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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Desabafo

Enquanto dava uma zapeada nos canais de TV, parei para assistir a uma entrevista do Deputado Estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), recém-eleito para a Câmara dos Deputados em Brasília, para o programa Jogo do Poder, na CNT.

Em um dado momento da entrevista, o âncora do programa o pergunta sobre o papel que o Judiciário vem exercendo na política nacional e, em especial, no Rio de Janeiro, após a prisão do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Eis que Ramos diz algo que, há algum tempo, venho refletindo a respeito. Os chamados "políticos" deixaram de fazer política, ou nas palavras dele "perderam a capacidade de resolver as questões politicamente". Essa perda de capacidade resultou nas constantes provocações ao Judiciário, para resolver essas questões.





Outro trecho da fala de Ramos diz que, após tantas provocações que o alçaram a uma condição de iminência parda do poder, o Judiciário gostou de fazer política.

O Poder Judiciário é o único dos três poderes que, diferentemente do que prega a Constituição Federal de 88, não emana do povo. O único não eleito pelo voto popular. Por si só, isso já faz uma diferença enorme.

Exatamente por não ser eleito é o poder menos poroso às classes sociais mais baixas, formado quase que exclusivamente por brancos oriundos da classe média para cima, com raríssimas exceções que, segundo a crença popular, servem para confirmar a regra.

A seleção para a magistratura é um funil com corte de classe, a medida que o nível de exigência de dedicação e comprometimento para com os estudos é inviável para quem precisa trabalhar para sobreviver, quem tem filhos para criar, etc.

Não basta apenas concluir o curso de Direito, é preciso começar a preparação ainda durante a faculdade, prosseguir estudando após o término e, ainda assim, não é fácil. Cursos preparatórios, tardes em bibliotecas, reclusão para estudos,... Um estilo de vida nada compatível para quem tem contas a pagar ou crianças na escola.

Em geral, passam os garotos que se dedicaram a isso em tempo integral, que tiveram apoio da família para tal sem que isso representasse um prejuízo financeiro aos parentes.

Em uma escala menor, o mesmo vale para o Ministério Público.

Ou seja, além de não eleitos, praticamente todos são oriundos do mesmo estrato social, formados com valores semelhantes, experiências de vida similares que determinam formas de pensar e, principalmente, julgar, parecidas.

Tudo isso para, retomando a fala de Paulo Ramos, dizer que as constantes provocações ao Judiciário e suas peculiaridades são um tiro no pé da democracia.

Ao mesmo tempo que o Judiciário é útil para dirimir questões entre os indivíduos, o mesmo aplicado à política é uma tragédia.

Tornou-se cômodo às forças de oposição, sejam elas quais forem, de direita ou de esquerda, recorrer às instâncias do Judiciário após alguma derrota nas casas legislativas.

Isto porque, se por um lado as Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores se tornaram meros escritórios de legitimidade a serviço das políticas dos Executivos, por outro as oposições suprem as ausências de mobilizações populares com intervenções judiciais.

Que a direita não conte com mobilizações populares e se escore em um Poder essencialmente afeito às suas convicções não chega a ser uma surpresa. Que a esquerda faça isso, é um sacrilégio.

Primeiro porque contribui para esvaziar o sentido da política onde ela deve ser feita, no espaço que reúne a legitimidade necessária, conquistada através do voto, para tal. Segundo porque nos estimula a, cada vez mais, resolver as nossas questões por cima, sem mobilização e com confiança excessiva no funcionamento regular das instituições.

Não cabe a mim fazer um extenso tratado sobre isso. Não tenho tempo, nem intelecto suficiente para a tarefa. Mas se eu puder plantar uma pulga nas orelhas da esquerda, já me dou por satisfeito.

Até porque sou filiado ao PSOL, o campeão brasileiro do chamamento ao Judiciário, e me desespera cada vez que o partido vai ao STF para qualquer coisa.

Às favas com o STF! Às favas com a primeira instância, cujos membros passaram também a se sentirem deuses!


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Escrever é preciso...

Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.

No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.

É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.




Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.

Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.

Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.

Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!

Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.

Nem que seja por escrito.

Bem-vind@s novamente!


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Trocando as moscas

Fazer que se está mudando tudo é a melhor forma de não se mudar nada.

Hoje, assistimos a uma faxina geral na FIFA, Conmebol, UEFA, federações nacionais, etc.

 Foto: Eny Miranda/GOVERJ

O ex-todo poderoso Blatter e seu provável sucessor Michel Platini foram punidos com uma suspensão de oito anos fora de qualquer atividade relacionada ao futebol.

Muito bem! Estaríamos assistindo a uma faxina ética na entidade que comanda o futebol no mundo?

É bom observar mais. A FIFA é presidida, desde o afastamento de Blatter e até 27 de fevereiro, quando ocorrerá o congresso eleitoral extraordinário, pelo camaronês Issa Hayatou, sobre quem pesam também uma gama enorme de acusações.

O próximo presidente da FIFA será eleito pelo mesmo colégio eleitoral. Ou seja, pela maioria de votos dentre as mais de 200 federações e confederações nacionais, além das confederações continentais.

