Enquanto dava uma zapeada nos canais de TV, parei para assistir a uma entrevista do Deputado Estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), recém-eleito para a Câmara dos Deputados em Brasília, para o programa Jogo do Poder, na CNT.
Em um dado momento da entrevista, o âncora do programa o pergunta sobre o papel que o Judiciário vem exercendo na política nacional e, em especial, no Rio de Janeiro, após a prisão do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).
Eis que Ramos diz algo que, há algum tempo, venho refletindo a respeito. Os chamados "políticos" deixaram de fazer política, ou nas palavras dele "perderam a capacidade de resolver as questões politicamente". Essa perda de capacidade resultou nas constantes provocações ao Judiciário, para resolver essas questões.
Outro trecho da fala de Ramos diz que, após tantas provocações que o alçaram a uma condição de iminência parda do poder, o Judiciário gostou de fazer política.
O Poder Judiciário é o único dos três poderes que, diferentemente do que prega a Constituição Federal de 88, não emana do povo. O único não eleito pelo voto popular. Por si só, isso já faz uma diferença enorme.
Exatamente por não ser eleito é o poder menos poroso às classes sociais mais baixas, formado quase que exclusivamente por brancos oriundos da classe média para cima, com raríssimas exceções que, segundo a crença popular, servem para confirmar a regra.
A seleção para a magistratura é um funil com corte de classe, a medida que o nível de exigência de dedicação e comprometimento para com os estudos é inviável para quem precisa trabalhar para sobreviver, quem tem filhos para criar, etc.
Não basta apenas concluir o curso de Direito, é preciso começar a preparação ainda durante a faculdade, prosseguir estudando após o término e, ainda assim, não é fácil. Cursos preparatórios, tardes em bibliotecas, reclusão para estudos,... Um estilo de vida nada compatível para quem tem contas a pagar ou crianças na escola.
Em geral, passam os garotos que se dedicaram a isso em tempo integral, que tiveram apoio da família para tal sem que isso representasse um prejuízo financeiro aos parentes.
Em uma escala menor, o mesmo vale para o Ministério Público.
Ou seja, além de não eleitos, praticamente todos são oriundos do mesmo estrato social, formados com valores semelhantes, experiências de vida similares que determinam formas de pensar e, principalmente, julgar, parecidas.
Tudo isso para, retomando a fala de Paulo Ramos, dizer que as constantes provocações ao Judiciário e suas peculiaridades são um tiro no pé da democracia.
Ao mesmo tempo que o Judiciário é útil para dirimir questões entre os indivíduos, o mesmo aplicado à política é uma tragédia.
Tornou-se cômodo às forças de oposição, sejam elas quais forem, de direita ou de esquerda, recorrer às instâncias do Judiciário após alguma derrota nas casas legislativas.
Isto porque, se por um lado as Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores se tornaram meros escritórios de legitimidade a serviço das políticas dos Executivos, por outro as oposições suprem as ausências de mobilizações populares com intervenções judiciais.
Que a direita não conte com mobilizações populares e se escore em um Poder essencialmente afeito às suas convicções não chega a ser uma surpresa. Que a esquerda faça isso, é um sacrilégio.
Primeiro porque contribui para esvaziar o sentido da política onde ela deve ser feita, no espaço que reúne a legitimidade necessária, conquistada através do voto, para tal. Segundo porque nos estimula a, cada vez mais, resolver as nossas questões por cima, sem mobilização e com confiança excessiva no funcionamento regular das instituições.
Não cabe a mim fazer um extenso tratado sobre isso. Não tenho tempo, nem intelecto suficiente para a tarefa. Mas se eu puder plantar uma pulga nas orelhas da esquerda, já me dou por satisfeito.
Até porque sou filiado ao PSOL, o campeão brasileiro do chamamento ao Judiciário, e me desespera cada vez que o partido vai ao STF para qualquer coisa.
Às favas com o STF! Às favas com a primeira instância, cujos membros passaram também a se sentirem deuses!
Valeu,
Bruno Porpetta
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Escrever é preciso...
Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.
No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.
É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.
Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.
Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.
Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.
Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!
Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.
Nem que seja por escrito.
Bem-vind@s novamente!
Valeu,
Bruno Porpetta
No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.
É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.
Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.
Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.
Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.
Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!
Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.
Nem que seja por escrito.
Bem-vind@s novamente!
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Tempos sinistros
Emerson Sheik, por qualquer razão
que se possa imaginar, expôs o quanto a CBF coloca nossa democracia à prova,
retomando medos de outros tempos, quando falar o que se pensava era tratado
como crime contra a segurança nacional.
Não importa se Sheik está “politizando”
suas férias ou se acaba, involuntariamente, tornando-se uma liderança em um
processo de questionamentos à CBF que se iniciou com o Bom Senso FC. Deve-se
considerar, inclusive, a possibilidade de um processo coletivo arquitetado pelo
próprio movimento, utilizando-se de novas figuras, como Sheik e Ganso.
O mais importante é falar e,
principalmente, poder falar. Foi por este, e outros direitos, que muitos
tombaram. Foram torturados, mortos e seus cadáveres foram ocultados, negando a
suas famílias a simples chance de enterrá-los.
Nada que não vivemos nas favelas
e periferias do país nos dias de hoje, mas existe um especial simbolismo nas
mortes da ditadura militar. Uma referência em desrespeito aos direitos humanos.
Dentre as inúmeras similaridades
que temos entre o presente e o passado, uma delas é o cerceamento ao direito de
expressar suas opiniões. Por mais infames que possam ser, devem ser todas
ditas.
A hipótese da punição a Emerson,
já cogitada instantaneamente quando o atacante foi às câmeras de TV dizer que a
CBF era uma vergonha, é um resquício muito grande destes tempos que ninguém
nunca enterrará. A naturalização desta ideia é perigosíssima.
Uma coisa é a falta que provocou
sua expulsão na partida. Por esta, ainda dá uma discussão. Pelo desabafo,
nenhuma repreensão deve ser considerada normal.
Não é a toa que, ultimamente, vem
ganhando força uma turma que adora deveres, mas tem pouco apreço por direitos,
falando em “família”, “valores” e “moral”.
Que Deus nos proteja, mas que
façamos por onde.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Pode ser a gota d'água...
Luiz Antônio é suspeito – e é bom
que se diga que, por enquanto, é apenas suspeito – de ter relações com milicianos
da zona oeste do Rio, além de estelionato pelo golpe no seguro de seu carro.
Se confirmadas as suspeitas, além
do provável fim de carreira para um garoto promissor, revela que nem só de amigos
de infância são formadas as redes de relações entre jogadores de futebol e suas
comunidades.
Diferentemente das histórias de
Adriano e Vágner Love, que mantinham relações com traficantes em seus locais de
nascimento porque, simplesmente, cresceram juntos, aprenderam a dar os
primeiros passos no futebol juntos. Portanto, não há razão, mesmo que os
caminhos tomados tenham sido absolutamente diferentes, para que seus vínculos
sejam rompidos.
Este caso de Luiz Antônio não se
trataria de amizade de infância. Até porque os milicianos, em geral, caem de
paraquedas nas comunidades, surgem como “alternativa ao domínio do tráfico”,
mas se configuram como os novos donos do pedaço. Estabelecem uma relação de
poder sobre a comunidade.
É neste aspecto que se firmariam
as suspeitas. Nas relações de poder que as milícias exercem sobre as
comunidades e sobre como um jogador de futebol conhecido pode ser útil à
manutenção destas relações.
A princípio, o único indício mais
forte seria o do estelionato. Um golpe, até certo ponto, conhecido aí na praça.
Não é incomum alguém querer se livrar de um carro através do acionamento do
seguro.
O que causa maior estranhamento é
que, em geral, não se faz isso com quem não se tenha uma relação mínima de
confiança. É aí que mora o perigo.
Somando-se à confusão na justiça
do trabalho, no início deste ano, é o segundo episódio conturbado envolvendo
Luiz Antônio que parece não carecer apenas de boa assessoria, mas de cabeça no
lugar.
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 7 de junho de 2014
Enfim, a Copa...
Pois é. A despeito da "guerra de torcidas" promovida entre governo (a quem caberia ser mais sensato) e movimentos sociais diversos e cada vez menos influentes nos rumos das mobilizações populares, vai começar a Copa do Mundo. Aquela que uns dizem que vai ter, outros dizem que não vai ter.
Talvez esta tenha sido a discussão mais imbecil que eu já tenha presenciado em minha "curta" vida.
Vai ter Copa porque parte considerável do povo quer que tenha. Não devia ter porque parte considerável do povo foi expulsa de suas casas, porque usou-se a Copa como pretexto para modelos de cidade excludentes, porque a FIFA é uma quadrilha que está se especializando em assaltar países da periferia do capital e o seu "padrão" não nos interessa, porque o Brasil abriu mão de sua soberania sobre pequenas partes de seu território para satisfazer os interesses dos assaltantes.
O custo dos estádios, sinceramente, é troco de pão. Não é pelos gastos que se pega a Copa pelo calcanhar de aquiles. É pelo futuro.
Pagou-se estádios para entregá-los à iniciativa privada. Por consequência, os ingressos são caros e o povo tem tido cada vez mais dificuldades para ir aos jogos, que já são ruins "só pra ajudar".
Portanto, em minha modesta opinião, enquanto estivermos debatendo se "vai ter" ou "não vai ter", estamos andando em círculos.
Sobre a competição em si, que é realmente muito mais interessante do que os tecnocratas da FIFA, quando me pedem pra cravar uma final, digo logo Brasil x Argentina.
Por quê?
Porque são as seleções favoritas que tem menos problemas físicos e mais jogadores decisivos de todas.
França sem Ribery; Alemanha sem Reus e com Schweinsteiger, Lahm e Neuer baleados; Itália praticamente só com o Balotelli para decidir, ou rezar para se marcarem muitas faltas na entrada da área para o Pirlo bater; Uruguai só com a história na mão e Suárez baleado; Espanha com um time mais velho e uma base que não conseguiu jogar bem neste ano; Inglaterra só ganha em casa e se for roubado; Portugal eu nem coloco na lista de favoritos, mas se alguém poderia decidir a favor dos lusos, seria Cristiano Ronaldo, e este também não está com o joelho muito confiável; a Holanda, no máximo, será vice... de novo.
