Há um clamor, principalmente por meio da imprensa esportiva, para que Tite seja o novo treinador da seleção. É evidente que, de todos os treinadores brasileiros, ele é o mais atualizado, o mais competente.
Particularmente, concordo. Acho que ele deve ser o novo treinador da seleção, desde que a corja que habita e se alimenta na CBF caia. Não recomendo a nenhum treinador sério trabalhar pra esses caras.
Joguei uma isca no Facebook. Postei uma matéria sobre o treinador campeão brasileiro, convocando-o para a seleção brasileira.
A reação dos corinthianos foi absolutamente justa, compreensível e legítima. Todos negaram com veemência qualquer possibilidade dele sair do Corinthians para ir à seleção brasileira.
No lugar deles, talvez fizesse o mesmo. Aliás, qualquer um que estivesse no lugar deles, faria o mesmo.
Sabe por quê?
Porque somos nosso clube. Não somos seleção.
Essa identidade, cada vez mais, forçada do povo brasileiro com a seleção brasileira, nada mais é do que a rede do investimento atirada no lago do retorno financeiro.
A Globo, que detém exclusividade sobre tudo o que diz respeito à seleção brasileira, tenta forjar em nós uma paixão pela seleção que, por si só, não existe.
A seleção só nos encanta quando joga de acordo com as melhores tradições do nosso futebol. De forma vistosa, bonita, cheia de jogadores com talento.
Com a seleção capengando, o nosso interesse pela mesma cai sistematicamente. Diante do que, hoje, nossos jogadores e treinadores, quando convocados, são mais um estorvo à caminhada dos nossos clubes do que qualquer outra coisa.
Para ver jogo feio, melhor ver nosso campeonato. Onde reside a nossa paixão: o nosso clube, que é nossa nação, muito mais do que o nosso país.
Para aferir isto, basta se fazer a seguinte pergunta: se a seleção brasileira e seu clube se enfrentarem, para quem você torce?
Valeu,
Bruno Porpetta
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Castigo a galope
A demissão de treinadores no Brasil é tão corriqueira que merece
um “demissiômetro” no Largo da Carioca para contar quantos já caíram ao longo
do ano.
Este último final de semana foi exemplar dos efeitos dessa “cultura”.
O Inter foi atropelado pelo Grêmio após demitir, sem maiores explicações, o
treinador Diego Aguirre.
Ao mesmo tempo, Ricardo Gomes viu o Botafogo perder para o
Santa Cruz. Uma derrota que lhe tirou a liderança da série B, posição onde se
encontrava o alvinegro quando demitiu, sem muitas explicações, Renê Simões.
Por outro lado, Cristóvão não foi demitido do Flamengo. Mas
convive com a eterna ameaça de demissão pela imprensa e parte da torcida. A
sorte dele é que, pelo menos, a direção do clube está com ele.
O time que ataca cada vez mais a cada partida, ao mesmo
tempo em que leva gols em lances de bola parada em jogos seguidos, é passível
de críticas. Nem perto da sacanagem orquestrada contra o treinador rubro-negro.
Não à toa, ele pode dizer que é vítima de racismo.
Renê Simões perdeu o emprego após cair na Copa do Brasil para
um time da primeira divisão. À frente, por exemplo, do Vasco, campeão carioca.
Era o líder da série B, coisa que no início do ano era improvável
dizer que aconteceria. Aliás, o Botafogo era, a princípio, o patinho feio,
inclusive, do Carioca.
Diego Aguirre pecou por assumir a Libertadores como a sua competição,
largando o Brasileiro. Mas foi vítima de uma covardia por parte da direção do
Inter, que o demitiu em busca de um “fato novo”. Dito e feito, ganhou uma mão
cheia de “fatos novos”, justamente, do Grêmio.
Enfim, essa dança das cadeiras entre treinadores só serve a
empresários, que ganham comissões a cada contrato. Para o futebol, não tem a
menor serventia.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Primavera nos dentes
Ronaldinho Gaúcho está de volta
ao futebol brasileiro. Agora é jogador do Fluminense, após passagem discreta
pelo Querétaro, do México.
O custo para o clube é
relativamente alto. O que se coloca em questão, depois de inúmeros casos de
descompromisso com a própria carreira, são os benefícios.
Sua passagem pelo Flamengo foi um
desastre. Conquistou apenas um Carioca, sem nenhum brilhantismo. Seu melhor
momento com a camisa rubro-negra foi em um jogo histórico contra o Santos, na
Vila Belmiro.
No Atlético-MG, foi da redenção
ao ocaso em curto período. Após se destacar na conquista da Libertadores em
2013, resolveu se dedicar à noite com afinco. Saiu do Galo como ídolo, embora a
torcida já não visse a hora disso acontecer.
O OUTRO LADO DA MOEDA
E não é que pode dar certo? Pare
e pense.
Do ponto de vista comercial,
qualquer solo que Ronaldinho pise é digno de nota no mundo todo. Naquele papo
de internacionalização da marca do Flu, é uma tacada de gênio da diretoria. Tão
genial quanto o futebol que ele já teve e conquistou fãs em todo o planeta.
Dentro do campo, pode ser o
último clube de Ronaldinho. Ele tem 35 anos e pode se motivar a querer encerrar
a carreira de forma, no mínimo, digna. Pode ficar alheio ao jogo por 88
minutos, mas se colocar o Fred duas vezes na cara do gol, como ele sabe muito
bem fazer, o adversário que se vire para fazer três e vencer o jogo.
Enfim, se por um lado pode
desestabilizar um time certinho que, ao contrário de todas as previsões, está
nas cabeças do Brasileirão. Por outro, pode motivar ainda mais essa molecada a
correr por ele, jogar por ele.
Algo que na cabeça dos garotos
era inimaginável fora do videogame, pode resultar em um final de ano feliz nos
gramados.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Cavalo selado
A teledramaturgia brasileira, que
nos enche de orgulho pelo mundo afora, às vezes peca pelo roteiro pronto. Uma
repetição de histórias com outros nomes, outras personagens e os mesmos dilemas
e finais.
A vida é muito mais dinâmica,
contraditória e curiosa do que as novelas. É na realidade que as pessoas se dão
mais o direito de deixar passar o cavalo selado duas ou mais vezes, sem
montá-lo.
A denúncia publicada por Jamil
Chade, no Estadão, não chega a ser
propriamente uma novidade, muito menos uma surpresa. É a comprovação documental
do pão bolorento que é a CBF. A razão fundamental de cada gol alemão na Copa.
A CBF, que cuida mal de suas
competições, terceirizou os cuidados com a seleção. Ou seja, a rigor, a
entidade não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Dá saudades de caras como
João Saldanha, que nunca admitiria a escalação de qualquer jogador por qualquer
outra pessoa que não fosse ele mesmo.
A MESMA PRAÇA, O MESMO BANCO...
Sob nova direção, a CBF continua
gerando renda (e não é pouca) ao ex-fugitivo Ricardo Teixeira. Através da
seleção, mediando negociações de contratos. Passeando pelo mundo em paraísos
fiscais.
É lamentável o “piti” de Walter
Feldman, na Folha, contra Juca
Kfouri. Sobram adjetivos para definir essa manifestação histérica e patética do
homem responsável pela aproximação ainda maior e mais perigosa da CBF com o
Congresso, de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
Não há nada de novo na CBF, como
não havia na política nas últimas eleições. O projeto Marina, que mostrou-se
mais do mesmo e tinha como parte o senhor Feldman, explica bem o que é a CBF
atual. Mais do mesmo.
Já houve uma CPI da CBF, que deu
com os burros n’água. Haverá outra? É hora de montar o cavalo.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Um último domingo de magia
Segunda-feira, o futebol brasileiro já acordará mais medíocre.
Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.
Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.
Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.
Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.
Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.
É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.
Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.
Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...
O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.
Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.
O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.
Valeu,
Bruno Porpetta
Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.
Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.
Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.
Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.
Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.
É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.
Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.
Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...
O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.
Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.
O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Nada de novo
O mundo do futebol coleciona
casos de racismo. Em todo o planeta,
também no Brasil, não só no Rio Grande do Sul. O caso Aranha é o início da
contagem regressiva para o próximo.
A única chance que temos para
começar a desatar esses nós é, sem qualquer delírio de soluções imediatas,
punir exemplarmente os envolvidos. A garota, os outros e, também, o Grêmio.
A garota e os outros estúpidos da
arquibancada por razões escancaradas. Foram flagrados pela TV. Já o tricolor
gaúcho, por mais que tenha tomado posturas aparentemente enérgicas, está
envolvido pela terceira vez, nos últimos anos, em casos de racismo.
Chegou a hora desses idiotas
verem o tamanho do estrago que causam, tanto na vida dos negros e negras do
nosso povo, como para o próprio clube. Conviver no sistema carcerário
brasileiro, um verdadeiro depósito de negros e pobres, pode fazê-los pensar um bocado.
A exclusão do Grêmio na Copa do
Brasil é pouco. É preciso limitar o número de ingressos à metade da capacidade
de um estádio distante de Porto Alegre, além de uma pesada multa. Ou seja, doer
no bolso do clube. Os outros clubes, rapidamente, se precaveriam.
Até porque o racismo não é
gremista, nem só no futebol, é uma questão nacional. O sujeito enlatado no trem,
em sua maioria, é negro. Não é à toa.
O Brasil é um país racista. Os
negros foram jogados para os cantos das cidades, recebem menos, trabalham mais.
Qualquer semelhança com o século retrasado não é mera coincidência.
Os negros e negras do nosso povo
não fazem parte da elite, que andaram dizendo por aí que não existe. Nem
esquerda, nem direita, nem branco, nem negro... mas nada que umas tuitadas não
possam mudar, de repente.
Do gremista Humberto Gessinger: “Nessa
terra de gigantes, eu sei, já ouvimos tudo isso antes.”.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
“A estrutura do nosso futebol é reacionária, corrupta e corruptora”
JUCA KFOURI – Um dos mais conceituados jornalistas
esportivos do país fala ao Brasil de Fato
Por Bruno Porpetta (RJ)
José Carlos Amaral Kfouri ou, simplesmente, Juca é cientista
social de formação, mas foi no jornalismo que deixou um legado fundamental. É
uma referência de jornalismo esportivo comprometido com os fatos e o
crescimento do esporte no Brasil e tal postura, por si só, o fez romper com os
círculos de poder dos dirigentes.
Nesta entrevista, Juca analisa a situação do futebol
brasileiro e suas perspectivas após a votação do Proforte, a Lei de
Responsabilidade Fiscal do futebol, sem poupar ninguém e da maneira que o
notabilizou, com independência. Confira:
Brasil de Fato – Às
vésperas da votação do Proforte, na Câmara, a presidenta Dilma se reuniu com o
Bom Senso numa semana e na outra semana com os clubes. O que está exatamente em
jogo?
Juca Kfouri – Está em jogo, de fato, que ao invés de mudar o
modelo de gestão do futebol brasileiro, vamos ter mais uma maneira de disfarçar
os problemas deste modelo, que é aprovando aquilo como os clubes querem, um “me
engana que eu gosto”. Eles vão fingir de novo que vão pagar as dívidas e não
vão ser responsabilizados se não pagarem.
A contrapartida a esta possibilidade é que se aprove aquilo
que o Bom Senso quer, propondo que, a cada benefício que os clubes consigam na
renegociação da dívida, haja uma responsabilidade correspondente. Foi este o
compromisso que a Dilma assumiu com o Bom Senso FC. Fazer desta nova legislação
um dos legados para o futebol após a Copa do Mundo.
Então ou vamos ter, neste Proforte, uma forma disfarçada da
Timemania, ou teremos uma nova lei que faça com que os clubes se responsabilizem
por aquilo que fazem na gestão do seu dia-a-dia.
Brasil de Fato – Algumas
diretorias eleitas em clubes representaram um “sopro de esperança” no futebol
brasileiro, como Belluzzo (Palmeiras), Dinamite (Vasco), Bandeira de Mello
(Flamengo) e Bebeto de Freitas, sucedido por Maurício Assumpção (Botafogo). Por
que fracassaram neste sentido?
JK – O problema estrutural é tão grande, tão forte, a
estrutura do nosso futebol é tão reacionária, tão avessa a qualquer tipo de
mudança, tão corrupta e tão corruptora, que a questão não se altera com nomes. As
pessoas acabam tragadas por essa estrutura.
O melhor exemplo é o do Belluzzo. Eu cheguei até a escrever,
depois da malfadada gestão dele no Palmeiras, que se o Belluzzo fracassou, eu
fracassaria mais ainda do que ele, porque ele é mais bem preparado do que eu. Precisa
mexer é nessa estrutura, de forma tal que, democratizada, ela permita um
respaldo a quem venha gerir o futebol de forma diferente do que temos hoje.
Durante muitos anos, achei que um Dinamite no Vasco, um Zico
no Flamengo, um Rogério Ceni no São Paulo, seriam soluções. Não são nessa
estrutura, porque eles tem que se adaptar a ela, tem que prestar vassalagem à
CBF.
Houve uma inversão no nosso futebol. A CBF, que deveria ser
uma entidade a serviço dos clubes, virou uma entidade a serviço de si mesma. As
federações, que deviam ser meios, viraram fins. E os clubes acabam se
submetendo a isso de maneira subserviente.
Mexer na estrutura significa, por exemplo, os clubes se
transformarem em sociedades empresariais. Não como na Inglaterra, que permite
que um sheik ou um milionário russo compre um clube, mas como na Alemanha, que
se garanta 51% para os sócios, permitindo uma gestão profissional, empresarial.
Brasil de Fato – A Copa Verde, projeto da CBF para atender a
reivindicação de centros menos desenvolvidos, como o Norte, o Centro-Oeste e o
Espírito Santo, para jogar um torneio mais rentável e visível. Não deu certo e,
além disso, o campeão foi definido no “tapetão”. O que dizer sobre isso?
JK – Então, aí você tem duas questões. A primeira questão é
a criação de paliativos. Por exemplo, um bom paliativo é a Copa do Nordeste,
mas é por muito menos tempo do que deveria. Quais as duas questões centrais pro
Bom Senso FC? O fair play financeiro, e o calendário do futebol brasileiro. Que
é o calendário do único exército que tá marchando de um jeito, enquanto todos
os outros marcham de outro jeito. Não se trata mais de falar da adequação ao
calendário europeu, mas sim ao calendário mundial. É o que, não apenas a Europa, mas a Argentina,
México, Uruguai... Enfim, os países que contam no mundo do futebol hoje têm. Por
questões eleitorais, pra manter as capitanias hereditárias e esse modelo
coronelista do nosso futebol, você tem os campeonatos estaduais.
É incompatível com qualquer solução, de médio ou longo prazo,
para os clubes menores, que os campeonatos estaduais permaneçam como estão.
O Tribunal de Justiça Desportiva, da maneira como é feito no
Brasil, vira um instrumento de poder. Ele tem a mesma eficácia da escala de
árbitros que, por mais que você tente minimizar com sorteios e tal, permanece
sob administração das entidades dirigentes. Tanto a arbitragem como a justiça
desportiva deveriam ser instituições absolutamente independentes das federações
e dos clubes. Na verdade, as federações não fazem mais nenhum sentido.
