sexta-feira, 29 de junho de 2012

Capisce?

Quando eu digo que a Itália, enquanto não estiver morta, está vivíssima, não estou brincando.

Nem ela!

E agora ele diz que fará quatro gols na Espanha...


A Espanha pode fazê-lo na primeira fase e, corretamente, não o fez.

Agora tá aí! Espanha e Itália decidem o título da Euro.

A Alemanha não deu nem pro cheiro. Até o marrento e contestado Balotelli resolveu dar o ar da graça e fez os dois gols da vitória.

E que Euro faz o tal de Pirlo!


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Com o dito cujo virado pra lua...

Um garoto de 21 anos, cuja trajetória no futebol passa por Rio Branco de Americana, São Bernardo e Bragantino, de repente chega no Corinthians.

Lá na capital, jogando no clube de maior torcida de São Paulo, tudo é muito diferente e, principalmente, amplificado.

Muitas vezes, jogadores considerados talentosos revelados no interior sucumbem ao peso da camisa dos times grandes. Pelo que se viu, não foi o caso de Romarinho.



O menino jogou duas partidas pelo Corinthians. A primeira, por maior que fosse o desinteresse de ambos, envolvidos em finais de outras competições, era "só" um clássico contra o Palmeiras. A outra, uma final de Libertadores, em La Bombonera, contra o Boca Juniors.

Dois jogos, três gols!

Fez os dois na vitória por 2 a 1 contra o Palmeiras, sendo um deles de letra, e marcou o gol do empate corinthiano em Buenos Aires, com uma categoria e frieza de um veterano.

Se pode afirmar muito pouco sobre o futuro de Romarinho no Corinthians, e na própria carreira, mas que ele tem uma estrela danada, isso tem.

Daqui a uma semana ele pode se tornar um herói corinthiano. Em apenas três jogos.

Quem sabe? Ainda tá tudo em aberto...


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 26 de junho de 2012

Falando no Velho Mundo


As semifinais da Euro são, até certo ponto, óbvias.



Espanha e Alemanha já eram favoritos desde a Copa. O tempo passou, eles entraram na competição assim e continuam do mesmo jeito. É a final, na cabeça de nove a cada 10 seres humanos.

Embora a trajetória de ambas na competição seja uma simbiose entre elas mesmas. A Espanha com chucrute, e a Alemanha com paella.



A Itália, que chegou à Euro debaixo de mais um escândalo de manipulação de resultados em seu campeonato nacional, veio do mesmo jeito de sempre. Empatou dois jogos, e quando todo mundo achou que ela estava virtualmente eliminada, ela realmente se classificou.



A Azzurra só está derrotada quando está morta, e quando isto não acontece, ela vive. E como vive!

E Portugal? O que justifica a presença de Portugal entre as quatro melhores da Euro?



São duas as respostas. A primeira, é a camisa de Portugal, que no âmbito da Europa pesa bastante. A segunda, e fundamental, é Cristiano Ronaldo.

Ele conduziu Portugal até aqui, e seu apetite parece querer levá-la mais longe.

Sinceramente, ainda não coloco Portugal no patamar de favorita ao título. Mas ando dando tanta bola fora ultimamente que, por precaução, prefiro não apertar o botão verde pra confirmar.


Valeu,

Bruno Porpetta



Futebol pra todo gosto

Após a eliminação do Santos, diante do Corinthians, pela Libertadores, voltou à tona o debate sobre a eterna dicotomia entre o feio que vence e o bonito que perde.

O título improvável do Chelsea, na Liga dos Campeões, reacendeu-o. Principalmente pela eliminação do Barcelona nas semifinais, onde o próprio time azul londrino aplicou, segundo seu treinador, um futebol à italiana.

Se me perguntassem, em uma dessas entrevistas de emprego para treinador de um clube qualquer da oitava divisão da região metropolitana do Rio, como eu armaria meu time, à brasileira ou à italiana, cravaria na primeira sem dúvida alguma.



Acho legal, divertido, bonito, entre outros inúmeros atributos. Tendo a pensar que um passe magistral, ou um drible desconcertante, é mais caro aos meus belos olhos quase verdes do que um robô programado para marcar e correr.

Creio eu que isso se deve ao fato de ser brasileiro mesmo. Fui criado pela vida pra querer fazer gols, não desarmes. Se puderem ser lindos gols, melhor ainda. Um golaço me renderia mais assunto pra mesa redonda (de bar) após a pelada do que um carrinho.