No fim das contas, restaram sem problemas Brasil e Argentina.
A Argentina tem Messi, um grupo fácil, um time mais equilibrado que há quatro anos atrás, torcida mais presente que em outras Copas e a camisa.
O Brasil tem Neymar, um grupo não tão fácil que pode dar mais força ao time na reta final (ou não), uma defesa mais sólida que de costume. Torcida, se estiver esperando show, pode jogar até contra, como foi ontem no amistoso em São Paulo. Camisa, nem se fala... pesa muito!
Sobre a seleção brasileira, algumas impressões bem rápidas. Oscar deve perder a vaga se não jogar mais bola contra a Croácia, o William tá voando. O time é este, mas os laterais são o nosso calcanhar de aquiles, se entra pelas costas deles como se convidados fossem os atacantes.
Se tenho um favorito para esta hipotética final? Torço pelo Brasil, mas acho que dá Argentina.
A propósito, só para não deixar de cometer rubro-negrices por aqui, o gramado do glorioso estádio José Bastos Padilha, na Gávea, está lindo! A Holanda nos deu um presentão! Falta agora somente alguém ter coragem de recolocar as arquibancadas tubulares em torno do campo e voltarmos a mandar jogos na Gávea. Arena é o c...!
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Quem faria esse gol?
Na vitória por 2 a 0 do Atlético de Madrid sobre o Getafe, que o mantém na liderança do Campeonato Espanhol, à frente dos poderosos Real Madrid e Barcelona, o ex-brasileiro Diego Costa passou por uma situação, no mínimo, constrangedora.
Pênalti marcado para o Atlético, Diego Costa se prepara para a cobrança e...
... perdeu o pênalti!
Você acertaria?
Valeu,
Bruno Porpetta
Pênalti marcado para o Atlético, Diego Costa se prepara para a cobrança e...
Você acertaria?
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Gastando vela com defunto?
Numa noite como a de hoje, eu podia passar horas me deliciando aqui, escrevendo sobre a retumbante goleada do Flamengo sobre o Botafogo.
Eu merecia, acima de qualquer coisa.
Todo torcedor merece uma semana de gozação depois de golear um rival por 4 a 0. Devia constar em lei, inclusive.
Mas eu preferi falar de outro assunto. Mais especificamente, de outro cara.
Alexandre Pato foi, no Internacional, uma daquelas promessas que nos faziam sorrir ao pensar nas perspectivas que a seleção teria com um baita jogador como ele.
Eis que Pato foi vendido para o Milan, casou-se com uma atriz global, virou capa da revista Caras, Capricho, Ti-ti-ti, etc.
Ninguém tem nada a ver com a vida pessoal do cara. Longe disso. Mas o caso de Pato parece um emblemático exemplo de como se pode relegar o futebol a segundo plano.
Morar em Milão - a capital da moda - estando na moda é, como diria Vicente Matheus, uma "faca de dois legumes".
Se você tem uma profissão que exige cuidados com o corpo, em um lugar onde o corpo é cultuado, a cabeça está a um passo de virar por completo.
Quando Pato se separou, a disputa judicial entre os ex-pombinhos também foi parar nas capas de revista. O mesmo aconteceu quando Pato começou a namorar a filha do chefe, a Srta. Barbara Berlusconi.
Para ser o que sempre prometeu, mas nunca cumpriu, Pato precisa retomar a concentração na sua própria profissão. Capa de revista é ótimo, mas, no caso dele, melhor seria a Placar, ESPN, etc.
O Corinthians pagou 15 milhões de euros para ter Pato no time, e até o momento não justificou nem 10 mil reais.
O nome de Pato é mais visto nos muros do Parque São Jorge, em protestos de torcedores, do que nos placares dos estádios.
Ter visibilidade rende bons contratos, dá um bom dinheiro. Mas esta não é a melhor visibilidade para um jogador de futebol, se é que ele ainda está preocupado com isso.
O pênalti que ele atrasou para o Dida, pela Copa do Brasil, pode ser a evidência de que não é bem essa a passarela que Pato quer desfilar.
Uma pena, mesmo!
Valeu,
Bruno Porpetta
Eu merecia, acima de qualquer coisa.
Todo torcedor merece uma semana de gozação depois de golear um rival por 4 a 0. Devia constar em lei, inclusive.
Mas eu preferi falar de outro assunto. Mais especificamente, de outro cara.
Alexandre Pato foi, no Internacional, uma daquelas promessas que nos faziam sorrir ao pensar nas perspectivas que a seleção teria com um baita jogador como ele.
Eis que Pato foi vendido para o Milan, casou-se com uma atriz global, virou capa da revista Caras, Capricho, Ti-ti-ti, etc.
Ninguém tem nada a ver com a vida pessoal do cara. Longe disso. Mas o caso de Pato parece um emblemático exemplo de como se pode relegar o futebol a segundo plano.
Morar em Milão - a capital da moda - estando na moda é, como diria Vicente Matheus, uma "faca de dois legumes".
Se você tem uma profissão que exige cuidados com o corpo, em um lugar onde o corpo é cultuado, a cabeça está a um passo de virar por completo.
Quando Pato se separou, a disputa judicial entre os ex-pombinhos também foi parar nas capas de revista. O mesmo aconteceu quando Pato começou a namorar a filha do chefe, a Srta. Barbara Berlusconi.
Para ser o que sempre prometeu, mas nunca cumpriu, Pato precisa retomar a concentração na sua própria profissão. Capa de revista é ótimo, mas, no caso dele, melhor seria a Placar, ESPN, etc.
O Corinthians pagou 15 milhões de euros para ter Pato no time, e até o momento não justificou nem 10 mil reais.
O nome de Pato é mais visto nos muros do Parque São Jorge, em protestos de torcedores, do que nos placares dos estádios.
Ter visibilidade rende bons contratos, dá um bom dinheiro. Mas esta não é a melhor visibilidade para um jogador de futebol, se é que ele ainda está preocupado com isso.
O pênalti que ele atrasou para o Dida, pela Copa do Brasil, pode ser a evidência de que não é bem essa a passarela que Pato quer desfilar.
Uma pena, mesmo!
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 24 de julho de 2013
De 62 a 68, em 51 anos (o Brasil de Amarildo a Amarildo)
Pelé saía de campo lesionado, no empate em 0 a 0 entre Brasil e Tchecoslováquia.
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
segunda-feira, 15 de julho de 2013
E a humanidade? Quando terá seu dia?
Hoje eu não vou falar de futebol.
Sei que estou em dívida com vocês, mas me perdoem.
Este negócio de Dia do Homem, somado à notícia que vi hoje, me fizeram mudar um pouco de assunto.
No Paraná, mais precisamente na cidade de Colombo - região metropolitana de Curitiba - um crime bárbaro há menos de um mês atrás chocou a população. A adolescente Tayná, de 14 anos, foi encontrada morta em um matagal, em frente a um parque de diversões.
Quatro funcionários do parque confessaram o crime (estupro e homicídio), permanecendo presos até hoje quando, por solicitação do Ministério Público, foram liberados.
O sêmen encontrado na garota não pertencia a nenhum dos quatro, que relatam sessões de tortura para confessarem o crime que não cometeram.
Como a mídia gosta de um showzinho, já os tinha condenado de antemão, provocando a ira da população da cidade, que destruiu o parque de diversões em sinal de protesto.
Saiba mais aqui: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/menina-que-desapareceu-no-parana-foi-estuprada-e-morta-diz-policia.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/moradores-protestam-e-destroem-parque-apos-sumico-de-adolescente.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/corpo-de-adolescente-morta-por-funcionarios-de-parque-e-encontrado.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/07/apos-pedido-do-mp-suspeitos-de-estuprar-e-matar-tayna-sao-soltos.html
Não é nenhuma novidade este tipo de prática policial, que obtém confissões mediante tortura. Tampouco o espetáculo midiático feito sobre a dor de uma família com a perda brutal de uma adolescente.
Porém, o mais assustador é se tornar corriqueira a "indignação" popular violenta, com ameaças de linchamento, destruição de "símbolos" da barbárie cometida (como foi o caso do parque) e o desgaste moral dos envolvidos.
Existe pouca preocupação por parte dos atores envolvidos (polícia, mídia e "revoltados") com a justiça, a averiguação dos fatos e a verdade.
A polícia diz que foi, a mídia confirma, todo mundo acredita e dane-se o resto.
Não é difícil lembrar, nestas situações, da escola em São Paulo, cujos donos foram acusados de abuso sexual contra as crianças. Foram perseguidos, condenados de véspera, tiveram suas vidas destruídas e ganharam, no máximo, uma desculpinha aqui, outra acolá.
Se juntarmos como elemento a atuação policial nas recentes manifestações pelo país, é possível dizer que as polícias perderam integralmente o seu papel. Na prática, servem tão somente como guardiãs de uma moral conservadora, hipócrita, a serviço de elites entregues a sua própria mediocridade.
A mídia, nas mãos de apenas 11 famílias em todo o país, faz da desgraça humana uma novela, captando a audiência desavisada de quem está sedento pelo infortúnio alheio.
Não é preciso dizer o quão desnecessário é o tal Dia do Homem. Este só seria preciso se o homem fosse obrigado a manter gestações contra a sua vontade, sofresse violência doméstica cotidiana, recebesse menos em seu trabalho por sua condição masculina. Obviamente, não é o caso.
O tal dia é fruto da cabeça machista dominante que não admite sequer a possibilidade das mulheres lutarem por direitos. Imagine tê-los!
É pra se pensar se, por um dia, nós pudéssemos dedicá-lo a humanidade, em seu sentido mais amplo.
A humanidade que, em algum ponto, deixamos de ter, em um país que sempre quis ser o futuro, mas parece cada vez mais preso ao passado. Mais precisamente, à idade média.
Valeu,
Bruno Porpetta
Sei que estou em dívida com vocês, mas me perdoem.
Este negócio de Dia do Homem, somado à notícia que vi hoje, me fizeram mudar um pouco de assunto.
No Paraná, mais precisamente na cidade de Colombo - região metropolitana de Curitiba - um crime bárbaro há menos de um mês atrás chocou a população. A adolescente Tayná, de 14 anos, foi encontrada morta em um matagal, em frente a um parque de diversões.
