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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

De Cabral a Cabral, é muita cara de pau!

O Brasil, enquanto colônia portuguesa, saqueado dos índios de Pindorama, completará neste ano 515 de idade. Essa história toda começou com Cabral, o primeiro a contar para a metrópole europeia que existia um “continente” do lado de cá e que trocávamos qualquer coisa por espelhos.

Não é difícil imaginar que os indígenas mortos só se encontravam nesta condição porque resistiram e não queriam espelhos por nada nesta terra. Assim como em 2013 houve, tirando certas confusões de percurso, um levante dos que resistem nos dias atuais.

O desgaste ao governo Cabral, por mais que não tenha contribuído decisivamente em uma mudança mais profunda de valores, foi uma vitória dos que muitas vezes tombaram diante da “colonização”.

Assim como existe no futebol aquela vitória que não vale nada, o “ganhou, mas não levou”, há também a derrota que te classifica. Cabral perdeu lá, o atual governo Pezão se elege quase sem falar em Cabral, mas retornou em 2015.



A nomeação de Marco Antônio Cabral, filho dele de apenas 23 anos, para a Secretaria de Esportes e Juventude do Estado do Rio de Janeiro é um triunfo de Cabral. Uma demonstração de força, uma tiração de onda.

Marco Antônio, o novo secretário, foi eleito deputado federal pelo PMDB com a campanha mais cara dentre todas. Foram 6,7 milhões de reais despejados em sua campanha por empresas que mantiveram, mantém e manterão por mais algum tempo contratos com o governo do estado do Rio.

Cabralzinho agradece ao apoio e agora tem em mãos a secretaria decisiva para tocar os negócios dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. A turma do PMDB só não tem o Ministério dos Esportes, cujo titular é George Hilton, do qual já falamos antes. E não foi bem.


Cabe a nós, que derrubamos Cabral uma vez, caminhar para derrubá-lo de novo. Agora está em nossas mãos.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vergonha própria e alheia

A tendência mais provável é que, diante da péssima repercussão que a votação imediata do Proforte pode ter, ela ocorrerá após as eleições. Mais um sinal de que as eleições são só um ponto da curva e a nossa participação não pode se restringir ao simples ato de votar.

Vejam só quem são os nossos dirigentes!



O dentista que preside o Botafogo afirmou em um programa de TV que deixou de pagar impostos por oito meses contando com a votação do Proforte. Em qualquer lugar sério, sairia algemado dos estúdios. Pelo contrário, ele vai à Brasília ameaçar tirar o time de campo caso não seja atendido por um pacotão de bondades do governo.

O Flamengo deve até as calças. A simples ideia de pagar 900 mil reais por mês a Robinho merecia desprezo, mas a atual diretoria ressuscita as múmias da política rubro-negra que, a todo tempo, adoram colocar notinhas na imprensa com todo tipo de especulação.

As eleições no Vasco seriam cômicas, se não fossem trágicas. Entre mortos, clones e sócios subsidiados por algumas chapas, todo mundo pode votar! Para piorar, o risco do retorno de um dos nomes mais funestos da história do futebol é iminente.

A esquisita relação entre o Fluminense e a patrocinadora daria um livro. Ninguém sabe mais onde terminam os sócios e começam os médicos credenciados. Tampouco sabe o que sobraria caso os médicos metessem o pé.

Resumindo, esta turma de dirigentes que foi à Brasília passar o chapéu é lamentável, asquerosa, retrógrada. São uns vendilhões da nossa paixão pelo futebol. Se estivéssemos no Irã, levariam quatro bilhões de chibatadas, uma para cada real devido ao povo brasileiro. Ninguém se salva!


Longe de ser exclusividade do futebol, o presidente do COB diz que a Baía de Guanabara está limpa. Que tal um mergulho?


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O caminho que "escolhemos"

Este é o documentário A caminho da Copa, com direção e roteiro de Florence Rodrigues e Carolina Caffé.

Mostra, em apenas 26 minutos, o trajeto que percorremos da euforia pela conquista do direito a sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo, à agonia de centenas de famílias criminosamente removidas de suas casas.




O filme se passa em comunidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Provavelmente, suas diretoras sequer sonhavam com a ideia de que, um ano após as filmagens, o "dono da festa" Joseph Blatter seria agraciado com o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal.

