Há um clamor, principalmente por meio da imprensa esportiva, para que Tite seja o novo treinador da seleção. É evidente que, de todos os treinadores brasileiros, ele é o mais atualizado, o mais competente.
Particularmente, concordo. Acho que ele deve ser o novo treinador da seleção, desde que a corja que habita e se alimenta na CBF caia. Não recomendo a nenhum treinador sério trabalhar pra esses caras.
Joguei uma isca no Facebook. Postei uma matéria sobre o treinador campeão brasileiro, convocando-o para a seleção brasileira.
A reação dos corinthianos foi absolutamente justa, compreensível e legítima. Todos negaram com veemência qualquer possibilidade dele sair do Corinthians para ir à seleção brasileira.
No lugar deles, talvez fizesse o mesmo. Aliás, qualquer um que estivesse no lugar deles, faria o mesmo.
Sabe por quê?
Porque somos nosso clube. Não somos seleção.
Essa identidade, cada vez mais, forçada do povo brasileiro com a seleção brasileira, nada mais é do que a rede do investimento atirada no lago do retorno financeiro.
A Globo, que detém exclusividade sobre tudo o que diz respeito à seleção brasileira, tenta forjar em nós uma paixão pela seleção que, por si só, não existe.
A seleção só nos encanta quando joga de acordo com as melhores tradições do nosso futebol. De forma vistosa, bonita, cheia de jogadores com talento.
Com a seleção capengando, o nosso interesse pela mesma cai sistematicamente. Diante do que, hoje, nossos jogadores e treinadores, quando convocados, são mais um estorvo à caminhada dos nossos clubes do que qualquer outra coisa.
Para ver jogo feio, melhor ver nosso campeonato. Onde reside a nossa paixão: o nosso clube, que é nossa nação, muito mais do que o nosso país.
Para aferir isto, basta se fazer a seguinte pergunta: se a seleção brasileira e seu clube se enfrentarem, para quem você torce?
Valeu,
Bruno Porpetta
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Férias frustradas
Após a eliminação nas semifinais
do Carioca, tida como precoce por conta dos investimentos feitos no elenco,
além da manutenção da base da equipe do ano anterior, o Flamengo foi à Atibaia,
no interior de São Paulo.
Não era a primeira vez que
Luxemburgo levava o time rubro-negro para lá. Tampouco o Flamengo era a
primeira equipe que o “pofexô” carregava para um período de treinamentos por
lá.
O hotel em questão é muito
bonito, com ampla área verde, bons campos de futebol, sossego e tranquilidade. Além
dos campos, haviam piscinas, churrasqueiras, quartos confortáveis, salão de
jogos.
O que não fica muito claro para
todos, diante das exibições do time depois desta estadia, é em qual parte do
hotel os jogadores preferiram frequentar. Na churrasqueira? Na piscina? No
salão de jogos?
A impressão é que ficaram em
qualquer lugar, menos no campo.
INEVITÁVEL SAÍDA
As férias rubro-negras em Atibaia
não desfizeram o bando que se apresentava nos jogos. Desde o início do ano, não
houve uma única exibição decente. Por mais que a torcida rubro-negra reclame da
arbitragem na semifinal do Carioca, esta passou longe de ser a razão pela
queda.
O time não joga, não jogou e, por
mais que doa para alguns dizer isso, não jogaria nada com Luxemburgo. Estes
primeiros cinco meses do ano foram jogados no lixo pelo Flamengo.
Os girondinos rubro-negros da
diretoria, tão eficazes no planejamento financeiro, precisam entender mais de
futebol e ter a mesma capacidade para pensar o que será do time, da comissão
técnica.
A torcida não admite um time
abaixo das expectivas, tolera dentro delas, adora acima. Para isso, já que não
tem nenhum craque, pelo menos um pouco mais de organização dentro das quatro
linhas não é pedir muito.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Tempos sinistros
Emerson Sheik, por qualquer razão
que se possa imaginar, expôs o quanto a CBF coloca nossa democracia à prova,
retomando medos de outros tempos, quando falar o que se pensava era tratado
como crime contra a segurança nacional.
Não importa se Sheik está “politizando”
suas férias ou se acaba, involuntariamente, tornando-se uma liderança em um
processo de questionamentos à CBF que se iniciou com o Bom Senso FC. Deve-se
considerar, inclusive, a possibilidade de um processo coletivo arquitetado pelo
próprio movimento, utilizando-se de novas figuras, como Sheik e Ganso.
O mais importante é falar e,
principalmente, poder falar. Foi por este, e outros direitos, que muitos
tombaram. Foram torturados, mortos e seus cadáveres foram ocultados, negando a
suas famílias a simples chance de enterrá-los.
Nada que não vivemos nas favelas
e periferias do país nos dias de hoje, mas existe um especial simbolismo nas
mortes da ditadura militar. Uma referência em desrespeito aos direitos humanos.
Dentre as inúmeras similaridades
que temos entre o presente e o passado, uma delas é o cerceamento ao direito de
expressar suas opiniões. Por mais infames que possam ser, devem ser todas
ditas.
A hipótese da punição a Emerson,
já cogitada instantaneamente quando o atacante foi às câmeras de TV dizer que a
CBF era uma vergonha, é um resquício muito grande destes tempos que ninguém
nunca enterrará. A naturalização desta ideia é perigosíssima.
Uma coisa é a falta que provocou
sua expulsão na partida. Por esta, ainda dá uma discussão. Pelo desabafo,
nenhuma repreensão deve ser considerada normal.
Não é a toa que, ultimamente, vem
ganhando força uma turma que adora deveres, mas tem pouco apreço por direitos,
falando em “família”, “valores” e “moral”.
Que Deus nos proteja, mas que
façamos por onde.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Um convite ao sofá
O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto
entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.
Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos
fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do
árbitro da Copa, diga-se de passagem.
Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas
derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do
Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva,
com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.
Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam
pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público
ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.
Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O
árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.
O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti
não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda
assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.
Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela
arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo
de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o
Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.
O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores
apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na
cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco
para quem quer ir à Libertadores.
Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro
para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas
especialmente no bolso.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Que dia! Que noite!
Este 13 de agosto de 2014 tem tudo para ser uma data lembrada por muito tempo na história.
Começa com a trágica morte de Eduardo Campos e os demais passageiros e tripulantes do avião que caiu na minha cidade natal. Exatos nove anos depois da morte do avô do presidenciável, o lendário Miguel Arraes.
Não deixa de ser lamentável, pelas pessoas que cercavam suas vidas. Também não os redime de eventuais equívocos em vida, e Eduardo Campos tinha vários equívocos.
Mas como qualquer grande "evento" que envolva política, algumas reações chegam a dar náuseas em qualquer um que possua senso de humanidade e, principalmente, de ridículo.
Passam as horas e a noite reserva uma rodada incrível da Copa do Brasil.
Três gigantes do nosso futebol estão fora, eliminados por times considerados pequenos, mas que se mostraram tão gigantes quanto os derrotados.
O Bragantino não tinha uma noite tão heroica desde o título paulista em 90. Tempos em que a linguiça de Bragança Paulista ainda era notícia. E o São Paulo vai lamber suas feridas no Brasileirão e na Sul-Americana.
O Ceará, que já havia vencido o jogo de ida, em pleno Beira-Rio, venceu de novo. Fez 5 a 2 no agregado e despachou o Inter com uma autoridade monumental.
