terça-feira, 29 de novembro de 2011

A homenagem que interessa

Há exatos 10 anos, morria George Harrison. O Beatle mais tímido de todos, o menos popular, mas tão genial quanto os demais.

Segue abaixo, em vídeo, uma de suas composições. A mais linda delas, na minha modesta opinião.

Relembrem os Beatles e, em especial, George, com Something, gravada no disco Abbey Road, em 1969.





George é eterno!


Valeu,

Bruno Porpetta

O "ame-o ou deixe-o" do nosso futebol

O homem que fala no vídeo abaixo é Claudio Coutinho, cuja morte completou 30 anos no domingo (27/11), e teve missa em sua homenagem, realizada na sede do Flamengo.

Não desconsidera-se sua relevância como treinador, levando à formação do maior time da história do clube. Foi com ele que o Flamengo ganhou a Libertadores da América e, posteriormente, com a base do time montada, conquistou o mundo com Carpegiani no comando.

Por outro lado, é importante lembrar o papel cumprido por ele, juntamente a Mário Jorge Lobo Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Admildo Chirol e Lídio Toledo, na década de 70, durante a ditadura militar, na seleção brasileira.

Os cinco conformaram uma espécie de intervenção do regime na seleção, até então comandada por João Saldanha, para a disputa da Copa de 70, no México.

Sagramo-nos campeões, com a bênção de craques como Pelé, Tostão, Gerson, Rivellino, Jairzinho, Carlos Alberto e Clodoaldo. E a presença imposta, embora negue-se até a morte, de Dario, querido por Médici.

Depois, com os cinco de asas mais soltas, amargamos uma derrota fragorosa para a Holanda, em 74.

Mesmo após o fim do regime, os nomes citados se tornaram presença constante na seleção, com idas e vindas, de um ou de outro.

Homens de confiança de João Havelange, que também tinha lá suas ligações com a ditadura militar, tocaram o projeto da seleção adiante. Com exaltações patrióticas, devidamente avalizadas pela Globo, chamavam a torcida a reivindicar a "pátria de chuteiras", esquecendo-se de suas próprias mazelas, nem que somente por um mês, o mês da Copa.





No vídeo, exibido no Fantástico, Coutinho faz o seu "Brasil: ame-o ou deixe-o!", convocando a torcida a entrar em campo com a seleção brasileira. Às vésperas de se tornar o "campeão moral" da Copa mais imoral da história, em 78, na Argentina.

A Copa que varreu pra debaixo do tapete os milhares de mortos e desaparecidos políticos, perseguidos pela ditadura portenha. Com a anuência do Brasil, que passava por momento semelhante, e também de Claudio Coutinho.

Não pode ser digno de homenagem, um pedaço tão nefasto da nossa história. Encarnado na figura do Capitão de Artilharia, Claudio Pecego de Moraes Coutinho.

Deixemo-as para o Pelé de 70, ou o Zico de 81. Eles merecem!


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Decisões proteladas

Como sinceridade não faz mal a ninguém, devo admitir que pensei que hoje teríamos o campeão brasileiro. Jurava que o Corinthians seria campeão hoje. Mas não foi.

O Vasco, que não foi melhor que o Fluminense na partida, mas perdeu menos gols nas chances que teve, venceu o tricolor. E mais do que isso, demonstrou muita vontade de ser campeão.

Vontade que não faltou ao time das Laranjeiras, mas sobrou no Vasco.

Como prêmio de consolação, ficou o golaço do jogo. Fred - que pode até ter cometido falta no lance - dominou a bola no peito, e em um lindo giro, fez de voleio. Fernando Prass chegou a tocar na bola, mas ela morreu no fundo das redes.

De qualquer forma, o Vasco venceu e continua na briga.

Para o Vasco, vale o título. Para o Flamengo, a cantoria.



Pega o Flamengo, pela última rodada. Que venceu o Inter e, praticamente, garantiu sua presença na Libertadores. Porém, em se tratando de Flamengo, "praticamente" é uma palavra muito longa, e que não assegura nada.

Andei dizendo por aí, que não seria bom para nenhum dos dois, depender um do outro na última rodada.

Para o rubro-negro, basta um empate, para a vaga na Pré-Libertadores. Se quiser uma vaga direta na fase de grupos, precisa vencer, além de torcer por uma derrota do Fluminense contra o Botafogo. Não dá pra saber o que esperar do Botafogo em um clássico, no momento que o time passa atualmente.

Creio que gana de vencer, não vá faltar ao Botafogo. Mas anda faltando muita bola.

