só um ponto da curva e a nossa participação não pode se restringir ao simples ato de votar.

Vejam só quem são os nossos dirigentes!



O dentista que preside o Botafogo afirmou em um programa de TV que deixou de pagar impostos por oito meses contando com a votação do Proforte. Em qualquer lugar sério, sairia algemado dos estúdios. Pelo contrário, ele vai à Brasília ameaçar tirar o time de campo caso não seja atendido por um pacotão de bondades do governo.

O Flamengo deve até as calças. A simples ideia de pagar 900 mil reais por mês a Robinho merecia desprezo, mas a atual diretoria ressuscita as múmias da política rubro-negra que, a todo tempo, adoram colocar notinhas na imprensa com todo tipo de especulação.

As eleições no Vasco seriam cômicas, se não fossem trágicas. Entre mortos, clones e sócios subsidiados por algumas chapas, todo mundo pode votar! Para piorar, o risco do retorno de um dos nomes mais funestos da história do futebol é iminente.

A esquisita relação entre o Fluminense e a patrocinadora daria um livro. Ninguém sabe mais onde terminam os sócios e começam os médicos credenciados. Tampouco sabe o que sobraria caso os médicos metessem o pé.

Resumindo, esta turma de dirigentes que foi à Brasília passar o chapéu é lamentável, asquerosa, retrógrada. São uns vendilhões da nossa paixão pelo futebol. Se estivéssemos no Irã, levariam quatro bilhões de chibatadas, uma para cada real devido ao povo brasileiro. Ninguém se salva!


Longe de ser exclusividade do futebol, o presidente do COB diz que a Baía de Guanabara está limpa. Que tal um mergulho?


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudades do Costinha

Olha, antes de qualquer coisa, não me preocupei em momento algum em ser "politicamente correto", tampouco em ofender quem quer que seja. Mas, convenhamos. Costinha era sensacional!

Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.

Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.



Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?

Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.

Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!

Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?

Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.

O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.

Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.

Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.

Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.

Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.

Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.

Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.

Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...

Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.

E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.

Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.

E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.



Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?

Pena que não é.

Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.

Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.

Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.



Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 15 de julho de 2014

O craque sumiu?

O título alemão na Copa levantou a lebre: será o fim do craque?

Só se fala em jogo coletivo, bola de pé em pé, organização, planejamento, tática e até software. O que significa isso tudo?



Chovendo no molhado, o futebol é mesmo um esporte coletivo. Sem participação ativa dos três setores do campo, não tem jogo. Esta participação, hoje, não se limita a guardar posição e só defender ou só atacar.

Não se descobriu a pólvora quando se retomou a ideia de que o passe é o fundamento mágico do futebol. Driblar é bonito, fazer gol é heroico, mas o passe é que determina se temos um time ou um bando de bons jogadores.

As últimas duas Copas consagraram esta afirmação. As seleções que tocam mais a bola foram campeãs. A Espanha tinha dois craques no meio-campo. Os catalães Xavi e Iniesta, que careciam de alguém mais qualificado à frente, toparam ser chamados de chatos e foram campeões na África do Sul.

Na nossa Copa, não tínhamos um craque no time campeão. O que mais se aproxima disso é Schweinsteiger, mas não chega a tanto. Se o meio-campo alemão não tinha os craques espanhóis, tinha muito mais qualidade à frente. Thomas Muller é fantástico!

A Alemanha prima pelo equilíbrio e bom funcionamento dos três setores. A Copa do zagueiro Hummels foi a garantia de bom futebol na defesa e Boateng foi fundamental na final.

No entanto, do outro lado tínhamos um craque. A expectativa criada em torno de Messi, ainda mais quando Neymar saiu, foi muito maior do que o seu corpo permitiu. Messi foi decisivo no início e importante no fim, mas se esperava que ele fosse mais que isto.


A Copa não acabou com o craque. A vitória alemã não representa isso, mas sim a importância do time. Se a Alemanha tivesse um craque, do porte de Beckembauer, neste timaço, a Argentina, mesmo organizada, não aguentaria dez minutos.


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 13 de julho de 2014

Justo, justíssimo

Acabou da forma mais óbvia para quem sabe de futebol. A Alemanha é mais time que qualquer outra seleção, tem um treinador monumental no banco, opções aos montes para mudar uma partida.

Não à toa o gol saiu em jogada pela esquerda de Schurrle para a conclusão de Gotze, ambos saídos do banco de reservas.



O modelo alemão de organização, que ultimamente virou a menina dos olhos da mídia brasileira, é bom, mas não pode ser simplesmente copiado pelo Brasil. Imaginem só se houver apenas um clube multimilionário no Brasil e todos os bons valores dos demais são contratados por ele?

Pois é. Em nome da Copa do Mundo, a Alemanha tem um superclube - Bayern de Munique - e outros que lutam para quebrar a hegemonia dele. O último foi o Borussia Dortmund, mas não está dado que continue sendo por muito tempo, vai faltar "perna" em algum momento.

Noves fora, a Alemanha enfrentou um adversário à altura de uma grande final de Copa. A Argentina valorizou o título alemão. Muito mais valoroso que sua passagem para a final, onde enfrentou um bando de camisas amarelas amontoadas no campo.

A Argentina teve a chance de abrir o placar no primeiro tempo, mas Higuaín deu mole. Não é todo dia que se dá um presente desses como o que Kroos deu. Aliás, Kroos não foi bem no jogo, a despeito da grande Copa que fez.

É preciso reconhecer a Copa monstruosa de Mascherano. Assim como o Barcelona deve pensar que o lugar dele não é na zaga, mas sim à frente dos zagueiros.

Messi, apesar de não ter decidido hoje, pode ser considerado um dos grandes nomes da Copa. Quando não conseguiu decidir, puxou a marcação, abriu espaços.

Porém, coube a um menino decidir a parada. Mario Gotze - uma aposta muito grande do futebol alemão, que surgiu no Borussia, mas foi comprado pelo Bayern - com apenas 22 anos fez o gol que sacramentou o título alemão na prorrogação. Quando a Argentina tinha pouca perna pra acompanhá-lo. Aliás, este time alemão, além da técnica, sobra fisicamente.

Pois bem. Venceu quem se preparou melhor, quem teve a paciência de perder uma Copa em casa por um projeto de reestruturação do seu futebol, quem melhor dialogou com a cultura brasileira, com os hábitos locais. Mesmo que este tenha sido um "golpe de marketing", foi muito mais eficiente que as inúmeras selfies no Instagram de auto-proclamação. Venceu uma seleção.

Se vamos aprender as lições disso tudo? Não sei. Acho muito difícil, inclusive.

Seria necessário cair muita gente pra isso. Muita gente disposta a continuar se pendurando nas tetas do futebol brasileiro.

Parabéns, Alemanha!


Valeu,

Bruno Porpetta