Às vezes, o Brasil faz parecer que a máxima "o crime não compensa" é uma clamorosa mentira.

Muitas vezes, diga-se de passagem.


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 14 de abril de 2013

Neymar foi, é ou será?

O nome de Neymar, sob qualquer circunstância, transita cotidianamente no noticiário esportivo - e além - brasileiro.

O constante debate sobre o seu futuro, acompanhado de boatos cada vez mais frequentes de supostos acordos firmados com o Barcelona, influi decisivamente na observação mais apurada do craque e, consequentemente, em um olhar mais crítico.

As fracas atuações recentes no Santos, somadas à ausência de gols pela seleção em jogos contra países considerados grandes no futebol mundial, aos "buxixos" sobre sua vida pessoal e de garoto-propaganda de tudo quanto é marca, sem contar a importância desmedida que muitos dão ao seu penteado. Estes elementos jogam água no debate sobre o papel de Neymar no mundo do esporte bretão. Em que lugar ele se encontra?



Estamos tratando, primeiramente, de um garoto.

A história do Santos é recheada de garotos negros geniais. De onde veio Pelé, aos 15 anos de idade em sua estreia entre os profissionais, veio também Robinho, que aos 17 interrompia um jejum de títulos com oito pedaladas cinematográficas sobre Rogério, do Corinthians.

E veio Neymar, que aos 19 anos de idade recolocava o Santos no topo da América do Sul, igualando-se ao São Paulo em títulos continentais.

Quando colocava-se Neymar em grau de comparação à Messi, ao mesmo tempo que não se imaginava a carga pesadíssima apoiada sobre as costas de um garoto, ainda não se tinha o tal do confronto direto. Este aconteceu, e o resultado não foi nada animador para o atacante santista.



Portanto, conclui-se que ainda não é pra tanto.

Aposta-se uma Copa inteira em Neymar. Ele foi o escolhido para ser o craque da Copa em casa, onde acredita-se, por grande parte da torcida e da imprensa, que temos a obrigação de vencer.

Para começo de conversa, não temos obrigação de nada!

Dentro do campo, deve se esperar o melhor futebol possível. Se ganhar, ótimo! Se não ganhar, ao menos jogou-se alguma bola na seleção brasileira.

Esta hipótese foi soterrada pela entrada de Felipão no comando, com Parreira dando seu suporte.

Fora das quatro linhas, estavam nossas grandes obrigações. Uma Copa que garantisse ao povo melhores condições de vida era uma delas. Deixar nosso futebol em mãos melhores que as de Teixeira, Marin e seus "et ceteras", era outra.

Destas obrigações, não cumprimos - nem cumpriremos - absolutamente nada! A Copa no Brasil é uma enorme faca no pescoço do povo.



Os governantes e dirigentes dizem: "Quer Copa? Entregue sua casa!"

Assim, sem a menor cerimônia...

Mas voltando ao assunto Neymar, é preciso reconhecer: ele é um craque!

Não se pode ir tanto à terra, nem tanto ao mar.

Sua queda de rendimento é absolutamente comum, assim como atuações de gala também o são.

A insistência de uns em levá-lo para a Europa chega a ser incompreensível. Afinal, se queremos um futebol brasileiro mais forte, devemos levar nossos craques para a Europa? Nossos campeonatos devem ser apenas desfiles de semi-aposentados?

Nós merecemos mais! Merecemos ter Neymar jogando aqui, assim como merecíamos que Lucas tivesse ficado no São Paulo!

Infelizmente, estamos perdendo esta batalha.

Lucas já foi, e não demorará para Neymar ir também.

O contrato de Neymar com o Santos vai até a final da Copa, em 2014. Se o Santos conseguir a renovação que deseja - até 2016 - podemos vê-lo por mais tempo aqui. Caso contrário, o próprio Santos poderá conseguir um bom dinheiro se vendê-lo agora. É uma decisão importante que cabe aos dirigentes santistas.

A fila de clubes que querem Neymar é encabeçada pelo Barcelona. Não lhes parece, no mínimo, curioso que o melhor time do mundo, que possui o melhor jogador do mundo, queira contar com o futebol de Neymar?



Neymar tem lugar naquele time. E pode ser o diferencial tático que o Barcelona precisa para se reinventar.