Quatro funcionários do parque confessaram o crime (estupro e homicídio), permanecendo presos até hoje quando, por solicitação do Ministério Público, foram liberados.
O sêmen encontrado na garota não pertencia a nenhum dos quatro, que relatam sessões de tortura para confessarem o crime que não cometeram.
Como a mídia gosta de um showzinho, já os tinha condenado de antemão, provocando a ira da população da cidade, que destruiu o parque de diversões em sinal de protesto.
Saiba mais aqui: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/menina-que-desapareceu-no-parana-foi-estuprada-e-morta-diz-policia.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/moradores-protestam-e-destroem-parque-apos-sumico-de-adolescente.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/corpo-de-adolescente-morta-por-funcionarios-de-parque-e-encontrado.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/07/apos-pedido-do-mp-suspeitos-de-estuprar-e-matar-tayna-sao-soltos.html
Não é nenhuma novidade este tipo de prática policial, que obtém confissões mediante tortura. Tampouco o espetáculo midiático feito sobre a dor de uma família com a perda brutal de uma adolescente.
Porém, o mais assustador é se tornar corriqueira a "indignação" popular violenta, com ameaças de linchamento, destruição de "símbolos" da barbárie cometida (como foi o caso do parque) e o desgaste moral dos envolvidos.
Existe pouca preocupação por parte dos atores envolvidos (polícia, mídia e "revoltados") com a justiça, a averiguação dos fatos e a verdade.
A polícia diz que foi, a mídia confirma, todo mundo acredita e dane-se o resto.
Não é difícil lembrar, nestas situações, da escola em São Paulo, cujos donos foram acusados de abuso sexual contra as crianças. Foram perseguidos, condenados de véspera, tiveram suas vidas destruídas e ganharam, no máximo, uma desculpinha aqui, outra acolá.
Se juntarmos como elemento a atuação policial nas recentes manifestações pelo país, é possível dizer que as polícias perderam integralmente o seu papel. Na prática, servem tão somente como guardiãs de uma moral conservadora, hipócrita, a serviço de elites entregues a sua própria mediocridade.
A mídia, nas mãos de apenas 11 famílias em todo o país, faz da desgraça humana uma novela, captando a audiência desavisada de quem está sedento pelo infortúnio alheio.
Não é preciso dizer o quão desnecessário é o tal Dia do Homem. Este só seria preciso se o homem fosse obrigado a manter gestações contra a sua vontade, sofresse violência doméstica cotidiana, recebesse menos em seu trabalho por sua condição masculina. Obviamente, não é o caso.
O tal dia é fruto da cabeça machista dominante que não admite sequer a possibilidade das mulheres lutarem por direitos. Imagine tê-los!
É pra se pensar se, por um dia, nós pudéssemos dedicá-lo a humanidade, em seu sentido mais amplo.
A humanidade que, em algum ponto, deixamos de ter, em um país que sempre quis ser o futuro, mas parece cada vez mais preso ao passado. Mais precisamente, à idade média.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 10 de junho de 2013
O caminho que "escolhemos"
Este é o documentário A caminho da Copa, com direção e roteiro de Florence Rodrigues e Carolina Caffé.
Mostra, em apenas 26 minutos, o trajeto que percorremos da euforia pela conquista do direito a sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo, à agonia de centenas de famílias criminosamente removidas de suas casas.
O filme se passa em comunidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Provavelmente, suas diretoras sequer sonhavam com a ideia de que, um ano após as filmagens, o "dono da festa" Joseph Blatter seria agraciado com o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal.
Às vezes, o Brasil faz parecer que a máxima "o crime não compensa" é uma clamorosa mentira.
Muitas vezes, diga-se de passagem.
Valeu,
Bruno Porpetta
Mostra, em apenas 26 minutos, o trajeto que percorremos da euforia pela conquista do direito a sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo, à agonia de centenas de famílias criminosamente removidas de suas casas.
O filme se passa em comunidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Provavelmente, suas diretoras sequer sonhavam com a ideia de que, um ano após as filmagens, o "dono da festa" Joseph Blatter seria agraciado com o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal.
Às vezes, o Brasil faz parecer que a máxima "o crime não compensa" é uma clamorosa mentira.
Muitas vezes, diga-se de passagem.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 9 de abril de 2013
Futuro arcaico
De 2007 até hoje, o Rio de Janeiro assiste ao indecente desmantelamento do "legado" do Pan.
Quando sediamos o Pan, venderam-nos a ideia de que a estrutura - que nos custou os olhos da cara - montada serviria ao Brasil e, em especial, o Rio na conquista do direito a sediar os Jogos Olímpicos. Este, por sua vez, traria um caminhão de investimentos para a cidade, deixando-nos um legado que melhoraria os transportes, a saúde, a educação... e todo aquele papo de candidato do estabilishment em época de eleições!
O complexo de piscinas do Maria Lenk, absolutamente abandonado. A Arena da Barra, respira através de aparelhos sonoros dos shows que sedia, mas basquete que é bom, já faz tempo que não há. O velódromo, não serve para as Olimpíadas por conta de uma pilastra mal posta. E por último, o Engenhão.
O estádio, cedido ao Botafogo por um valor módico, era o símbolo da "modernidade" olímpica. Se era possível colocar aquele imponente trambolho no meio de Engenho de Dentro, bairro suburbano e - via de regra - carente de serviços públicos, o que não seria possível fazer na Olimpíada?
Era o único equipamento construído para o Pan que, enfim, serviria para os Jogos Olímpicos. Mas Drummond era um visionário. Quando dizia que "há uma pedra no caminho", esta significava obra.
Obra para levantar, e tome outra obra para que ele não caia.
Na cidade das remoções, das inúmeras agressões aos direitos humanos mais básicos, da exaltação constante à polícia que mais gosta de uma "mordidinha" em todo o país, descobre-se que a Prefeitura já sabia desde 2010 que o Engenhão precisava de reformas. E se estas fossem feitas à época, sequer seria necessária a interdição do estádio.
O mesmo 2010 que marcou a despedida do bom e velho Maracanã, fechado para ser vilipendiado por saqueadores da história e cultura do nosso futebol e do nosso povo.
Imaginem só, em pleno início das obras do Maracanã, a cidade toda descobrir que o "legado" que toda esta parafernália ligada aos megaeventos poderia virar areia, de uma hora para outra?!?
A vida dos que ocupam as cadeiras do poder não seria tão tranquila.
Não distingue-se aí o poder privado do estatal, muito pelo contrário. Estes colaboram-se.
Agora, às vésperas do término das obras do Maracanã, o Comitê Organizador da Rio-2016 mandou avisar que este novo Maracanã também não serve às Olimpíadas. Questionam os estacionamentos, lojas (nos custando uma escola, um museu e dois equipamentos esportivos que, além de servir para treinamento daqueles que deveriam receber um pouco mais de atenção por parte dos dirigentes, abrigam vários projetos comunitários) e... um túnel!
Um raio d'um túnel que, para o COI, deve ter seis metros de largura por seis de pé-direito. Resumindo: mais obras!
Afinal de contas, quem disse que só a turma do "futebol" pode se locupletar com tamanha fartura de obras, e uma meia dúzia de melhorias, cujo custo-benefício para o povo é extremamente discutível?
Ainda tem muita gente querendo mamar nestas enormes tetas chamadas "megaeventos esportivos".
Passados os eventos, ainda ecoa pelos ares a pergunta: afinal, qual será o nosso legado?
Enquanto o nosso futuro estiver nas mãos do atraso, as perspectivas não são nada animadoras.
Valeu,
Bruno Porpetta
Quando sediamos o Pan, venderam-nos a ideia de que a estrutura - que nos custou os olhos da cara - montada serviria ao Brasil e, em especial, o Rio na conquista do direito a sediar os Jogos Olímpicos. Este, por sua vez, traria um caminhão de investimentos para a cidade, deixando-nos um legado que melhoraria os transportes, a saúde, a educação... e todo aquele papo de candidato do estabilishment em época de eleições!
O complexo de piscinas do Maria Lenk, absolutamente abandonado. A Arena da Barra, respira através de aparelhos sonoros dos shows que sedia, mas basquete que é bom, já faz tempo que não há. O velódromo, não serve para as Olimpíadas por conta de uma pilastra mal posta. E por último, o Engenhão.
O estádio, cedido ao Botafogo por um valor módico, era o símbolo da "modernidade" olímpica. Se era possível colocar aquele imponente trambolho no meio de Engenho de Dentro, bairro suburbano e - via de regra - carente de serviços públicos, o que não seria possível fazer na Olimpíada?
Era o único equipamento construído para o Pan que, enfim, serviria para os Jogos Olímpicos. Mas Drummond era um visionário. Quando dizia que "há uma pedra no caminho", esta significava obra.
Obra para levantar, e tome outra obra para que ele não caia.
Na cidade das remoções, das inúmeras agressões aos direitos humanos mais básicos, da exaltação constante à polícia que mais gosta de uma "mordidinha" em todo o país, descobre-se que a Prefeitura já sabia desde 2010 que o Engenhão precisava de reformas. E se estas fossem feitas à época, sequer seria necessária a interdição do estádio.
O mesmo 2010 que marcou a despedida do bom e velho Maracanã, fechado para ser vilipendiado por saqueadores da história e cultura do nosso futebol e do nosso povo.
Imaginem só, em pleno início das obras do Maracanã, a cidade toda descobrir que o "legado" que toda esta parafernália ligada aos megaeventos poderia virar areia, de uma hora para outra?!?
A vida dos que ocupam as cadeiras do poder não seria tão tranquila.
Não distingue-se aí o poder privado do estatal, muito pelo contrário. Estes colaboram-se.
Agora, às vésperas do término das obras do Maracanã, o Comitê Organizador da Rio-2016 mandou avisar que este novo Maracanã também não serve às Olimpíadas. Questionam os estacionamentos, lojas (nos custando uma escola, um museu e dois equipamentos esportivos que, além de servir para treinamento daqueles que deveriam receber um pouco mais de atenção por parte dos dirigentes, abrigam vários projetos comunitários) e... um túnel!
Um raio d'um túnel que, para o COI, deve ter seis metros de largura por seis de pé-direito. Resumindo: mais obras!