Ao Vasco, só interessa a vitória. Para o título, não existe outro resultado possível. Joga sem Juninho e Allan, suspensos, embora o primeiro faça bem mais falta ao time. Fica sobre Felipe a responsabilidade de comandar a equipe, e Diego Souza precisará aparecer um pouco mais.

Convenhamos, estar seis vezes em posição de impedimento, em um jogo desta importância, é de uma inexplicável desatenção, por parte do camisa 10 do Vasco. Apesar de uma linda jogada dele pela esquerda, que Alecsandro desperdiçou.

Coritiba, Internacional e Figueirense estão empatados em 57 pontos.

Ao Coritiba, basta ter o mesmo resultado dos outros dois, para a vaga na Pré-Libertadores. Pelo número de vitórias, leva vantagem no desempate.

O Colorado se põe à frente do Figueirense pelo saldo de gols. Mas os três enfrentam clássicos regionais.

Em Curitiba, mais precisamente na Arena da Baixada, o Atlético-PR possui alguma chance de se manter na elite. Menor que as dos demais concorrentes, mas ainda existe. Nada melhor que, em um Atle-Tiba, safar-se do descenso, além de impedir a classificação do rival para a Libertadores. Isso tudo estará em campo.

Quem acredita?



No Gre-nal, não se disputa somente a vida, de um ou de outro, em uma competição nacional. Eles disputam  também o Gauchão, e isso pode pesar, mesmo que o jogo seja no Beira-Rio. Para o Grêmio, não valeria nada para o campeonato, mas vale para a saborosa cuia de chimarrão da segunda-feira pela manhã.

Pausa para a decisão do campeonato estadual.



O Figueirense, em tese, possui o caminho mais fácil. Enfrenta um time de qualidade bastante inferior, já rebaixado, mas é bom lembrar que, no turno, o Avaí o venceu, no Orlando Scarpelli, por 2 a 1. Uma despedida honrosa diante de sua torcida, além de melar o sonho da Libertadores para o continente de Floripa, é bastante motivador.

Além disto, o Figueira vem de duas derrotas seguidas, em casa. A última, para o Corinthians, jogou para vencer, mas perdeu. Por um mísero 1 a 0, mas fundamental para a decisão do título.

O Timão venceu, mesmo sem convencer, com participação fundamental de Alex e, mais uma vez, gol de Liédson. Manteve os dois pontos de vantagem sobre o Vasco, e só precisa de um empate contra o Palmeiras para se sagrar campeão.

Difícil é combinar isso com o Palestra. Uma vitória sobre o Corinthians, simplesmente, salva o ano alviverde.

Entre corinthianos e palmeires, é decisão de título ou questão de honra.



Depois de uma campanha pífia no segundo turno, o Palmeiras venceu dois jogos seguidos. A bola da vez foi o São Paulo, praticamente condenado à disputa da Copa do Brasil no ano que vem. O que vocês acham que o time de Felipão quer agora? Botar água no chopp corinthiano, óbvio!

Na parte de baixo da tabela, a disputa por uma vaga na segundona está, praticamente, entre Cruzeiro e Ceará. A Raposa poderia ter definido hoje, mas levou o empate, e agora vai enfrentar o Galo, que terá sonhos durante a semana, com o debut do time azul no seleto grupo de clubes grandes rebaixados.

O Cruzeiro pode estar dando adeus à primeira divisão.


Enquanto o Ceará enfrenta o Bahia, em Pituaçu. Relaxado por escapar do rebaixamento, pode pensar na Sulamericana, mas já ganhou seu presente de Natal, vendo o Vitória, por mais um ano, na divisão inferior.

O Cruzeiro tem leve favoritismo ao descenso, mas joga diante de sua torcida, e só da sua torcida. Devido ao atestado de incompetência concedido ao governo de Minas Gerais, quem tem o mando, tem tudo. Nenhum torcedor do Galo entrará na Arena do Jacaré!

Diante de tudo isto, coloco meus palpites.

Campeão: Corinthians

Para as duas vagas restantes à Libertadores: Flamengo e Coritiba.

Quem resta descer: Cruzeiro e Atlético-PR.

Embora admita que pode se tornar uma bobagem, daqui a uma semana.


Valeu,

Bruno Porpetta








sábado, 26 de novembro de 2011

Barcelusa e a tradição de volta à elite

Hoje, encerrou-se a Série B do Campeonato Brasileiro. Também conhecida, entre os íntimos, como segunda divisão.

Não havia nenhum clube gigante na edição deste ano, leia-se os quatro de São Paulo, os quatro do Rio, os dois de Minas e os dois gaúchos.