No Maracanã, o Fluminense, que por muito tempo se regozijou com a histórica derrota do Flamengo para o América do México e a atuação exuberante do gordinho Cabañas, agora também tem um América pra chamar de seu. O América de Natal-RN conseguiu improváveis, mas merecidos, 5 a 2 e reverteu a derrota por 3 a 0 na primeira partida, se classificando pelos gols fora de casa.
Para completar, houve a grande final da Libertadores (que as TV's brasileiras se recusaram a exibir, mostrando, mais uma vez, que nossa mídia simboliza os "valores" das nossas elites, que se orgulham de odiar os vizinhos sul-americanos) que consagrou, pela primeira vez, o San Lorenzo como campeão. Tudo decidido em um pênalti cobrado pelo paraguaio Ortigoza para o time argentino, sobre o goleiro argentino Don, dos paraguaios do Nacional.
Este papado argentino tem feito tão bem ao futebol do país que já levou a seleção à final da Copa e o San Lorenzo (time do Chico) ao título inédito da Libertadores. Divino?
Valeu,
Bruno Porpetta
Começa com a trágica morte de Eduardo Campos e os demais passageiros e tripulantes do avião que caiu na minha cidade natal. Exatos nove anos depois da morte do avô do presidenciável, o lendário Miguel Arraes.
Não deixa de ser lamentável, pelas pessoas que cercavam suas vidas. Também não os redime de eventuais equívocos em vida, e Eduardo Campos tinha vários equívocos.
Mas como qualquer grande "evento" que envolva política, algumas reações chegam a dar náuseas em qualquer um que possua senso de humanidade e, principalmente, de ridículo.
Passam as horas e a noite reserva uma rodada incrível da Copa do Brasil.
Três gigantes do nosso futebol estão fora, eliminados por times considerados pequenos, mas que se mostraram tão gigantes quanto os derrotados.
O Bragantino não tinha uma noite tão heroica desde o título paulista em 90. Tempos em que a linguiça de Bragança Paulista ainda era notícia. E o São Paulo vai lamber suas feridas no Brasileirão e na Sul-Americana.
O Ceará, que já havia vencido o jogo de ida, em pleno Beira-Rio, venceu de novo. Fez 5 a 2 no agregado e despachou o Inter com uma autoridade monumental.
No Maracanã, o Fluminense, que por muito tempo se regozijou com a histórica derrota do Flamengo para o América do México e a atuação exuberante do gordinho Cabañas, agora também tem um América pra chamar de seu. O América de Natal-RN conseguiu improváveis, mas merecidos, 5 a 2 e reverteu a derrota por 3 a 0 na primeira partida, se classificando pelos gols fora de casa.
Para completar, houve a grande final da Libertadores (que as TV's brasileiras se recusaram a exibir, mostrando, mais uma vez, que nossa mídia simboliza os "valores" das nossas elites, que se orgulham de odiar os vizinhos sul-americanos) que consagrou, pela primeira vez, o San Lorenzo como campeão. Tudo decidido em um pênalti cobrado pelo paraguaio Ortigoza para o time argentino, sobre o goleiro argentino Don, dos paraguaios do Nacional.
Este papado argentino tem feito tão bem ao futebol do país que já levou a seleção à final da Copa e o San Lorenzo (time do Chico) ao título inédito da Libertadores. Divino?
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Provação
Vivemos tempos bicudos! Durante décadas os trabalhadores foram perdendo o debate ideológico. A elite fincou o cajado no chão e disse: este país é meu!
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 22 de julho de 2014
FlaBrasil
Enganou-se quem pensou que o
Flamengo fosse a Alemanha, por conta da cor da camisa. O Flamengo é o retrato
do futebol brasileiro, no pior sentido.
Enquanto a CBF tira onda com a
nossa cara ao trazer o ex(???)-empresário Gilmar Rinaldi, para ser o cara que “mudará”
o nosso futebol, e Dunga, pra abandonar a ideia de família e recolocar as
crianças no colégio interno, o Flamengo é o lanterna do Brasileirão.
Aliás, campeonato difícil de
assistir depois dos jogos da Copa. É evidente que o futebol brasileiro carece
de uma nova direção. Esta turma de Marin e Del Nero deve sair imediatamente.
A diretoria rubro-negra, que
parecia um sopro de novidade, se perdeu em suas escolhas. Sucumbiu à política
interna do Flamengo e hoje alimenta monstros que colocaram o clube na situação
em que se encontra.
A goleada sofrida para o
Internacional, embora esteja bem abaixo tecnicamente, foi um novo Brasil X
Alemanha para os rubro-negros. No entanto, desta vez, o Flamengo era o Brasil.
Um bando em campo, uma cratera no
meio-campo para o Inter passear, corredores enormes atrás dos laterais e outra
goleada. Não chegou aos 7 porque o Inter não chega a ser uma Alemanha, embora
tenha feito um excelente jogo para os padrões do nosso campeonato.
Ney Franco teve um mês inteiro
para organizar esta bagunça. Não importam as razões, ele não conseguiu. O
elenco do Flamengo é o quarto mais caro do Brasil.
Em crise, a diretoria não sabe o
que fazer. Os antigos caciques do clube se agitam. As organizadas perdem a
cabeça e fazem mais bobagens. Mudanças são necessárias e não podem ser como as
da CBF, que não mudam nada.
O Flamengo tem tempo, pode subir
na tabela, mas não pode apenas se fiar na camisa e na torcida. Um bom começo é
baixar o preço dos ingressos ao nível do espetáculo, que não vale nem um galo.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Meu primeiro baque
Pra quem não sabe, nasci em Santos. Naquela cidade, onde vivi meus primeiros 23 anos de vida, quem não gosta de futebol é um insensível capaz de chutar o andador do avô.
Mesmo não torcendo pelo time mais famoso da cidade (devo confessar aqui e agora que tinha uma queda pela Portuguesa Santista, indo diversas vezes ao Ulrico Mursa assistir a jogos de qualidade técnica próxima à temperatura média do inverno russo), não havia como ser imune ao Santos FC.
Já corri da torcida deles por vestir a camisa do Flamengo, em pleno Canal 5 e durante o dia. Não era fácil torcer por um clube distante dali, era visto como um autêntico traidor das noções mais básicas de cidadania de um santista.
Mesmo assim, fui a vários jogos do Santos na Vila Belmiro. Acompanhava meu pai, meu irmão e meu avô nas arquibancadas da Vila, pois era um programa bacana pra se fazer em família, mesmo que eu tivesse que conter qualquer sinal de euforia diante de um revés santista.
Mais velho, já pude ir a jogos do Flamengo na Vila. Na arquibancada visitante, podendo gritar à vontade. Mas esta é uma outra história.
Certa vez, na escola, tínhamos que escolher uma disciplina para o trabalho da Feira de Ciências. Eu e mais uns cinco malucos por futebol escolhemos Educação Física e nosso trabalho seria sobre o Santos.
Foi maravilhoso! Conhecemos os vestiários, os jogadores (em especial o Guga, artilheiro do Santos à época), o gramado e todo o clube.
Batia uma certa satisfação em poder visitar às instalações do clube que dava tanto orgulho à cidade. Me amarrei mesmo nisso.
Em dado momento do "passeio", fomos à sala de troféus.
