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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Primavera nos dentes

Ronaldinho Gaúcho está de volta ao futebol brasileiro. Agora é jogador do Fluminense, após passagem discreta pelo Querétaro, do México.



O custo para o clube é relativamente alto. O que se coloca em questão, depois de inúmeros casos de descompromisso com a própria carreira, são os benefícios.

Sua passagem pelo Flamengo foi um desastre. Conquistou apenas um Carioca, sem nenhum brilhantismo. Seu melhor momento com a camisa rubro-negra foi em um jogo histórico contra o Santos, na Vila Belmiro.

No Atlético-MG, foi da redenção ao ocaso em curto período. Após se destacar na conquista da Libertadores em 2013, resolveu se dedicar à noite com afinco. Saiu do Galo como ídolo, embora a torcida já não visse a hora disso acontecer.

O OUTRO LADO DA MOEDA

E não é que pode dar certo? Pare e pense.

Do ponto de vista comercial, qualquer solo que Ronaldinho pise é digno de nota no mundo todo. Naquele papo de internacionalização da marca do Flu, é uma tacada de gênio da diretoria. Tão genial quanto o futebol que ele já teve e conquistou fãs em todo o planeta.

Dentro do campo, pode ser o último clube de Ronaldinho. Ele tem 35 anos e pode se motivar a querer encerrar a carreira de forma, no mínimo, digna. Pode ficar alheio ao jogo por 88 minutos, mas se colocar o Fred duas vezes na cara do gol, como ele sabe muito bem fazer, o adversário que se vire para fazer três e vencer o jogo.

Enfim, se por um lado pode desestabilizar um time certinho que, ao contrário de todas as previsões, está nas cabeças do Brasileirão. Por outro, pode motivar ainda mais essa molecada a correr por ele, jogar por ele.


Algo que na cabeça dos garotos era inimaginável fora do videogame, pode resultar em um final de ano feliz nos gramados.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Férias frustradas

Após a eliminação nas semifinais do Carioca, tida como precoce por conta dos investimentos feitos no elenco, além da manutenção da base da equipe do ano anterior, o Flamengo foi à Atibaia, no interior de São Paulo.

Não era a primeira vez que Luxemburgo levava o time rubro-negro para lá. Tampouco o Flamengo era a primeira equipe que o “pofexô” carregava para um período de treinamentos por lá.



O hotel em questão é muito bonito, com ampla área verde, bons campos de futebol, sossego e tranquilidade. Além dos campos, haviam piscinas, churrasqueiras, quartos confortáveis, salão de jogos.

O que não fica muito claro para todos, diante das exibições do time depois desta estadia, é em qual parte do hotel os jogadores preferiram frequentar. Na churrasqueira? Na piscina? No salão de jogos?
A impressão é que ficaram em qualquer lugar, menos no campo.

INEVITÁVEL SAÍDA

As férias rubro-negras em Atibaia não desfizeram o bando que se apresentava nos jogos. Desde o início do ano, não houve uma única exibição decente. Por mais que a torcida rubro-negra reclame da arbitragem na semifinal do Carioca, esta passou longe de ser a razão pela queda.

O time não joga, não jogou e, por mais que doa para alguns dizer isso, não jogaria nada com Luxemburgo. Estes primeiros cinco meses do ano foram jogados no lixo pelo Flamengo.

Os girondinos rubro-negros da diretoria, tão eficazes no planejamento financeiro, precisam entender mais de futebol e ter a mesma capacidade para pensar o que será do time, da comissão técnica.


A torcida não admite um time abaixo das expectivas, tolera dentro delas, adora acima. Para isso, já que não tem nenhum craque, pelo menos um pouco mais de organização dentro das quatro linhas não é pedir muito.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vai começar a festa?

Neste final de semana começam os estaduais. Mas para o nosso quintal interessa mesmo o Carioca. O que ficou conhecido como “charmoso”, devido à queda acentuada de qualidade durante os anos 90, que se arrastou ao longo dos anos.

Não é nenhum absurdo creditar parte dos nossos insucessos ao grande feudo instalado na FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), encabeçado por Rubens Lopes, cria do lendário homem de “boa imagem”, o Caixa d’Água.



Nesse mato não tem só cachorro. Existe uma gama de bichos que devoram nosso campeonato ao longo dos anos.

A polêmica dos ingressos é pitoresca. A FERJ promove um festival de preços baixos, Flamengo e Fluminense se pronunciam contrários. Por trás de toda esta história, a figura de Eurico Miranda.

Apesar das razões comerciais da dupla Fla-Flu, não dá pra ser contra ingresso barato. Pega até mal, né não? Apesar da conhecida dupla Rubens-Eurico, existe a chance de o povo voltar aos estádios.

Na bola, pode ser melhor

Os times cariocas, fora da Libertadores, jogarão pra valer o estadual. A ligeira vantagem do Flamengo, neste ano de vacas magras, coloca mais pressão sobre o rubro-negro.

O Fluminense tenta segurar aquele que, hoje, é um bom time. Amanhã, ninguém sabe. No Vasco, time novo, treinador novo e um velho dirigente.

O Botafogo é uma incógnita cuja tarefa é voltar à elite do futebol nacional. Depois do desastroso ex-presidente, qualquer notícia de General Severiano já é melhor que as do ano passado.

O Bangu enfiou cinco no time chinês. Por mais que Vágner Love, Montillo e Cuca estejam praticamente dando um rolé por estas bandas, cinco é bastante coisa. Pode surpreender.

Já o time do Macaé, repleto de empresários fazendo testes, acabou de levar a Série C do Brasileiro. Será, no mínimo, curioso.


É pagar pra ver. Embora ainda discutam se será muito ou pouco.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Um convite ao sofá

O clássico das multidões. Esta é a definição do confronto entre as duas maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.



Ou seja, o povo brasileiro está condenado a assistir velhos fantasmas do futebol brasileiro. Ingressos caros e os erros de arbitragem – do árbitro da Copa, diga-se de passagem.

Após uma sequência de vitórias rubro-negras, vieram as duas derrotas e o jogo contra o alvinegro paulistano deveria ser a redenção do Flamengo. Ao mesmo tempo em que o Corinthians vinha de uma sequência positiva, com um time melhor que o do Flamengo e sem problemas para o jogo.

Com os preços praticados nos tempos da lanterna, haveriam pelo menos 50 mil pessoas no Maracanã. Haviam 32 mil, o que não é um público ruim, pelo contrário. Mas poderia ter mais gente ali.

Gente que veria mais uma atuação vergonhosa da arbitragem. O árbitro Sandro Meira Ricci prejudicou, mais que o Corinthians, o jogo.