O que ninguém vem questionando, até o momento, é justamente o papel das entidades que compõem o colégio eleitoral.

Não vou reproduzir o discurso mesquinho e racista de quem acha que o voto do Gabão não pode valer o mesmo que o da Itália. O que distancia Gabão e Itália é a geopolítica mundial, a economia dos países. O futebol, dentro de campo, é o mesmo. Uns com mais qualidade, outros com menos. Mas chutar uma bola é uma prerrogativa de oito a cada dez crianças em todo o mundo.

Mas as eleições na FIFA, diante do cenário econômico dos países e, por consequência, de suas federações, são marcadas pela troca de favores. Pela ajudinha financeira, travestida de auxílio no "desenvolvimento do futebol".

Ver jornalistas exaltando o papel de João Havelange na popularização do futebol nos quatro cantos do mundo chega a ser aviltante.

Como se o centro do império não tivesse intenção alguma de colocar a periferia no bolso e, assim, manter o controle sobre o vetor principal de onde a grana transita.

Isso é mais antigo que o guaraná com rolha.

João Havelange é, no máximo, um cara "moderno". Ou seja, quando ninguém ainda sabia como aquele negócio podia dar um belo dinheiro, Havelange foi lá e mostrou como. Ninguém tá nem aí pro esporte, esqueça disso.

O centro da questão, a meu ver, está justamente nas regras pouco democráticas que definem os dirigentes das federações nacionais e continentais.

O que nos remete ao cerne de tudo isso. Os clubes!

A falta de democracia e transparência começa na célula do organismo. Os clubes são microcosmos do que é a FIFA, a Conmebol, a CBF, etc...

Ou seja, as eleições da FIFA mudarão o presidente, o secretário-geral e outros... Para não mudar nada!

E a imprensa ainda acha que estão fazendo "reformas"...


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Óleo de peroba

Se você acha que a política é um meio sujo, você ainda não conhece o mundo do futebol.

Sobre a política ainda é possível exercer algum controle público, existem instrumentos e mecanismos de defesa do interesse coletivo. Por mais que lhe neguem acesso cada vez mais, algum acesso você tem.



No futebol, tal como no tráfico de drogas, armas, contrabando e quaisquer atividades criminosas em todo o mundo, existe uma estrutura paralela ao “nosso mundo” onde rola muita grana.

Este dinheiro que você não sabe de onde vem, tampouco sabe para onde vai. Mas, por onde passa, vai enriquecendo dirigentes e empresários que se valem da nossa paixão pelo esporte.

É possível que a real intenção das investigações tocadas conjuntamente pelo FBI e a justiça suíça não seja das mais nobres, mas elas estão provocando um estrago danado ao que parecia um eterno sossego destes aproveitadores do futebol.

Joseph Blatter, que a princípio não larga o osso até fevereiro de 2016, está na mira dos suíços. Seu provável substituto, Michel Platini, também ganhou motivos para arregalar os olhos, com seu nome citado como destinatário de parte da bufunfa.

Enquanto isso, Zico não consegue míseras cinco cartas de recomendação para seguir adiante em sua candidatura à presidência da FIFA. Ele pode não ser santo, mas decididamente não faz parte do esquema.

A barbárie no mundo do futebol é tamanha que, diante das investigações sobre um suposto calote em impostos dado por Neymar aqui no Brasil, o empresário do atleta “recomenda” publicamente que o pai – aquele que levou a comissão mais gorda da história por uma transação de jogador – tire seu dinheiro do país e o leve para paraísos fiscais.


É o espírito olímpico da cara de pau, superando limites.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 29 de agosto de 2015

Do que nos faz tanta falta

Acabo de assistir ao documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg, que retrata o período onde um dos clubes mais populares do país viveu uma experiência tão singular quanto magnífica.

A Democracia Corinthiana foi um elemento importante na popularização do debate sobre a redemocratização do país, no começo da década de 80. O movimento que retirou o futebol do espectro da alienação, colocando-o a serviço da luta política.

Que bonito poder rever muita coisa tão familiar, tão relacionada à minha infância e, por que não dizer, à minha juventude.

Só a narração de Rita Lee já dá a tônica do que seria o filme. A junção, dita por Serginho Groisman, de futebol, política e rock'n roll. O que mais poderia me pertencer tanto?

Durante o filme, tentei com os meus botões fazer alguma relação com os tempos atuais. O que fazer para mudar o futebol? Para mudar a política? Para mudar o rock'n roll, que perdeu tanto da sua rebeldia?



Não se mudará um sem o outro. É preciso reconhecer, primeiramente, que aquela democracia pela qual tanta gente lutou naqueles tempos, se esgotou. Está acomodada a relações econômicas que determinam as políticas. Nossa sociedade está sentada sobre uma montanha ilusória de dinheiro.

As ruas devem se mexer, com as pessoas agindo como placas tectônicas a provocar terremotos na atual estrutura da sociedade. Só isso pode resultar na combinação explosiva que deu origem à Democracia Corinthiana. Um intelectual, um líder operário e um jovem rebelde juntos, em um clube popular, com cabelos ao vento e bola na rede.