Federação de futebol estadual é como jaboticaba, só tem no Brasil.
A justiça desportiva tem que ser, por exemplo, como a gente
vê na Copa do Mundo, que é o chamado rito sumário. Você tem lá o regulamento,
as faltas, o que equivale a cada falta em termos de punição e simplesmente
aplicar. Não essa palhaçada bacharelesca que a gente tem no Brasil. Tão simples
quanto isso, mas é muito difícil porque é um instrumento de poder. Faz parte
dessa estrutura podre do nosso futebol.
Brasil de Fato – Como a CBF é uma entidade privada, há uma série de
dificuldades do ponto de vista legal para mudanças. Quais os caminhos para
democratizar a CBF e o papel do governo e da sociedade nisso?
JK – O papel da sociedade, infelizmente, até hoje a gente
não viu no que diz respeito a CBF. A gente vê torcedor se mobilizando pra ir
bater em jogador em treino de time quando perde no domingo, e a gente não vê
mobilização em torno da exigência de democratização da CBF, nos clubes e tudo
mais. O torcedor, por enquanto, se restringe à questão dos resultados dentro de
campo e a sua indignação não passa disso, porque ele não vê a questão
estrutural.
Quanto ao fato da CBF ser uma entidade privada, é sim, mas
de óbvio interesse público. O futebol é considerado, pela Constituição,
patrimônio cultural do povo brasileiro. É, portanto, submetido à fiscalização
do Ministério Público Federal. O hino que toca quando o time da CBF perfila
antes de um jogo não é o hino da CBF, é o hino do Brasil. As cores do uniforme
não são as cores do time da CBF, são as cores da bandeira do Brasil.
Existe um artigo na Constituição que é muito usado, de
maneira desonesta, ou por ignorância, inclusive, do Judiciário brasileiro, que
é o artigo 217. Fala da autonomia das entidades dirigentes, é o mesmo escudo
que a CBF usa por não se abastecer de dinheiro público, diferentemente dos
esportes olímpicos. Há uma decisão do STF, do ex-ministro Cezar Peluso, o
último ato dele como ministro do STF, numa ADIN contra o Estatuto do Torcedor, exatamente
por, de alguma maneira, interferir nessa tal autonomia.
O relatório do Peluso, aprovado por unanimidade no STF, é no
sentido de que autonomia não equivale a soberania.
Por exemplo, a universidade pública brasileira é autônoma, e
é bom que seja, mas isso não dá a uma faculdade o direito de estabelecer o
currículo que ela queira. Quem estabelece o currículo é o Ministério da
Educação, o Estado brasileiro.
A autonomia deveria ter este limite. Acaba não tendo, não só
porque nós estamos no país dos bacharéis que gostam de trabalhar a ambiguidade,
como porque há uma grande ignorância por parte dos juízes todas as vezes que
essa questão aparece. Quando as entidades se defendem falando em nome da
autonomia, boa parte dos juízes desconhece essa decisão da STF. Então o caminho
é uma PEC, que o governo deveria propor para eliminar de vez essa dúvida e
acabar com essa coisa da autonomia posta nesses termos.
Brasil de Fato – Dunga pode estar envolvido com agenciamento de
jogadores, além de Gilmar Rinaldi ter deixado de ser empresário da noite para o
dia, antes de assumir o cargo de diretor de seleções. O que propõe a CBF com
estas novas nomeações?
JK – O passadismo, a mercantilização, a pouca transparência,
a pouca vergonha. A CBF é responsável por transformar a seleção brasileira na
grande grife do nosso futebol, em detrimento dos clubes. Eu sou de uma época em
que, uma excursão do Santos de Pelé, era paga com valores comparáveis ao que se
pagava por um amistoso da seleção. Da mesma maneira, o Botafogo de Mané ou o
Palmeiras de Ademir da Guia. Isso acabou.
A CBF faz um calendário que impede que os nossos clubes
façam jogos durante o período de pré-temporada na Europa, ela vende a sua
camisa em todas as lojas esportivas do mundo e você não encontra uma camisa de
clube brasileiro nelas, embora encontre de argentinos.
Você encontra do Boca, do River, mas não encontra do
Flamengo, time mais popular do país. Não encontra do Santos de Pelé, do
Corinthians, bicampeão mundial. Tem do Bayern, do Milan, da Juventus, do
Barcelona, do Real Madrid, do Paris Saint-Germain e dos times argentinos. Esta
é uma política deliberada de uma entidade que se compraz de ver o nosso futebol
como mero exportador de pé-de-obra, nós em vez de exportarmos o espetáculo,
exportamos os artistas.
Como se a Disney, em vez de vender seus filmes, vendesse o
Pato Donald, o Mickey e o Pateta. É isso que nós fazemos. Então esta é uma
política deliberada e deletéria, aprimorada pelo Ricardo Teixeira, sob as luzes
de João Havelange.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Provação
Vivemos tempos bicudos! Durante décadas os trabalhadores foram perdendo o debate ideológico. A elite fincou o cajado no chão e disse: este país é meu!
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Saudades do Costinha
Olha, antes de qualquer coisa, não me preocupei em momento algum em ser "politicamente correto", tampouco em ofender quem quer que seja. Mas, convenhamos. Costinha era sensacional!
Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.
Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.
Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?
Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.
Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!
Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?
Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.
O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.
Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.
Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.
Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.
Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.
Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.
Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.
Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...
Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.
E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.
Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.
E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.
Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?
Pena que não é.
Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.
Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.
Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.
Valeu,
Bruno Porpetta
Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.
Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.
Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?
Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.
Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!
Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?
Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.
O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.
Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.
Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.
Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.
Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.
Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.
Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.
Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...
Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.
E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.
Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.
E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.
Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?
Pena que não é.
Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.
Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.
Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 24 de julho de 2013
De 62 a 68, em 51 anos (o Brasil de Amarildo a Amarildo)
Pelé saía de campo lesionado, no empate em 0 a 0 entre Brasil e Tchecoslováquia.
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
segunda-feira, 15 de julho de 2013
E a humanidade? Quando terá seu dia?
Hoje eu não vou falar de futebol.
Sei que estou em dívida com vocês, mas me perdoem.
Este negócio de Dia do Homem, somado à notícia que vi hoje, me fizeram mudar um pouco de assunto.
No Paraná, mais precisamente na cidade de Colombo - região metropolitana de Curitiba - um crime bárbaro há menos de um mês atrás chocou a população. A adolescente Tayná, de 14 anos, foi encontrada morta em um matagal, em frente a um parque de diversões.
Quatro funcionários do parque confessaram o crime (estupro e homicídio), permanecendo presos até hoje quando, por solicitação do Ministério Público, foram liberados.
O sêmen encontrado na garota não pertencia a nenhum dos quatro, que relatam sessões de tortura para confessarem o crime que não cometeram.
Como a mídia gosta de um showzinho, já os tinha condenado de antemão, provocando a ira da população da cidade, que destruiu o parque de diversões em sinal de protesto.
Saiba mais aqui: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/menina-que-desapareceu-no-parana-foi-estuprada-e-morta-diz-policia.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/moradores-protestam-e-destroem-parque-apos-sumico-de-adolescente.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/corpo-de-adolescente-morta-por-funcionarios-de-parque-e-encontrado.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/07/apos-pedido-do-mp-suspeitos-de-estuprar-e-matar-tayna-sao-soltos.html
Não é nenhuma novidade este tipo de prática policial, que obtém confissões mediante tortura. Tampouco o espetáculo midiático feito sobre a dor de uma família com a perda brutal de uma adolescente.