Mas na mesa, todos são livres para exaltar os feitos que quiserem, tal como podem ter as concepções de futebol que lhes derem na telha.

O que não gosto é de ver meu estilo de jogo predileto pejorado como um retumbante fracasso em termos de resultado. O futebol, assim tratado como arte, já venceu, e muito!

O próprio Barcelona, no retrospecto recente, não se pode considerar um fracasso. Longe disso, inclusive.

Mas não dá pra dizer também que ele é absoluto. Existe o chamado futebol-força, cuja força é menor que a organização, e para ser organizado o talento também é indispensável.

Pensado como um tabuleiro de xadrez, o campo de futebol comporta movimentos calculados, precisos, impondo uma lógica cerebral a um esporte cuja emoção pode levar à glória, ou à ruína.



O grande mérito do futebol organizado a partir da defesa é a previsão de situações que, em dias menos inspirados, os craques não conseguem agir. O coletivo sobrepõe-se ao indivíduo, e a palavra "solidariedade" não está solta na boca dos cronistas. Todos defendem, e muitos atacam. Em geral, de forma cirúrgica.

Sem talento, até mesmo a eficiência se liquefaz. Sem eficiência, o talento pode se dispersar pelo gramado.

Portanto, muito mais que a eliminação do Santos, a classificação do Corinthians - tal como o título do Chelsea - é digno de exaltação.

Comprovando a tese da mistura maravilhosa de eficiência e talento, tanto Drogba, quanto Danilo, andam merecendo uma estátua em frente ao Stamford Bridge e... bem, aí o Corinthians escolhe se na Fazendinha, no Pacaembu ou no Itaquerão.

Percebam como Danilo, sempre que o sufoco se avizinha do time corinthiano, vai lá e mete um golzinho salvador. Isso é o que se chama de poder de decisão.

Além dele, ainda tem o Emerson, que parece o Midas. Onde o Sheik pisou, nos últimos três anos, as galerias de troféus cresceram.

Voltando à vaca fria, não existe um estilo de futebol melhor que o outro. Existe o que cada indivíduo aprecia mais ou menos. Que nem música, exatamente do mesmo jeito.

Respeitar o estilo antagônico é prudente, eu diria. E com canja de galinha fica uma delícia!


Valeu,

Bruno Porpetta




domingo, 24 de junho de 2012

O níver do cara!

Não podia deixar de falar sobre o aniversário do último inscrito na galeria dos maiores gênios da história do futebol.

Lionel Messi completa hoje 25 anos de idade, e ainda tem muita lenha pra queimar.



Ele é a maior ameaça ao projeto brasileiro de conquistar uma Copa em casa. Teríamos um novo Maracanazo?

Messi, e somente ele, coloca a Argentina como uma das favoritas ao título. Apesar deste ser importantíssimo para encerrar quaisquer desconfianças sobre ele, uma eventual derrota não o retira da pequena lista dos mais geniais jogadores em todos os tempos.

Parabéns, La Pulga!


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 23 de junho de 2012

Ao mestre, com carinho

Há exatos 40 anos, nascia em Marseille, na França, o neto de argelinos, símbolo de uma França etnicamente diversificada, que mudou para sempre a história do futebol francês e mundial.

O nome dele é Zinedine Zidane, ou Zizou, para os íntimos da bola.

Quando qualquer francês normal imaginava que nunca haveria ninguém como Platini, eis que surgiu Zidane. Além da Euro, ganhou a Copa. E inscreveu seu nome na galeria dos maiores jogadores de toda a história do futebol no mundo. E que me perdoe Platini, mas Zizou é o maior jogador da França, desde a revolução burguesa!





Havia uma outra disputa em curso, no período em que Zidane jogou, pelo mundo da bola.

Um certo Ronaldo Nazário andava nas cabeças, ganhava prêmios, títulos, marcava muitos gols. Zidane não costumava ser artilheiro, somente decisivo.

Se enfrentaram pela primeira vez, naquela competição realmente importante no mundo, justo em uma final!

Era 1998, e a França de Zidane marcava 3 a 0 no Brasil, do combalido Ronaldo, e era campeã da Copa do Mundo pela primeira vez. Dois gols do camisa 10 francês, ambos de cabeça, que não era lá sua especialidade.