Afinal de contas, quem disse que só a turma do "futebol" pode se locupletar com tamanha fartura de obras, e uma meia dúzia de melhorias, cujo custo-benefício para o povo é extremamente discutível?
Ainda tem muita gente querendo mamar nestas enormes tetas chamadas "megaeventos esportivos".
Passados os eventos, ainda ecoa pelos ares a pergunta: afinal, qual será o nosso legado?
Enquanto o nosso futuro estiver nas mãos do atraso, as perspectivas não são nada animadoras.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Feliz ano novo!
Muitos dizem que o ano só começa, pra valer, depois do carnaval.
Outros tantos que o período compreendido entre o carnaval e o reveillón é o mais chato do ano.
Fico com a primeira assertiva. Afinal de contas, apesar do fim das festividades de Momo, inicia-se um período onde o povo fica mais ligado no que nossos governantes andam fazendo por aí e, também, o futebol no Brasil e no mundo começa a ficar mais interessante.
Em plena quarta-feira de cinzas, um dia recheado de emoções, a escola vizinha de casa é campeã no carnaval do Rio. A festa foi incrível, em um bairro que tem o samba tatuado no coração. Parabéns a Vila de Noel!!
Enquanto a festa rolava em Vila Isabel, o mundo da bola tinha bastante o que falar também.
O reencontro de Cristiano Ronaldo com seu ex-clube, o Manchester United, no Santiago Bernabeu. O trágico jogo entre Shaktar Donetsk e Borussia Dortmund, na Ucrânia, após o acidente aéreo que matou quatro torcedores do time alemão que estavam a caminho da partida. A estreia do campeão brasileiro na Libertadores, jogando contra o Caracas, na Venezuela, com um gramado que, se chamado de pasto, estará recebendo um belíssimo elogio. Além do jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, no Presidente Vargas, em Fortaleza, pela Copa do Nordeste.
O reencontro
O Real vai para Manchester com um resultado bastante perigoso. O empate em 1 a 1, em Madri, dá ao United a vantagem de poder se classificar simplesmente não levando gols.
Após a excelente atuação do goleiro De Gea, na partida de ida, as esperanças dos torcedores ingleses se elevam à terceira potência.
Mesmo o próprio goleiro precisava de uma atuação dessas, para ganhar definitivamente a confiança dos Red Devils.
A propósito, conforme o esperado, teve gol de Cristiano Ronaldo em uma linda cabeçada, com uma tímida comemoração.
Jogando pela torcida
Após a queda de um avião em Donetsk, com a morte de quatro torcedores do Borussia Dortmund, não era possível prever com que estado de espírito entraria o time alemão em campo.
O acidente acabou servindo como elemento motivador para o time, que jogou bem e conseguiu empatar o jogo em 2 a 2, depois de estar atrás no placar por duas vezes.
Se o Lewandowski daqui ressente-se ainda da derrota no STF, o de lá balança as redes com frequência. Embora o lance de seu gol ontem tenha sido uma imensa bizarrice que deu certo, com uma furada ridícula que tirou dois zagueiros do lance e abriu caminho para o chute certeiro que sacudiu o barbante.
Tricolor "pasta" em Caracas
O Fluminense, atual campeão brasileiro, tem bem mais time que o Caracas, mas o gramado (se é que dá pra chamar aquilo de gramado) prejudicou muito o futebol tricolor.
Não era possível conduzir a bola, trocar mais de dois ou três passes. Resumindo: uma vergonha!
Ainda assim, com mais um gol de Fred, o tricolor saiu vitorioso por 1 a 0 que, na conta da classificação da Libertadores, tá excelente.
Embora, repita-se pelo terceiro ano seguido, não é necessário levar todo aquele sufoco de fim de jogo.
O exemplo vem de cima
Fala-se muito pouco, no eixo Rio-São Paulo, do futebol do Nordeste.
Mas se existe um calendário um pouco mais racional neste país, é justamente lá que acontece.
Longe de disputar jogos pífios para meia dúzia de gatos pingados na arquibancada, os clubes nordestinos se enfrentam pela Copa do Nordeste.
Em sua grande maioria, só jogaços entre os times mais tradicionais da região, e ontem não foi diferente.
Um jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, com um Presidente Vargas lotado, que terminou em 3 a 3. Gols e grandes jogos, só se vê por lá mesmo, onde se provou que é possível ter um calendário menos monstruoso sem acabar com os estaduais, onde todos estes clubes estarão após o término da Copa do Nordeste.
A cereja do bolo
Porém, sem dúvida alguma, a cereja do bolo nesta quarta-feira foi o jogaço entre Atlético-MG e São Paulo, no estádio Independência, em Belzonte.
Não só por reunir dois grandes clubes brasileiros, por contar com o estádio cheio de uma fanática torcida que sentia saudades da competição (há 13 anos o Galo não disputa uma Libertadores), ou por contar com três campeões mundiais com a seleção do penta, em 2002.
O resultado (2 a 1 para o Galo), excelente para o time mineiro, que já derruba um gigante na competição logo na estreia, foi justo, mas não foi o fundamental.
Em tempos carnavalescos, o lance que originou o primeiro gol do Galo foi de uma picardia tão grande, que só a festa de Momo poderia justificá-lo.
Não esperem que eu diga que Ronaldinho foi sacana no lance, porque absolutamente não foi! Jogou dentro das regras do jogo, e valendo-se da "inexperiência" de Rogerio Ceni, cruzou para o gol de Jô.
Obviamente, Ronaldinho creditará a sorte pelo lance. Deve fazê-lo assim mesmo.
Mas cá entre nós, que conhecemos o esporte que amamos: ele foi de uma malandragem ímpar, daquelas de encher o peito de orgulho e até cantar o hino nacional, louvando aos nossos grandes craques e agradecendo por fazermos parte de um país em que a inteligência é fundamental, mesmo não sabendo se moramos muito bem ou muito mal.
Duvidam? Basta rever o lance. Se alguém te pede uma água para matar a sede, caminhando pelo centro do ataque, por que, ao retornar, o faz pela ponta direita da área, justo onde seria cobrado o arremesso lateral?
Para além deste lance, Ronaldinho fez uma grande partida. De quem sabe que seu futuro na seleção passa, fundamentalmente, pela Libertadores.
E ele veio bem disposto, ao que parece.
Valeu,
Bruno Porpetta
Outros tantos que o período compreendido entre o carnaval e o reveillón é o mais chato do ano.
Fico com a primeira assertiva. Afinal de contas, apesar do fim das festividades de Momo, inicia-se um período onde o povo fica mais ligado no que nossos governantes andam fazendo por aí e, também, o futebol no Brasil e no mundo começa a ficar mais interessante.
Em plena quarta-feira de cinzas, um dia recheado de emoções, a escola vizinha de casa é campeã no carnaval do Rio. A festa foi incrível, em um bairro que tem o samba tatuado no coração. Parabéns a Vila de Noel!!
Enquanto a festa rolava em Vila Isabel, o mundo da bola tinha bastante o que falar também.
O reencontro de Cristiano Ronaldo com seu ex-clube, o Manchester United, no Santiago Bernabeu. O trágico jogo entre Shaktar Donetsk e Borussia Dortmund, na Ucrânia, após o acidente aéreo que matou quatro torcedores do time alemão que estavam a caminho da partida. A estreia do campeão brasileiro na Libertadores, jogando contra o Caracas, na Venezuela, com um gramado que, se chamado de pasto, estará recebendo um belíssimo elogio. Além do jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, no Presidente Vargas, em Fortaleza, pela Copa do Nordeste.
O reencontro
O Real vai para Manchester com um resultado bastante perigoso. O empate em 1 a 1, em Madri, dá ao United a vantagem de poder se classificar simplesmente não levando gols.
Após a excelente atuação do goleiro De Gea, na partida de ida, as esperanças dos torcedores ingleses se elevam à terceira potência.
Mesmo o próprio goleiro precisava de uma atuação dessas, para ganhar definitivamente a confiança dos Red Devils.
A propósito, conforme o esperado, teve gol de Cristiano Ronaldo em uma linda cabeçada, com uma tímida comemoração.
Jogando pela torcida
Após a queda de um avião em Donetsk, com a morte de quatro torcedores do Borussia Dortmund, não era possível prever com que estado de espírito entraria o time alemão em campo.
O acidente acabou servindo como elemento motivador para o time, que jogou bem e conseguiu empatar o jogo em 2 a 2, depois de estar atrás no placar por duas vezes.
Se o Lewandowski daqui ressente-se ainda da derrota no STF, o de lá balança as redes com frequência. Embora o lance de seu gol ontem tenha sido uma imensa bizarrice que deu certo, com uma furada ridícula que tirou dois zagueiros do lance e abriu caminho para o chute certeiro que sacudiu o barbante.
Tricolor "pasta" em Caracas
O Fluminense, atual campeão brasileiro, tem bem mais time que o Caracas, mas o gramado (se é que dá pra chamar aquilo de gramado) prejudicou muito o futebol tricolor.
Não era possível conduzir a bola, trocar mais de dois ou três passes. Resumindo: uma vergonha!
Ainda assim, com mais um gol de Fred, o tricolor saiu vitorioso por 1 a 0 que, na conta da classificação da Libertadores, tá excelente.
Embora, repita-se pelo terceiro ano seguido, não é necessário levar todo aquele sufoco de fim de jogo.
O exemplo vem de cima
Fala-se muito pouco, no eixo Rio-São Paulo, do futebol do Nordeste.
Mas se existe um calendário um pouco mais racional neste país, é justamente lá que acontece.
Longe de disputar jogos pífios para meia dúzia de gatos pingados na arquibancada, os clubes nordestinos se enfrentam pela Copa do Nordeste.
Em sua grande maioria, só jogaços entre os times mais tradicionais da região, e ontem não foi diferente.
Um jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, com um Presidente Vargas lotado, que terminou em 3 a 3. Gols e grandes jogos, só se vê por lá mesmo, onde se provou que é possível ter um calendário menos monstruoso sem acabar com os estaduais, onde todos estes clubes estarão após o término da Copa do Nordeste.
A cereja do bolo
Porém, sem dúvida alguma, a cereja do bolo nesta quarta-feira foi o jogaço entre Atlético-MG e São Paulo, no estádio Independência, em Belzonte.