Porém, o mais assustador é se tornar corriqueira a "indignação" popular violenta, com ameaças de linchamento, destruição de "símbolos" da barbárie cometida (como foi o caso do parque) e o desgaste moral dos envolvidos.
Existe pouca preocupação por parte dos atores envolvidos (polícia, mídia e "revoltados") com a justiça, a averiguação dos fatos e a verdade.
A polícia diz que foi, a mídia confirma, todo mundo acredita e dane-se o resto.
Não é difícil lembrar, nestas situações, da escola em São Paulo, cujos donos foram acusados de abuso sexual contra as crianças. Foram perseguidos, condenados de véspera, tiveram suas vidas destruídas e ganharam, no máximo, uma desculpinha aqui, outra acolá.
Se juntarmos como elemento a atuação policial nas recentes manifestações pelo país, é possível dizer que as polícias perderam integralmente o seu papel. Na prática, servem tão somente como guardiãs de uma moral conservadora, hipócrita, a serviço de elites entregues a sua própria mediocridade.
A mídia, nas mãos de apenas 11 famílias em todo o país, faz da desgraça humana uma novela, captando a audiência desavisada de quem está sedento pelo infortúnio alheio.
Não é preciso dizer o quão desnecessário é o tal Dia do Homem. Este só seria preciso se o homem fosse obrigado a manter gestações contra a sua vontade, sofresse violência doméstica cotidiana, recebesse menos em seu trabalho por sua condição masculina. Obviamente, não é o caso.
O tal dia é fruto da cabeça machista dominante que não admite sequer a possibilidade das mulheres lutarem por direitos. Imagine tê-los!
É pra se pensar se, por um dia, nós pudéssemos dedicá-lo a humanidade, em seu sentido mais amplo.
A humanidade que, em algum ponto, deixamos de ter, em um país que sempre quis ser o futuro, mas parece cada vez mais preso ao passado. Mais precisamente, à idade média.
Valeu,
Bruno Porpetta
Sei que estou em dívida com vocês, mas me perdoem.
Este negócio de Dia do Homem, somado à notícia que vi hoje, me fizeram mudar um pouco de assunto.
No Paraná, mais precisamente na cidade de Colombo - região metropolitana de Curitiba - um crime bárbaro há menos de um mês atrás chocou a população. A adolescente Tayná, de 14 anos, foi encontrada morta em um matagal, em frente a um parque de diversões.
Quatro funcionários do parque confessaram o crime (estupro e homicídio), permanecendo presos até hoje quando, por solicitação do Ministério Público, foram liberados.
O sêmen encontrado na garota não pertencia a nenhum dos quatro, que relatam sessões de tortura para confessarem o crime que não cometeram.
Como a mídia gosta de um showzinho, já os tinha condenado de antemão, provocando a ira da população da cidade, que destruiu o parque de diversões em sinal de protesto.
Saiba mais aqui: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/menina-que-desapareceu-no-parana-foi-estuprada-e-morta-diz-policia.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/moradores-protestam-e-destroem-parque-apos-sumico-de-adolescente.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/06/corpo-de-adolescente-morta-por-funcionarios-de-parque-e-encontrado.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/07/apos-pedido-do-mp-suspeitos-de-estuprar-e-matar-tayna-sao-soltos.html
Não é nenhuma novidade este tipo de prática policial, que obtém confissões mediante tortura. Tampouco o espetáculo midiático feito sobre a dor de uma família com a perda brutal de uma adolescente.
Porém, o mais assustador é se tornar corriqueira a "indignação" popular violenta, com ameaças de linchamento, destruição de "símbolos" da barbárie cometida (como foi o caso do parque) e o desgaste moral dos envolvidos.
Existe pouca preocupação por parte dos atores envolvidos (polícia, mídia e "revoltados") com a justiça, a averiguação dos fatos e a verdade.
A polícia diz que foi, a mídia confirma, todo mundo acredita e dane-se o resto.
Não é difícil lembrar, nestas situações, da escola em São Paulo, cujos donos foram acusados de abuso sexual contra as crianças. Foram perseguidos, condenados de véspera, tiveram suas vidas destruídas e ganharam, no máximo, uma desculpinha aqui, outra acolá.
Se juntarmos como elemento a atuação policial nas recentes manifestações pelo país, é possível dizer que as polícias perderam integralmente o seu papel. Na prática, servem tão somente como guardiãs de uma moral conservadora, hipócrita, a serviço de elites entregues a sua própria mediocridade.
A mídia, nas mãos de apenas 11 famílias em todo o país, faz da desgraça humana uma novela, captando a audiência desavisada de quem está sedento pelo infortúnio alheio.
Não é preciso dizer o quão desnecessário é o tal Dia do Homem. Este só seria preciso se o homem fosse obrigado a manter gestações contra a sua vontade, sofresse violência doméstica cotidiana, recebesse menos em seu trabalho por sua condição masculina. Obviamente, não é o caso.
O tal dia é fruto da cabeça machista dominante que não admite sequer a possibilidade das mulheres lutarem por direitos. Imagine tê-los!
É pra se pensar se, por um dia, nós pudéssemos dedicá-lo a humanidade, em seu sentido mais amplo.
A humanidade que, em algum ponto, deixamos de ter, em um país que sempre quis ser o futuro, mas parece cada vez mais preso ao passado. Mais precisamente, à idade média.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Somos todos coveiros?
As recentes denúncias da Europol (Polícia da União Europeia) acerca do arranjo de centenas de resultados em partidas de vários continentes deixaram o mundo do futebol em alvoroço.
Apesar de não revelar as partidas e os países envolvidos, para não comprometer as investigações, algumas informações pescadas pela imprensa dão conta de que boa parte dos envolvidos está na Alemanha, mas também incluem a América do Sul e o Brasil, além de partidas da Liga dos Campeões da Europa.
Longe de especular sobre os envolvidos e os resultados da investigação, esta "bomba" parece ter caído em boa hora para a "magnânima" FIFA.
Surge poucas semanas depois do estouro de outra "bomba", cujo pavio foi aceso pela France Football, denunciando que a Copa do Mundo de 2022 foi comprada pelo Qatar. Tudo com intermédio de Ricardo Teixeira e João Havelange, além de envolver outros dirigentes de futebol, dentre eles Michel Platini.
Aí vem o senhor Blatter, na maior cara lavada, pedir aos países que aprovem leis de combate à corrupção no futebol. Isso incluiria a própria FIFA? Obviamente, não.
A mesma FIFA, que pune clubes por recorrerem à justiça de seus países, pede uma "forcinha" aos governantes para coibir práticas que recebem da entidade apenas braços cruzados.
No fim das contas, tudo não passa de uma tentativa de desvio de foco. Um ardil para que o mundo se preocupe mais com o arranjo de resultados do que com o de Copas do Mundo, o principal produto da FIFA.
Uma boa maneira de fingir-se de morto, e assim, comer o do coveiro.
Valeu,
Bruno Porpetta
Apesar de não revelar as partidas e os países envolvidos, para não comprometer as investigações, algumas informações pescadas pela imprensa dão conta de que boa parte dos envolvidos está na Alemanha, mas também incluem a América do Sul e o Brasil, além de partidas da Liga dos Campeões da Europa.
Longe de especular sobre os envolvidos e os resultados da investigação, esta "bomba" parece ter caído em boa hora para a "magnânima" FIFA.
Surge poucas semanas depois do estouro de outra "bomba", cujo pavio foi aceso pela France Football, denunciando que a Copa do Mundo de 2022 foi comprada pelo Qatar. Tudo com intermédio de Ricardo Teixeira e João Havelange, além de envolver outros dirigentes de futebol, dentre eles Michel Platini.