O gol do Flamengo estava – duas vezes – impedido e o pênalti não existiu. É necessário adotar, logo de cara, estas duas premissas. Ainda assim a vitória do Flamengo não foi injusta, jogou mais que os paulistas.

Além do mais, o Flamengo também foi prejudicado pela arbitragem. Por um lado, pelo impedimento dado a um jogador que estava no campo de defesa e sairia na cara do gol. Por outro, porque os erros contra o Corinthians tiram um pouco do brilho da vitória, mesmo justa.

O Flamengo dominou o adversário, correu riscos maiores apenas no início do segundo tempo, com o vacilo da defesa que deixou Luciano na cara do gol. A partida de Everton foi sublime. O Corinthians fez muito pouco para quem quer ir à Libertadores.


Ambos os fantasmas empurram o verdadeiro torcedor brasileiro para o sofá. Pagar muito por um “espetáculo” desses é de doer na alma, mas especialmente no bolso.


Valeu,


Bruno Porpetta

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Para onde pende a gangorra?

Não faz muito tempo, vascaínos criticavam muito Adilson Batista. Ao mesmo tempo, o treinador Cristóvão Borges era motivo de orgulho para os tricolores.

O primeiro, tropeçava na Série B. A ponto de outras torcidas pensarem na absurda hipótese de queda para a C.  O segundo, tinha o time de maior índice de acerto de passes e, até então, o futebol mais bonito do Brasileirão.



De repente, as bombas eleitorais no Vasco começam a cair. Suspeita de compra de votos, eleitores mortos aptos a votar e nomes que podiam votar duas vezes. A eleição está na justiça, inclusive. E o Vasco, dentro de campo, vai reagindo e subindo na tabela.

No Fluminense, a hecatômbica derrota para o América-RN. Os cinco gols sofridos, sendo quatro só no segundo tempo. Uma virada histórica e uma eliminação terrível. Depois, ainda teve o clássico com o Botafogo. Mais uma derrota.

Adilson Batista, por um lado, gosta de um time bem fechado na defesa. Aposta nas bolas em Douglas – que vem sendo decisivo – para a distribuição do jogo. O meia é o termômetro do time. Vai bem, o time joga. Quando não...

Cristóvão continua o mesmo. Faz um belo trabalho, mas é pressionado pelas más atuações recentes do time. Pouco se fala sobre as razões da queda de produção.

Está se tornando pública a discussão sobre premiações da equipe. A patrocinadora está fechando a torneira e o debate, obviamente, se acalora. Alguns jogadores importantes estão em processo de renovação de contrato, como Cavalieri e Carlinhos. São bons dados para se encontrar uma razão para a queda do time em campo.

É bom que se diga, os jogadores estão cobertos de razão.


Portanto, é bom que se valorize os méritos de Adilson no Vasco, como blindar a equipe daquilo tudo. Por outro lado, é fundamental manter Cristóvão com liberdade para montar o time. Com ou sem Fred.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Malditos hinchas!

Sejamos sinceros, as centenas de torcedores chilenos detidos no Maracanã pela tentativa de invasão do estádio para ver o jogo contra a Espanha que classificou de maneira brilhante a seleção do excelente Jorge Sampaoli só estão sendo tão divulgadas e rigorosamente punidas porque foi pela Sala de Imprensa.



Quando cerca de mil argentinos invadiram o Maracanã no domingo, para ver o golaço de Messi contra a Bósnia, quase ninguém soube. Entraram pelas catracas mesmo.

Agora que o mundo todo viu a invasão, a FIFA precisa tomar providências. E tomou as piores, como sempre se pode esperar da entidade.

Os chilenos tem 72 horas para deixar o país ou serão deportados.

Deportados?

Estamos falando de torcedores de verdade, gente que senta a bunda em arquibancada. Não de filhos da classe média que se amarram em cantar seu orgulho e seu amor por ser brasileiro, mas preferiam morar na Europa.

Esta deportação é das coisas mais absurdas que podem haver. Eles são torcedores, estão por aí nos bares tomando sua cerveja, gastando dinheiro no Brasil e queriam muito ver sua seleção aniquilar a atual campeã mundial.

Uma das coisas mais bonitas da Copa é este clima de Libertadores. Para isto, não pode haver plateia, tem que haver torcida.

É exatamente isto que a FIFA não gosta, de torcida, de futebol e de quem gosta de futebol. Para eles é só um espetáculo, não tem nada de paixão.

Quero mais umas dez Copas, desde que a FIFA não controle mais o futebol.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 2 de julho de 2013

Tá bom, porra! Eu falo desta merda!

Não dá pra passar incólume por uma atuação primorosa do time brasileiro diante da Espanha.

O Brasil jogou muito e mostrou que, enfim, tem um time.



Pode não ser o time dos seus sonhos, ou o time dos meus sonhos, mas tem um time.

Não dá pra colocar na conta de Mano não tê-lo antes. Os primeiros anos seriam mesmo dedicados à experiências, e ele as fez.




Vencer a Copa das Confederações é bom para o moral, como diria Rita Cadillac. Mas não é pra tanta exaltação.

Foi importante achar um time. Serviu para, enfim, enxergarmos em Neymar um craque (sem que ele precisasse jogar um dia sequer na Europa).

Mas ganhar a Copa das Confederações não é garantia de nada! Vide os anos de 2005, na Alemanha, e 2009, na África do Sul.

Então, devagar com o andor que o santo é de barro! Foi muito bom ganhar em casa e poder imaginar como pode ser no ano que vem. Mas, por enquanto, é só imaginação.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 9 de abril de 2013

Futuro arcaico

De 2007 até hoje, o Rio de Janeiro assiste ao indecente desmantelamento do "legado" do Pan.

Quando sediamos o Pan, venderam-nos a ideia de que a estrutura - que nos custou os olhos da cara - montada serviria ao Brasil e, em especial, o Rio na conquista do direito a sediar os Jogos Olímpicos. Este, por sua vez, traria um caminhão de investimentos para a cidade, deixando-nos um legado que melhoraria os transportes, a saúde, a educação... e todo aquele papo de candidato do estabilishment em época de eleições!



O complexo de piscinas do Maria Lenk, absolutamente abandonado. A Arena da Barra, respira através de aparelhos sonoros dos shows que sedia, mas basquete que é bom, já faz tempo que não há. O velódromo, não serve para as Olimpíadas por conta de uma pilastra mal posta. E por último, o Engenhão.

O estádio, cedido ao Botafogo por um valor módico, era o símbolo da "modernidade" olímpica. Se era possível colocar aquele imponente trambolho no meio de Engenho de Dentro, bairro suburbano e - via de regra - carente de serviços públicos, o que não seria possível fazer na Olimpíada?