Era 1992, e o Santos não conquistava um título desde 84. Ou seja, um prato feito para minha sanha em sacanear os santistas. Fui à sala de troféus e saí de lá com rinite alérgica, de tão velhos os coitados.
Mas o grande impacto que tive não foi com troféu algum. Foi com um quadro.
A pintura era um retrato de Pelé. De costas, com o número 10 estampado na camisa, no gramado do Maracanã.
Ao fundo, o placar do jogo apontava Flamengo 1 x Santos 7.
A partida em questão era pelo Rio-São Paulo de 1961. Ou seja, dezoito anos antes do meu nascimento.
Não vi o jogo, claro. Mas olhar àquele quadro me deu uma tristeza tão grande no momento, que me senti como se estivesse na arquibancada do Maracanã, com lágrimas nos olhos.
É duro ver seu time perder por 7 a 1, dentro de casa.
De repente, parei de olhar o placar e passei a olhar para Pelé. Pensei que, estando lá, eu teria visto ele jogar.
Teria a oportunidade que todos da minha geração gostariam de ter. Parar de ouvir conversinha do pai, do avô, dos paralelepípedos da velha cidade. Poderia bater no peito e dizer: "Eu vi Pelé jogar!".
Fiquei imaginando o espetáculo que deve ter sido. O show que ele deve ter dado. O aplauso constrangido que eu seria obrigado a dar.
Depois da dor inicial, a sensação que o jogo que testemunharia não era uma simples goleada, era parte da história do futebol.
Este quadro me ajuda a relativizar um pouco a vergonha pelo jogo da seleção brasileira. Queiramos ou não, a Alemanha ajudou a escrever a história do futebol no Mineirão.
Mas este, por mais que tenha doído muito, pelo menos eu vi.
E não é por nada, não. Te juro que, se o Brasil estivesse todo de branco, eu me sentiria um pouco vingado.
Valeu,
Bruno Porpetta
Mesmo não torcendo pelo time mais famoso da cidade (devo confessar aqui e agora que tinha uma queda pela Portuguesa Santista, indo diversas vezes ao Ulrico Mursa assistir a jogos de qualidade técnica próxima à temperatura média do inverno russo), não havia como ser imune ao Santos FC.
Já corri da torcida deles por vestir a camisa do Flamengo, em pleno Canal 5 e durante o dia. Não era fácil torcer por um clube distante dali, era visto como um autêntico traidor das noções mais básicas de cidadania de um santista.
Mesmo assim, fui a vários jogos do Santos na Vila Belmiro. Acompanhava meu pai, meu irmão e meu avô nas arquibancadas da Vila, pois era um programa bacana pra se fazer em família, mesmo que eu tivesse que conter qualquer sinal de euforia diante de um revés santista.
Mais velho, já pude ir a jogos do Flamengo na Vila. Na arquibancada visitante, podendo gritar à vontade. Mas esta é uma outra história.
Certa vez, na escola, tínhamos que escolher uma disciplina para o trabalho da Feira de Ciências. Eu e mais uns cinco malucos por futebol escolhemos Educação Física e nosso trabalho seria sobre o Santos.
Foi maravilhoso! Conhecemos os vestiários, os jogadores (em especial o Guga, artilheiro do Santos à época), o gramado e todo o clube.
Batia uma certa satisfação em poder visitar às instalações do clube que dava tanto orgulho à cidade. Me amarrei mesmo nisso.
Em dado momento do "passeio", fomos à sala de troféus.
Era 1992, e o Santos não conquistava um título desde 84. Ou seja, um prato feito para minha sanha em sacanear os santistas. Fui à sala de troféus e saí de lá com rinite alérgica, de tão velhos os coitados.
Mas o grande impacto que tive não foi com troféu algum. Foi com um quadro.
A pintura era um retrato de Pelé. De costas, com o número 10 estampado na camisa, no gramado do Maracanã.
Ao fundo, o placar do jogo apontava Flamengo 1 x Santos 7.
A partida em questão era pelo Rio-São Paulo de 1961. Ou seja, dezoito anos antes do meu nascimento.
Não vi o jogo, claro. Mas olhar àquele quadro me deu uma tristeza tão grande no momento, que me senti como se estivesse na arquibancada do Maracanã, com lágrimas nos olhos.
É duro ver seu time perder por 7 a 1, dentro de casa.
De repente, parei de olhar o placar e passei a olhar para Pelé. Pensei que, estando lá, eu teria visto ele jogar.
Teria a oportunidade que todos da minha geração gostariam de ter. Parar de ouvir conversinha do pai, do avô, dos paralelepípedos da velha cidade. Poderia bater no peito e dizer: "Eu vi Pelé jogar!".
Fiquei imaginando o espetáculo que deve ter sido. O show que ele deve ter dado. O aplauso constrangido que eu seria obrigado a dar.
Depois da dor inicial, a sensação que o jogo que testemunharia não era uma simples goleada, era parte da história do futebol.
Este quadro me ajuda a relativizar um pouco a vergonha pelo jogo da seleção brasileira. Queiramos ou não, a Alemanha ajudou a escrever a história do futebol no Mineirão.
Mas este, por mais que tenha doído muito, pelo menos eu vi.
E não é por nada, não. Te juro que, se o Brasil estivesse todo de branco, eu me sentiria um pouco vingado.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Malditos hinchas!
Sejamos sinceros, as centenas de torcedores chilenos detidos no Maracanã pela tentativa de invasão do estádio para ver o jogo contra a Espanha que classificou de maneira brilhante a seleção do excelente Jorge Sampaoli só estão sendo tão divulgadas e rigorosamente punidas porque foi pela Sala de Imprensa.
Quando cerca de mil argentinos invadiram o Maracanã no domingo, para ver o golaço de Messi contra a Bósnia, quase ninguém soube. Entraram pelas catracas mesmo.
Agora que o mundo todo viu a invasão, a FIFA precisa tomar providências. E tomou as piores, como sempre se pode esperar da entidade.
Os chilenos tem 72 horas para deixar o país ou serão deportados.
Deportados?
Estamos falando de torcedores de verdade, gente que senta a bunda em arquibancada. Não de filhos da classe média que se amarram em cantar seu orgulho e seu amor por ser brasileiro, mas preferiam morar na Europa.
Esta deportação é das coisas mais absurdas que podem haver. Eles são torcedores, estão por aí nos bares tomando sua cerveja, gastando dinheiro no Brasil e queriam muito ver sua seleção aniquilar a atual campeã mundial.
Uma das coisas mais bonitas da Copa é este clima de Libertadores. Para isto, não pode haver plateia, tem que haver torcida.
É exatamente isto que a FIFA não gosta, de torcida, de futebol e de quem gosta de futebol. Para eles é só um espetáculo, não tem nada de paixão.
Quero mais umas dez Copas, desde que a FIFA não controle mais o futebol.
Valeu,
Bruno Porpetta
Quando cerca de mil argentinos invadiram o Maracanã no domingo, para ver o golaço de Messi contra a Bósnia, quase ninguém soube. Entraram pelas catracas mesmo.
Agora que o mundo todo viu a invasão, a FIFA precisa tomar providências. E tomou as piores, como sempre se pode esperar da entidade.
Os chilenos tem 72 horas para deixar o país ou serão deportados.
Deportados?
Estamos falando de torcedores de verdade, gente que senta a bunda em arquibancada. Não de filhos da classe média que se amarram em cantar seu orgulho e seu amor por ser brasileiro, mas preferiam morar na Europa.