E como era bom ver esse time jogar. Um time que marcava no campo do adversário, que jogava com beleza, apesar dos gramados horrorosos. Que a garra de Biro-Biro, vez por outra, aparecia na área para concluir. Tudo o que chamamos hoje de "moderno". Só que muito tempo a frente.

Igualmente, as ruas poderão provocar na juventude o desejo de expressão pelo rock'n roll. Não há nada mais rebelde que o rock. Esta rebeldia deverá se expressar nas letras, nos gritos, na fúria das guitarras.

Encontramos alguns dos elementos possíveis para essa ebulição. Crise, falta de representatividade dos nossos dirigentes, no governo, no Congresso, ou nos clubes. Faltam só dois detalhes.

A ausência de um inimigo nítido, que nos mobilize, além de um instrumento político capaz de organizar esta mobilização, intervir concretamente nas lutas do povo.

Enquanto isso não acontece, só me resta sentir saudade. De um tempo que não volta mais, porque nem deveria voltar mesmo.

Afinal de contas, a história se repete como farsa, depois como tragédia.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Castigo a galope

A demissão de treinadores no Brasil é tão corriqueira que merece um “demissiômetro” no Largo da Carioca para contar quantos já caíram ao longo do ano.



Este último final de semana foi exemplar dos efeitos dessa “cultura”. O Inter foi atropelado pelo Grêmio após demitir, sem maiores explicações, o treinador Diego Aguirre.

Ao mesmo tempo, Ricardo Gomes viu o Botafogo perder para o Santa Cruz. Uma derrota que lhe tirou a liderança da série B, posição onde se encontrava o alvinegro quando demitiu, sem muitas explicações, Renê Simões.

Por outro lado, Cristóvão não foi demitido do Flamengo. Mas convive com a eterna ameaça de demissão pela imprensa e parte da torcida. A sorte dele é que, pelo menos, a direção do clube está com ele.

O time que ataca cada vez mais a cada partida, ao mesmo tempo em que leva gols em lances de bola parada em jogos seguidos, é passível de críticas. Nem perto da sacanagem orquestrada contra o treinador rubro-negro. Não à toa, ele pode dizer que é vítima de racismo.

Renê Simões perdeu o emprego após cair na Copa do Brasil para um time da primeira divisão. À frente, por exemplo, do Vasco, campeão carioca.

Era o líder da série B, coisa que no início do ano era improvável dizer que aconteceria. Aliás, o Botafogo era, a princípio, o patinho feio, inclusive, do Carioca.

Diego Aguirre pecou por assumir a Libertadores como a sua competição, largando o Brasileiro. Mas foi vítima de uma covardia por parte da direção do Inter, que o demitiu em busca de um “fato novo”. Dito e feito, ganhou uma mão cheia de “fatos novos”, justamente, do Grêmio.


Enfim, essa dança das cadeiras entre treinadores só serve a empresários, que ganham comissões a cada contrato. Para o futebol, não tem a menor serventia.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Primavera nos dentes

Ronaldinho Gaúcho está de volta ao futebol brasileiro. Agora é jogador do Fluminense, após passagem discreta pelo Querétaro, do México.



O custo para o clube é relativamente alto. O que se coloca em questão, depois de inúmeros casos de descompromisso com a própria carreira, são os benefícios.

Sua passagem pelo Flamengo foi um desastre. Conquistou apenas um Carioca, sem nenhum brilhantismo. Seu melhor momento com a camisa rubro-negra foi em um jogo histórico contra o Santos, na Vila Belmiro.

No Atlético-MG, foi da redenção ao ocaso em curto período. Após se destacar na conquista da Libertadores em 2013, resolveu se dedicar à noite com afinco. Saiu do Galo como ídolo, embora a torcida já não visse a hora disso acontecer.

O OUTRO LADO DA MOEDA

E não é que pode dar certo? Pare e pense.

Do ponto de vista comercial, qualquer solo que Ronaldinho pise é digno de nota no mundo todo. Naquele papo de internacionalização da marca do Flu, é uma tacada de gênio da diretoria. Tão genial quanto o futebol que ele já teve e conquistou fãs em todo o planeta.

Dentro do campo, pode ser o último clube de Ronaldinho. Ele tem 35 anos e pode se motivar a querer encerrar a carreira de forma, no mínimo, digna. Pode ficar alheio ao jogo por 88 minutos, mas se colocar o Fred duas vezes na cara do gol, como ele sabe muito bem fazer, o adversário que se vire para fazer três e vencer o jogo.

Enfim, se por um lado pode desestabilizar um time certinho que, ao contrário de todas as previsões, está nas cabeças do Brasileirão. Por outro, pode motivar ainda mais essa molecada a correr por ele, jogar por ele.


Algo que na cabeça dos garotos era inimaginável fora do videogame, pode resultar em um final de ano feliz nos gramados.


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Gol da Alemanha

Há um tempão atrás, os jogos que enchiam nossos bares e restaurantes eram jogos decisivos dentro do Brasil. Hoje nos mobilizamos por uma final entre clubes europeus.