Aí vem o senhor Blatter, na maior cara lavada, pedir aos países que aprovem leis de combate à corrupção no futebol. Isso incluiria a própria FIFA? Obviamente, não.
A mesma FIFA, que pune clubes por recorrerem à justiça de seus países, pede uma "forcinha" aos governantes para coibir práticas que recebem da entidade apenas braços cruzados.
No fim das contas, tudo não passa de uma tentativa de desvio de foco. Um ardil para que o mundo se preocupe mais com o arranjo de resultados do que com o de Copas do Mundo, o principal produto da FIFA.
Uma boa maneira de fingir-se de morto, e assim, comer o do coveiro.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
O mundo em preto e branco
"Bi-mundial, é coisa que o Corinthians não consegue nem a pau!" (Torcida do Santos, durante muitos anos)
O mundo, pela segunda vez, foi pintado em preto e branco. O Corinthians sagrou-se bicampeão mundial de clubes de futebol.
É preciso, primeiramente, fazer algumas considerações a respeito do título conquistado no Maracanã, em 2000.
Apesar das circunstâncias pouco convencionais que determinaram a composição dos clubes participantes daquele torneio, por maior desgosto que possa causar nos torcedores rivais, por pior que tenha sido a partida final contra o Vasco, o Corinthians foi campeão do mundo naquele ano.
Os créditos a todo o descrédito da competição, devem ser dados à FIFA.
A entidade "terceirizou" o Mundial de Clubes, colocando-o nas mãos da ISL - empresa envolvida em inúmeras denúncias de escândalos, entre eles o caso que envolveu Havelange e Ricardo Teixeira na Suíça, mostrado pela BBC londrina, em reportagem de Andrew Jennings (vídeos abaixo) - que faliu em 2001, abortando a realização do torneio, que tinha a Espanha como sede previamente escolhida.
Diga-se de passagem, aquele formato de Mundial era muito mais interessante, pois colocava todos os continentes, além do país-sede, em pé de igualdade. Dividiam-se em dois grupos de quatro times cada, os vencedores disputavam a grande final. Sem muita frescura.
Se os critérios para indicação dos clubes participantes foi uma completa zona, o Corinthians não tem nada a ver com isso. Questionável, no caso, era a participação do Vasco, campeão da Libertadores de 1998, indicado na véspera da final da competição sul-americana de 99, onde o Palmeiras sagrou-se campeão.
Estas trapalhadas da "entidade máxima do futebol" permitiram sombras de desconfiança geral sobre este título, mas ele existiu, está lá e é do Corinthians.
Portanto, reclamem com a FIFA. Ela merece!
Hoje, por incrível que pareça, eu já tinha cantado a bola. A qualquer um que me perguntava, eu dizia: "Acho que vai dar Corinthians."
O porquê é simples. Desde 2005, quando a FIFA retomou a organização do Mundial de Clubes, nunca houve uma final tão equilibrada.
O Chelsea é um grande time, mas está longe de ser uma seleção de craques. Estivesse o Barcelona em seu lugar, provavelmente meu prognóstico seria outro.
Já o Corinthians, por mais que torçam o nariz, é um excelente time, com um excelente treinador.
A confiança depositada em Tite foi fundamental para este sucesso. Depois da eliminação na Pré-Libertadores de 2011, para o Deportes Tolima, da Colômbia, qualquer outro time teria demitido o treinador. O Corinthians prosseguiu com ele, a despeito de toda a pressão, e chegou onde chegou.
Quer uma prova? Quem bancou a escalação de Cássio, em lugar de Júlio César, contrariando boa parte da crítica esportiva, inclusive este que vos escreve?
A atuação de Cássio contra o Chelsea, com pelo menos três milagres, e algumas defesas, comprovou que Tite estava correto, e nós errados.
Além disto, o Corinthians tem algo que todos os outros clubes brasileiros vivem perseguindo: padrão de jogo.
Fosse o Íbis no lugar do Chelsea, o esquema seria o mesmo. Mais uma lição para Muricy, que resolveu inventar contra o Barcelona e levou um coco inesquecível.
É preciso ressaltar, foi um título essencialmente corinthiano. Com raça, coração e sofrimento. Muito sofrimento.
Não à toa, o autor dos dois gols corinthianos no Mundial foi Guerrero, como todo o time.
Ou a torcida corinthiana não teve calafrios ao ver aquela bola de Fernando Torres sacudindo as redes?
Aliás, convenhamos, o cara ganhou uma Copa do Mundo e não sabe sequer acompanhar a linha do último zagueiro!
E para acabar com qualquer indício de que o Chelsea não tava nem aí para o Mundial, a cara de bumbum após a derrota foi bastante elucidativa.
A FIFA precisava eleger algum jogador para dar o carro japonês que Zico e Raí já ganharam, e elegeu Cássio. Mas se fosse pra ser justo, realmente justo, o prêmio deveria ir para a torcida do Corinthians, que fez do estádio de Yokohama uma espécie de Pacaembu.
E assim pintou o mundo de preto e branco...
Diga-se, merecidamente.
Vai, Corinthians! Vai curtir teu título! Teu bicampeonato mundial! Na bola e na arquibancada.
Valeu,
Bruno Porpetta
O mundo, pela segunda vez, foi pintado em preto e branco. O Corinthians sagrou-se bicampeão mundial de clubes de futebol.
É preciso, primeiramente, fazer algumas considerações a respeito do título conquistado no Maracanã, em 2000.
Apesar das circunstâncias pouco convencionais que determinaram a composição dos clubes participantes daquele torneio, por maior desgosto que possa causar nos torcedores rivais, por pior que tenha sido a partida final contra o Vasco, o Corinthians foi campeão do mundo naquele ano.
Os créditos a todo o descrédito da competição, devem ser dados à FIFA.
A entidade "terceirizou" o Mundial de Clubes, colocando-o nas mãos da ISL - empresa envolvida em inúmeras denúncias de escândalos, entre eles o caso que envolveu Havelange e Ricardo Teixeira na Suíça, mostrado pela BBC londrina, em reportagem de Andrew Jennings (vídeos abaixo) - que faliu em 2001, abortando a realização do torneio, que tinha a Espanha como sede previamente escolhida.
Diga-se de passagem, aquele formato de Mundial era muito mais interessante, pois colocava todos os continentes, além do país-sede, em pé de igualdade. Dividiam-se em dois grupos de quatro times cada, os vencedores disputavam a grande final. Sem muita frescura.
Se os critérios para indicação dos clubes participantes foi uma completa zona, o Corinthians não tem nada a ver com isso. Questionável, no caso, era a participação do Vasco, campeão da Libertadores de 1998, indicado na véspera da final da competição sul-americana de 99, onde o Palmeiras sagrou-se campeão.
Estas trapalhadas da "entidade máxima do futebol" permitiram sombras de desconfiança geral sobre este título, mas ele existiu, está lá e é do Corinthians.
Portanto, reclamem com a FIFA. Ela merece!
Hoje, por incrível que pareça, eu já tinha cantado a bola. A qualquer um que me perguntava, eu dizia: "Acho que vai dar Corinthians."
O porquê é simples. Desde 2005, quando a FIFA retomou a organização do Mundial de Clubes, nunca houve uma final tão equilibrada.
O Chelsea é um grande time, mas está longe de ser uma seleção de craques. Estivesse o Barcelona em seu lugar, provavelmente meu prognóstico seria outro.
Já o Corinthians, por mais que torçam o nariz, é um excelente time, com um excelente treinador.
A confiança depositada em Tite foi fundamental para este sucesso. Depois da eliminação na Pré-Libertadores de 2011, para o Deportes Tolima, da Colômbia, qualquer outro time teria demitido o treinador. O Corinthians prosseguiu com ele, a despeito de toda a pressão, e chegou onde chegou.