Esta deportação é das coisas mais absurdas que podem haver. Eles são torcedores, estão por aí nos bares tomando sua cerveja, gastando dinheiro no Brasil e queriam muito ver sua seleção aniquilar a atual campeã mundial.
Uma das coisas mais bonitas da Copa é este clima de Libertadores. Para isto, não pode haver plateia, tem que haver torcida.
É exatamente isto que a FIFA não gosta, de torcida, de futebol e de quem gosta de futebol. Para eles é só um espetáculo, não tem nada de paixão.
Quero mais umas dez Copas, desde que a FIFA não controle mais o futebol.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
De que lado você samba?
O dia 16 de dezembro de 2013 é uma data marcada por mais uma morte do futebol brasileiro.
Um país cujo campeonato é, mais uma vez, decidido nos tribunais.
Diferentemente do italiano, onde as relações que levaram ao rebaixamento da Juventus e deram o título a Inter de Milão eram criminosas e quem arbitrou sobre a questão foi a justiça comum, aqui temos um tribunal corporativo que se move ao sabor do vento que sopra mais forte.
É inegável que, do ponto de vista legal, a Portuguesa cometeu um equívoco primário que acabou por lhe tirar os pontos e a permanência na primeira divisão.
Da mesma forma que, falando em peso político, o Fluminense possui muito mais que a Portuguesa.
Pois bem, este post não é pra qualquer pessoa.
Quem me conhece, sabe que sou comunista. Desses chatos que não gostam de shopping center, McDonalds e outros símbolos do capitalismo, embora muitas vezes por motivos mais torpes que as teorias marxistas.
Gostaria de falar aos comunistas, aos que sonham com outra sociedade, aos que sabem que o estrito cumprimento das leis - feitas por aqueles a quem costumeiramente combatemos - favorecem aos poderosos, à legitimação da ordem hegemônica. Resumindo, à opressão de classe que dizemos lutar contra.
Sob a batuta da lei, massacramos os povos originários do Brasil. Porque, afinal de contas, as propriedades portuguesas estavam assim determinadas.
De acordo com a lei, negros e negras viveram em condições sub-humanas nas senzalas, trabalhando de sol a sol para os senhores da casa grande, sendo vendidos, trocados, devolvidos, como se fossem pedaços de carne que deterioram ao relento. Tava lá, escritinho no nosso caderno supremo de normas que nos regiam.
Pela lei, esses "vagabundos" do MST devem ser retirados à força das terras ocupadas (ou poderíamos dizer invadidas?) porque nossa constituição coloca a propriedade (mesmo concentrada nas mãos de poucos) no mesmo patamar da vida. Não tem o que discutir, é lei!
O aborto é crime, tá na lei! Homofobia pode, porque não tá!
Esta semana vi várias daquelas frases clássicas sobre direito, justiça... Acho que este ponto nós precisamos voltar a estudar. Lutamos pelo direito ou por justiça?
A frase que me chamou mais atenção sem sequer ser publicada nesta semana foi:
"Aos amigos, tudo! Aos inimigos..." Olha ela aí de novo!
Para concluir (nos três minutos de vossa atenção que toda reunião, de forma protocolar, me dá), o que aconteceu hoje está absolutamente dentro da lei.
O que, para nós comunistas, não devia significar absolutamente nada!
Aliás, em outros tempos, ser comunista também foi ilegal...
Valeu,
Bruno Porpetta
P.S.: Este post está recheado de fotos do "estrito cumprimento da lei".
terça-feira, 30 de julho de 2013
Pra não dizer que não falei do Galo...
Com quase uma semana de atraso, diante do que lhes devo desculpas, mas vou dar um pitaco no histórico título do Galo na Libertadores.
Pode-se dizer que foi a redenção de vários renegados.
Victor, o goleiro dos milagres que carregaram o Galo à decisão, foi renegado pela seleção (embora não tivesse mesmo lugar pra ele), Leonardo Silva, renegado pelo arquirrival, Richarlyson pelo São Paulo, Jô pelo Internacional e Ronaldinho... bem, este merece um parágrafo só pra si.
Ronaldinho não foi genial. Mas foi gênio!
Se não foi brilhante como na primeira fase, sua experiência foi fundamental para segurar a onda do time nos momentos que este mais precisou. Conseguia, ao menos, irritar o adversário, o que em decisões tensas como as que o Galo teve é, no mínimo, relevante.
Jô foi o artilheiro da competição. E seus gols foram decisivos. Afinal de contas, o Galo teve um impressionante desequilíbrio técnico nas fases eliminatórias da Libertadores. Ao contrário do show da primeira fase, o Galo patinou muito na reta final e quase pôs tudo a perder várias vezes.
O que explica então o título do Galo?
Uma combinação explosiva entre time e torcida. Parece que fizeram um acordo entre si, quando um vacilar, o outro vai lá e levanta!
Deve-se dizer que o papel da torcida atleticana foi gigantesco. A ela deve ser oferecida qualquer premiação de craque do campeonato.
Não à toa muita gente só deve ter voltado ao trabalho hoje, em Belo Horizonte. Eles mereciam esticar a festa até a última gota.
Outro que merece um parágrafo é Cuca. O azarado, o depressivo, o alho com cebola e sal dos times campeões. Ele temperava para os outros comerem.
Suas convicções ofensivas eram tremendamente contestadas por sua incapacidade de conquistar títulos expressivos. Seja por seu trabalho, ou por sua fé, isto acabou.
Agora, Cuca pode dizer que venceu quatro estaduais (um carioca e três mineiros) e uma Libertadores! Seu nome sai da lista da boca do sapo para a boca do povo.
Em tempos de visita do Papa ao Brasil, o título do Galo, e de Cuca, foi um presente divino aos torcedores.
E nas mãos de Victor ficaram os milagres. Aquele contra o Tijuana, nas quartas-de-final, foi um caso típico de reescrita da história feita in loco, ao vivo e a cores.
O Galo estava eliminado e, de repente, estava classificado. É pra marcar as mãos na calçada da fama do Atlético Mineiro. Para que ninguém nunca se esqueça que aquelas mãos mudaram o destino.
Apesar das dificuldades, o título foi merecido. Muito merecido.
Se a física não explica o que aconteceu, bota na conta do Papa!
Valeu,
Bruno Porpetta
Pode-se dizer que foi a redenção de vários renegados.
Victor, o goleiro dos milagres que carregaram o Galo à decisão, foi renegado pela seleção (embora não tivesse mesmo lugar pra ele), Leonardo Silva, renegado pelo arquirrival, Richarlyson pelo São Paulo, Jô pelo Internacional e Ronaldinho... bem, este merece um parágrafo só pra si.
Ronaldinho não foi genial. Mas foi gênio!
Se não foi brilhante como na primeira fase, sua experiência foi fundamental para segurar a onda do time nos momentos que este mais precisou. Conseguia, ao menos, irritar o adversário, o que em decisões tensas como as que o Galo teve é, no mínimo, relevante.
Jô foi o artilheiro da competição. E seus gols foram decisivos. Afinal de contas, o Galo teve um impressionante desequilíbrio técnico nas fases eliminatórias da Libertadores. Ao contrário do show da primeira fase, o Galo patinou muito na reta final e quase pôs tudo a perder várias vezes.
O que explica então o título do Galo?