Ontem, o craque santista marcou quatro gols no jogo contra a União Barbarense.

É facultado a tod@s se questionar: "Contra a União Barbarense?"

Sim, mas foram quatro gols! Não se faz tantos gols com frequência, exceção feita a Messi.

Além disto, foi interessante ver o posicionamento de Neymar. Pelo meio, enfiado entre os zagueiros, quase como um autêntico centroavante.

No Barcelona, tem tudo pra dar samba.

Nesta história toda, quem se aproxima mais do necessário, porém espinhoso, campo da sensatez é Carlos Alberto Torres.

Neymar não é o cara para 2014. Mas para 2018, tem tudo para ser!

Teremos toda esta paciência?


Valeu,


Bruno Porpetta

terça-feira, 9 de abril de 2013

Futuro arcaico

De 2007 até hoje, o Rio de Janeiro assiste ao indecente desmantelamento do "legado" do Pan.

Quando sediamos o Pan, venderam-nos a ideia de que a estrutura - que nos custou os olhos da cara - montada serviria ao Brasil e, em especial, o Rio na conquista do direito a sediar os Jogos Olímpicos. Este, por sua vez, traria um caminhão de investimentos para a cidade, deixando-nos um legado que melhoraria os transportes, a saúde, a educação... e todo aquele papo de candidato do estabilishment em época de eleições!



O complexo de piscinas do Maria Lenk, absolutamente abandonado. A Arena da Barra, respira através de aparelhos sonoros dos shows que sedia, mas basquete que é bom, já faz tempo que não há. O velódromo, não serve para as Olimpíadas por conta de uma pilastra mal posta. E por último, o Engenhão.

O estádio, cedido ao Botafogo por um valor módico, era o símbolo da "modernidade" olímpica. Se era possível colocar aquele imponente trambolho no meio de Engenho de Dentro, bairro suburbano e - via de regra - carente de serviços públicos, o que não seria possível fazer na Olimpíada?



Era o único equipamento construído para o Pan que, enfim, serviria para os Jogos Olímpicos. Mas Drummond era um visionário. Quando dizia que "há uma pedra no caminho", esta significava obra.

Obra para levantar, e tome outra obra para que ele não caia.

Na cidade das remoções, das inúmeras agressões aos direitos humanos mais básicos, da exaltação constante à polícia que mais gosta de uma "mordidinha" em todo o país, descobre-se que a Prefeitura já sabia desde 2010 que o Engenhão precisava de reformas. E se estas fossem feitas à época, sequer seria necessária a interdição do estádio.

O mesmo 2010 que marcou a despedida do bom e velho Maracanã, fechado para ser vilipendiado por saqueadores da história e cultura do nosso futebol e do nosso povo.

Imaginem só, em pleno início das obras do Maracanã, a cidade toda descobrir que o "legado" que toda esta parafernália ligada aos megaeventos poderia virar areia, de uma hora para outra?!?



A vida dos que ocupam as cadeiras do poder não seria tão tranquila.

Não distingue-se aí o poder privado do estatal, muito pelo contrário. Estes colaboram-se.

Agora, às vésperas do término das obras do Maracanã, o Comitê Organizador da Rio-2016 mandou avisar que este novo Maracanã também não serve às Olimpíadas. Questionam os estacionamentos, lojas (nos custando uma escola, um museu e dois equipamentos esportivos que, além de servir para treinamento daqueles que deveriam receber um pouco mais de atenção por parte dos dirigentes, abrigam vários projetos comunitários) e... um túnel!

Um raio d'um túnel que, para o COI, deve ter seis metros de largura por seis de pé-direito. Resumindo: mais obras!

Afinal de contas, quem disse que só a turma do "futebol" pode se locupletar com tamanha fartura de obras, e uma meia dúzia de melhorias, cujo custo-benefício para o povo é extremamente discutível?



Ainda tem muita gente querendo mamar nestas enormes tetas chamadas "megaeventos esportivos".

Passados os eventos, ainda ecoa pelos ares a pergunta: afinal, qual será o nosso legado?

Enquanto o nosso futuro estiver nas mãos do atraso, as perspectivas não são nada animadoras.


Valeu,

Bruno Porpetta


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Medo, solidão, ... desespero!

O título deste artigo é a tradução livre de outro título.