Era o único equipamento construído para o Pan que, enfim, serviria para os Jogos Olímpicos. Mas Drummond era um visionário. Quando dizia que "há uma pedra no caminho", esta significava obra.

Obra para levantar, e tome outra obra para que ele não caia.

Na cidade das remoções, das inúmeras agressões aos direitos humanos mais básicos, da exaltação constante à polícia que mais gosta de uma "mordidinha" em todo o país, descobre-se que a Prefeitura já sabia desde 2010 que o Engenhão precisava de reformas. E se estas fossem feitas à época, sequer seria necessária a interdição do estádio.

O mesmo 2010 que marcou a despedida do bom e velho Maracanã, fechado para ser vilipendiado por saqueadores da história e cultura do nosso futebol e do nosso povo.

Imaginem só, em pleno início das obras do Maracanã, a cidade toda descobrir que o "legado" que toda esta parafernália ligada aos megaeventos poderia virar areia, de uma hora para outra?!?



A vida dos que ocupam as cadeiras do poder não seria tão tranquila.

Não distingue-se aí o poder privado do estatal, muito pelo contrário. Estes colaboram-se.

Agora, às vésperas do término das obras do Maracanã, o Comitê Organizador da Rio-2016 mandou avisar que este novo Maracanã também não serve às Olimpíadas. Questionam os estacionamentos, lojas (nos custando uma escola, um museu e dois equipamentos esportivos que, além de servir para treinamento daqueles que deveriam receber um pouco mais de atenção por parte dos dirigentes, abrigam vários projetos comunitários) e... um túnel!

Um raio d'um túnel que, para o COI, deve ter seis metros de largura por seis de pé-direito. Resumindo: mais obras!

Afinal de contas, quem disse que só a turma do "futebol" pode se locupletar com tamanha fartura de obras, e uma meia dúzia de melhorias, cujo custo-benefício para o povo é extremamente discutível?



Ainda tem muita gente querendo mamar nestas enormes tetas chamadas "megaeventos esportivos".

Passados os eventos, ainda ecoa pelos ares a pergunta: afinal, qual será o nosso legado?

Enquanto o nosso futuro estiver nas mãos do atraso, as perspectivas não são nada animadoras.


Valeu,

Bruno Porpetta


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Feliz ano novo!

Muitos dizem que o ano só começa, pra valer, depois do carnaval.

Outros tantos que o período compreendido entre o carnaval e o reveillón é o mais chato do ano.

Fico com a primeira assertiva. Afinal de contas, apesar do fim das festividades de Momo, inicia-se um período onde o povo fica mais ligado no que nossos governantes andam fazendo por aí e, também, o futebol no Brasil e no mundo começa a ficar mais interessante.

Em plena quarta-feira de cinzas, um dia recheado de emoções, a escola vizinha de casa é campeã no carnaval do Rio. A festa foi incrível, em um bairro que tem o samba tatuado no coração. Parabéns a Vila de Noel!!






Enquanto a festa rolava em Vila Isabel, o mundo da bola tinha bastante o que falar também.

O reencontro de Cristiano Ronaldo com seu ex-clube, o Manchester United, no Santiago Bernabeu. O trágico jogo entre Shaktar Donetsk e Borussia Dortmund, na Ucrânia, após o acidente aéreo que matou quatro torcedores do time alemão que estavam a caminho da partida. A estreia do campeão brasileiro na Libertadores, jogando contra o Caracas, na Venezuela, com um gramado que, se chamado de pasto, estará recebendo um belíssimo elogio. Além do jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, no Presidente Vargas, em Fortaleza, pela Copa do Nordeste.

O reencontro

O Real vai para Manchester com um resultado bastante perigoso. O empate em 1 a 1, em Madri, dá ao United a vantagem de poder se classificar simplesmente não levando gols.



Após a excelente atuação do goleiro De Gea, na partida de ida, as esperanças dos torcedores ingleses se elevam à terceira potência.

Mesmo o próprio goleiro precisava de uma atuação dessas, para ganhar definitivamente a confiança dos Red Devils.

A propósito, conforme o esperado, teve gol de Cristiano Ronaldo em uma linda cabeçada, com uma tímida comemoração.

Jogando pela torcida

Após a queda de um avião em Donetsk, com a morte de quatro torcedores do Borussia Dortmund, não era possível prever com que estado de espírito entraria o time alemão em campo.



O acidente acabou servindo como elemento motivador para o time, que jogou bem e conseguiu empatar o jogo em 2 a 2, depois de estar atrás no placar por duas vezes.

Se o Lewandowski daqui ressente-se ainda da derrota no STF, o de lá  balança as redes com frequência. Embora o lance de seu gol ontem tenha sido uma imensa bizarrice que deu certo, com uma furada ridícula que tirou dois zagueiros do lance e abriu caminho para o chute certeiro que sacudiu o barbante.

Tricolor "pasta" em Caracas

O Fluminense, atual campeão brasileiro, tem bem mais time que o Caracas, mas o gramado (se é que dá pra chamar aquilo de gramado) prejudicou muito o futebol tricolor.

Não era possível conduzir a bola, trocar mais de dois ou três passes. Resumindo: uma vergonha!



Ainda assim, com mais um gol de Fred, o tricolor saiu vitorioso por 1 a 0 que, na conta da classificação da Libertadores, tá excelente.

Embora, repita-se pelo terceiro ano seguido, não é necessário levar todo aquele sufoco de fim de jogo.

O exemplo vem de cima

Fala-se muito pouco, no eixo Rio-São Paulo, do futebol do Nordeste.

Mas se existe um calendário um pouco mais racional neste país, é justamente lá que acontece.



Longe de disputar jogos pífios para meia dúzia de gatos pingados na arquibancada, os clubes nordestinos se enfrentam pela Copa do Nordeste.

Em sua grande maioria, só jogaços entre os times mais tradicionais da região, e ontem não foi diferente.

Um jogaço entre Fortaleza e Santa Cruz, com um Presidente Vargas lotado, que terminou em 3 a 3. Gols e grandes jogos, só se vê por lá mesmo, onde se provou que é possível ter um calendário menos monstruoso sem acabar com os estaduais, onde todos estes clubes estarão após o término da Copa do Nordeste.

A cereja do bolo

Porém, sem dúvida alguma, a cereja do bolo nesta quarta-feira foi o jogaço entre Atlético-MG e São Paulo, no estádio Independência, em Belzonte.

Não só por reunir dois grandes clubes brasileiros, por contar com o estádio cheio de uma fanática torcida que sentia saudades da competição (há 13 anos o Galo não disputa uma Libertadores), ou por contar com três campeões mundiais com a seleção do penta, em 2002.