Barcelona e Juventus são duas escolas de futebol. A catalã, jogando aquele futebol bailarino do meio para frente, mas muito eficiente do meio para trás. A italiana... bem, é italiana, daí você entende o resto.

Óbvio que eu parei pra assistir. Num bar. Estava ansioso pelo jogo. E torcendo pelo Barça.

No bar ao lado, uma espécie de torcida organizada pela Juve. Todos devidamente vestidos com camisas da Juve. Tiveram momentos de forte emoção durante o jogo.



O Barcelona começou matador. Sufocou a Juventus na sua área, marcou logo aos 2 minutos de jogo. Tocando bola dentro da área, chegou a ter mais chances. Buffon fez, ao menos, um milagre no primeiro tempo.

No retorno do intervalo, o Barcelona continuou superior, apesar da Juventus conseguir fechar mais os espaços. E assustava em contra-ataques.

Na primeira vez que a Juventus conseguiu tocar um pouco mais a bola na frente, o giro de Tevez para chutar forte e o rebote nos pés de Morata deu à Juventus a chance que ela queria. Dali para frente, dava pra vencer o Barcelona do temível trio MSN.

E a Juventus foi melhor depois do gol. Pode ainda reclamar de um pênalti não marcado em Pogba, cometido por Daniel Alves. Assim como o Barcelona pode reclamar do gol anulado de Neymar. Ou seja, o juiz se enrolou no jogo.

Só que, a despeito do domínio italiano no jogo naquele momento, no Barcelona tem um baixinho monumental chamado Lionel Messi, que costurou alguns marcadores e bateu para o gol. O monstruoso Buffon não teve como segurar, acabou dando o rebote no pé de Suarez (que até aquele momento era parado insistentemente por Buffon) e o Barcelona pulou na frente de novo.

Aí restou a Juventus largar-se pra frente. Daquele jeito que os italianos tem uma dificuldade danada em fazer. O Barcelona também tomou suas precauções. O resultado acabou sendo óbvio, com um contra-ataque mortal para encerrar o jogo e dar o título ao Barça.

Se não é tão vistoso como em 2010/2011, não deixa de ser excepcional um time com um ataque como esse.

Bem, vou voltar ao parágrafo inicial.

Há um tempão atrás, os jogos que enchiam nossos bares e restaurantes eram jogos decisivos dentro do Brasil. Hoje nos mobilizamos por uma final entre clubes europeus.

Neste final de semana, graças à administração do nosso futebol, que consegue jogar farofa no nosso futebol, jogava a seleção e tinha jogo do campeonato. Ou seja, depois de ver Barcelona e Juventus, eles me obrigaram a ver Flamengo e Chapecoense.

No dia seguinte, tinha amistoso do Brasil contra o México. O retorno da seleção brasileiro aos (péssimos) gramados brasileiros após os 10 gols sofridos em dois jogos elucidativos acerca do tamanho do estrago que esses caras da CBF fizeram no nosso futebol.

E geral cagou e andou para a seleção. Quem foi ao jogo do Brasil, nos destroços do Palestra Itália, é público de restaurante francês. Uma vergonha o tipo de torcida que frequenta os jogos da seleção. Não podemos sediar tão cedo uma Copa América, sob pena de passarmos um vexame horroroso  nas arquibancadas.

Ou seja, o futebol brasileiro acompanhado no bar, nas ruas, em churrascos, com uniformes e gritos de gol por aí, foi trocado por um jogo em Berlin.

Justo em Berlin, a capital da Alemanha.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Muita sede ao pote

Há quem acredite que viver cheio da grana, passeando em iates com belas modelos, frequentar os melhores hotéis e restaurantes do mundo, beber os melhores vinhos, é tudo na vida. Deve ser bom mesmo, mas a conta, de uma forma ou de outra, um dia chega.

Não é de hoje que a imprensa fustiga as extravagâncias dos homens ligados à FIFA. E não há problema algum falar em “homens”, porque mulheres neste meio são mero adorno. E de pensar que vem daí todas as decisões sobre o futebol feminino, por exemplo. Nada mais ilustrativo.

Mas a fortuna, em especial aquela adquirida de forma pouco ortodoxa, é um castelo de areia. Um dia cai, por mais que possa levar muito tempo.



E já tem tempo que esses magnatas da FIFA se divertem às custas da nossa paixão. O futebol, que é um meio de vida para milhões em todo o mundo, para eles é a própria vida. Todo o luxo e a luxúria possível no mundo se realizam através do futebol, que todos sabemos ser um grande negócio.

Dando uma olhada no nosso quintal, observamos o papel cumprido por João Havelange para que a FIFA se tornasse esse monstro. Um bicho que jorra dinheiro.

O ex-presidente da CBD (a CBF de outrora) e da FIFA, transformou o futebol mundial em uma máquina de sustentar toda a palhaçada acima referida. E deixou filhos adotivos ao longo do tempo.
Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, Nicolas Leóz e outras pragas, crias de Havelange, que venderam a paixão do brasileiro e de todo o continente americano para qualquer um que pudesse distribuir dinheiro na mão de todos eles. Muito dinheiro.