Quer uma prova? Quem bancou a escalação de Cássio, em lugar de Júlio César, contrariando boa parte da crítica esportiva, inclusive este que vos escreve?
A atuação de Cássio contra o Chelsea, com pelo menos três milagres, e algumas defesas, comprovou que Tite estava correto, e nós errados.
Além disto, o Corinthians tem algo que todos os outros clubes brasileiros vivem perseguindo: padrão de jogo.
Fosse o Íbis no lugar do Chelsea, o esquema seria o mesmo. Mais uma lição para Muricy, que resolveu inventar contra o Barcelona e levou um coco inesquecível.
É preciso ressaltar, foi um título essencialmente corinthiano. Com raça, coração e sofrimento. Muito sofrimento.
Não à toa, o autor dos dois gols corinthianos no Mundial foi Guerrero, como todo o time.
Ou a torcida corinthiana não teve calafrios ao ver aquela bola de Fernando Torres sacudindo as redes?
Aliás, convenhamos, o cara ganhou uma Copa do Mundo e não sabe sequer acompanhar a linha do último zagueiro!
E para acabar com qualquer indício de que o Chelsea não tava nem aí para o Mundial, a cara de bumbum após a derrota foi bastante elucidativa.
A FIFA precisava eleger algum jogador para dar o carro japonês que Zico e Raí já ganharam, e elegeu Cássio. Mas se fosse pra ser justo, realmente justo, o prêmio deveria ir para a torcida do Corinthians, que fez do estádio de Yokohama uma espécie de Pacaembu.
E assim pintou o mundo de preto e branco...
Diga-se, merecidamente.
Vai, Corinthians! Vai curtir teu título! Teu bicampeonato mundial! Na bola e na arquibancada.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Pode ser um jogaço, mas é só mais um...
Hoje, no Engenhão, o Flamengo recebe o Atlético-MG, em jogo válido ainda pelo turno, depois de adiamento em circunstâncias estranhas.
Após solicitação do Botafogo para que houvesse apenas um jogo em seu estádio por rodada, o Flamengo, não aceitando jogar em Macaé ou Volta Redonda, pediu o adiamento do jogo. Foi atendido, agradeceu a Deus e ao presidente da CBF por isso.
Seria o primeiro confronto entre Flamengo e Ronaldinho Gaúcho, após a conturbada saída do craque do clube. À época, o Galo mineiro era líder do campeonato e não se via jeito de derrotá-lo. Já o Flamengo, era o nono colocado, mas ainda sob a direção de Joel Santana, não conseguia encontrar um padrão de jogo, tampouco uma formação ideal.
A probabilidade de levar uma sacolada do Galo dentro de seus domínios era enorme, e o Flamengo, da já combalida presidente-vereadora Paty Amorim, teria que enfiar a viola no saco e ir pra casa com uma grande dor de cabeça.
Isto posto, o jogo foi remarcado e acontecerá em outras circunstâncias.
O Galo já não lidera mais o campeonato. Apesar de ainda possuir um bom time e apresentar um bom futebol, ficou manjado pelos adversários e a queda foi inevitável. Aposta neste jogo atrasado para encostar no líder Fluminense e permanecer brigando ponto-a-ponto pelo título.
Pelos lados do rubro-negro, a situação é ainda pior. Ocupa atualmente a 14ª posição, está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento e, após uma série de sete jogos sem vitória, conseguiu a duras penas derrotar o lanterna Atlético-GO - fora de casa - na última rodada. Além disso, o time já não é o mesmo. Dali pra cá entraram Cáceres, Liedson, Gonzalez e Cleber Santana. Ou seja, quase meio time modificado, com mais experiência que os jovens recém-promovidos da base do clube.
É possível dizer que o Flamengo foi beneficiado pelo adiamento? Sim, é possível!
Mas, analisando a situação de ambos na tabela, além da própria qualidade do futebol, o resultado ainda está em aberto. Não se pode afirmar uma inversão do favoritismo para o jogo.
Porém, o que é mais espantoso em tudo isso, é o clima de "revanche" da torcida rubro-negra contra Ronaldinho.
É preciso recordar que, a despeito da falta de comprometimento do craque com o clube carioca, este não recebia seus salários e tinha todo o direito de procurar outro lugar onde fosse pago pra jogar. Se o método não foi muito correto, é outra coisa.
Este clima acirrado é alimentado pela mídia, que transforma só mais um jogo pelo Campeonato Brasileiro em uma guerra. Injustificável, diga-se de passagem.
A torcida do Flamengo deve incentivar o time para sair da situação desconfortável que se encontra. E o time deve se preparar para enfrentar o Atlético-MG, não Ronaldinho.
Algo além disso, é bobagem pra vender jornal. Ou pra salvar a pele da dona Paty.
Valeu,
Bruno Porpetta
Após solicitação do Botafogo para que houvesse apenas um jogo em seu estádio por rodada, o Flamengo, não aceitando jogar em Macaé ou Volta Redonda, pediu o adiamento do jogo. Foi atendido, agradeceu a Deus e ao presidente da CBF por isso.
Seria o primeiro confronto entre Flamengo e Ronaldinho Gaúcho, após a conturbada saída do craque do clube. À época, o Galo mineiro era líder do campeonato e não se via jeito de derrotá-lo. Já o Flamengo, era o nono colocado, mas ainda sob a direção de Joel Santana, não conseguia encontrar um padrão de jogo, tampouco uma formação ideal.
A probabilidade de levar uma sacolada do Galo dentro de seus domínios era enorme, e o Flamengo, da já combalida presidente-vereadora Paty Amorim, teria que enfiar a viola no saco e ir pra casa com uma grande dor de cabeça.
Isto posto, o jogo foi remarcado e acontecerá em outras circunstâncias.
O Galo já não lidera mais o campeonato. Apesar de ainda possuir um bom time e apresentar um bom futebol, ficou manjado pelos adversários e a queda foi inevitável. Aposta neste jogo atrasado para encostar no líder Fluminense e permanecer brigando ponto-a-ponto pelo título.
Pelos lados do rubro-negro, a situação é ainda pior. Ocupa atualmente a 14ª posição, está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento e, após uma série de sete jogos sem vitória, conseguiu a duras penas derrotar o lanterna Atlético-GO - fora de casa - na última rodada. Além disso, o time já não é o mesmo. Dali pra cá entraram Cáceres, Liedson, Gonzalez e Cleber Santana. Ou seja, quase meio time modificado, com mais experiência que os jovens recém-promovidos da base do clube.
É possível dizer que o Flamengo foi beneficiado pelo adiamento? Sim, é possível!
Mas, analisando a situação de ambos na tabela, além da própria qualidade do futebol, o resultado ainda está em aberto. Não se pode afirmar uma inversão do favoritismo para o jogo.
Porém, o que é mais espantoso em tudo isso, é o clima de "revanche" da torcida rubro-negra contra Ronaldinho.
É preciso recordar que, a despeito da falta de comprometimento do craque com o clube carioca, este não recebia seus salários e tinha todo o direito de procurar outro lugar onde fosse pago pra jogar. Se o método não foi muito correto, é outra coisa.
Este clima acirrado é alimentado pela mídia, que transforma só mais um jogo pelo Campeonato Brasileiro em uma guerra. Injustificável, diga-se de passagem.
A torcida do Flamengo deve incentivar o time para sair da situação desconfortável que se encontra. E o time deve se preparar para enfrentar o Atlético-MG, não Ronaldinho.
Algo além disso, é bobagem pra vender jornal. Ou pra salvar a pele da dona Paty.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Nós somos "pessimistas"?