O resultado (2 a 1 para o Galo), excelente para o time mineiro, que já derruba um gigante na competição logo na estreia, foi justo, mas não foi o fundamental.

Em tempos carnavalescos, o lance que originou o primeiro gol do Galo foi de uma picardia tão grande, que só a festa de Momo poderia justificá-lo.

Não esperem que eu diga que Ronaldinho foi sacana no lance, porque absolutamente não foi! Jogou dentro das regras do jogo, e valendo-se da "inexperiência" de Rogerio Ceni, cruzou para o gol de Jô.

Obviamente, Ronaldinho creditará a sorte pelo lance. Deve fazê-lo assim mesmo.

Mas cá entre nós, que conhecemos o esporte que amamos: ele foi de uma malandragem ímpar, daquelas de encher o peito de orgulho e até cantar o hino nacional, louvando aos nossos grandes craques e agradecendo por fazermos parte de um país em que a inteligência é fundamental, mesmo não sabendo se moramos muito bem ou muito mal.

Duvidam? Basta rever o lance. Se alguém te pede uma água para matar a sede, caminhando pelo centro do ataque, por que, ao retornar, o faz pela ponta direita da área, justo onde seria cobrado o arremesso lateral?






Para além deste lance, Ronaldinho fez uma grande partida. De quem sabe que seu futuro na seleção passa, fundamentalmente, pela Libertadores.

E ele veio bem disposto, ao que parece.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Para tudo!

Este blog terá uma breve pausa, pelo mais nobre dos motivos.

É carnaval!

Isto basta...




Bom carnaval a tod@s!


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 16 de dezembro de 2012

O mundo em preto e branco

"Bi-mundial, é coisa que o Corinthians não consegue nem a pau!" (Torcida do Santos, durante muitos anos)

O mundo, pela segunda vez, foi pintado em preto e branco. O Corinthians sagrou-se bicampeão mundial de clubes de futebol.



É preciso, primeiramente, fazer algumas considerações a respeito do título conquistado no Maracanã, em 2000.

Apesar das circunstâncias pouco convencionais que determinaram a composição dos clubes participantes daquele torneio, por maior desgosto que possa causar nos torcedores rivais, por pior que tenha sido a partida final contra o Vasco, o Corinthians foi campeão do mundo naquele ano.

Os créditos a todo o descrédito da competição, devem ser dados à FIFA.

A entidade "terceirizou" o Mundial de Clubes, colocando-o nas mãos da ISL - empresa envolvida em inúmeras denúncias de escândalos, entre eles o caso que envolveu Havelange e Ricardo Teixeira na Suíça, mostrado pela BBC londrina, em reportagem de Andrew Jennings (vídeos abaixo) - que faliu em 2001, abortando a realização do torneio, que tinha a Espanha como sede previamente escolhida.





Diga-se de passagem, aquele formato de Mundial era muito mais interessante, pois colocava todos os continentes, além do país-sede, em pé de igualdade. Dividiam-se em dois grupos de quatro times cada, os vencedores disputavam a grande final. Sem muita frescura.

Se os critérios para indicação dos clubes participantes foi uma completa zona, o Corinthians não tem nada a ver com isso. Questionável, no caso, era a participação do Vasco, campeão da Libertadores de 1998, indicado na véspera da final da competição sul-americana de 99, onde o Palmeiras sagrou-se campeão.

Estas trapalhadas da "entidade máxima do futebol" permitiram sombras de desconfiança geral sobre este título, mas ele existiu, está lá e é do Corinthians.



Portanto, reclamem com a FIFA. Ela merece!

Hoje, por incrível que pareça, eu já tinha cantado a bola. A qualquer um que me perguntava, eu dizia: "Acho que vai dar Corinthians."

O porquê é simples. Desde 2005, quando a FIFA retomou a organização do Mundial de Clubes, nunca houve uma final tão equilibrada.

O Chelsea é um grande time, mas está longe de ser uma seleção de craques. Estivesse o Barcelona em seu lugar, provavelmente meu prognóstico seria outro.

Já o Corinthians, por mais que torçam o nariz, é um excelente time, com um excelente treinador.

A confiança depositada em Tite foi fundamental para este sucesso. Depois da eliminação na Pré-Libertadores de 2011, para o Deportes Tolima, da Colômbia, qualquer outro time teria demitido o treinador. O Corinthians prosseguiu com ele, a despeito de toda a pressão, e chegou onde chegou.

Quer uma prova? Quem bancou a escalação de Cássio, em lugar de Júlio César, contrariando boa parte da crítica esportiva, inclusive este que vos escreve?

A atuação de Cássio contra o Chelsea, com pelo menos três milagres, e algumas defesas, comprovou que Tite estava correto, e nós errados.

Além disto, o Corinthians tem algo que todos os outros clubes brasileiros vivem perseguindo: padrão de jogo.

Fosse o Íbis no lugar do Chelsea, o esquema seria o mesmo. Mais uma lição para Muricy, que resolveu inventar contra o Barcelona e levou um coco inesquecível.

É preciso ressaltar, foi um título essencialmente corinthiano. Com raça, coração e sofrimento. Muito sofrimento.

Não à toa, o autor dos dois gols corinthianos no Mundial foi Guerrero, como todo o time.

Ou a torcida corinthiana não teve calafrios ao ver aquela bola de Fernando Torres sacudindo as redes?

Aliás, convenhamos, o cara ganhou uma Copa do Mundo e não sabe sequer acompanhar a linha do último zagueiro!

E para acabar com qualquer indício de que o Chelsea não tava nem aí para o Mundial, a cara de bumbum após a derrota foi bastante elucidativa.

A FIFA precisava eleger algum jogador para dar o carro japonês que Zico e Raí já ganharam, e elegeu Cássio. Mas se fosse pra ser justo, realmente justo, o prêmio deveria ir para a torcida do Corinthians, que fez do estádio de Yokohama uma espécie de Pacaembu.



E assim pintou o mundo de preto e branco...

Diga-se, merecidamente.

Vai, Corinthians! Vai curtir teu título! Teu bicampeonato mundial! Na bola e na arquibancada.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 8 de dezembro de 2012

Um pouquinho de água no chopp

Com grande alegria e satisfação, a torcida do Flamengo comemora o resultado das eleições no clube. A vitória de Eduardo Bandeira de Mello - ou a derrota da desastrosa gestão de Patrícia Amorim - é cantada aos quatro cantos como sinônimo de renovação, esperança e fé em dias melhores para o clube de maior torcida do Brasil. Seja dentro ou fora do campo.



É fato que a política interna do clube era um eterno disco arranhado. A alternância de poder, em geral, se dava na cabeça de chapa. Para além desta, a insistente repetição de nomes bem conhecidos dentro e fora do Flamengo.