As investigações estão, depois de 24 anos chafurdando na lama da FIFA, tirando suas primeiras conclusões. A princípio, somente os sete presos, além de Nicolas Leóz e Jack Warner foram citados nominalmente no relatório. Sobre os outros, indícios bem fortes, mas apenas indícios. Até para Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo que contratava jogadores e não lhes pagava em suaves prestações, acabou sobrando.

O que desespera os demais figurões, como Del Nero, que saiu correndo da Suíça, é que o barbante só tem uma ponta para fora. Ainda há muito para puxar. E, quem diria, os EUA parecem dispostos a fazer isso. Embora os EUA sempre nos deem motivos para desconfiança.

Para salvar o futebol desta quadrilha da FIFA, existem duas iniciativas a ser tomadas.

Uma delas é institucional. É preciso aprovar a Medida Provisória 671, que trata da responsabilidade fiscal dos clubes de futebol e derrotar este Congresso que, se não abrirmos os olhos, revoga até a Lei Áurea.

A segunda é fundamental. Sem ela, não tem MP, não tem futebol, não tem nada. Os torcedores precisam se colocar nesta questão e ocupar as ruas pedindo as cabeças dos dirigentes da FIFA e da CBF.

Os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil – que entrou no ratatá da grana investigada – devem ter faixas, bandeiras, apitos, cornetas e, se for do gosto do freguês, até panelas nas arquibancadas denunciando esses caras.

Do ponto de vista simbólico, as investigações do FBI cumprirão o papel importante de mandar vários da quadrilha para execração pública. É ótimo, mas não é tudo.


Há quem financie tudo isso. Até então chamados de parceiros comerciais, amanhã não se sabe. Os tais parceiros não gostam de atrelar suas marcas a escândalos, a menos que ainda seja segredo.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cavalo selado

A teledramaturgia brasileira, que nos enche de orgulho pelo mundo afora, às vezes peca pelo roteiro pronto. Uma repetição de histórias com outros nomes, outras personagens e os mesmos dilemas e finais.

A vida é muito mais dinâmica, contraditória e curiosa do que as novelas. É na realidade que as pessoas se dão mais o direito de deixar passar o cavalo selado duas ou mais vezes, sem montá-lo.



A denúncia publicada por Jamil Chade, no Estadão, não chega a ser propriamente uma novidade, muito menos uma surpresa. É a comprovação documental do pão bolorento que é a CBF. A razão fundamental de cada gol alemão na Copa.

A CBF, que cuida mal de suas competições, terceirizou os cuidados com a seleção. Ou seja, a rigor, a entidade não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Dá saudades de caras como João Saldanha, que nunca admitiria a escalação de qualquer jogador por qualquer outra pessoa que não fosse ele mesmo.

A MESMA PRAÇA, O MESMO BANCO...

Sob nova direção, a CBF continua gerando renda (e não é pouca) ao ex-fugitivo Ricardo Teixeira. Através da seleção, mediando negociações de contratos. Passeando pelo mundo em paraísos fiscais.

É lamentável o “piti” de Walter Feldman, na Folha, contra Juca Kfouri. Sobram adjetivos para definir essa manifestação histérica e patética do homem responsável pela aproximação ainda maior e mais perigosa da CBF com o Congresso, de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

Não há nada de novo na CBF, como não havia na política nas últimas eleições. O projeto Marina, que mostrou-se mais do mesmo e tinha como parte o senhor Feldman, explica bem o que é a CBF atual. Mais do mesmo.


Já houve uma CPI da CBF, que deu com os burros n’água. Haverá outra? É hora de montar o cavalo.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 12 de maio de 2015

O tal do futebol

“Para estufar esse filó como eu sonhei, só se eu fosse o Rei.”, dizia Chico Buarque, em “O Futebol”.



Começou o Campeonato Brasileiro da CBF, aquele que nos prova a cada ano como esta entidade é um atraso de vida para o nosso futebol. O que vimos na primeira rodada, em termos de público, é vergonhoso. Salve-se aí o Fluminense, com seus 20 mil no Maracanã, e o Palmeiras em São Paulo.

O que se vê em campo é de fazer chorar. Da alegria do Botafogo pela vitória importante na estreia contra o Paysandu, na série B, ao tempo perdido pelo Flamengo em Atibaia, com um time perdido em campo.

O Vasco, ou pela ressaca, ou pelo choque de realidade, também estreou mal. Perdeu dois pontos importantes. O Flu, ao menos, venceu. Mesmo que a bola tenha sido bem pequena.

Enfim, nada diferente do que andou se vendo por aí. Com exceção de Pato e Ganso, que voltaram a jogar bola, não houve nada de extraordinário nesta primeira rodada.




NO TEMPO DE DONDON

Vivemos tempos onde o resultado se tornou primordial, o caminho para isso só importa se for vencedor. Apenas dois lances, em todo o final de semana, são dignos de nota.

“Um senhor chapéu, para delírio das gerais no coliseu”, de Valdívia – que só fez isso no jogo, mas valeu o salgado ingresso da arena de nome proibido pela CBF e a Globo, tal como a Liesa fez com a Beija Flor em 89.