Se trata de um álbum da banda Napalm Death, um ícone do death metal, que iniciou neste uma trajetória de alterações em suas composições, incluindo outros elementos sem perder suas características fundamentais, o peso e suas letras carregadas de depressão raivosa.

Este título me veio a cabeça depois de observar a reação de vários torcedores diante da derrota contra o México, que ocasionou a continuidade de nossa virgindade olímpica no futebol.

A música abaixo - chamada Plague Rages - foi o primeiro single do álbum. Pelo som, vocês deverão imaginar o que significaram os comentários que ouvi sobre a seleção, sobre Mano, Neymar e a crise do futebol brasileiro.





O sentimento geral é: "F...eu, perderemos a Copa em casa!".

É inegável a teoria da entressafra. E digo mais, ela não é tão nova quanto parece.

O Brasil não produz mais craques aos milhares. A lógica de exclusão, que cresce em progressão geométrica no nosso futebol, é diretamente responsável por isto.

Desde a base, os clubes procuram atletas olímpicos entre os garotos. Os preferidos são os Citius, Altius, Fortius.

A qualidade técnica é um mero acessório, que pode destacar algum garoto, em meio à manada de touros que pisoteiam os "campões" da base, onde a molecada vem ensaiando as primeiras dancinhas após os gols.

Outra teoria, dos analistas de boteco, diz que o problema é Neymar. Que se esconde, que não decide,... que já ganhou mais no último período do que o time todo do "analista" junto. Sem esconder-se, e sendo decisivo.

Porém, a que mais repercute e menos resolve os nossos problemas, é o manjado pedido de cabeça do treinador.

Não morro de amores pelo Mano. Acho que faltam os tais "cojones" de Loco Abreu ao treinador da seleção brasileira.

O currículo dele é que o torna tão suscetível. Mano não tem um punhado de títulos pesados que possa chamar de seu.

Com isto, ele vira presa fácil das pressões que, naturalmente, se abatem sobre o treinador da seleção brasileira. Ao longo do tempo, e após um jejum de vitórias, especialmente em jogos grandes, Mano foi cedendo em sua ideia inicial de botar o time pra jogar bola, tentando reeditar o bom esquema do Corinthians do primeiro semestre de 2009.

Com tantas mudanças ocorridas na seleção, não há time que se entrose, não há esquema que se segure e, consequentemente, não há torcida com tamanha paciência.

Mas é preciso reconhecer que, nestas Olimpíadas, e com esta garotada cuja base estará na Copa, o que se pretendeu foi levar o time à frente. Levar dois gols de Honduras, mas fazer três, podendo ter feito mais.

Os amistosos que antecederam aos Jogos foram bons exemplos de bom futebol, mesmo na derrota, como é o caso do jogo contra a Argentina. Ali, perdemos para o melhor jogador do mundo, sem dúvida alguma.

Há uma diferença relevante nas duas derrotas para o México (uma antes dos Jogos, outra na final).

Na primeira, fomos totalmente envolvidos pelos conterrâneos de Maria del Bairro. Saímos com dois gols na sacola, mas ficou de bom tamanho para a nossa bolinha.

Esta última, se não foi um primor de exibição, ao menos foi bastante esforçada para isso. Criamos jogadas, tentamos manter a posse de bola, mas perdemos. Acontece, como já aconteceu em todas as outras Olimpíadas e em 14 das 19 Copas do Mundo disputadas.



Temos um problema sério: em todas as partidas da seleção brasileira, o adversário parece um simples coadjuvante.

O adversário não ganha, é o Brasil que perde. O adversário não joga bem, nós é que jogamos mal.

Peraí, né? A defesa do México foi muito bem no jogo, e o atacante Peralta (sugestivo, hein?!) soube ser oportunista. Infelizmente para nós, o placar se define pelo número de bolas que adentram aquele retângulo coberto de redes, e eles encaçaparam duas vezes nas nossas, contra uma nossa na deles.

Desperdiçamos chances, nas poucas que o México nos deu. Eles marcaram, nas poucas que criaram.

Os garotos mexicanos são a esperança de, quem sabe, a seleção chegar a uma semifinal de Copa daqui a uns seis anos. Já os brasileiros são a bola da vez, que disputarão uma Copa em casa e terão "obrigação" de vencer, daqui a apenas dois anos.