A simples nominata para os cargos mais importante, feita pela chapa recém-eleita, pode ser um indício de oxigenação da política rubro-negra. Eu disse "pode".

Em meio a tanta empolgação, é preciso ponderar algumas questões, antes que façamos avaliações positivas prévias em um mandato que ainda nem começou.

Se há algo realmente muito importante neste processo, é que ele transbordou os limitados muros da Gávea. Os sócios do clube foram sensíveis à voz das ruas, mesmo que estas ainda sejam abafadas pelo intrínseco elitismo do Clube de Regatas do Flamengo.

É absurdo que, para uma torcida de 40 milhões de pessoas, cerca de cinco mil associados estejam aptos a votar. Ou seja, pouco mais de 0,01% da nação rubro-negra.

Neste sentido, nada foi dito pela nova direção. Não há nada concreto para democratizar o Flamengo, trazer sua torcida para dentro do clube, fazê-la participar das decisões que, em primeiro lugar, a envolvem.

Que fique evidente, entende-se por torcida aqueles que não se locupletam do clube, não recebem ingressos para proteger ou difamar um ou outro dirigente. Enfim, torcedores não profissionalizados, que colocam o coração à frente do bolso, e não o contrário.



O Flamengo, tal como os demais grandes clubes do país, é muito maior que sua sede social. Cada ação de seus dirigentes conta, fundamentalmente, com a participação dos torcedores, vistos como consumidores em um cenário de adaptação progressiva dos clubes aos ditames empresariais.

Aliás, nestes padrões, o Flamengo está aparentemente bem servido. A nova diretoria possui executivos de grandes empresas, nos mais diversos ramos e todos muito bem sucedidos. Para que o Flamengo se torne, pelo menos do ponto de vista gerencial, um negócio rentável, este aspecto é importantíssimo.

E aí reside outra questão a se ponderar. Às vésperas do lançamento do edital de concessão do estádio do Maracanã, onde o grande favorito para levar este "presentão" é o megaempresário Eike Batista (o filho do ex-presidente da então estatal Vale do Rio Doce, durante a ditadura militar), e o responsável pelo futebol rubro-negro será Flávio Godinho, executivo da holding EBX, de propriedade do homem da coleirinha da Luma de Oliveira.

Pode ser um grande negócio para o Flamengo, mas é péssimo para o povo do Rio de Janeiro. Esta relação pode viabilizar um acordo entre as empresas de Eike e o Flamengo, a preços que os torcedores do clube dificilmente poderão pagar.

Além disso tudo, existe uma outra pedra no caminho. Para viabilizar sua gestão, é preciso obter maioria no Conselho Deliberativo do clube cuja eleição acontecerá no dia 13 deste mês. Caso contrário, as mudanças prometidas serão, por força do estatuto, engessadas neste conselho.

Para se obter a tal maioria, a nova direção terá que chafurdar na asquerosa política do clube.

Negociar com os velhos caciques que, há muitos anos, mantém o Flamengo em situação quase falimentar, inversamente proporcional às suas próprias contas bancárias.  Os mesmos que guardam distância entre o clube da Gávea e sua imensa torcida espalhada pelos subúrbios. Aqueles que, eleição após eleição, permanecem vivos nos noticiários sobre o Flamengo e que, a fim de não perder a "boquinha", impediram a profissionalização do futebol.

A gestão Eduardo Bandeira de Mello à frente do Flamengo será, trocando em miúdos, o resultado da mudança vitoriosa, negociada com o atraso, em tese, derrotado.

É inegável, também, o papel desempenhado por Zico nas eleições.

Destratado pela gestão de Patrícia Amorim, o maior ídolo da história do clube retornou ao Flamengo para sepultar quem o tirou de lá. Sua fiança para a chapa de Bandeirão (como é chamado o novo presidente em círculos mais informais) foi fundamental para mobilizar a torcida em torno dela.

O êxito deste processo está condicionado, primordialmente, à continuidade da "intervenção" da torcida nos rumos do clube. Esta é uma contradição que a nova gestão deverá enfrentar. Ou seja, adaptar-se à realpolitik do Flamengo, reunindo os mesmos interesses que travam o Flamengo há anos, significa virar as costas à grande força motriz que conduziu-os à direção do clube.

A bola está com eles, e esta eleição do Conselho Deliberativo pode ser um forte indicativo do caminho que escolheram.

Portanto, devagar com o andor, que o santo é de barro... e o calor no Rio está de derreter!


Valeu,

Bruno Porpetta


terça-feira, 13 de novembro de 2012

A faca de dois gumes


Em Presidente Prudente, Palmeiras e Fluminense jogavam em realidades absolutamente distintas.



O Fluminense contava os dias para se sagrar campeão brasileiro. Somente uma hecatombe nuclear, ou se todos os países latino-americanos declarassem moratória em suas dívidas e exigissem reparação por séculos de injustiça e exploração por parte das ex-colônias e atuais impérios, poderiam tirar este título da Rua Álvaro Chaves, no simpático bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Pouco provável que algo deste tipo ocorresse até o final do ano.

Restava saber em qual rodada o caneco seria pintado em três cores.

Do outro lado do campo, estavam as camisas verdes do Palmeiras. Sem sacanagem, um time fraco. Muito aquém da história alviverde de Parque Antártica. Não à toa se encontrava nesta situação.

Não bastava o desespero ao olharem os jornais pela manhã e enxergarem seu time na zona vermelha da tabela, ainda eram obrigados a conviver com ameaças de torcedores profissionais que mancham a imagem do clube. Há de se reconhecer até algum heroísmo neste time jovem que, a despeito de tudo isto, ainda se dispunha a correr e lutar pela permanência na elite do futebol brasileiro.

O jogo era um forno. Seja pelo calor intenso de Presidente Prudente, pelo fogo que o Fluminense tinha em resolver logo a parada, ou pela chapa quente palmeirense.

No primeiro tempo, o jogo foi o retrato de todo este calor. Amarrado, com o Palmeiras tentando manter a bola nos pés, contra um Fluminense com sua paciência característica.

A maior objetividade tricolor deriva da qualidade que tem do meio-campo pra frente, mesmo que parte destes jogadores também desempenhem funções defensivas – meio que a contragosto da torcida, mas deu certo.

Para o Palmeiras, parecia que nada pior do que levar o primeiro gol – de Fred, pra variar - no final da etapa inicial poderia acontecer. Ledo engano.

A tragédia parecia completa quando Maurício Ramos – que havia falhado duas vezes contra o Botafogo – amplia o placar contra o próprio patrimônio, logo no começo do segundo tempo. Em jogada de Fred.