“Captar o visual de um chute a gol”, de Renato Cajá – que golaço – jogando pela Ponte Preta diante do Grêmio, no substituto do saudoso Olímpico.

A primeira impressão do Brasileiro é a de saudades de tabelas assim: “Para Mané, para Didi, para Mané, Mané para Didi, para Didi, para Mané, para Didi, para Pagão, para Pelé e Canhoteiro.” O final dessa história a gente sabe onde acaba.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vai começar a festa?

Neste final de semana começam os estaduais. Mas para o nosso quintal interessa mesmo o Carioca. O que ficou conhecido como “charmoso”, devido à queda acentuada de qualidade durante os anos 90, que se arrastou ao longo dos anos.

Não é nenhum absurdo creditar parte dos nossos insucessos ao grande feudo instalado na FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), encabeçado por Rubens Lopes, cria do lendário homem de “boa imagem”, o Caixa d’Água.



Nesse mato não tem só cachorro. Existe uma gama de bichos que devoram nosso campeonato ao longo dos anos.

A polêmica dos ingressos é pitoresca. A FERJ promove um festival de preços baixos, Flamengo e Fluminense se pronunciam contrários. Por trás de toda esta história, a figura de Eurico Miranda.

Apesar das razões comerciais da dupla Fla-Flu, não dá pra ser contra ingresso barato. Pega até mal, né não? Apesar da conhecida dupla Rubens-Eurico, existe a chance de o povo voltar aos estádios.

Na bola, pode ser melhor

Os times cariocas, fora da Libertadores, jogarão pra valer o estadual. A ligeira vantagem do Flamengo, neste ano de vacas magras, coloca mais pressão sobre o rubro-negro.

O Fluminense tenta segurar aquele que, hoje, é um bom time. Amanhã, ninguém sabe. No Vasco, time novo, treinador novo e um velho dirigente.

O Botafogo é uma incógnita cuja tarefa é voltar à elite do futebol nacional. Depois do desastroso ex-presidente, qualquer notícia de General Severiano já é melhor que as do ano passado.

O Bangu enfiou cinco no time chinês. Por mais que Vágner Love, Montillo e Cuca estejam praticamente dando um rolé por estas bandas, cinco é bastante coisa. Pode surpreender.

Já o time do Macaé, repleto de empresários fazendo testes, acabou de levar a Série C do Brasileiro. Será, no mínimo, curioso.


É pagar pra ver. Embora ainda discutam se será muito ou pouco.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mais cômicos do que nunca

Os amigos de Aécio que dirigem o futebol brasileiro não se cansam de tirar uma onda com a nossa cara. Só podem ser humoristas, brincalhões, piadistas de mão cheia.



Não faz muito tempo, fomos humilhados dentro de casa com uma vergonhosa goleada por 7 a 1 aplicada pela Alemanha em plena capital mineira. Por muito menos do que isso, o goleiro Barbosa foi crucificado por 64 anos. Cada gol da Alemanha serviu para redimir o goleiro da Copa de 50.

Pois bem. Terminada a Copa de 2014, a CBF – tal como um vira-latas cheio de pulgas e carente de atenção – solicitou à Federação Alemã datas para uma “revanche”. Aliás, nem isso a CBF faz. Uma empresa chamada Pitch é a responsável por marcar os amistosos da seleção, em uma escandalosa terceirização de tarefas.

A Alemanha negou, pois já tem ocupadas todas as datas FIFA em 2015. O Brasil, ainda não. Nestas datas, o campeonato alemão vai parar para que seus jogadores disputem os amistosos por suas seleções. No Brasil, não.

Essa excrescência provoca situações bizarras como as do atacante Diego Tardelli e do goleiro Jefferson, que jogaram na terça em Cingapura contra o Japão.

O primeiro esteve em campo na quarta-feira em BH e, graças à classificação do Galo às semifinais da Copa do Brasil, se tornou herói. Já o segundo, deveria estar em campo na quinta, no Pacaembu. Não jogou e virou vilão para dirigentes e comissão técnica do Botafogo. Ambos vinham de 26 horas de vôo.

É inegável que o Brasil jogou bem contra a Argentina e que Neymar arrasou o Japão, como se fosse ele próprio uma bomba atômica. Daí a sermos “mais respeitados do que nunca”, como disse Marin, não é só um exagero. É um escárnio!

Parece que combinam tudo antes. Marin lança uma piada dessas, vem o Del Nero e emenda dizendo que os alemães “não querem enfrentar o Brasil”.


É pra rir?


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cotidiano

O leitor já deve estar cansado de ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.

A “margarida” que atende pelo nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu aparecer.



Chamou uma coletiva de imprensa e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.

Sheik, Bolívar, Julio César e Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.

Cá entre nós, imagina se o seu patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria para trabalhar?

A resposta para a primeira pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros. Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.

Esta situação no Botafogo se repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados improváveis.

Com cada vez menos jogadores no elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.

O eclíptico presidente coloca o Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes mais ativas contra os desmandos do sumido.


Quem é o próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
                                                

A torcida do Botafogo ora pelas almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete azul seja o próprio Assumpção.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um convite ao sofá

O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.



Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do árbitro da Copa, diga-se de passagem.

Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva, com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.

Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.

Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.

O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.

Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.

O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco para quem quer ir à Libertadores.


Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas especialmente no bolso.


Valeu,


Bruno Porpetta

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Provação

Vivemos tempos bicudos! Durante décadas os trabalhadores foram perdendo o debate ideológico. A elite fincou o cajado no chão e disse: este país é meu!

Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.



Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.

Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!

Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?

De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.

Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.

Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.

Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.

Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.

Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.

Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.

Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.

Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.

Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.

A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.

Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.

Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.

E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.

E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.

Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.

E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.

O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.

Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.

E vamos...


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudades do Costinha

Olha, antes de qualquer coisa, não me preocupei em momento algum em ser "politicamente correto", tampouco em ofender quem quer que seja. Mas, convenhamos. Costinha era sensacional!

Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.

Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.



Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?

Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.

Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!

Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?

Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.

O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.

Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.

Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.

Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.

Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.

Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.

Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.

Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...

Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.

E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.

Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.

E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.



Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?

Pena que não é.

Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.

Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.

Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.



Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Malditos hinchas!

Sejamos sinceros, as centenas de torcedores chilenos detidos no Maracanã pela tentativa de invasão do estádio para ver o jogo contra a Espanha que classificou de maneira brilhante a seleção do excelente Jorge Sampaoli só estão sendo tão divulgadas e rigorosamente punidas porque foi pela Sala de Imprensa.



Quando cerca de mil argentinos invadiram o Maracanã no domingo, para ver o golaço de Messi contra a Bósnia, quase ninguém soube. Entraram pelas catracas mesmo.

Agora que o mundo todo viu a invasão, a FIFA precisa tomar providências. E tomou as piores, como sempre se pode esperar da entidade.

Os chilenos tem 72 horas para deixar o país ou serão deportados.

Deportados?

Estamos falando de torcedores de verdade, gente que senta a bunda em arquibancada. Não de filhos da classe média que se amarram em cantar seu orgulho e seu amor por ser brasileiro, mas preferiam morar na Europa.

Esta deportação é das coisas mais absurdas que podem haver. Eles são torcedores, estão por aí nos bares tomando sua cerveja, gastando dinheiro no Brasil e queriam muito ver sua seleção aniquilar a atual campeã mundial.

Uma das coisas mais bonitas da Copa é este clima de Libertadores. Para isto, não pode haver plateia, tem que haver torcida.

É exatamente isto que a FIFA não gosta, de torcida, de futebol e de quem gosta de futebol. Para eles é só um espetáculo, não tem nada de paixão.

Quero mais umas dez Copas, desde que a FIFA não controle mais o futebol.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 7 de junho de 2014

Enfim, a Copa...

Pois é. A despeito da "guerra de torcidas" promovida entre governo (a quem caberia ser mais sensato) e movimentos sociais diversos e cada vez menos influentes nos rumos das mobilizações populares, vai começar a Copa do Mundo. Aquela que uns dizem que vai ter, outros dizem que não vai ter.

Talvez esta tenha sido a discussão mais imbecil que eu já tenha presenciado em minha "curta" vida.



Vai ter Copa porque parte considerável do povo quer que tenha. Não devia ter porque parte considerável do povo foi expulsa de suas casas, porque usou-se a Copa como pretexto para modelos de cidade excludentes, porque a FIFA é uma quadrilha que está se especializando em assaltar países da periferia do capital e o seu "padrão" não nos interessa, porque o Brasil abriu mão de sua soberania sobre pequenas partes de seu território para satisfazer os interesses dos assaltantes.

O custo dos estádios, sinceramente, é troco de pão. Não é pelos gastos que se pega a Copa pelo calcanhar de aquiles. É pelo futuro.

Pagou-se estádios para entregá-los à iniciativa privada. Por consequência, os ingressos são caros e o povo tem tido cada vez mais dificuldades para ir aos jogos, que já são ruins "só pra ajudar".



Portanto, em minha modesta opinião, enquanto estivermos debatendo se "vai ter" ou "não vai ter", estamos andando em círculos.

Sobre a competição em si, que é realmente muito mais interessante do que os tecnocratas da FIFA, quando me pedem pra cravar uma final, digo logo Brasil x Argentina.

Por quê?

Porque são as seleções favoritas que tem menos problemas físicos e mais jogadores decisivos de todas.

França sem Ribery; Alemanha sem Reus e com Schweinsteiger, Lahm e Neuer baleados; Itália praticamente só com o Balotelli para decidir, ou rezar para se marcarem muitas faltas na entrada da área para o Pirlo bater; Uruguai só com a história na mão e Suárez baleado; Espanha com um time mais velho e uma base que não conseguiu jogar bem neste ano; Inglaterra só ganha em casa e se for roubado; Portugal eu nem coloco na lista de favoritos, mas se alguém poderia decidir a favor dos lusos, seria Cristiano Ronaldo, e este também não está com o joelho muito confiável; a Holanda, no máximo, será vice... de novo.

No fim das contas, restaram sem problemas Brasil e Argentina.

A Argentina tem Messi, um grupo fácil, um time mais equilibrado que há quatro anos atrás, torcida mais presente que em outras Copas e a camisa.