Demos um desconto à situação de Ronaldo, recém saído de uma convulsão, e que sequer deveria estar em campo naquela partida.

O novo encontro em Copas, foi este acima no vídeo, em 2006, nas quartas-de-final. Ano em que a França, com um time bem mais limitado que o de 1998, foi conduzida por Zidane à final, até sua cabeçada (mesmo que equivocada, merecida) em Materazzi.

Um lance determinou quem era o craque daquela geração. Muito mais que a cobrança de falta pela esquerda do campo, nos pé de Henry, que acabou definindo o placar, outro lance foi decisivo.

Zidane deu um chapéu em Ronaldo!

Por mais que o estado de Ronaldo também não fosse dos melhores, visivelmente acima do peso, estavam ali os dois melhores jogadores do mundo na ocasião, e levar um chapéu define muita coisa.

O franco-argelino Zinedine Zidane, foi o melhor jogador do mundo naquele período, e é um dos maiores gênios do futebol.

Ele entrou naquela pequena lista, que inclui "apenas" Maradona, Romário e Zico, e agora também, Lionel Messi.

Ou seja, Zidane está, para mim, que tive a honra de poder, ao menos, assistir pela televisão suas exibições, entre os cinco maiores jogadores da história.

Só pra constar, Pelé não conta! É o Clóvis Bornay do futebol! É hors concours!

De qualquer forma, em seu aniversário, não pude deixar de prestar minhas reverências à Zidane.

Acima de tudo, obrigado!

E parabéns também pra Cindy Lauper, que fez 59 anos ontem. Ela merece, ao menos, uma citação!


Valeu,

Bruno Porpetta

Bola murcha

Com algum tempo de ausência no blog, devido à Cúpula dos Povos, e após alguns fatos relevantes no futebol, infelizmente não será possível tratá-los agora.

Hoje, a direita paraguaia consumou um golpe contra o povo paraguaio, contra a democracia e contra o processo transformador pelo qual a América Latina tem passado.



Com 39 votos, contra apenas quatro, o Senado decretou o impeachment de Fernando Lugo, presidente eleito pelo povo paraguaio, em um processo iniciado ontem, e concluído em menos de 24 horas.

Trata-se, nitidamente, de um golpe de Estado. Assim foi tratado, inclusive, pela UNASUL (União das Nações Sulamericanas), conforme nota no link abaixo.

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/comunicado-da-uniao-de-nacoes-sul-americanas-unasul-sobre-a-situacao-no-paraguai

Escolados em golpes, a TV pública venezuelana TeleSur transmitiu a sessão do Senado que decretou a queda de Lugo, não referindo-se de outra forma senão a verdadeira, diferentemente da grande mídia brasileira, que adora exaltar as Constituições e as democracias quando estas lhes beneficiam.

Apesar do evidente golpe, a reação de Lugo foi a que deu mais legitimidade ao acinte. Acatou a decisão do Senado, sem resistência, mesmo com a carta na manga que a posição da UNASUL lhe deu.

Não tinha a mesma mobilização que Chávez dispunha em 2002, na Venezuela, quando a força popular o recolocou na cadeira de Presidente, mas muito porque seu governo tinha um perfil mais conciliador que o venezuelano, o que inevitavelmente rebaixa as possibilidades de resistência organizada do povo.

Porém, a simples aceitação do golpe coloca em risco todo o legítimo processo democrático que aponta novos rumos em nosso continente. Uma vitória das forças conservadoras, sempre de calças arreadas para o imperialismo estadunidense que, de pronto, reconheceu o "novo governo" paraguaio.

Cabe aos lutadores de todo o continente demonstrar nossa solidariedade e apoio à resistência popular paraguaia, tirá-los do isolamento e fazê-los avançar em sua luta contra o golpismo da direita local. Além disso, uma postura efetiva dos demais governos progressistas sulamericanos de condenação, deslegitimação e sanções aos golpistas.

Equador, Argentina, Venezuela e Bolívia não reconhecem o governo do golpe, capitaneado por Federico Franco, cujo nome lembra, por triste coincidência, a ditadura espanhola que assassinou uma infinidade de catalães e bascos.

Aguarda-se uma posição mais consistente do governo brasileiro, correndo-se o risco de morrer à espera.


Valeu,

Bruno Porpetta