A recordação do caso Andrés Escobar - zagueiro colombiano morto em 94, após enterrar o sonho de Edson Arantes do Nascimento em ver a Colômbia campeã do mundo, com um gol contra – me veio logo à cabeça. Coisas que somente a vileza de alguns profissionais da arquibancada, ou narcotraficantes, ou os dois, poderiam fazer supor.







Porém, quando surge o alviverde imponente no gramado em que a luta o aguarda, é preciso saber que, por sobre o corpo daqueles jovens acuados existe uma camisa do Palmeiras. E diante do tamanho que tem, o improvável tornou-se possível: empataram o jogo.

O Fluminense perdeu-se em campo por alguns instantes. Parecia não entender o que estava acontecendo.

Se o Palmeiras tivesse mais um ou dois jogadores decisivos, poderia ter virado o jogo. Mas não tem, ao contrário do Fluminense.

Quando a poeira assentou, o tricolor voltou a tocar a bola e assim, novamente com Fred, fez o terceiro. A esta altura, o Galo só empatava com o Vasco, em São Januário, com uma senhora ajuda do árbitro, que anulou gol legal da nau cruzmaltina e inventou um pênalti para o Atlético-MG.

Era o título! O quarto título brasileiro do Fluminense!

E de forma incontestável!

Por mais equívocos que a arbitragem tenha cometido, ela não fabrica o melhor ataque do campeonato, a melhor defesa, os milagres de Diego Cavalieri, a segurança de Jean, a velocidade de Wellington Nem, a consciência de Thiago Neves, a autoridade de Gum, o desprendimento de Rafael Sóbis, a aplicação de Diguinho, a genialidade de Deco e o incansável faro de gol de Fred.

O Fluminense, através da cabeça de Abel Braga, não se propôs a ser bonito, mas a ser campeão. E foi, com alguns requintes de beleza.

Ao Palmeiras, restou o direito de orar, porque este ainda não paga dízimo. Agora, não basta mais ser o Palestra Itália.

Há de se fazer questão da insistente citação do nome de Fred. A seleção ainda não encontrou um nove pra chamar de seu, e ele está violentamente escancarado nas fuças de Mano. Basta abrir os olhos, e não se propor a reproduzir o que a Copa passada já derrotou: a birra.



Pelos lados da Barra Funda, fica evidente que só um milagre resolve. Assim como a conquista da Copa do Brasil o foi. Afinal de contas, o problema devia mesmo ser o Felipão...

Aos tricolores, parabéns!

Palestrinos, boa sorte!


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Medo, solidão, ... desespero!

O título deste artigo é a tradução livre de outro título.

Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.

Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.

A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.





O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".

É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.

O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.

Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.

A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.

Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.

Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.

Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.

O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.

Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.

Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.

Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.

Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.

Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).

Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.

Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.



Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.

O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.

Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.

Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.

Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.

Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.

Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!


Valeu,

Bruno Porpetta


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um nacho indigesto

"Sábado de sol, aluguei um caminhão pra levar a galera pra..." assistir à final do futebol masculino olímpico, onde o Brasil - favoritíssimo, bom que se diga - enfrenta o México.



O Brasil tem cinco títulos mundiais. Teve seleções como as de 58, 70 e 82, que encantaram ao mundo todo com seu estilo de futebol digno de Louvre. Vestiram a camisa amarelinha craques como Friedenreich, Leônidas, Domingos da Guia, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Rivellino, Falcão, Junior, Leandro, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e, o maior de todos eles, Pelé.

Ou seja, a camisa da seleção brasileira tem cinco vezes o peso do planeta, e vestí-la é, além de uma honra, uma responsabilidade imensa.

Esta tarefa, nas Olimpíadas de Londres-2012, foi confiada a Oscar, Rômulo, Thiago Silva, Marcelo, Leandro Damião, Lucas e, principalmente, Neymar. É no estiloso moicano a la mico-leão-dourado, e seu futebol genial e moleque, que estão depositadas nossas maiores esperanças na conquista daquilo que nem Pelé trouxe para casa: o ouro olímpico.

Falta somente ao futebol brasileiro subir no pódio em que Jesse Owens, Adhemar Ferreira da Silva, Nadia Comaneci, Carl Lewis, Michael Phelps e Usain Bolt já subiram.

Apesar de todos os problemas na preparação do time nos últimos anos, o Brasil chegou como um dos favoritos ao título, e com a queda de outros possíveis candidatos, chegou à final como o grande favorito. Mas a final é contra o México, um grande sapo enterrado embaixo das nossas traves.



O México não tem nenhum mundial. Quando chega às quartas-de-final, seus jogadores são recebidos com festa no aeroporto. Se chegarem a uma final, comporão todo o Congresso Nacional mexicano nas eleições seguintes. Claro, se o PRI e seu staff para golpes eleitorais quiserem.

A camisa verde mexicana só tem peso para a Concacaf (confederação que congrega as Américas do Norte, Central e as Guianas), onde já ganhou várias competições. Em geral, disputadas contra os EUA, que possuem pouca intimidade com a redonda (de futebol, claro).

Fora o Império Azteca, o movimento zapatista e o Chaves, o México foi uma sucessão de Marias del Bairro sem fim.

Porém, é mexicano o ouro dos últimos Jogos Panamericanos, cuja base do time é a mesma que enfrenta o Brasil neste sábado.

Além disto, o México se tornou uma pedra no sapato brasileiro. Ultimamente, alguns dos maiores vexames da seleção brasileira foram contra os mexicanos. Até mesmo nos amistosos que antecederam às Olimpíadas em Londres, o Brasil foi derrotado pelo México, na pior exibição recente da equipe brasileira.

Mais do que os mexicanos, somente os franceses possuem o privilégio de ser uma formação rochosa no nosso caminho.

Agora é torcer e ver no que vai dar. Mas aquele patuá guardado na gaveta, por via das dúvidas, carregue na mão durante o jogo.


Valeu,

Bruno Porpetta


sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Olimpíada invisível

Começaram os Jogos Olímpicos de Londres-2012, a maior festa do esporte mundial, que carrega à eternidade o Barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da era moderna, iniciada em 1896, na cidade de Atenas (GRE), onde a competição já era consagrada.

O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.

Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.



Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.

Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.



Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.

Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.

Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?

Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.

A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.

Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.



Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.

A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.

Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.

É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?

A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.

O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.



O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.

O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.

O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.


Valeu,

Bruno Porpetta






quinta-feira, 5 de julho de 2012

Deus passa o bastão

Certo dia, foi concedido por Deus o direito a uma audiência com o Próprio, para três grandes figuras: George W. Bush, Luis Inácio Lula da Silva e Alberto Dualib.

Chegando aos céus, foram devidamente recebidos por São Pedro, acomodados em poltronas confortáveis, enquanto aguardavam o chamado do Divino para sua sala.