Uma combinação explosiva entre time e torcida. Parece que fizeram um acordo entre si, quando um vacilar, o outro vai lá e levanta!
Deve-se dizer que o papel da torcida atleticana foi gigantesco. A ela deve ser oferecida qualquer premiação de craque do campeonato.
Não à toa muita gente só deve ter voltado ao trabalho hoje, em Belo Horizonte. Eles mereciam esticar a festa até a última gota.
Outro que merece um parágrafo é Cuca. O azarado, o depressivo, o alho com cebola e sal dos times campeões. Ele temperava para os outros comerem.
Suas convicções ofensivas eram tremendamente contestadas por sua incapacidade de conquistar títulos expressivos. Seja por seu trabalho, ou por sua fé, isto acabou.
Agora, Cuca pode dizer que venceu quatro estaduais (um carioca e três mineiros) e uma Libertadores! Seu nome sai da lista da boca do sapo para a boca do povo.
Em tempos de visita do Papa ao Brasil, o título do Galo, e de Cuca, foi um presente divino aos torcedores.
E nas mãos de Victor ficaram os milagres. Aquele contra o Tijuana, nas quartas-de-final, foi um caso típico de reescrita da história feita in loco, ao vivo e a cores.
O Galo estava eliminado e, de repente, estava classificado. É pra marcar as mãos na calçada da fama do Atlético Mineiro. Para que ninguém nunca se esqueça que aquelas mãos mudaram o destino.
Apesar das dificuldades, o título foi merecido. Muito merecido.
Se a física não explica o que aconteceu, bota na conta do Papa!
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 24 de julho de 2013
De 62 a 68, em 51 anos (o Brasil de Amarildo a Amarildo)
Pelé saía de campo lesionado, no empate em 0 a 0 entre Brasil e Tchecoslováquia.
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?
Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.
Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.
Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.
Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.
Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.
Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.
Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.
Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.
A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.
Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.
Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.
O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.
Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.
Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.
Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.
Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.
O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.
O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.
Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.
Depois disso, não viu mais nada.
No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.
Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.
Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.
Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.
Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?
Ao menos Djalma terá um velório.
Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!
Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.
O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.
E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?
Valeu,
Bruno Porpetta
N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?
domingo, 9 de junho de 2013
Pro dia nascer feliz
Ok! Concordo que, se considerada minha ausência por aqui nos últimos dias, um post com este título em dia de vitória do Flamengo é puxar a brasa para a minha sardinha.
E é mesmo!
Voltar a vencer, do ponto de vista de quem só escreve sobre futebol porque, além de amar o esporte, tem paixão por um clube, é reconfortante.
Mas, como não poderia deixar de ser, procurarei fazer uma análise mais global da coisa.
O Flamengo é, em qualquer tempo, um caldeirão prestes a entornar.
Entra diretoria, sai diretoria e o termo "crise na Gávea" parece até incorporado ao nome do bairro. Como se fosse um ponto de referência.
- Onde fica aquele bar?
- Fica ali perto do "crise na Gávea".
Piadinhas infames à parte, o Flamengo não cultiva paz nem mesmo com uma diretoria de altos executivos do capitalismo nacional, interessados em fazer do clube a máquina de gerar riquezas que ele é capaz de ser.
A tal "gestão profissional" esbarra, muitas vezes, na capacidade que o clube também tem de inflar egos, vaidades e outras questões que passam longe dos interesses de sua torcida.
Demite-se Dorival Júnior pelos altos salários. Contrata-se Jorginho pelos baixos salários. Demite-se Jorginho pelos altos salários de Carlos Eduardo e a péssima relação custo-benefício. E no fim das contas, a única nota oficial do clube é para garantir o emprego de Paulo Pelaipe.
Vejamos.
Está errada a ideia de contar com um comandante caro para dirigir um elenco humilde, mas bem limpinho? Não! Mas os "profissionais" devem, no mínimo, guardar alguma coerência em suas decisões.
A mesma questão se colocou na demissão de Dorival, há apenas dois meses. E a opção feita foi pelo barato. Como o barato saiu caro - no campo, pelo menos - muda-se de ideia.
Ainda assim, não é um completo absurdo mudar de ideia quanto ao treinador.
Faz-se agora uma outra opção, com relação ao elenco. Treinadores caros gostam de times caros. Para consegui-los, é preciso abrir definitivamente o cofre. E aí reside a maior contradição desta diretoria.
O investimento maior feito pelo Flamengo, até o momento, foi em Carlos Eduardo - que pouco joga - e Marcelo Moreno - que graças ao nosso "fantástico" calendário, servirá à seleção boliviana por várias rodadas no Brasileirão.
Agora, se fala em nomes de peso para a defesa, o meio e o ataque. Enquanto isso, o Flamengo dos "profissionais" não comenta uma dívida de R$ 5 milhões com Dorival, pela rescisão do contrato.
Para estas questões, e para acabar com quaisquer dúvidas sobre possíveis rachas na diretoria, esta deveria se pronunciar oficialmente. Tal como qualquer executivo de uma grande empresa faria para detalhar os passos a serem dados, junto aos acionistas da mesma.
No entanto, o mundo desaba, notícias vazam (um filme que a torcida do Flamengo já viu centenas de vezes em administrações anteriores), mas a diretoria vem a público dizer apenas que Pelaipe fica.
É compreensível que, diante da inexperiência dos "profissionais" no futebol, chamar alguém que está habituado ao porco submundo da bola é quase uma imposição. Mas deve-se lembrar sempre do ditado: quem se junta aos porcos, come farelo.
Considerando a esperança que a torcida deposita nos girondinos rubro-negros, mais transparência e menos "intocáveis" são essenciais.
Em meio a tudo isto, às vésperas da parada para a Copa das Confederações, o Flamengo venceu, e lembrando o poema, "amanhã, ninguém sabe o que será".
Valeu,
Bruno Porpetta
E é mesmo!
Voltar a vencer, do ponto de vista de quem só escreve sobre futebol porque, além de amar o esporte, tem paixão por um clube, é reconfortante.
Mas, como não poderia deixar de ser, procurarei fazer uma análise mais global da coisa.
O Flamengo é, em qualquer tempo, um caldeirão prestes a entornar.
Entra diretoria, sai diretoria e o termo "crise na Gávea" parece até incorporado ao nome do bairro. Como se fosse um ponto de referência.
- Onde fica aquele bar?
- Fica ali perto do "crise na Gávea".
Piadinhas infames à parte, o Flamengo não cultiva paz nem mesmo com uma diretoria de altos executivos do capitalismo nacional, interessados em fazer do clube a máquina de gerar riquezas que ele é capaz de ser.
A tal "gestão profissional" esbarra, muitas vezes, na capacidade que o clube também tem de inflar egos, vaidades e outras questões que passam longe dos interesses de sua torcida.
Demite-se Dorival Júnior pelos altos salários. Contrata-se Jorginho pelos baixos salários. Demite-se Jorginho pelos altos salários de Carlos Eduardo e a péssima relação custo-benefício. E no fim das contas, a única nota oficial do clube é para garantir o emprego de Paulo Pelaipe.
Vejamos.
Está errada a ideia de contar com um comandante caro para dirigir um elenco humilde, mas bem limpinho? Não! Mas os "profissionais" devem, no mínimo, guardar alguma coerência em suas decisões.
A mesma questão se colocou na demissão de Dorival, há apenas dois meses. E a opção feita foi pelo barato. Como o barato saiu caro - no campo, pelo menos - muda-se de ideia.