Não só por reunir dois grandes clubes brasileiros, por contar com o estádio cheio de uma fanática torcida que sentia saudades da competição (há 13 anos o Galo não disputa uma Libertadores), ou por contar com três campeões mundiais com a seleção do penta, em 2002.
O resultado (2 a 1 para o Galo), excelente para o time mineiro, que já derruba um gigante na competição logo na estreia, foi justo, mas não foi o fundamental.
Em tempos carnavalescos, o lance que originou o primeiro gol do Galo foi de uma picardia tão grande, que só a festa de Momo poderia justificá-lo.
Não esperem que eu diga que Ronaldinho foi sacana no lance, porque absolutamente não foi! Jogou dentro das regras do jogo, e valendo-se da "inexperiência" de Rogerio Ceni, cruzou para o gol de Jô.
Obviamente, Ronaldinho creditará a sorte pelo lance. Deve fazê-lo assim mesmo.
Mas cá entre nós, que conhecemos o esporte que amamos: ele foi de uma malandragem ímpar, daquelas de encher o peito de orgulho e até cantar o hino nacional, louvando aos nossos grandes craques e agradecendo por fazermos parte de um país em que a inteligência é fundamental, mesmo não sabendo se moramos muito bem ou muito mal.
Duvidam? Basta rever o lance. Se alguém te pede uma água para matar a sede, caminhando pelo centro do ataque, por que, ao retornar, o faz pela ponta direita da área, justo onde seria cobrado o arremesso lateral?
Para além deste lance, Ronaldinho fez uma grande partida. De quem sabe que seu futuro na seleção passa, fundamentalmente, pela Libertadores.
E ele veio bem disposto, ao que parece.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
O mundo em preto e branco
"Bi-mundial, é coisa que o Corinthians não consegue nem a pau!" (Torcida do Santos, durante muitos anos)
O mundo, pela segunda vez, foi pintado em preto e branco. O Corinthians sagrou-se bicampeão mundial de clubes de futebol.
É preciso, primeiramente, fazer algumas considerações a respeito do título conquistado no Maracanã, em 2000.
Apesar das circunstâncias pouco convencionais que determinaram a composição dos clubes participantes daquele torneio, por maior desgosto que possa causar nos torcedores rivais, por pior que tenha sido a partida final contra o Vasco, o Corinthians foi campeão do mundo naquele ano.
Os créditos a todo o descrédito da competição, devem ser dados à FIFA.
A entidade "terceirizou" o Mundial de Clubes, colocando-o nas mãos da ISL - empresa envolvida em inúmeras denúncias de escândalos, entre eles o caso que envolveu Havelange e Ricardo Teixeira na Suíça, mostrado pela BBC londrina, em reportagem de Andrew Jennings (vídeos abaixo) - que faliu em 2001, abortando a realização do torneio, que tinha a Espanha como sede previamente escolhida.
Diga-se de passagem, aquele formato de Mundial era muito mais interessante, pois colocava todos os continentes, além do país-sede, em pé de igualdade. Dividiam-se em dois grupos de quatro times cada, os vencedores disputavam a grande final. Sem muita frescura.
Se os critérios para indicação dos clubes participantes foi uma completa zona, o Corinthians não tem nada a ver com isso. Questionável, no caso, era a participação do Vasco, campeão da Libertadores de 1998, indicado na véspera da final da competição sul-americana de 99, onde o Palmeiras sagrou-se campeão.
Estas trapalhadas da "entidade máxima do futebol" permitiram sombras de desconfiança geral sobre este título, mas ele existiu, está lá e é do Corinthians.
Portanto, reclamem com a FIFA. Ela merece!
Hoje, por incrível que pareça, eu já tinha cantado a bola. A qualquer um que me perguntava, eu dizia: "Acho que vai dar Corinthians."
O porquê é simples. Desde 2005, quando a FIFA retomou a organização do Mundial de Clubes, nunca houve uma final tão equilibrada.
O Chelsea é um grande time, mas está longe de ser uma seleção de craques. Estivesse o Barcelona em seu lugar, provavelmente meu prognóstico seria outro.
Já o Corinthians, por mais que torçam o nariz, é um excelente time, com um excelente treinador.
A confiança depositada em Tite foi fundamental para este sucesso. Depois da eliminação na Pré-Libertadores de 2011, para o Deportes Tolima, da Colômbia, qualquer outro time teria demitido o treinador. O Corinthians prosseguiu com ele, a despeito de toda a pressão, e chegou onde chegou.
Quer uma prova? Quem bancou a escalação de Cássio, em lugar de Júlio César, contrariando boa parte da crítica esportiva, inclusive este que vos escreve?
A atuação de Cássio contra o Chelsea, com pelo menos três milagres, e algumas defesas, comprovou que Tite estava correto, e nós errados.
Além disto, o Corinthians tem algo que todos os outros clubes brasileiros vivem perseguindo: padrão de jogo.
Fosse o Íbis no lugar do Chelsea, o esquema seria o mesmo. Mais uma lição para Muricy, que resolveu inventar contra o Barcelona e levou um coco inesquecível.
É preciso ressaltar, foi um título essencialmente corinthiano. Com raça, coração e sofrimento. Muito sofrimento.
Não à toa, o autor dos dois gols corinthianos no Mundial foi Guerrero, como todo o time.
Ou a torcida corinthiana não teve calafrios ao ver aquela bola de Fernando Torres sacudindo as redes?
Aliás, convenhamos, o cara ganhou uma Copa do Mundo e não sabe sequer acompanhar a linha do último zagueiro!
E para acabar com qualquer indício de que o Chelsea não tava nem aí para o Mundial, a cara de bumbum após a derrota foi bastante elucidativa.
A FIFA precisava eleger algum jogador para dar o carro japonês que Zico e Raí já ganharam, e elegeu Cássio. Mas se fosse pra ser justo, realmente justo, o prêmio deveria ir para a torcida do Corinthians, que fez do estádio de Yokohama uma espécie de Pacaembu.
E assim pintou o mundo de preto e branco...
Diga-se, merecidamente.
Vai, Corinthians! Vai curtir teu título! Teu bicampeonato mundial! Na bola e na arquibancada.
Valeu,
Bruno Porpetta
O mundo, pela segunda vez, foi pintado em preto e branco. O Corinthians sagrou-se bicampeão mundial de clubes de futebol.
É preciso, primeiramente, fazer algumas considerações a respeito do título conquistado no Maracanã, em 2000.
Apesar das circunstâncias pouco convencionais que determinaram a composição dos clubes participantes daquele torneio, por maior desgosto que possa causar nos torcedores rivais, por pior que tenha sido a partida final contra o Vasco, o Corinthians foi campeão do mundo naquele ano.
Os créditos a todo o descrédito da competição, devem ser dados à FIFA.
A entidade "terceirizou" o Mundial de Clubes, colocando-o nas mãos da ISL - empresa envolvida em inúmeras denúncias de escândalos, entre eles o caso que envolveu Havelange e Ricardo Teixeira na Suíça, mostrado pela BBC londrina, em reportagem de Andrew Jennings (vídeos abaixo) - que faliu em 2001, abortando a realização do torneio, que tinha a Espanha como sede previamente escolhida.
Diga-se de passagem, aquele formato de Mundial era muito mais interessante, pois colocava todos os continentes, além do país-sede, em pé de igualdade. Dividiam-se em dois grupos de quatro times cada, os vencedores disputavam a grande final. Sem muita frescura.
Se os critérios para indicação dos clubes participantes foi uma completa zona, o Corinthians não tem nada a ver com isso. Questionável, no caso, era a participação do Vasco, campeão da Libertadores de 1998, indicado na véspera da final da competição sul-americana de 99, onde o Palmeiras sagrou-se campeão.
Estas trapalhadas da "entidade máxima do futebol" permitiram sombras de desconfiança geral sobre este título, mas ele existiu, está lá e é do Corinthians.
Portanto, reclamem com a FIFA. Ela merece!
Hoje, por incrível que pareça, eu já tinha cantado a bola. A qualquer um que me perguntava, eu dizia: "Acho que vai dar Corinthians."
O porquê é simples. Desde 2005, quando a FIFA retomou a organização do Mundial de Clubes, nunca houve uma final tão equilibrada.
O Chelsea é um grande time, mas está longe de ser uma seleção de craques. Estivesse o Barcelona em seu lugar, provavelmente meu prognóstico seria outro.
Já o Corinthians, por mais que torçam o nariz, é um excelente time, com um excelente treinador.
A confiança depositada em Tite foi fundamental para este sucesso. Depois da eliminação na Pré-Libertadores de 2011, para o Deportes Tolima, da Colômbia, qualquer outro time teria demitido o treinador. O Corinthians prosseguiu com ele, a despeito de toda a pressão, e chegou onde chegou.
Quer uma prova? Quem bancou a escalação de Cássio, em lugar de Júlio César, contrariando boa parte da crítica esportiva, inclusive este que vos escreve?
A atuação de Cássio contra o Chelsea, com pelo menos três milagres, e algumas defesas, comprovou que Tite estava correto, e nós errados.
Além disto, o Corinthians tem algo que todos os outros clubes brasileiros vivem perseguindo: padrão de jogo.
Fosse o Íbis no lugar do Chelsea, o esquema seria o mesmo. Mais uma lição para Muricy, que resolveu inventar contra o Barcelona e levou um coco inesquecível.
É preciso ressaltar, foi um título essencialmente corinthiano. Com raça, coração e sofrimento. Muito sofrimento.
Não à toa, o autor dos dois gols corinthianos no Mundial foi Guerrero, como todo o time.
Ou a torcida corinthiana não teve calafrios ao ver aquela bola de Fernando Torres sacudindo as redes?
Aliás, convenhamos, o cara ganhou uma Copa do Mundo e não sabe sequer acompanhar a linha do último zagueiro!
E para acabar com qualquer indício de que o Chelsea não tava nem aí para o Mundial, a cara de bumbum após a derrota foi bastante elucidativa.
A FIFA precisava eleger algum jogador para dar o carro japonês que Zico e Raí já ganharam, e elegeu Cássio. Mas se fosse pra ser justo, realmente justo, o prêmio deveria ir para a torcida do Corinthians, que fez do estádio de Yokohama uma espécie de Pacaembu.