O primeiro a ser chamado foi Bush, e Deus logo tratou de explicar qual era o esquema:

- Meu filho, a parada é a seguinte, faça a pergunta mais relevante para você. Cada um que foi aqui chamado só terá direito a uma única pergunta. Portanto, capricha! Ok?

- Ok, Pai de todos os homens de bem! Minha pergunta é: Estou tentando acabar com o terrorismo no mundo, vou conseguir?

- Meu filho, primeiro quero deixar uma coisa bem clara. Quem te disse que sou Pai só de homens de bem? Quem define quem são os tais "homens de bem"? Faça-me o favor... Mas respondendo a sua pergunta, o terrorismo no mundo vai acabar, mas não na sua gestão.

Deus já emenda: 

- Próximo!

E São Pedro convoca Lula para adentrar a sala de Deus. 

Após os devidos esclarecimentos divinos, Lula pergunta:

- Companheiro Deus, quero acabar com a fome no Brasil, vou conseguir?

- Caro companheiro Lula, devo te confessar que tua preocupação é bem mais nobre que a do teu amigo que passou aqui antes de ti, mas infelizmente só posso te dar a mesma resposta que dei ao talzinho. A fome no Brasil vai acabar, mas não na tua gestão.

E após um efusivo aperto de mãos, Lula deixa a sala, pedindo para Dualib entrar.

Ao ver Dualib, Deus não teve nenhuma dúvida:

- Já sei, quer saber quando o Corinthians será campeão da Libertadores, né?

- Sim, como o Senhor já sabia?

- Sou Deus, porra!

- Claro, claro (com um aparente sorriso amarelo)...

- Mas respondendo a sua pergunta, o Corinthians será campeão da Libertadores, mas não na MINHA  gestão!

(Piada razoavelmente antiga, para sacanear corinthianos)







E não é que o mundo está sob nova direção?

O Corinthians, com uma campanha irretocável e invicta; com autoridade incomum a quem disputava sua primeira final, contra um adversário que buscava o sétimo título; sem grandes craques, mas com jogadores muito disciplinados taticamente e com boa qualidade técnica, venceu o Boca por 2 a 0 e demitiu Deus do cargo de administrador desse caos que se tornou o mundo.

Com justiça, diga-se de passagem, tanto o título do Corinthians, como a demissão de Deus.

Convenhamos, receber George W. Bush em Sua sala, é passível de um bilhete azul.

O responsável do Departamento Pessoal que assinou a mesma foi Emerson, que fez os dois gols e comprovou sua vocação de Midas do futebol. Onde ele passa, tem caneco!

Agora, os demais torcedores, que, durante 102 anos, fizeram todo o tipo de piadas com o Corinthians, devem enfiar o arcabouço de gracinhas no saco e baixar um pouco a bola.

Mesmo que o futebol não tenha sido o mais espetacular do mundo, o Corinthians recheou o bolo com a cereja da Libertadores.

Afinal, mesmo o Palmeiras, não venceu com Ademir, nem com Edmundo, foi com Oséas.

Só deixo um pedido aos corinthianos. Estão definitivamente abolidas as piadas com a ausência da Libertadores no currículo, mas, por favor, não incluam o tal do estádio na conversa, cuja construção é uma vergonhosa farra com o dinheiro público.


Valeu,

Bruno Porpetta


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Um título do tamanho da Espanha

Aqui em casa, tenho quatro bandeiras de mesa, exatamente ao lado direito deste monitor, onde este artigo está sendo produzido.

Pela ordem, da esquerda para a direita, estão a bandeira do Espírito Santo - estado onde colecionei bons amigos e boas histórias -, a do Flamengo - não preciso dizer o porque, imagino -, a da Espanha - roubada do amigo Jaime Cabral, pela qual já me fez cobranças, justas, diga-se de passagem -, e a da Galícia - presente do amigo Alexandre Magno, goleiro do Havana Futebol e Cana, torcedor do Bonsucesso, e galego como eu.



Por nunca ter ido à Espanha, de onde vem a minha família paterna, mais precisamente da província de Ponte Vedra, na Galícia, e ter me apaixonado pela seleção espanhola desde 1986, senti necessidade de assistir ao jogo de hoje em um lugar que me aproximasse mais da Espanha.

Fui à Casa de España, no Humaitá, simpático bairro da burguesia carioca.

Portanto, corre-se o risco de certa parcialidade nesta postagem, mas hoje ela é absolutamente merecida.

Falando nisso, hoje descobri que quando a torcida canta "Lá Lá Lá" no hino nacional, eles estão certíssimos. Não tem letra o hino, pois não há nada que possa unificar a monarquia com catalães, bascos, galegos, e outros povos submetidos ao reinado espanhol. Digamos que o rei tenha sido prudente, depois de garantir a unidade de seu reino na porrada, através da ditadura de Franco.

Aliás, Franco! Tenho a impressão de ter ouvido este nome há alguns dias.



A Espanha, após o título mundial conquistado na última Copa, virou adulta. Até ali, os escretes espanhóis eram infantis. Eram roubados pela arbitragem, derrotados por forças menores, prestando-se a certos papéis ridículos em Copas.

O título da Euro, em 2008, deu a Espanha alguma segurança para ir à Copa, mas para superar seus traumas somente a conquista da Copa poderia afirmá-la como parte das grandes seleções do mundo.

Com o time que tinha, foi possível ir às semifinais da Copa, e aí é o primeiro grande momento da seleção espanhola em sua história. Venceu à Alemanha, com autoridade, por 1 a 0.

Na final, enfrentou outra seleção traumatizada em Copas, a Holanda. O time laranja foi duas vezes vice, e queria a todo custo evitar a colocação de uma faixa diagonal sobre a camisa.



Venceu, com gol na prorrogação de Iniesta, o time espanhol. Pronto, enfim a Espanha se somava ao seleto grupo de seleções campeãs do mundo, com toda a carga que este título carrega.

De repente, a camisa da Espanha ganhou uns quarenta quilos a mais. E dentro de campo, isto faz diferença.

Hoje, a Espanha não somente foi bicampeã da Eurocopa, conquistando o terceiro título de sua história.

A seleção espanhola derrotou a Itália, com uma superioridade quase sacana.

Um placar retumbante! Coincidentemente, o mesmo com o qual o Barcelona colocou o Santos, e de alguma forma, o próprio futebol brasileiro, em um lugar encolhido no canto da sala. Parte daquele time, hoje, colocou a Itália de quatro!

Ainda se fosse a França, poderia rolar aquela gracinha em referência à Napoleão Bonaparte e a perda da guerra. Embora, um placar desses contra a seleção francesa, seria absolutamente justificável, numa perspectiva histórica.