Este é o vídeo comercial de propaganda de uma cerveja "brasileira" (a AmBev é uma multinacional, com sede na Europa, que adquiriu quase o monopólio das cervejas do Brasil) que trata da expectativa pela Copa de 2014, que será realizada no Brasil.
Há um trecho que classifica os críticos à capacidade brasileira de organizar o evento, ou ao próprio evento em si, de "pessimistas".
Utiliza-se, para isto, inclusive de um bordão celebrizado pelas redes sociais, que satiriza os inúmeros problemas vividos na cidade do Rio de Janeiro, sede da final da competição: "Imagina na Copa?"
O que talvez a AmBev não saiba, ou até saiba mas não interessa mostrar, é que o nosso "pessimismo" deriva de uma série de violações de direitos fundamentais ao povo brasileiro.
Mas para que direitos? Afinal de contas, o importante é nossa grande capacidade em promover grandes festas, consumindo, obviamente, seus produtos.
Enquanto, para a AmBev, tudo não passa de uma grande festa, milhares de pessoas são removidas de suas casas, e porque não dizer, de suas vidas. Arrastadas que são para programas habitacionais muito distantes de seus antigos lares, ocupações profissionais, relações pessoais, etc.
A "grande festa" vem torrando dinheiro público com reformas - ou poderíamos chamar de destruição - de estádios tradicionais, todos moldados à "nova ordem mundial" do futebol. Ou melhor, da FIFA. Isto para não dizer dos elefantes brancos construídos em áreas onde os campeonatos regionais não possuem tanta tradição, e contam com média de público muito inferior ao tamanhos das "arenas". Haja festa pra dar alguma utilidade aos mesmos.
Esta "festa" está nos saindo muito cara, e a "ressaca", dirão após, não será culpa da cerveja, mas daquela azeitona na empada.
Valeu,
Bruno Porpetta
Há um trecho que classifica os críticos à capacidade brasileira de organizar o evento, ou ao próprio evento em si, de "pessimistas".
Utiliza-se, para isto, inclusive de um bordão celebrizado pelas redes sociais, que satiriza os inúmeros problemas vividos na cidade do Rio de Janeiro, sede da final da competição: "Imagina na Copa?"
O que talvez a AmBev não saiba, ou até saiba mas não interessa mostrar, é que o nosso "pessimismo" deriva de uma série de violações de direitos fundamentais ao povo brasileiro.
Mas para que direitos? Afinal de contas, o importante é nossa grande capacidade em promover grandes festas, consumindo, obviamente, seus produtos.
Enquanto, para a AmBev, tudo não passa de uma grande festa, milhares de pessoas são removidas de suas casas, e porque não dizer, de suas vidas. Arrastadas que são para programas habitacionais muito distantes de seus antigos lares, ocupações profissionais, relações pessoais, etc.
A "grande festa" vem torrando dinheiro público com reformas - ou poderíamos chamar de destruição - de estádios tradicionais, todos moldados à "nova ordem mundial" do futebol. Ou melhor, da FIFA. Isto para não dizer dos elefantes brancos construídos em áreas onde os campeonatos regionais não possuem tanta tradição, e contam com média de público muito inferior ao tamanhos das "arenas". Haja festa pra dar alguma utilidade aos mesmos.
Esta "festa" está nos saindo muito cara, e a "ressaca", dirão após, não será culpa da cerveja, mas daquela azeitona na empada.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Medo, solidão, ... desespero!
O título deste artigo é a tradução livre de outro título.
Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.
Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.
A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.
O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".
É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.
O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.
Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.
A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.
Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.
Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.
Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.
O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.
Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.
Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.
Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.
Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.
Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).
Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.
Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.
Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.
O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.
Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.
Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.
Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.
Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.
Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!
Valeu,
Bruno Porpetta
Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.
Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.
A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.
O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".
É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.
O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.
Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.
A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.
Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.
Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.
Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.
O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.
Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.
Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.
Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.
Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.
Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).
Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.
Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.
Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.
O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.
Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.
Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.
Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.
Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.
Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A Olimpíada invisível
Começaram os Jogos Olímpicos de Londres-2012, a maior festa do esporte mundial, que carrega à eternidade o Barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da era moderna, iniciada em 1896, na cidade de Atenas (GRE), onde a competição já era consagrada.
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Apenas respire
Se tem uma data muito chata, é o Dia dos Namorados!
Pra começar, foi uma invenção da cultura da cabeça baixa das nossas elites diante do todo-poderoso império estadunidense. Lá, conhecido como Valentine's Day, é mais uma data de estímulo ao consumo. Você deve ter motivos para dar presentes a todos os seres humanos com os quais se relaciona, diante do que, os comerciantes agradecem, e a economia sorri.
O papel da mídia na propagação do simbolismo da data, e seus óbvios efeitos sobre o aquecimento das vendas, fazem a programação televisiva dar até diabetes. São matérias nos telejornais, cenas nas novelas, programas especiais, musicais,... A celebração do amor mais piegas que existe. Na verdade, uma ode ao mau gosto.
A histeria desesperada dos "excluídos", torna a data ainda mais estúpida. Como se a solução dos problemas da humanidade estivesse diretamente ligada à presença do outro em suas vidas.
Quer esquentar os pés? Use meias! E grossas!
Nem tudo na vida são flores, mas nelas, apesar das inconveniências, não saltam aos olhos os espinhos. O que te faz reparar nas flores são as pétalas.
Portanto, mesmo diante de tantas agressões ideológicas que a data representa, ela provoca evidentes reflexões.
Refletir sobre o amor, ou sobre o não-amor, é refletir sobre si próprio, fundamentalmente, mas com especial atenção ao papel do outro.
Olhar para dentro de si, e enxergar um vazio que carece de preenchimento pelo outro, nada mais é do que um autoflagelo. É como uma oração católica apostólica e, acima de tudo, romana, onde volta-se aos céus pedindo piedade, clemência, compaixão, por aquilo que você não se tornou. Nada mais impiedoso consigo próprio, como pode esperar que os céus tenham por você aquilo que sequer você se deu?
Pensando bem, é impiedoso até com os céus.
Porque não oferecemos pessoas inteiras aos outros? Porque sempre a ideia da metade da laranja? Aliás, porque laranja?
A ideia da dependência é o que nos torna cada vez mais sós, mesmo acompanhados.
Se partirmos do pressuposto que o ser humano busca a felicidade, não é possível imaginá-la sem liberdade. E a busca do "complemento" nos aprisiona.
A felicidade é um horizonte, e a graça da vida é a perseguição.
O amor é uma escolha, feita por algum gnomo intrometido que, sem te pedir licença, te coloca o coração na boca com um simples sorriso do outro.
Atravessa barreiras, percorre distâncias, cresce na ausência, explode na presença.
As mãos dadas não expressam dependência, mas uma parceria nessa travessia rumo à miragem. Uma visão construída pelos olhos de ambos, alimentada pelos entreolhares.
E nada pode ser mais poético que um simples respirar de quem se ama!
Para quem ama, basta a existência.
O amor é uma revolução, e como já sabemos, esta não será televisionada.
Valeu,
Bruno Porpetta
Pra começar, foi uma invenção da cultura da cabeça baixa das nossas elites diante do todo-poderoso império estadunidense. Lá, conhecido como Valentine's Day, é mais uma data de estímulo ao consumo. Você deve ter motivos para dar presentes a todos os seres humanos com os quais se relaciona, diante do que, os comerciantes agradecem, e a economia sorri.
O papel da mídia na propagação do simbolismo da data, e seus óbvios efeitos sobre o aquecimento das vendas, fazem a programação televisiva dar até diabetes. São matérias nos telejornais, cenas nas novelas, programas especiais, musicais,... A celebração do amor mais piegas que existe. Na verdade, uma ode ao mau gosto.