E assim pintou o mundo de preto e branco...
Diga-se, merecidamente.
Vai, Corinthians! Vai curtir teu título! Teu bicampeonato mundial! Na bola e na arquibancada.
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 8 de dezembro de 2012
Um pouquinho de água no chopp
Com grande alegria e satisfação, a torcida do Flamengo comemora o resultado das eleições no clube. A vitória de Eduardo Bandeira de Mello - ou a derrota da desastrosa gestão de Patrícia Amorim - é cantada aos quatro cantos como sinônimo de renovação, esperança e fé em dias melhores para o clube de maior torcida do Brasil. Seja dentro ou fora do campo.
É fato que a política interna do clube era um eterno disco arranhado. A alternância de poder, em geral, se dava na cabeça de chapa. Para além desta, a insistente repetição de nomes bem conhecidos dentro e fora do Flamengo.
A simples nominata para os cargos mais importante, feita pela chapa recém-eleita, pode ser um indício de oxigenação da política rubro-negra. Eu disse "pode".
Em meio a tanta empolgação, é preciso ponderar algumas questões, antes que façamos avaliações positivas prévias em um mandato que ainda nem começou.
Se há algo realmente muito importante neste processo, é que ele transbordou os limitados muros da Gávea. Os sócios do clube foram sensíveis à voz das ruas, mesmo que estas ainda sejam abafadas pelo intrínseco elitismo do Clube de Regatas do Flamengo.
É absurdo que, para uma torcida de 40 milhões de pessoas, cerca de cinco mil associados estejam aptos a votar. Ou seja, pouco mais de 0,01% da nação rubro-negra.
Neste sentido, nada foi dito pela nova direção. Não há nada concreto para democratizar o Flamengo, trazer sua torcida para dentro do clube, fazê-la participar das decisões que, em primeiro lugar, a envolvem.
Que fique evidente, entende-se por torcida aqueles que não se locupletam do clube, não recebem ingressos para proteger ou difamar um ou outro dirigente. Enfim, torcedores não profissionalizados, que colocam o coração à frente do bolso, e não o contrário.
O Flamengo, tal como os demais grandes clubes do país, é muito maior que sua sede social. Cada ação de seus dirigentes conta, fundamentalmente, com a participação dos torcedores, vistos como consumidores em um cenário de adaptação progressiva dos clubes aos ditames empresariais.
Aliás, nestes padrões, o Flamengo está aparentemente bem servido. A nova diretoria possui executivos de grandes empresas, nos mais diversos ramos e todos muito bem sucedidos. Para que o Flamengo se torne, pelo menos do ponto de vista gerencial, um negócio rentável, este aspecto é importantíssimo.
E aí reside outra questão a se ponderar. Às vésperas do lançamento do edital de concessão do estádio do Maracanã, onde o grande favorito para levar este "presentão" é o megaempresário Eike Batista (o filho do ex-presidente da então estatal Vale do Rio Doce, durante a ditadura militar), e o responsável pelo futebol rubro-negro será Flávio Godinho, executivo da holding EBX, de propriedade do homem da coleirinha da Luma de Oliveira.
Pode ser um grande negócio para o Flamengo, mas é péssimo para o povo do Rio de Janeiro. Esta relação pode viabilizar um acordo entre as empresas de Eike e o Flamengo, a preços que os torcedores do clube dificilmente poderão pagar.
Além disso tudo, existe uma outra pedra no caminho. Para viabilizar sua gestão, é preciso obter maioria no Conselho Deliberativo do clube cuja eleição acontecerá no dia 13 deste mês. Caso contrário, as mudanças prometidas serão, por força do estatuto, engessadas neste conselho.
Para se obter a tal maioria, a nova direção terá que chafurdar na asquerosa política do clube.
Negociar com os velhos caciques que, há muitos anos, mantém o Flamengo em situação quase falimentar, inversamente proporcional às suas próprias contas bancárias. Os mesmos que guardam distância entre o clube da Gávea e sua imensa torcida espalhada pelos subúrbios. Aqueles que, eleição após eleição, permanecem vivos nos noticiários sobre o Flamengo e que, a fim de não perder a "boquinha", impediram a profissionalização do futebol.
A gestão Eduardo Bandeira de Mello à frente do Flamengo será, trocando em miúdos, o resultado da mudança vitoriosa, negociada com o atraso, em tese, derrotado.
É inegável, também, o papel desempenhado por Zico nas eleições.
Destratado pela gestão de Patrícia Amorim, o maior ídolo da história do clube retornou ao Flamengo para sepultar quem o tirou de lá. Sua fiança para a chapa de Bandeirão (como é chamado o novo presidente em círculos mais informais) foi fundamental para mobilizar a torcida em torno dela.
O êxito deste processo está condicionado, primordialmente, à continuidade da "intervenção" da torcida nos rumos do clube. Esta é uma contradição que a nova gestão deverá enfrentar. Ou seja, adaptar-se à realpolitik do Flamengo, reunindo os mesmos interesses que travam o Flamengo há anos, significa virar as costas à grande força motriz que conduziu-os à direção do clube.
A bola está com eles, e esta eleição do Conselho Deliberativo pode ser um forte indicativo do caminho que escolheram.
Portanto, devagar com o andor, que o santo é de barro... e o calor no Rio está de derreter!
Valeu,
Bruno Porpetta
É fato que a política interna do clube era um eterno disco arranhado. A alternância de poder, em geral, se dava na cabeça de chapa. Para além desta, a insistente repetição de nomes bem conhecidos dentro e fora do Flamengo.
A simples nominata para os cargos mais importante, feita pela chapa recém-eleita, pode ser um indício de oxigenação da política rubro-negra. Eu disse "pode".
Em meio a tanta empolgação, é preciso ponderar algumas questões, antes que façamos avaliações positivas prévias em um mandato que ainda nem começou.
Se há algo realmente muito importante neste processo, é que ele transbordou os limitados muros da Gávea. Os sócios do clube foram sensíveis à voz das ruas, mesmo que estas ainda sejam abafadas pelo intrínseco elitismo do Clube de Regatas do Flamengo.
É absurdo que, para uma torcida de 40 milhões de pessoas, cerca de cinco mil associados estejam aptos a votar. Ou seja, pouco mais de 0,01% da nação rubro-negra.
Neste sentido, nada foi dito pela nova direção. Não há nada concreto para democratizar o Flamengo, trazer sua torcida para dentro do clube, fazê-la participar das decisões que, em primeiro lugar, a envolvem.
Que fique evidente, entende-se por torcida aqueles que não se locupletam do clube, não recebem ingressos para proteger ou difamar um ou outro dirigente. Enfim, torcedores não profissionalizados, que colocam o coração à frente do bolso, e não o contrário.
O Flamengo, tal como os demais grandes clubes do país, é muito maior que sua sede social. Cada ação de seus dirigentes conta, fundamentalmente, com a participação dos torcedores, vistos como consumidores em um cenário de adaptação progressiva dos clubes aos ditames empresariais.
Aliás, nestes padrões, o Flamengo está aparentemente bem servido. A nova diretoria possui executivos de grandes empresas, nos mais diversos ramos e todos muito bem sucedidos. Para que o Flamengo se torne, pelo menos do ponto de vista gerencial, um negócio rentável, este aspecto é importantíssimo.
E aí reside outra questão a se ponderar. Às vésperas do lançamento do edital de concessão do estádio do Maracanã, onde o grande favorito para levar este "presentão" é o megaempresário Eike Batista (o filho do ex-presidente da então estatal Vale do Rio Doce, durante a ditadura militar), e o responsável pelo futebol rubro-negro será Flávio Godinho, executivo da holding EBX, de propriedade do homem da coleirinha da Luma de Oliveira.
Pode ser um grande negócio para o Flamengo, mas é péssimo para o povo do Rio de Janeiro. Esta relação pode viabilizar um acordo entre as empresas de Eike e o Flamengo, a preços que os torcedores do clube dificilmente poderão pagar.
Além disso tudo, existe uma outra pedra no caminho. Para viabilizar sua gestão, é preciso obter maioria no Conselho Deliberativo do clube cuja eleição acontecerá no dia 13 deste mês. Caso contrário, as mudanças prometidas serão, por força do estatuto, engessadas neste conselho.
Para se obter a tal maioria, a nova direção terá que chafurdar na asquerosa política do clube.
Negociar com os velhos caciques que, há muitos anos, mantém o Flamengo em situação quase falimentar, inversamente proporcional às suas próprias contas bancárias. Os mesmos que guardam distância entre o clube da Gávea e sua imensa torcida espalhada pelos subúrbios. Aqueles que, eleição após eleição, permanecem vivos nos noticiários sobre o Flamengo e que, a fim de não perder a "boquinha", impediram a profissionalização do futebol.
A gestão Eduardo Bandeira de Mello à frente do Flamengo será, trocando em miúdos, o resultado da mudança vitoriosa, negociada com o atraso, em tese, derrotado.
É inegável, também, o papel desempenhado por Zico nas eleições.
Destratado pela gestão de Patrícia Amorim, o maior ídolo da história do clube retornou ao Flamengo para sepultar quem o tirou de lá. Sua fiança para a chapa de Bandeirão (como é chamado o novo presidente em círculos mais informais) foi fundamental para mobilizar a torcida em torno dela.
O êxito deste processo está condicionado, primordialmente, à continuidade da "intervenção" da torcida nos rumos do clube. Esta é uma contradição que a nova gestão deverá enfrentar. Ou seja, adaptar-se à realpolitik do Flamengo, reunindo os mesmos interesses que travam o Flamengo há anos, significa virar as costas à grande força motriz que conduziu-os à direção do clube.
A bola está com eles, e esta eleição do Conselho Deliberativo pode ser um forte indicativo do caminho que escolheram.
Portanto, devagar com o andor, que o santo é de barro... e o calor no Rio está de derreter!
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Juiz f... da p...?
O árbitro é um personagem do jogo.
Ele é o único de todos os personagens que não presta desde a hora que nasce. Não à toa, a culpabilização de sua progenitora, por tamanha excrescência, é recorrente.