O Brasil tem Neymar, um grupo não tão fácil que pode dar mais força ao time na reta final (ou não), uma defesa mais sólida que de costume. Torcida, se estiver esperando show, pode jogar até contra, como foi ontem no amistoso em São Paulo. Camisa, nem se fala... pesa muito!

Sobre a seleção brasileira, algumas impressões bem rápidas. Oscar deve perder a vaga se não jogar mais bola contra a Croácia, o William tá voando. O time é este, mas os laterais são o nosso calcanhar de aquiles, se entra pelas costas deles como se convidados fossem os atacantes.

Se tenho um favorito para esta hipotética final? Torço pelo Brasil, mas acho que dá Argentina.



A propósito, só para não deixar de cometer rubro-negrices por aqui, o gramado do glorioso estádio José Bastos Padilha, na Gávea, está lindo! A Holanda nos deu um presentão! Falta agora somente alguém ter coragem de recolocar as arquibancadas tubulares em torno do campo e voltarmos a mandar jogos na Gávea. Arena é o c...!


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pagando minhas dívidas

Os nossos assuntos pendentes do último período - ou pelo menos, uma parte deles - pretendo quitar nest post.

Acabaram os estaduais. Graças a Deus!

Não é aceitável que o país da Copa dê tamanho mau exemplo. Sabe quando algo está totalmente equivocado? Então, os estaduais estão nesta situação.



Começou o Brasileiro. Quando?

Todo mundo sabe quando começou o Brasileirão, mas ainda é muito cedo para apontar prováveis campeões. Pode-se apostar, sim, nos candidatos às vagas na Libertadores, mas para o título ainda podem sofrer uma série de variáveis que podem comprometer um grande time a disputá-lo.

É o Cruzeiro, o Galo e o Grêmio na Libertadores, três dos "favoritos" ao título, podendo roubar preciosos pontos durante o Brasileirão.

Neste ponto de vista, São Paulo e Fluminense partem com alguma vantagem. A Copa do Brasil não demanda tanto do time como a Libertadores.

De qualquer forma, todos estes são concorrentes fortes às vagas na Libertadores.

Aliás, não tem caô! O Fred deve ser o centroavante da seleção!

Isto não nos garante o título, mas nesta posição não existe ninguém em melhores condições.

Falando em seleção, a ideia de extinguir uma vaga na lateral-esquerda para abrir outra no meio-campo me agrada muito. O Daniel Alves joga nas duas laterais, e Felipão possui opções de jogadores na cozinha da seleção que podem improvisar na lateral.

Outra discussão para a qual ainda não havia dado pitaco é sobre a guerra de hashtags no twitter - #nãovaiterCopa ou #vaiterCopa - que, para mim, é uma grande bobagem.

Primeiro, porque vai ter Copa. O que não pode é não ter manifestações, todos os dias da Copa, inclusive.

Nem é necessário quebrar nada, mas a precaução dos bancos em colocar proteções aos vidros deve ser preservada, ou seja, o povo deve continuar ameaçando aos bancos, porque eles merecem.

Não só os bancos, diga-se de passagem.

Mas voltando à existência da Copa, vai ter porque o povo quer que tenha, e não temos tempo hábil para convencê-lo do contrário.

Portanto, a turma do #vaiterCopa também está falando ao vazio. Enquanto Amarildos, Douglas, e outros tantos anônimos continuam sendo mortos pela Polícia Militar, restringir-se a uma defesa eleitoral de governo X oposição é o tipo de coisa que não ajuda nada.

Por maiores antipatias que nutro pelo PSTU, mesmo com bons amigos por lá, desta vez eles me parecem bastante sensatos ao não comprar a ideia do #nãovaiterCopa.

Algo entre o #naCopavaiterluta ou o #Copaparaquem? me parece mais apropriado.

Afinal de contas, além do deleite de espectadores de TV sobre o futebol, quem mais ganha com esta história toda são uma meia dúzia de altos dirigentes da FIFA, além de um ou outro governador.

Se vou torcer pela seleção? Óbvio que sim!

Aquele rapaz chamado Neymar estará empunhando uma camisa que já pertenceu ao Zico, ao Pelé, ao Rivaldo... e é por ela que eu torço.

Embora também tenha minhas predileções internacionais, como a Espanha - terra da minha família - e a Argentina - terra do maior gênio gringo que vi jogar na vida.

Pode por aí o Japão também, que mesmo não tenha condição alguma de ganhar a Copa, quando vai bem comprova a teoria de que Zico conseguiu ensinar até japoneses a jogar bola. Se quisesse, mudava a Terra de lugar, inclusive.

A última que me ocorreu foi a declaração "anti-PT" do Adilson Batista, treinador do Vasco. Mesmo que eu tenha saído do PT, a última coisa que me passa pela cabeça é que o partido seja o responsável pela desgraça que é o calendário brasileiro no futebol. Aliás, isso só passa na cabeça de um conservador, e os conservadores parece que tem se especializado em falar as piores bobagens possíveis.

Se faltou falar de alguma coisa, podem me cobrar. Assim que der eu dou um retorno.


Valeu,

Bruno Porpetta