Portanto, para a mídia, não havia interesse em mostrar uma competição, em TV aberta e rede nacional, que abrangeria os abnegados luso-descendentes paulistas, os apaixonados rubro-negros baianos, tal como os pernambucanos e seus arquirrivais alvirrubros, assim como alviverdes e os vermelhos goianos, e a eterna rivalidade caipira entre pontepretanos e bugrinos.

Mas foi aí, na segundona, que vimos a grande inovação tática do ano, coroada com o primeiro título nacional de sua história, e um futebol muito mais próximo do nosso, que com sua matriz ancestral. A Associação Portuguesa de Desportos, três vezes campeã paulista e duas vezes do Torneio Rio-São Paulo, que ostentou craques como Djalma Santos, Julinho Botelho, Ivair, Enéas e Dêner, agora também tem seu troféu em âmbito nacional.

Festa portuguesa, com futebol catalão



Um time sem volantes brucutus, mas bastante solidário na marcação. Com jogadores descartados em clubes maiores, mas que jogaram o fino da bola, dentro do que "permite" a competição. Uma bela mistura de técnica, tática, raça e paixão, comandada por Jorginho, surpreendeu tanto que, além do título, teve o melhor aproveitamento da história dos pontos corridos na segundona e ganhou o apelido de Barcelusa.

A média de público foi a de costume ao longo da história da Lusa, ou seja, pouca gente. Apesar disso, sobra paixão para aquela turminha atrás do gol à direita das cabines de TV e rádio, e eis mais um time para entrar na história do clube.

Para todos os outros, o grande troféu era o acesso à elite do futebol brasileiro.

Além de tradicionais times do Nordeste, do interior de São Paulo, do Centro-Oeste, a Série B mostrou uma penca de times sem torcida, sem camisa, sem estádio, sem história... enfim, sem vergonha!

Não foram poucos os times itinerantes, ou "clubes-empresa", que empestearam a competição.

A começar pelo já conhecido Grêmio Barueri (que já foi Prudente), passando pelo Americana (que já foi Guaratinguetá), até o ex-clube Ituiutaba, de Minas Gerais,  hoje uma filial de indústria de cerveja, chamada Boa Esporte Clube, que abandonou a cidade natal e foi parar em Varginha-MG. Coerente, se pensarmos que lá é um aeroporto para ET's.

O Ituiutaba, de mala e cuia, viajando para Varginha



Isso para não falar dos times de prefeituras, como São Caetano, Salgueiro-PE e Duque de Caxias-RJ, cuja torcida é formada por cargos de confiança das mesmas. Todas, inclusive, frequentaram a parte de baixo da tabela e as duas últimas vão jogar a terceira divisão no ano que vem.

Sem falar no Bragantino, cujo grande momento de sua história, foi quando o Sr. Nabi Abi Chedid mandava muito no futebol brasileiro, além de sua participação nada especial na política.




A chapa vai esquentar! 


No fim das contas, venceu a tradição, a camisa, a força das torcidas. Estão de volta, para alegria de quem gosta de espetáculo nas arquibancadas, o Náutico, a Ponte Preta e o Sport, que conquistou o acesso na última rodada, debaixo de uma chuva torrencial em Goiânia, contra o Vila Nova.

Adivinhem: um clube alvinegro paulista, que lota seu estádio, e não dependeu de governo nenhum para tê-lo? 
Dica: óbvio que não é o Corinthians!


Se fosse para ficar perfeito, além do clássico pernambucano, faltou o Vitória subir para ter Ba-Vi, no ano que vem. Mas não tinha lugar pra todo mundo.

Embora, do jeito que ficou, tá de bom tamanho.

Parabéns à dupla do Recife, à Macaca e, em especial, à Portuguesa!

Sejam bem-vindos novamente!


Valeu,

Bruno Porpetta


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A cadeia alimentar no capitalismo da bola

O Flamengo, ao contratar Ronaldinho Gaúcho, fez um baita negócio.

Trouxe uma estrela pentacampeã mundial em 2002, duas vezes eleito o melhor jogador do mundo e, aparentemente, disposto a retomar seus melhores momentos para voltar à seleção brasileira. Tudo isso, pagando a menor parte do salário astronômico do craque (cerca de 1,8 milhão de reais). O restante, ficou a cargo da parceira do clube, a tão conhecida, quanto nefasta, Traffic.

O acordo garantia aos dois parceiros os saldos e dividendos do uso da imagem do craque, além da obtenção de patrocínios na camisa.

Acontece que, não se sabe exatamente o porquê, o Flamengo passou meses sem um patrocinador master (frente e costas da camisa). Talvez porque Ronaldinho não teve exibições de gala até então, o que não favorecia que as empresas chegassem ao valor pedido pelo clube. Ou até porque o valor pleiteado era muito alto mesmo, e ninguém tinha cacife para tal benevolência.