Desde o primeiro choro, o árbitro não tem razão. É uma vida inteira dedicado ao equívoco, à sacanagem, ao que há de pior em um campo de futebol.
Quer tarefa pior que invalidar um gol? Deixar o grito de gol entalado na garganta da torcida? Pois é, este é o papel do árbitro.
O árbitro é tão nefasto que ele vai bem quando ninguém o nota. Ou seja, sua "ausência" é uma bênção para o jogo.
Sua entrada em campo já é passível de vaias, ofensas (várias endereçadas à inocente mãe) e vários objetos despejados em sua cabeça. Tem árbitro que consegue se equivocar até naquela puxadinha na rede, antes da partida.
Brincadeiras à parte, esta é realmente a impressão que cada torcedor tem do árbitro. Além disto, seu time (seja ele qual for) é sempre o mais prejudicado pela arbitragem, ao mesmo tempo que os adversários - históricos ou diretos - são enfaticamente beneficiados. A tradicional roupa preta do árbitro servia, ao menos, para esconder a camisa do adversário por debaixo.
Pois bem, nem mesmo as roupas pretas resistiram ao avanço da lógica mercantil no futebol. O árbitro é um pavão. Colorido, chamativo, destacado naquele monte de rapazes ou moças em torno da bola. Chega a ser agressiva tamanha fluorescência.
Talvez aí resida o grande problema da arbitragem. Ela quer aparecer mais do que o jogo, que os jogadores.
Esta necessidade de "estrelar" o jogo faz com que o árbitro se perca naquilo que deve ser sua obrigação: sumir e deixar o jogo rolar para quem sabe jogar.
Os recentes comentários sobre uma possível interferência da arbitragem nos êxitos do Fluminense no Brasileirão, além de carecer de provas, tampam a visão para os efetivos problemas da nossa arbitragem. Os árbitros são ruins mesmo, e são os menos culpados por isso.
Pode-se presumir também a completa inocência da arbitragem? Não! Mas qualquer afirmação de má-fé soa a leviandade, se não precedidos, ao menos, de uma denúncia bem fundamentada.
Eles beneficiam e prejudicam os 20 clubes do campeonato. Uns mais, outros menos, mas todos! O fazem porque são mal preparados, devem retornar a seus postos de trabalho na segunda-feira, bater cartão em outra ocupação que lhe preencha o tempo enquanto a bola não rola.
Jogadores, comissões técnicas e até alguns torcedores são profissionais. Ganham para dedicar-se exclusivamente ao futebol. O árbitro é o único amador dentro de campo.
O comando da arbitragem no Brasil, geralmente entregue a quem pouco entende do riscado, sequer discute a possibilidade de profissionalizar a arbitragem. Diz que é caro demais.
Custa menos que uma Copa, pode ter certeza.
Enquanto isto não acontece, continuamos sujeitos aos olhos de um só homem, auxiliado por outros dois homens que, tal como os demais de sua espécie, estão sujeitos a erros. Devido à sucessão destes, podem enquadrar-se, de acordo com o ditado, na condição de burros.
Recursos eletrônicos? Nem pensar! Os velhinhos da International Board (órgão que define as regras do futebol no mundo) sequer sabem lidar com tablets, smartphones, facebook, twitter,... Imagina chip na bola, videotape,...? É muito moderninho pro gosto deles.
No fim das contas, acaba sendo mais fácil despejar nosso ódio cotidiano naquele que está mais exposto a ele. Os mais errados nesta história toda, estão em salas com ar-condicionado, carpetes e uma secretária na ante-sala repetindo exaustivamente que eles não se encontram.
Sobra pro juiz. Ou pior, pra mãe dele...
Valeu,
Bruno Porpetta
Ele é o único de todos os personagens que não presta desde a hora que nasce. Não à toa, a culpabilização de sua progenitora, por tamanha excrescência, é recorrente.
Desde o primeiro choro, o árbitro não tem razão. É uma vida inteira dedicado ao equívoco, à sacanagem, ao que há de pior em um campo de futebol.
Quer tarefa pior que invalidar um gol? Deixar o grito de gol entalado na garganta da torcida? Pois é, este é o papel do árbitro.
O árbitro é tão nefasto que ele vai bem quando ninguém o nota. Ou seja, sua "ausência" é uma bênção para o jogo.
Sua entrada em campo já é passível de vaias, ofensas (várias endereçadas à inocente mãe) e vários objetos despejados em sua cabeça. Tem árbitro que consegue se equivocar até naquela puxadinha na rede, antes da partida.
Brincadeiras à parte, esta é realmente a impressão que cada torcedor tem do árbitro. Além disto, seu time (seja ele qual for) é sempre o mais prejudicado pela arbitragem, ao mesmo tempo que os adversários - históricos ou diretos - são enfaticamente beneficiados. A tradicional roupa preta do árbitro servia, ao menos, para esconder a camisa do adversário por debaixo.
Pois bem, nem mesmo as roupas pretas resistiram ao avanço da lógica mercantil no futebol. O árbitro é um pavão. Colorido, chamativo, destacado naquele monte de rapazes ou moças em torno da bola. Chega a ser agressiva tamanha fluorescência.
Talvez aí resida o grande problema da arbitragem. Ela quer aparecer mais do que o jogo, que os jogadores.
Esta necessidade de "estrelar" o jogo faz com que o árbitro se perca naquilo que deve ser sua obrigação: sumir e deixar o jogo rolar para quem sabe jogar.
Os recentes comentários sobre uma possível interferência da arbitragem nos êxitos do Fluminense no Brasileirão, além de carecer de provas, tampam a visão para os efetivos problemas da nossa arbitragem. Os árbitros são ruins mesmo, e são os menos culpados por isso.
Pode-se presumir também a completa inocência da arbitragem? Não! Mas qualquer afirmação de má-fé soa a leviandade, se não precedidos, ao menos, de uma denúncia bem fundamentada.
Eles beneficiam e prejudicam os 20 clubes do campeonato. Uns mais, outros menos, mas todos! O fazem porque são mal preparados, devem retornar a seus postos de trabalho na segunda-feira, bater cartão em outra ocupação que lhe preencha o tempo enquanto a bola não rola.
Jogadores, comissões técnicas e até alguns torcedores são profissionais. Ganham para dedicar-se exclusivamente ao futebol. O árbitro é o único amador dentro de campo.
O comando da arbitragem no Brasil, geralmente entregue a quem pouco entende do riscado, sequer discute a possibilidade de profissionalizar a arbitragem. Diz que é caro demais.
Custa menos que uma Copa, pode ter certeza.
Enquanto isto não acontece, continuamos sujeitos aos olhos de um só homem, auxiliado por outros dois homens que, tal como os demais de sua espécie, estão sujeitos a erros. Devido à sucessão destes, podem enquadrar-se, de acordo com o ditado, na condição de burros.
Recursos eletrônicos? Nem pensar! Os velhinhos da International Board (órgão que define as regras do futebol no mundo) sequer sabem lidar com tablets, smartphones, facebook, twitter,... Imagina chip na bola, videotape,...? É muito moderninho pro gosto deles.
No fim das contas, acaba sendo mais fácil despejar nosso ódio cotidiano naquele que está mais exposto a ele. Os mais errados nesta história toda, estão em salas com ar-condicionado, carpetes e uma secretária na ante-sala repetindo exaustivamente que eles não se encontram.
Sobra pro juiz. Ou pior, pra mãe dele...
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Medo, solidão, ... desespero!
O título deste artigo é a tradução livre de outro título.
Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.
Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.
A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.
O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".
É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.
O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.
Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.
A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.
Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.
Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.
Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.
O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.
Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.
Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.
Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.
Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.
Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).
Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.
Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.
Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.
O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.
Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.
Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.
Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.
Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.
Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!
Valeu,
Bruno Porpetta
Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.
Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.
A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.
O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".
É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.
O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.
Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.
A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.
Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.
Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.
Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.
O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.
Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.
Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.
Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.
Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.
Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).
Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.
Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.
Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.
O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.
Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.
Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.
Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.
Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.
Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Uma grande declaração de amor
Podem até pensar, induzidos pelo título da crônica, que tratarei dos dois gols de Vágner Love.
Ledo engano!
A maior declaração de amor já vista, pelo menos no futebol "moderno" de ultimamente, por alguém que poderia não ter nenhum motivo para tanto, foi de Loco Abreu.
Sebastian Abreu, nascido no Uruguai, mais precisamente na cidade de Minas, é torcedor declarado do Nacional, time de Montevidéu.
Time também de Eduardo Galeano, cuja poesia no olhar do escritor foi declamada pelo Nacional. Em si, o fato de possuir um torcedor como ele, já é digno de muito respeito.
O Flamengo vencia por 2 a 0, tinha ímpeto e podia chegar ao terceiro, mas foi freado pelo amor de Abreu pelo Botafogo.
Provocado, próximo à bandeira de escanteio, pela torcida do Flamengo, levantou a camisa do Figueirense e exibiu um distintivo do Botafogo, beijando-o de frente aos torcedores que o hostilizavam.
Alguém pode vir com o papinho de que Loco "desrespeitou a torcida do Figueirense". Convenhamos, a relação dele com o Botafogo está a milhões de léguas à frente da curta história no time continental de Florianópolis.
Este singelo gesto, de um uruguaio que vestiu e introjetou a camisa do Botafogo, foi uma linda declaração de amor. De quem sabe, e tem orgulho disto, que faz parte da história do alvinegro carioca.
Hoje em dia isto é tão raro, mas tão raro, que é de emocionar quando acontece.
Toda esta carga de emoção cumpriu também um papel no campo. O jogo ficou tenso, a partir da tensão entre Loco e a torcida do Flamengo.
Ali, ele tirou a torcida do ataque, fazendo-a recuar no campo para marcá-lo. O árbitro paralisou o jogo várias vezes, para conter as provocações de Loco, e assim fez o Flamengo esquentar a cabeça e esfriar o jogo. Até para fazer o tempo passar, já estava sacramentada a vitória que coloca o nariz para fora da... água... e enfim, respirar um pouco mais aliviado.
Coincidentemente, enquanto o Botafogo perdia em casa para o Palmeiras, com dois gols de Barcos, o nome de Loco Abreu era gritado no Engenhão.
Não à toa.
Valeu,
Bruno Porpetta
Ledo engano!