Mas contra a Itália - que provou nesta Euro que é uma gigante do futebol mundial -, e com doses de crueldade, foi demais!

A Espanha cresceu! E demonstrou nesta Euro que, mesmo que as coisas não aconteçam exatamente da forma que as pessoas imaginam, que está entre os grandes do futebol mundial, não só europeu.

O escrete azul italiano não conseguiu jogar. Não dá nem pra falar que jogaram mal, porque nem esta chance eles tiveram. Exceção feita a um período do primeiro tempo, quando ainda estava 1 a 0, e a Itália criou algumas oportunidades, e aí está a primeira grande máxima do futebol funcionando.

Dizem que um grande time, começa com um grande goleiro. O arqueiro e capitão, Iker Casillas, é o melhor goleiro do mundo na atualidade!

Hoje, com a ponta dos dedos, tirou o doce da boca dos italianos duas vezes. De Rossi e Balotelli já estavam posicionados, no alto e com a expressão facial do cabeceio para o gol, mas os dedos de Casillas desviaram o gol certo.

Pra não falar da defesa segura, em chute de Cassano, onde a bola de repente aparece por debaixo das pernas de Piqué.

O time todo jogou muita bola, mas três homens em especial foram sublimes. Estes são Xavi, Iniesta e Fabregas.

Xavi, que não fez uma Eurocopa brilhante, segundo ele próprio, foi o senhor do jogo.

Com idade avançada e desgastado pela temporada, engoliu Pirlo na partida. Foi melhor em tudo. Na hora certa, foi decisivo.

Iniesta foi o mesmo de sempre. Uma máquina de jogar bom futebol.



E Cesc Fabregas, que ainda precisava de uma grande exibição na seleção espanhola, cavando seu lugar definitivamente no time, além de colocá-lo no devido lugar de craque que é, deixou esta cereja para hoje. Fez um partidaço!

Outros também foram fundamentais, como Jordi Alba, que mostrou o acerto do Barcelona em contratá-lo para a lateral esquerda, e Fernando Torres, que entrou no segundo tempo e, além de deixar sua marca no placar, ainda deu um gol de presente para Mata.

Devo me render! Eu, que defendia a saída de David Silva do time, para a entrada de Torres, ou Llorente, tive que segurar a onda. O meia-atacante do Manchester City esteve no nível da exibição do time. Jogou muito!

Enfim, a Espanha foi hoje do tamanho que provou que tem.

Além de botar pra correr a chatice de uns e outros, que dizem que o futebol espanhol é chato.

E a festa, em meio aos espanhóis, foi muito divertida.

Até em espanhol eu cantei: "Campeones, Campeones, ole ole ole!".


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 26 de junho de 2012

Futebol pra todo gosto

Após a eliminação do Santos, diante do Corinthians, pela Libertadores, voltou à tona o debate sobre a eterna dicotomia entre o feio que vence e o bonito que perde.

O título improvável do Chelsea, na Liga dos Campeões, reacendeu-o. Principalmente pela eliminação do Barcelona nas semifinais, onde o próprio time azul londrino aplicou, segundo seu treinador, um futebol à italiana.

Se me perguntassem, em uma dessas entrevistas de emprego para treinador de um clube qualquer da oitava divisão da região metropolitana do Rio, como eu armaria meu time, à brasileira ou à italiana, cravaria na primeira sem dúvida alguma.



Acho legal, divertido, bonito, entre outros inúmeros atributos. Tendo a pensar que um passe magistral, ou um drible desconcertante, é mais caro aos meus belos olhos quase verdes do que um robô programado para marcar e correr.

Creio eu que isso se deve ao fato de ser brasileiro mesmo. Fui criado pela vida pra querer fazer gols, não desarmes. Se puderem ser lindos gols, melhor ainda. Um golaço me renderia mais assunto pra mesa redonda (de bar) após a pelada do que um carrinho.

Mas na mesa, todos são livres para exaltar os feitos que quiserem, tal como podem ter as concepções de futebol que lhes derem na telha.

O que não gosto é de ver meu estilo de jogo predileto pejorado como um retumbante fracasso em termos de resultado. O futebol, assim tratado como arte, já venceu, e muito!

O próprio Barcelona, no retrospecto recente, não se pode considerar um fracasso. Longe disso, inclusive.

Mas não dá pra dizer também que ele é absoluto. Existe o chamado futebol-força, cuja força é menor que a organização, e para ser organizado o talento também é indispensável.

Pensado como um tabuleiro de xadrez, o campo de futebol comporta movimentos calculados, precisos, impondo uma lógica cerebral a um esporte cuja emoção pode levar à glória, ou à ruína.



O grande mérito do futebol organizado a partir da defesa é a previsão de situações que, em dias menos inspirados, os craques não conseguem agir. O coletivo sobrepõe-se ao indivíduo, e a palavra "solidariedade" não está solta na boca dos cronistas. Todos defendem, e muitos atacam. Em geral, de forma cirúrgica.

Sem talento, até mesmo a eficiência se liquefaz. Sem eficiência, o talento pode se dispersar pelo gramado.

Portanto, muito mais que a eliminação do Santos, a classificação do Corinthians - tal como o título do Chelsea - é digno de exaltação.

Comprovando a tese da mistura maravilhosa de eficiência e talento, tanto Drogba, quanto Danilo, andam merecendo uma estátua em frente ao Stamford Bridge e... bem, aí o Corinthians escolhe se na Fazendinha, no Pacaembu ou no Itaquerão.

Percebam como Danilo, sempre que o sufoco se avizinha do time corinthiano, vai lá e mete um golzinho salvador. Isso é o que se chama de poder de decisão.

Além dele, ainda tem o Emerson, que parece o Midas. Onde o Sheik pisou, nos últimos três anos, as galerias de troféus cresceram.

Voltando à vaca fria, não existe um estilo de futebol melhor que o outro. Existe o que cada indivíduo aprecia mais ou menos. Que nem música, exatamente do mesmo jeito.

Respeitar o estilo antagônico é prudente, eu diria. E com canja de galinha fica uma delícia!


Valeu,

Bruno Porpetta




sexta-feira, 11 de maio de 2012

"La respuesta"

Santos 8 x 0 Bolívar!

Abaixo, uma foto auto-explicativa.





As respostas são:

1) Ganha jogos quem joga bola, não garrafas ou pedras.

2) O treinador boliviano agora sabe quem é Neymar.

3) Além de Neymar, o Santos dispõe de outro gênio, chamado Paulo Henrique Ganso.

Qualquer coisa além disso, é mera encheção de linguiça.


Valeu,

Bruno Porpetta