Ainda assim, não é um completo absurdo mudar de ideia quanto ao treinador.
Faz-se agora uma outra opção, com relação ao elenco. Treinadores caros gostam de times caros. Para consegui-los, é preciso abrir definitivamente o cofre. E aí reside a maior contradição desta diretoria.
O investimento maior feito pelo Flamengo, até o momento, foi em Carlos Eduardo - que pouco joga - e Marcelo Moreno - que graças ao nosso "fantástico" calendário, servirá à seleção boliviana por várias rodadas no Brasileirão.
Agora, se fala em nomes de peso para a defesa, o meio e o ataque. Enquanto isso, o Flamengo dos "profissionais" não comenta uma dívida de R$ 5 milhões com Dorival, pela rescisão do contrato.
Para estas questões, e para acabar com quaisquer dúvidas sobre possíveis rachas na diretoria, esta deveria se pronunciar oficialmente. Tal como qualquer executivo de uma grande empresa faria para detalhar os passos a serem dados, junto aos acionistas da mesma.
No entanto, o mundo desaba, notícias vazam (um filme que a torcida do Flamengo já viu centenas de vezes em administrações anteriores), mas a diretoria vem a público dizer apenas que Pelaipe fica.
É compreensível que, diante da inexperiência dos "profissionais" no futebol, chamar alguém que está habituado ao porco submundo da bola é quase uma imposição. Mas deve-se lembrar sempre do ditado: quem se junta aos porcos, come farelo.
Considerando a esperança que a torcida deposita nos girondinos rubro-negros, mais transparência e menos "intocáveis" são essenciais.
Em meio a tudo isto, às vésperas da parada para a Copa das Confederações, o Flamengo venceu, e lembrando o poema, "amanhã, ninguém sabe o que será".
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 13 de maio de 2013
A maldição da reforma?
O Bahia, com profundas raízes fincadas na Fonte Nova, pode ter visto com alegria a reinauguração do estádio. Podia.
Foram, desde o retorno à velha casa, três clássicos Ba-Vi (Bahia e Vitória).
O primeiro terminou 5 a 1 para o Vitória. No segundo, nova derrota, por 2 a 1. Agora, outra sova de 7 a 3 para o rubro-negro.
Marcou cinco gols, levou 14!
Será que a reforma que transformou a Fonte Nova em uma "arena" é uma maldição que recai sobre o Bahia?
A torcida tricolor, mesmo temente aos desígnios dos orixás, tem certeza que amaldiçoado mesmo é o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho.
Já a torcida rubro-negra, quer mandato vitalício para "Marcelinho"...
Valeu,
Bruno Porpetta
Ba-Vi, desde o retorno da Fonte Nova, é só chocolate!
Foram, desde o retorno à velha casa, três clássicos Ba-Vi (Bahia e Vitória).
O primeiro terminou 5 a 1 para o Vitória. No segundo, nova derrota, por 2 a 1. Agora, outra sova de 7 a 3 para o rubro-negro.
Marcou cinco gols, levou 14!
Será que a reforma que transformou a Fonte Nova em uma "arena" é uma maldição que recai sobre o Bahia?
A torcida tricolor, mesmo temente aos desígnios dos orixás, tem certeza que amaldiçoado mesmo é o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho.
Já a torcida rubro-negra, quer mandato vitalício para "Marcelinho"...
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 14 de março de 2013
Habemus Genium
A fumaça branca da Capela Sistina anuncia: católicos de todo o mundo já podem encomendar as medalhinhas com o retrato de Jorge Mario Bergoglio, o novo chefe de Estado do Vaticano.
Sua missão é limpar a barra da Igreja diante de tantos escândalos. Sejam os mistérios do Banco do Vaticano, ou o enorme interesse de padres no mundo todo por crianças, que provavelmente deixariam Michael Jackson, no mínimo, curioso.
O convocado para tal tarefa foi colaborador da ditadura militar argentina, omitindo-se diante do sequestro de bebês, além de inúmeros assassinatos. Sua última peripécia foi uma campanha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Ou seja, não mudou nada! E nem se imaginava o contrário...
De qualquer forma, o Vaticano faz história ao eleger um latino-americano pela primeira vez. Mais precisamente, um argentino.
O Conclave se encerra um dia depois de uma exibição de gala do Barcelona e, em especial, de Lionel Messi.
Aliás, ouso dizer que o Conclave se encerrou por causa desta exibição!
Diante do histórico, com um Barça não acostumado a precisar reverter tamanha adversidade, contra um adversário que fez "o jogo da vida" em San Siro e, mesmo com um time jovem e razoavelmente limitado, é "só" o Milan, que dificilmente perde confrontos na Liga dos Campeões com tal vantagem, era preciso se reinventar pelos lados da Catalunha.
Mas os gênios se reinventam. O tempo todo!
Messi, até então em início de contestação, questionado por uma dita falta de "apetite" para jogar futebol.
Os gênios do futebol são capazes de sobreviver por meses na selva. Sabem que caçar não é fácil, portanto economizam a própria fome para o momento certo. A caça perfeita!
Era a tal virada inédita contra o Milan, a hora da fome!
A fome de Messi contaminou o Barcelona, que fez uma de suas maiores exibições nos últimos anos. De certa forma, recriando o Barcelona de Guardiola, mas principalmente dando condições para que Messi fugisse da marcação pelo meio.
Um pouco mais aberto pela direita, caindo em cima de Constant (de qualidade bastante duvidosa), deixou-o perdido. O lateral não sabia se grudava no Messi, ou fechava as constantes subidas de Daniel Alves, e esta dúvida deu câimbra no cérebro do rossonero.
Além disso, possibilitou que Xavi e Iniesta encontrassem mais espaços. Mas tudo isso contou, fundamentalmente, com o golaço marcado por Messi logo aos quatro minutos de jogo.
E não estamos falando de um adversário que não tentou chegar ao gol! O Milan chutou mais a gol nos primeiros 45 minutos que o Barcelona no jogo de ida, colocou uma bola na trave, mas no minuto seguinte Messi marcava mais um. Ali, começavam a selar o caixão do Milan.
Dois vira, quatro acaba!
O placar que indicava disputa de pênaltis, foi desfeito por David Villa. Aí o Milan teve que ir pra cima, abrindo espaços para o Barcelona contra-atacar. E foi no derradeiro contra-ataque que Jordi Alba colocou a coroa de flores e faixa em homenagem ao defunto.
Diante de tal magnitude de Messi, nem o Conclave resistiu. Juntou o útil ao agradável.
Escolhe, mais uma vez, um Papa oriundo de uma região do mundo a que se quer subjugar ideologicamente (assim como o polonês João Paulo II, em plena Guerra Fria) e, de quebra, ganha camisas deste genial Lionel Messi.
Por isso, um argentino!
Isso, além de la mano de Dios...
Valeu,
Bruno Porpetta
Sua missão é limpar a barra da Igreja diante de tantos escândalos. Sejam os mistérios do Banco do Vaticano, ou o enorme interesse de padres no mundo todo por crianças, que provavelmente deixariam Michael Jackson, no mínimo, curioso.
O convocado para tal tarefa foi colaborador da ditadura militar argentina, omitindo-se diante do sequestro de bebês, além de inúmeros assassinatos. Sua última peripécia foi uma campanha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Ou seja, não mudou nada! E nem se imaginava o contrário...