A maior declaração de amor já vista, pelo menos no futebol "moderno" de ultimamente, por alguém que poderia não ter nenhum motivo para tanto, foi de Loco Abreu.
Sebastian Abreu, nascido no Uruguai, mais precisamente na cidade de Minas, é torcedor declarado do Nacional, time de Montevidéu.
Time também de Eduardo Galeano, cuja poesia no olhar do escritor foi declamada pelo Nacional. Em si, o fato de possuir um torcedor como ele, já é digno de muito respeito.
O Flamengo vencia por 2 a 0, tinha ímpeto e podia chegar ao terceiro, mas foi freado pelo amor de Abreu pelo Botafogo.
Provocado, próximo à bandeira de escanteio, pela torcida do Flamengo, levantou a camisa do Figueirense e exibiu um distintivo do Botafogo, beijando-o de frente aos torcedores que o hostilizavam.
Alguém pode vir com o papinho de que Loco "desrespeitou a torcida do Figueirense". Convenhamos, a relação dele com o Botafogo está a milhões de léguas à frente da curta história no time continental de Florianópolis.
Este singelo gesto, de um uruguaio que vestiu e introjetou a camisa do Botafogo, foi uma linda declaração de amor. De quem sabe, e tem orgulho disto, que faz parte da história do alvinegro carioca.
Hoje em dia isto é tão raro, mas tão raro, que é de emocionar quando acontece.
Toda esta carga de emoção cumpriu também um papel no campo. O jogo ficou tenso, a partir da tensão entre Loco e a torcida do Flamengo.
Ali, ele tirou a torcida do ataque, fazendo-a recuar no campo para marcá-lo. O árbitro paralisou o jogo várias vezes, para conter as provocações de Loco, e assim fez o Flamengo esquentar a cabeça e esfriar o jogo. Até para fazer o tempo passar, já estava sacramentada a vitória que coloca o nariz para fora da... água... e enfim, respirar um pouco mais aliviado.
Coincidentemente, enquanto o Botafogo perdia em casa para o Palmeiras, com dois gols de Barcos, o nome de Loco Abreu era gritado no Engenhão.
Não à toa.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A Olimpíada invisível
Começaram os Jogos Olímpicos de Londres-2012, a maior festa do esporte mundial, que carrega à eternidade o Barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da era moderna, iniciada em 1896, na cidade de Atenas (GRE), onde a competição já era consagrada.
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 19 de julho de 2012
A dor do "não"
Levar um fora sempre é de doer!
Quando estamos numa festa, olhamos para alguém e gentilmente nos aproximamos, apesar de considerarmos sempre a possibilidade da negativa, esta sempre dói um pouquinho. Claro, sempre esperamos uma resposta positiva e a frustração pelo contrário é inevitável.
Imaginem só quando, da resposta, depende nossa própria "sobrevivência". Este é o caso de Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo.
No futebol profissional, estamos habituados a saber de recusas de jogadores a ofertas dos clubes. Em geral, por motivos financeiros, ou estruturais.
O "não" de Riquelme ao Flamengo é, no mínimo, inusitado. Mas, fundamentalmente, desesperador para sua torcida e, em especial, para a presidenta-vereadora.
O craque argentino, última esperança do Fla em contar com um camisa 10 de renome internacional, negou a proposta do clube - a melhor proposta financeira, segundo seus empresários - por questões relacionadas estritamente ao futebol.
Riquelme assistiu ao jogo entre o Flamengo e o Corinthians, onde o rubro-negro foi vergonhosamente derrotado por 3 a 0, sem sequer ver a cor da bola, dentro de casa, diante de sua torcida, mesmo que esta tenha se colocado de costas durante a partida.
Ao ver o que viu, uma presa fácil para o Corinthians, sem nenhuma inspiração e diante de uma pressão enorme vinda das arquibancadas, declinou do convite e preferiu não meter a mão nessa cumbuca.
A agonia da torcida rubro-negra, após ver aquela exibição patética do time e sem esperanças por grandes contratações às vésperas do encerramento da janela de transferências internacionais, fica ainda maior e a pressão sobre jogadores, treinador e dirigentes beira o insuportável.
Pior está a situação de Patrícia Amorim.
Candidata a reeleição em duas frentes - no próprio clube e na Câmara Municipal do Rio -, enxergava na contratação de Riquelme uma última cartada em busca de um trunfo eleitoral para o fim do ano. Não foi desta vez, e provavelmente não será em nenhuma.
O desespero da dirigente, em ligação telefônica com Zinho (diretor profissional de futebol), revela o tanto de esperança que depositava em Riquelme para alavancar suas pretensões.
Como se a contratação do meia argentino "apagasse" os inúmeros equívocos cometidos até então, que alcançaram seu ápice na atabalhoada saída de Ronaldinho Gaúcho do clube, gerando uma dívida milionária e, no momento, impagável.
O resultado da desastrosa administração de Patrícia a frente do Flamengo é exatamente o que Riquelme assistiu ontem, e o fez desistir de aceitar a proposta rubro-negra. O time é um retrato fiel dos sucessivos erros da gestão, da acomodação de interesses de grupos políticos internos que passam longe dos reais interesses do clube, e da postura indolente dela própria nos momentos mais delicados.
Hoje, sobrou a Patrícia um enorme mico nas mãos. Com a pressão da torcida pela demissão de Joel, antes fritado pela direção e agora garantido no cargo por conta da alta multa rescisória que o Flamengo não é capaz de arcar, além da ausência de grandes jogadores, exceção feita a Vágner Love, sua situação é bastante delicada e sua reeleição, em ambos os cargos, depende única e exclusivamente de uma estratégia política baseada em acordos bastante frágeis.
Para a presidência do Flamengo, Patrícia terá que reeditar a composição entre grupos internos, que já não parecem tão dispostos a isto, além de usar o discurso das "piscinas". Quando o futebol vai mal, só as "piscinas" podem sensibilizar os sócios do clube. A pressão externa, diante do tamanho do Flamengo, pode inviabilizar esta estratégia.
Já na Câmara Municipal, onde os eleitores são, em grande medida, torcedores dos clubes da cidade, para os do Flamengo, ela já não convence, e para os outros, menos ainda. Vascaínos, tricolores e botafoguenses torcem, somente, para que ela se reeleja no Flamengo, nada mais que isso.
Haja cloro pra limpar a barra dela...
Valeu,
Bruno Porpetta
Quando estamos numa festa, olhamos para alguém e gentilmente nos aproximamos, apesar de considerarmos sempre a possibilidade da negativa, esta sempre dói um pouquinho. Claro, sempre esperamos uma resposta positiva e a frustração pelo contrário é inevitável.
Riquelme faz cara feia pro futebol do Flamengo
Imaginem só quando, da resposta, depende nossa própria "sobrevivência". Este é o caso de Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo.
No futebol profissional, estamos habituados a saber de recusas de jogadores a ofertas dos clubes. Em geral, por motivos financeiros, ou estruturais.
O "não" de Riquelme ao Flamengo é, no mínimo, inusitado. Mas, fundamentalmente, desesperador para sua torcida e, em especial, para a presidenta-vereadora.
O craque argentino, última esperança do Fla em contar com um camisa 10 de renome internacional, negou a proposta do clube - a melhor proposta financeira, segundo seus empresários - por questões relacionadas estritamente ao futebol.
Riquelme assistiu ao jogo entre o Flamengo e o Corinthians, onde o rubro-negro foi vergonhosamente derrotado por 3 a 0, sem sequer ver a cor da bola, dentro de casa, diante de sua torcida, mesmo que esta tenha se colocado de costas durante a partida.
Ao ver o que viu, uma presa fácil para o Corinthians, sem nenhuma inspiração e diante de uma pressão enorme vinda das arquibancadas, declinou do convite e preferiu não meter a mão nessa cumbuca.
A agonia da torcida rubro-negra, após ver aquela exibição patética do time e sem esperanças por grandes contratações às vésperas do encerramento da janela de transferências internacionais, fica ainda maior e a pressão sobre jogadores, treinador e dirigentes beira o insuportável.
Pior está a situação de Patrícia Amorim.
Candidata a reeleição em duas frentes - no próprio clube e na Câmara Municipal do Rio -, enxergava na contratação de Riquelme uma última cartada em busca de um trunfo eleitoral para o fim do ano. Não foi desta vez, e provavelmente não será em nenhuma.
O desespero da dirigente, em ligação telefônica com Zinho (diretor profissional de futebol), revela o tanto de esperança que depositava em Riquelme para alavancar suas pretensões.
Como se a contratação do meia argentino "apagasse" os inúmeros equívocos cometidos até então, que alcançaram seu ápice na atabalhoada saída de Ronaldinho Gaúcho do clube, gerando uma dívida milionária e, no momento, impagável.
O resultado da desastrosa administração de Patrícia a frente do Flamengo é exatamente o que Riquelme assistiu ontem, e o fez desistir de aceitar a proposta rubro-negra. O time é um retrato fiel dos sucessivos erros da gestão, da acomodação de interesses de grupos políticos internos que passam longe dos reais interesses do clube, e da postura indolente dela própria nos momentos mais delicados.
Hoje, sobrou a Patrícia um enorme mico nas mãos. Com a pressão da torcida pela demissão de Joel, antes fritado pela direção e agora garantido no cargo por conta da alta multa rescisória que o Flamengo não é capaz de arcar, além da ausência de grandes jogadores, exceção feita a Vágner Love, sua situação é bastante delicada e sua reeleição, em ambos os cargos, depende única e exclusivamente de uma estratégia política baseada em acordos bastante frágeis.
Para a presidência do Flamengo, Patrícia terá que reeditar a composição entre grupos internos, que já não parecem tão dispostos a isto, além de usar o discurso das "piscinas". Quando o futebol vai mal, só as "piscinas" podem sensibilizar os sócios do clube. A pressão externa, diante do tamanho do Flamengo, pode inviabilizar esta estratégia.
Já na Câmara Municipal, onde os eleitores são, em grande medida, torcedores dos clubes da cidade, para os do Flamengo, ela já não convence, e para os outros, menos ainda. Vascaínos, tricolores e botafoguenses torcem, somente, para que ela se reeleja no Flamengo, nada mais que isso.
Haja cloro pra limpar a barra dela...
Valeu,
Bruno Porpetta
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