Vencer é muito importante e fantástico, mas exercer sua própria identidade, que parecia esquecida em algum canto das burocráticas salas da CBF e da Globo, é muito mais valioso.

Mostrar aqui, o que costumamos mostrar na Europa, é o maior troféu que podemos levantar. A nossa cara, a nossa cultura, o nosso futebol!


Valeu,

Bruno Porpetta


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um nacho indigesto

"Sábado de sol, aluguei um caminhão pra levar a galera pra..." assistir à final do futebol masculino olímpico, onde o Brasil - favoritíssimo, bom que se diga - enfrenta o México.



O Brasil tem cinco títulos mundiais. Teve seleções como as de 58, 70 e 82, que encantaram ao mundo todo com seu estilo de futebol digno de Louvre. Vestiram a camisa amarelinha craques como Friedenreich, Leônidas, Domingos da Guia, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Rivellino, Falcão, Junior, Leandro, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e, o maior de todos eles, Pelé.

Ou seja, a camisa da seleção brasileira tem cinco vezes o peso do planeta, e vestí-la é, além de uma honra, uma responsabilidade imensa.

Esta tarefa, nas Olimpíadas de Londres-2012, foi confiada a Oscar, Rômulo, Thiago Silva, Marcelo, Leandro Damião, Lucas e, principalmente, Neymar. É no estiloso moicano a la mico-leão-dourado, e seu futebol genial e moleque, que estão depositadas nossas maiores esperanças na conquista daquilo que nem Pelé trouxe para casa: o ouro olímpico.

Falta somente ao futebol brasileiro subir no pódio em que Jesse Owens, Adhemar Ferreira da Silva, Nadia Comaneci, Carl Lewis, Michael Phelps e Usain Bolt já subiram.

Apesar de todos os problemas na preparação do time nos últimos anos, o Brasil chegou como um dos favoritos ao título, e com a queda de outros possíveis candidatos, chegou à final como o grande favorito. Mas a final é contra o México, um grande sapo enterrado embaixo das nossas traves.



O México não tem nenhum mundial. Quando chega às quartas-de-final, seus jogadores são recebidos com festa no aeroporto. Se chegarem a uma final, comporão todo o Congresso Nacional mexicano nas eleições seguintes. Claro, se o PRI e seu staff para golpes eleitorais quiserem.

A camisa verde mexicana só tem peso para a Concacaf (confederação que congrega as Américas do Norte, Central e as Guianas), onde já ganhou várias competições. Em geral, disputadas contra os EUA, que possuem pouca intimidade com a redonda (de futebol, claro).

Fora o Império Azteca, o movimento zapatista e o Chaves, o México foi uma sucessão de Marias del Bairro sem fim.

Porém, é mexicano o ouro dos últimos Jogos Panamericanos, cuja base do time é a mesma que enfrenta o Brasil neste sábado.

Além disto, o México se tornou uma pedra no sapato brasileiro. Ultimamente, alguns dos maiores vexames da seleção brasileira foram contra os mexicanos. Até mesmo nos amistosos que antecederam às Olimpíadas em Londres, o Brasil foi derrotado pelo México, na pior exibição recente da equipe brasileira.

Mais do que os mexicanos, somente os franceses possuem o privilégio de ser uma formação rochosa no nosso caminho.

Agora é torcer e ver no que vai dar. Mas aquele patuá guardado na gaveta, por via das dúvidas, carregue na mão durante o jogo.


Valeu,

Bruno Porpetta


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sábias palavras de Pai Zezão

Por José Renato Baptista, camarada de fé, de visão de mundo e de paixão pelo Flamengo.


"Tem uma coisa engraçada. 

As pessoas acham que o volei brasileiro tem bons resultados há tantos anos por causa dos jogadores e do Bernardinho. 

Sim, também. Mas esquecem que existe um trabalho que vem sendo feito desde 1982, quando a chamada "Geração de Prata" conquistou um vice-campeonato mundial e uma medalha de prata olímpica. O Brasil vem conquistando títulos e vitórias nas categorias de base há tantos anos. 

O nosso problema é achar que medalhas olímpicas ou vitórias esportivas são o resultado de gênios excepcionais que surgem de vez em quando. 