A histeria desesperada dos "excluídos", torna a data ainda mais estúpida. Como se a solução dos problemas da humanidade estivesse diretamente ligada à presença do outro em suas vidas.
Quer esquentar os pés? Use meias! E grossas!
Nem tudo na vida são flores, mas nelas, apesar das inconveniências, não saltam aos olhos os espinhos. O que te faz reparar nas flores são as pétalas.
Portanto, mesmo diante de tantas agressões ideológicas que a data representa, ela provoca evidentes reflexões.
Refletir sobre o amor, ou sobre o não-amor, é refletir sobre si próprio, fundamentalmente, mas com especial atenção ao papel do outro.
Olhar para dentro de si, e enxergar um vazio que carece de preenchimento pelo outro, nada mais é do que um autoflagelo. É como uma oração católica apostólica e, acima de tudo, romana, onde volta-se aos céus pedindo piedade, clemência, compaixão, por aquilo que você não se tornou. Nada mais impiedoso consigo próprio, como pode esperar que os céus tenham por você aquilo que sequer você se deu?
Pensando bem, é impiedoso até com os céus.
Porque não oferecemos pessoas inteiras aos outros? Porque sempre a ideia da metade da laranja? Aliás, porque laranja?
A ideia da dependência é o que nos torna cada vez mais sós, mesmo acompanhados.
Se partirmos do pressuposto que o ser humano busca a felicidade, não é possível imaginá-la sem liberdade. E a busca do "complemento" nos aprisiona.
A felicidade é um horizonte, e a graça da vida é a perseguição.
O amor é uma escolha, feita por algum gnomo intrometido que, sem te pedir licença, te coloca o coração na boca com um simples sorriso do outro.
Atravessa barreiras, percorre distâncias, cresce na ausência, explode na presença.
As mãos dadas não expressam dependência, mas uma parceria nessa travessia rumo à miragem. Uma visão construída pelos olhos de ambos, alimentada pelos entreolhares.
E nada pode ser mais poético que um simples respirar de quem se ama!
Para quem ama, basta a existência.
O amor é uma revolução, e como já sabemos, esta não será televisionada.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Gato por lebre (ou pássaro por dragão)
Imagine você, corinthiano, se um grupo polonês (numa situação tão hipotética, quanto improvável) comprasse o alvinegro do Parque São Jorge.
De repente, como forma de "internacionalizar" a marca do Corinthians, o investidor decide substituir as cores do clube pelas da bandeira de seu país, o vermelho e o branco. Além de substituir o mosqueteiro por um ursinho polonês, ou qualquer outro bichinho de Varsóvia.
Como você reagiria?
O Cardiff City, time do País de Gales que disputa a segunda divisão inglesa, fundado em 1899 e sempre vestido em azul e branco, conhecidos como Bluebirds (subentende-se que o mascote é um pássaro azul), agora são os Red Dragons (dragões vermelhos).
O clube foi comprado por um investidor malaio, chamado Dato Chan Tien Ghee, o qual chamaremos carinhosamente (e simplesmente, acima de qualquer coisa) de Dato.
Visando atingir o mercado asiático, a submissa direção do clube mudou, do dia para noite, o distintivo, as cores e o mascote do clube. Para isso, usará a imagem de um dragão vermelho, simbólico para os povos do oriente, em especial, a endinheirada e populosa China.
Poderíamos até pensar em uma suposta megalomania de Dato, visto que outros investidores, no próprio futebol inglês, não alteraram nada nos clubes agraciados pelos dinheiro aparentemente infindável do oriente. Os mesmos, todos da primeira divisão, cheios de holofotes e torcidas enormes, além de situarem-se na Inglaterra propriamente dita.
Um clube como o Cardiff City, de outro país do Reino Unido, fora da Premiere League, mas com uma torcida apaixonada, para o neocolonialismo asiático não representa nada, não significa nada? Pode então, a partir da chegada dos donos da grana, recomeçar sua vida, desprezando sua própria história?
Claro que a torcida do Cardiff não gostou nada disso. Protestou e foi solenemente ignorada. Tudo em nome do "progresso".
Em pesquisa feita pela página na internet do jornal britânico The Guardian, mais de 90% dos torcedores responderam que mais vale preservar a história do clube que fortalecer sua marca.
Mas a nova ordem mundial do futebol não entende assim. Não entende nada, na verdade.
Só entende de números, como se o mundo e o futebol fossem números.
Vale ressaltar que este tipo de situação acontece porque a "profissionalização" e "modernização" das ligas europeias, onde os direitos de transmissão pela TV são porcamente distribuídos. Levam apenas números em consideração, e assim, deixam poucos clubes muito ricos, e muitos à míngua.
Se analisarmos o rumo tomado pelo futebol brasileiro, após o novo contrato firmado com a Vênus Platinada para os tais direitos, podemos imaginar um clube como a Portuguesa, comprado por algum investidor francês, passando a se chamar Marselhesa.
Né não?
Valeu,
Bruno Porpetta
De repente, como forma de "internacionalizar" a marca do Corinthians, o investidor decide substituir as cores do clube pelas da bandeira de seu país, o vermelho e o branco. Além de substituir o mosqueteiro por um ursinho polonês, ou qualquer outro bichinho de Varsóvia.
Como você reagiria?
O Cardiff City, time do País de Gales que disputa a segunda divisão inglesa, fundado em 1899 e sempre vestido em azul e branco, conhecidos como Bluebirds (subentende-se que o mascote é um pássaro azul), agora são os Red Dragons (dragões vermelhos).
O clube foi comprado por um investidor malaio, chamado Dato Chan Tien Ghee, o qual chamaremos carinhosamente (e simplesmente, acima de qualquer coisa) de Dato.
Visando atingir o mercado asiático, a submissa direção do clube mudou, do dia para noite, o distintivo, as cores e o mascote do clube. Para isso, usará a imagem de um dragão vermelho, simbólico para os povos do oriente, em especial, a endinheirada e populosa China.
Poderíamos até pensar em uma suposta megalomania de Dato, visto que outros investidores, no próprio futebol inglês, não alteraram nada nos clubes agraciados pelos dinheiro aparentemente infindável do oriente. Os mesmos, todos da primeira divisão, cheios de holofotes e torcidas enormes, além de situarem-se na Inglaterra propriamente dita.
Um clube como o Cardiff City, de outro país do Reino Unido, fora da Premiere League, mas com uma torcida apaixonada, para o neocolonialismo asiático não representa nada, não significa nada? Pode então, a partir da chegada dos donos da grana, recomeçar sua vida, desprezando sua própria história?
Claro que a torcida do Cardiff não gostou nada disso. Protestou e foi solenemente ignorada. Tudo em nome do "progresso".
Em pesquisa feita pela página na internet do jornal britânico The Guardian, mais de 90% dos torcedores responderam que mais vale preservar a história do clube que fortalecer sua marca.
Mas a nova ordem mundial do futebol não entende assim. Não entende nada, na verdade.
Só entende de números, como se o mundo e o futebol fossem números.
Vale ressaltar que este tipo de situação acontece porque a "profissionalização" e "modernização" das ligas europeias, onde os direitos de transmissão pela TV são porcamente distribuídos. Levam apenas números em consideração, e assim, deixam poucos clubes muito ricos, e muitos à míngua.
Se analisarmos o rumo tomado pelo futebol brasileiro, após o novo contrato firmado com a Vênus Platinada para os tais direitos, podemos imaginar um clube como a Portuguesa, comprado por algum investidor francês, passando a se chamar Marselhesa.
Né não?
Valeu,
Bruno Porpetta
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