Ronaldinho parado na esquina, à espera do seu dinheiro



De qualquer forma, a Traffic era responsável por intermediar as negociações, arrumar parceiros e viabilizar os contratos. Não conseguindo, entrou outro personagem na história: Ronaldo, um fenômeno, agora, do marketing esportivo.

Quem acabou fazendo o meio-de-campo entre Flamengo e a Procter & Gambler, foi a empresa de Ronaldo, aquela de nome esquisito que mistura números e letras, pronunciando o consagrado número da camisa do craque em inglês.

Pois bem, sendo outro contrato, com outro mediador, a Traffic levou uma "volta" do Flamengo.

Mas como nos negócios, nada fica de graça, a Traffic deu o troco. Trocou a direção que, por sua vez, resolveu rever algumas questões da parceria com o Flamengo. Pronto, o rubro-negro tinha um problema.

A 9ine é uma máquina de negócios inexplicáveis




Ronaldinho está sem receber a parte da Traffic há quatro meses. Seu ordenado está em "miseráveis" 250 mil reais mensais e, coincidentemente, seu futebol caiu na mesma proporção.

Assis, o irmão-malandro-empresário, só dá evasivas a respeito da permanência de Ronaldinho no Flamengo. Diz-se de uma proposta do Panathinaikos, da Grécia, animado por investidores do Oriente Médio. E, em se tratando da Grécia, nem podia ser diferente.

Em primeira mão, achamos o dinheiro do Ronaldinho!



Agora, o Flamengo é o sexto lugar do Brasileirão. Está fora da zona de classificação para a Libertadores, objetivo maior no momento.

Não cabe discutir se a colocação do Flamengo no campeonato, condiz com o tamanho do investimento feito. Apesar de revelar o pior custo-benefício, falando estritamente de futebol, dentre os primeiros colocados na competição.

Cabe questionar: alguém torce pela Traffic? Ou pela Procter & Gambler? Pela 9ine? Até pelo Assis?

A resposta para todas estas é a mesma: não!

Por outro lado, o Flamengo tem quase 40 milhões de torcedores. E nenhum deles tem nada a ver com esse come-come de interesses econômicos. Só querem que o cara volte a jogar bem.

Alguém paga o preço?


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Muito Além do Cidadão Kane

O documentário da BBC inglesa, produzido em 1993, é um clássico da luta pela democratização na comunicação brasileira.

Uma grave denúncia, que degustamos dia-a-dia, até os dias de hoje.

De lá pra cá, para os senhores da Rede Globo, nada mudou. Apesar da ameaça chamada Record, a liderança da vênus platinada continua ampla.

Em compensação, como teve gente que mudou... e como mudou!

Algumas cenas são emocionantes, outras transmitem a ideia de asco que tínhamos de um tempo que não deveria mais voltar, nunca mais!

Confesso que tenho dificuldades em aceitar o monopólio da Globo sobre o futebol brasileiro, que me é tão caro.

E caro, em todos os sentidos! Tanto na relevância que exerce na minha vida, quanto no preço que este monopólio, em conluio com outros personagens nefastos do tal "mundo do futebol", me cobra para poder acompanhá-lo.





Eu, e outros milhões de torcedores!

Porque, antes de começar a escrever sobre futebol, eu era apenas um torcedor.

Como todos, diga-se de passagem!

Recomendo que assistam ao vídeo, que dura pouco mais de 90 minutos (olha, quanta coincidência!), e ilustra bem tudo aquilo que o país não deve ser. Um instrumento lucrativo para interesses de poucos, e uma tortura eterna para muitos.


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 20 de novembro de 2011

Futurologia de ocasião

O Campeonato Brasileiro chegou à sua reta final. Mas final, final mesmo.

Dizem que a tal reta final são as últimas 10 rodadas, mas há oito rodadas atrás, não era possível afirmar nada. Agora já dá pra tirar algumas conclusões. Ao menos, impressões menos abstratas.

Com duas das quatro vagas de classificação para a segunda divisão do ano que vem definidas, só restam duas para seis clubes. O Palmeiras, que rolou barranco abaixo no returno, com uma vitória, depois de nove jogos sem êxito, enterrou qualquer possibilidade de queda. Diante disso temos os três Atléticos - Mineiro, Goianiense e Paranaense - Bahia, Cruzeiro e Ceará.



O time de Goiânia, depende apenas de um simples empate em dois jogos. Enfrenta o desinteressado Grêmio (fora) e o já rebaixado América-MG (casa). Livrar-se do rebaixamento é uma questão de veredito, só falta assinar.