De qualquer forma, o Vaticano faz história ao eleger um latino-americano pela primeira vez. Mais precisamente, um argentino.
O Conclave se encerra um dia depois de uma exibição de gala do Barcelona e, em especial, de Lionel Messi.
Aliás, ouso dizer que o Conclave se encerrou por causa desta exibição!
Diante do histórico, com um Barça não acostumado a precisar reverter tamanha adversidade, contra um adversário que fez "o jogo da vida" em San Siro e, mesmo com um time jovem e razoavelmente limitado, é "só" o Milan, que dificilmente perde confrontos na Liga dos Campeões com tal vantagem, era preciso se reinventar pelos lados da Catalunha.
Mas os gênios se reinventam. O tempo todo!
Messi, até então em início de contestação, questionado por uma dita falta de "apetite" para jogar futebol.
Os gênios do futebol são capazes de sobreviver por meses na selva. Sabem que caçar não é fácil, portanto economizam a própria fome para o momento certo. A caça perfeita!
Era a tal virada inédita contra o Milan, a hora da fome!
A fome de Messi contaminou o Barcelona, que fez uma de suas maiores exibições nos últimos anos. De certa forma, recriando o Barcelona de Guardiola, mas principalmente dando condições para que Messi fugisse da marcação pelo meio.
Um pouco mais aberto pela direita, caindo em cima de Constant (de qualidade bastante duvidosa), deixou-o perdido. O lateral não sabia se grudava no Messi, ou fechava as constantes subidas de Daniel Alves, e esta dúvida deu câimbra no cérebro do rossonero.
Além disso, possibilitou que Xavi e Iniesta encontrassem mais espaços. Mas tudo isso contou, fundamentalmente, com o golaço marcado por Messi logo aos quatro minutos de jogo.
E não estamos falando de um adversário que não tentou chegar ao gol! O Milan chutou mais a gol nos primeiros 45 minutos que o Barcelona no jogo de ida, colocou uma bola na trave, mas no minuto seguinte Messi marcava mais um. Ali, começavam a selar o caixão do Milan.
Dois vira, quatro acaba!
O placar que indicava disputa de pênaltis, foi desfeito por David Villa. Aí o Milan teve que ir pra cima, abrindo espaços para o Barcelona contra-atacar. E foi no derradeiro contra-ataque que Jordi Alba colocou a coroa de flores e faixa em homenagem ao defunto.
Diante de tal magnitude de Messi, nem o Conclave resistiu. Juntou o útil ao agradável.
Escolhe, mais uma vez, um Papa oriundo de uma região do mundo a que se quer subjugar ideologicamente (assim como o polonês João Paulo II, em plena Guerra Fria) e, de quebra, ganha camisas deste genial Lionel Messi.
Por isso, um argentino!
Isso, além de la mano de Dios...
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 3 de março de 2013
Ano 60 d.C.
Hoje, completam-se seis décadas do Novo Testamento do futebol brasileiro e, em especial, da maior torcida do país!
Arthur Antunes Coimbra, o Zico, nasceu em 3 de março de 1953, no bairro de Quintino (a Nazaré brasileira), no Rio de Janeiro.
Aos 33, foi crucificado pelo pênalti perdido nas quartas-de-final da Copa do Mundo, contra a França de Platini. Como estava escrito, ressuscitou, foi novamente campeão brasileiro em 87, levou a palavra dos deuses do futebol para o Japão, e reina nos céus rubro-negros.
Foi negado três vezes por burocratas da política do Flamengo, mas vive nos corações daqueles a quem os domingos sagrados no Maracanã (a terra santa) eram dedicados. Com 333 gols, o Messias da nação rubro-negra consagrou-se como o maior artilheiro do solo abençoado do Estádio Mário Filho.
Agora, corrigindo muitos anos de injustiça, Zico tem uma estátua posta em frente à sede do Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea. Possuía duas no Japão, outra no Maracanã, e ainda não tinha sua imagem santificada a proteger o clube de todo o mal.
Mas sabe como é: perdoe-os, pois eles não sabem o que fazem.
Feliz eternidade, Galinho!
Valeu,
Bruno Porpetta
Arthur Antunes Coimbra, o Zico, nasceu em 3 de março de 1953, no bairro de Quintino (a Nazaré brasileira), no Rio de Janeiro.
Aos 33, foi crucificado pelo pênalti perdido nas quartas-de-final da Copa do Mundo, contra a França de Platini. Como estava escrito, ressuscitou, foi novamente campeão brasileiro em 87, levou a palavra dos deuses do futebol para o Japão, e reina nos céus rubro-negros.
Foi negado três vezes por burocratas da política do Flamengo, mas vive nos corações daqueles a quem os domingos sagrados no Maracanã (a terra santa) eram dedicados. Com 333 gols, o Messias da nação rubro-negra consagrou-se como o maior artilheiro do solo abençoado do Estádio Mário Filho.
Agora, corrigindo muitos anos de injustiça, Zico tem uma estátua posta em frente à sede do Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea. Possuía duas no Japão, outra no Maracanã, e ainda não tinha sua imagem santificada a proteger o clube de todo o mal.
Mas sabe como é: perdoe-os, pois eles não sabem o que fazem.
Feliz eternidade, Galinho!
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Um nacho indigesto
"Sábado de sol, aluguei um caminhão pra levar a galera pra..." assistir à final do futebol masculino olímpico, onde o Brasil - favoritíssimo, bom que se diga - enfrenta o México.
O Brasil tem cinco títulos mundiais. Teve seleções como as de 58, 70 e 82, que encantaram ao mundo todo com seu estilo de futebol digno de Louvre. Vestiram a camisa amarelinha craques como Friedenreich, Leônidas, Domingos da Guia, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Rivellino, Falcão, Junior, Leandro, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e, o maior de todos eles, Pelé.
Ou seja, a camisa da seleção brasileira tem cinco vezes o peso do planeta, e vestí-la é, além de uma honra, uma responsabilidade imensa.
Esta tarefa, nas Olimpíadas de Londres-2012, foi confiada a Oscar, Rômulo, Thiago Silva, Marcelo, Leandro Damião, Lucas e, principalmente, Neymar. É no estiloso moicano a la mico-leão-dourado, e seu futebol genial e moleque, que estão depositadas nossas maiores esperanças na conquista daquilo que nem Pelé trouxe para casa: o ouro olímpico.
Falta somente ao futebol brasileiro subir no pódio em que Jesse Owens, Adhemar Ferreira da Silva, Nadia Comaneci, Carl Lewis, Michael Phelps e Usain Bolt já subiram.
Apesar de todos os problemas na preparação do time nos últimos anos, o Brasil chegou como um dos favoritos ao título, e com a queda de outros possíveis candidatos, chegou à final como o grande favorito. Mas a final é contra o México, um grande sapo enterrado embaixo das nossas traves.
O México não tem nenhum mundial. Quando chega às quartas-de-final, seus jogadores são recebidos com festa no aeroporto. Se chegarem a uma final, comporão todo o Congresso Nacional mexicano nas eleições seguintes. Claro, se o PRI e seu staff para golpes eleitorais quiserem.
A camisa verde mexicana só tem peso para a Concacaf (confederação que congrega as Américas do Norte, Central e as Guianas), onde já ganhou várias competições. Em geral, disputadas contra os EUA, que possuem pouca intimidade com a redonda (de futebol, claro).