A torcida do Galo e do Tricolor de Aço estão alertas, mas não é nada desesperador.

O Atlético-MG enfrenta o combalido, mas ainda vivo na luta por uma vaga na Libertadores, Botafogo (casa) e o clássico contra o Cruzeiro, na Arena do Jacaré, mas com mando da Raposa (em Minas, só entra a torcida mandante). Já o Bahia sai para jogar contra o Santos, que a esta altura só pensa no Mundial, e encerra contra o Ceará, em Pituaçu. O caminho do Tricolor é um pouco mais tranquilo, mas os dois devem escapar.

A disputa das duas vagas deve se dar mesmo entre Cruzeiro, Ceará e Atlético-PR.

O Cruzeiro pega o Ceará, no Presidente Vargas, além do clássico mineiro. Este confronto direto é uma decisão de título para ambos, mas a camisa deve pesar, além de jogadores de maior qualidade. Uma vitória cruzeirense pode salvá-lo, desde que o Atlético-PR não vença o jogo contra o rebaixado América-MG, em Minas.

Se for pra apostar, o Cruzeiro deve se safar. Mas quem pode apostar em um time com exibições tão fracas?

A outra grande briga é pela Libertadores. Restam, igualmente, duas vagas em disputa. Por ela brigarão, em tese, seis clubes. Sendo eles o Internacional, Figueirense, Flamengo, São Paulo, Botafogo e Coritiba.



Flamengo e Inter podem se matar na próxima rodada. O jogo acontecerá em Macaé, com mando do Flamengo, mas do ponto de vista do futebol jogado, além da arrumação tática, o Inter leva certo favoritismo.

A torcida do Flamengo aguarda até hoje que seus valiosíssimos craques decidam os jogos. A dúvida é se continuarão esperando, ou se, enfim, o investimento feito no time seja, em parte, compensado. Em parte porque, pelo tamanho do investimento, o rubro-negro deveria estar mais próximo do topo da tabela. Se não arrumar, ao menos, a vaga na Libertadores, restará o título de pior custo-benefício do campeonato. O encerramento será contra o Vasco, e é saudável pensar, tanto para um quanto para o outro, que não dependam do clássico para garantir seus objetivos.

O Inter, além de sair para enfrentar o Flamengo, tem Gre-Nal na última rodada. O Grêmio já está confortavelmente sem aspiração nenhuma a nada, que não seja tirar o rival da Libertadores.

Outro que vem no embalo é o São Paulo, que joga dois clássicos nas rodadas derradeiras, contra Palmeiras e Santos. E já dizia Jardel: "Clássico é clássico, e vice-versa".

O Figueirense, que vinha numa boa, agora pega o líder Corinthians, no Orlando Scarpelli, além do clássico estadual com o Avaí. O primeiro vem babando pelo título, o segundo, sem maiores compromissos, só quer babar a Libertadores do rival. Se complicou com a derrota, em casa, para o Fluminense.

O Botafogo vem cambaleando e tem, além do clássico na última rodada, enfrenta fora alguém disposto a não cair, e que tem jogado pra isso. O clube da estrela solitária teve a "brilhante" ideia de demitir o treinador Caio Júnior a três rodadas do final, mas não resolveu seus problemas, perdeu de novo, e agora tem que vencer os dois jogos. Não parece provável.

O Coritiba, apesar das chances matemáticas, precisa vencer o rebaixado Avaí, o que é bastante possível, e depois o Atlético-PR, na Arena da Baixada, além de uma combinação de resultados. Rebaixado ou não, o clássico será uma parada duríssima. A Libertadores, no momento, parece um sonho.

A disputa menos movimentada é a do título.



Matematicamente, três times têm chances. Pragmaticamente, apenas dois.

Vasco e Fluminense se matam na próxima rodada, e o Corinthians pode se sagrar campeão já na semana que vem. Basta vencer o Figueirense, e torcer contra o Vasco.

Enquanto os tricolores ainda precisam de um tropeço corinthiano, além de vencer o clássico, ao Vasco restou a vitória como única alternativa. Seria a única maneira de protelar a decisão do título para a última rodada, e aí decidirá contra o Flamengo.

O Corinthians encerra contra o Palmeiras, que o derrotou no turno. Não parece que dará tanto mole desta vez.

Resumindo: o Corinthians está com uma mão na taça. Se vai colocar a outra, nem Deus sabe.

Mesmo com linhas mais definidas, este campeonato primou pela esquizofrenia na tabela. Se precisar botar dinheiro em tudo o que está escrito aqui, tô fora!


Valeu,

Bruno Porpetta