Fora o Império Azteca, o movimento zapatista e o Chaves, o México foi uma sucessão de Marias del Bairro sem fim.
Porém, é mexicano o ouro dos últimos Jogos Panamericanos, cuja base do time é a mesma que enfrenta o Brasil neste sábado.
Além disto, o México se tornou uma pedra no sapato brasileiro. Ultimamente, alguns dos maiores vexames da seleção brasileira foram contra os mexicanos. Até mesmo nos amistosos que antecederam às Olimpíadas em Londres, o Brasil foi derrotado pelo México, na pior exibição recente da equipe brasileira.
Mais do que os mexicanos, somente os franceses possuem o privilégio de ser uma formação rochosa no nosso caminho.
Agora é torcer e ver no que vai dar. Mas aquele patuá guardado na gaveta, por via das dúvidas, carregue na mão durante o jogo.
Valeu,
Bruno Porpetta
O Brasil tem cinco títulos mundiais. Teve seleções como as de 58, 70 e 82, que encantaram ao mundo todo com seu estilo de futebol digno de Louvre. Vestiram a camisa amarelinha craques como Friedenreich, Leônidas, Domingos da Guia, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Rivellino, Falcão, Junior, Leandro, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e, o maior de todos eles, Pelé.
Ou seja, a camisa da seleção brasileira tem cinco vezes o peso do planeta, e vestí-la é, além de uma honra, uma responsabilidade imensa.
Esta tarefa, nas Olimpíadas de Londres-2012, foi confiada a Oscar, Rômulo, Thiago Silva, Marcelo, Leandro Damião, Lucas e, principalmente, Neymar. É no estiloso moicano a la mico-leão-dourado, e seu futebol genial e moleque, que estão depositadas nossas maiores esperanças na conquista daquilo que nem Pelé trouxe para casa: o ouro olímpico.
Falta somente ao futebol brasileiro subir no pódio em que Jesse Owens, Adhemar Ferreira da Silva, Nadia Comaneci, Carl Lewis, Michael Phelps e Usain Bolt já subiram.
Apesar de todos os problemas na preparação do time nos últimos anos, o Brasil chegou como um dos favoritos ao título, e com a queda de outros possíveis candidatos, chegou à final como o grande favorito. Mas a final é contra o México, um grande sapo enterrado embaixo das nossas traves.
O México não tem nenhum mundial. Quando chega às quartas-de-final, seus jogadores são recebidos com festa no aeroporto. Se chegarem a uma final, comporão todo o Congresso Nacional mexicano nas eleições seguintes. Claro, se o PRI e seu staff para golpes eleitorais quiserem.
A camisa verde mexicana só tem peso para a Concacaf (confederação que congrega as Américas do Norte, Central e as Guianas), onde já ganhou várias competições. Em geral, disputadas contra os EUA, que possuem pouca intimidade com a redonda (de futebol, claro).
Fora o Império Azteca, o movimento zapatista e o Chaves, o México foi uma sucessão de Marias del Bairro sem fim.
Porém, é mexicano o ouro dos últimos Jogos Panamericanos, cuja base do time é a mesma que enfrenta o Brasil neste sábado.
Além disto, o México se tornou uma pedra no sapato brasileiro. Ultimamente, alguns dos maiores vexames da seleção brasileira foram contra os mexicanos. Até mesmo nos amistosos que antecederam às Olimpíadas em Londres, o Brasil foi derrotado pelo México, na pior exibição recente da equipe brasileira.
Mais do que os mexicanos, somente os franceses possuem o privilégio de ser uma formação rochosa no nosso caminho.
Agora é torcer e ver no que vai dar. Mas aquele patuá guardado na gaveta, por via das dúvidas, carregue na mão durante o jogo.
Valeu,
Bruno Porpetta
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Sábias palavras de Pai Zezão
Por José Renato Baptista, camarada de fé, de visão de mundo e de paixão pelo Flamengo.
"Tem uma coisa engraçada.
As pessoas acham que o volei brasileiro tem bons resultados há tantos anos por causa dos jogadores e do Bernardinho.
Sim, também. Mas esquecem que existe um trabalho que vem sendo feito desde 1982, quando a chamada "Geração de Prata" conquistou um vice-campeonato mundial e uma medalha de prata olímpica. O Brasil vem conquistando títulos e vitórias nas categorias de base há tantos anos.
O nosso problema é achar que medalhas olímpicas ou vitórias esportivas são o resultado de gênios excepcionais que surgem de vez em quando.
Sim, os gênios surgem, é verdade, quando você extrai da quantidade a qualidade. É preciso que existam muitos atletas em uma modalidade para que surjam os grandes atletas. É preciso que as pessoas pratiquem esportes para que o talento apareça.
Muitos vem destacando isso: é preciso trabalhar a base.
Não esperem grandes resultados olímpicos daqui há 4 anos. Eles não virão.
No volei eles vieram em quase 20 anos de trabalho. No judô, eles podem vir, mas já são aí pelo menos dois ciclos olímpicos. Nos demais esportes vai ser sempre muito dífícil.
Só investindo massivamente nos esportes, no esporte escolar, não para formar atletas, mas para difundir a prática dos esportes, é que vamos ver aparecer medalhas e subir no quadro de medalhas em uma Olimpíada.
No mais, veremos eventuais bronzes. Raras pratas e raríssimos ouros."
É mais ou menos o que eu tenho tentado falar nos últimos dias. O número de medalhas é diretamente proporcional ao número de praticantes esportivos. E país que pratica esportes, com ou sem medalhas, é um país melhor.
Valeu,
Bruno Porpetta
"Tem uma coisa engraçada.
As pessoas acham que o volei brasileiro tem bons resultados há tantos anos por causa dos jogadores e do Bernardinho.
Sim, também. Mas esquecem que existe um trabalho que vem sendo feito desde 1982, quando a chamada "Geração de Prata" conquistou um vice-campeonato mundial e uma medalha de prata olímpica. O Brasil vem conquistando títulos e vitórias nas categorias de base há tantos anos.
O nosso problema é achar que medalhas olímpicas ou vitórias esportivas são o resultado de gênios excepcionais que surgem de vez em quando.
Sim, os gênios surgem, é verdade, quando você extrai da quantidade a qualidade. É preciso que existam muitos atletas em uma modalidade para que surjam os grandes atletas. É preciso que as pessoas pratiquem esportes para que o talento apareça.
Muitos vem destacando isso: é preciso trabalhar a base.
Não esperem grandes resultados olímpicos daqui há 4 anos. Eles não virão.
No volei eles vieram em quase 20 anos de trabalho. No judô, eles podem vir, mas já são aí pelo menos dois ciclos olímpicos. Nos demais esportes vai ser sempre muito dífícil.
Só investindo massivamente nos esportes, no esporte escolar, não para formar atletas, mas para difundir a prática dos esportes, é que vamos ver aparecer medalhas e subir no quadro de medalhas em uma Olimpíada.
No mais, veremos eventuais bronzes. Raras pratas e raríssimos ouros."
É mais ou menos o que eu tenho tentado falar nos últimos dias. O número de medalhas é diretamente proporcional ao número de praticantes esportivos. E país que pratica esportes, com ou sem medalhas, é um país melhor.
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 14 de julho de 2012
Para não passar em branco... parabéns para nós!
Devido à correria de campanha, só agora vai uma singela homenagem ao dia do rock.
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
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