Sim, os gênios surgem, é verdade, quando você extrai da quantidade a qualidade. É preciso que existam muitos atletas em uma modalidade para que surjam os grandes atletas. É preciso que as pessoas pratiquem esportes para que o talento apareça.

Muitos vem destacando isso: é preciso trabalhar a base. 


Não esperem grandes resultados olímpicos daqui há 4 anos. Eles não virão.

No volei eles vieram em quase 20 anos de trabalho. No judô, eles podem vir, mas já são aí pelo menos dois ciclos olímpicos. Nos demais esportes vai ser sempre muito dífícil. 

Só investindo massivamente nos esportes, no esporte escolar, não para formar atletas, mas para difundir a prática dos esportes, é que vamos ver aparecer medalhas e subir no quadro de medalhas em uma Olimpíada. 

No mais, veremos eventuais bronzes. Raras pratas e raríssimos ouros."


É mais ou menos o que eu tenho tentado falar nos últimos dias. O número de medalhas é diretamente proporcional ao número de praticantes esportivos. E país que pratica esportes, com ou sem medalhas, é um país melhor.


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O ouro da aberração

É louvável, digno de todas as homenagens, festas, louros e holofotes, o ouro de Arthur Zanetti.



Por vários motivos, dentre eles o fato dele ser o primeiro ginasta sul-americano a conquistar uma medalha de ouro olímpica.

Mas o fundamental é ressaltar a conquista de uma medalha de ouro na ginástica artística - no caso específico, nas argolas - pelo Brasil. Um país que, às vésperas de sediar uma Olimpíada, consegue tornar esta conquista uma aberração.

Arthur não iniciou sua vida esportiva em uma escola, ou universidade. Foi em casa mesmo, junto ao pai, que era serralheiro e fazia, com a matéria-prima de sua mão de obra, equipamentos de ginástica para o filho praticar.

E costuma ser assim. Os maiores incentivos para a prática esportiva no Brasil são privados. Geralmente por iniciativa de algum heroico professor de educação física ou parente.

Não existe uma política pública de maior alcance para que possamos ter vários Arthurs, e não nos cause tanto espanto quando uma medalha de ouro é conquistada.

Estamos a quatro anos das Olimpíadas do Rio, e nosso "projeto olímpico", ou seja, onde concentramos os esforços de investimento, é remover famílias de suas casas e promover obras de grande vulto, a custos exorbitantes, que visam garantir um mês glorioso para alguns e uma vida de sacrifícios para muitos.

Assim como Arthur Zanetti entrou para a história do esporte com a conquista do ouro olímpico em Londres, as Olimpíadas no Rio de Janeiro podem também entrar para a história como os Jogos do desrespeito ao povo e nenhum avanço em nossa política de esportes.

Ganhar medalhas é bom, e é certo que daqui a quatro anos ganharemos mais do que estamos habituados, mas só as medalhas não são nada.

Política séria de esportes é massificar a prática, nas mais variadas modalidades.

Se nem todos serão campeões, ganharão medalhas e se tornarão ídolos, pouco importa. Teremos alguns medalhistas e muita gente mais saudável.

Do ponto de vista do esporte, este seria um excelente legado. Sob todos os pontos de vista, parece que não  sobrará legado algum.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

E agora, José?


       


                 E agora, José?
              A festa acabou,
              a luz apagou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, José?
              e agora, você?
              você que é sem nome,
              que zomba dos outros,
              você que faz versos,
              que ama, protesta?
              e agora, José?
              Está sem mulher,
              está sem discurso,
              está sem carinho,
              já não pode beber,
              já não pode fumar,
              cuspir já não pode,
              a noite esfriou,
              o dia não veio,
              o bonde não veio,
              o riso não veio
              não veio a utopia
              e tudo acabou
              e tudo fugiu
              e tudo mofou,
              e agora, José?
              E agora, José?
              Sua doce palavra,
              seu instante de febre,
              sua gula e jejum,
              sua biblioteca,
              sua lavra de ouro,
              seu terno de vidro,
              sua incoerência,
              seu ódio - e agora?
              Com a chave na mão
              quer abrir a porta,
              não existe porta;
              quer morrer no mar,
              mas o mar secou;
              quer ir para Minas,
              Minas não há mais.
              José, e agora?
              Se você gritasse,
              se você gemesse,
              se você tocasse
              a valsa vienense,
              se você dormisse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, José!
              Sozinho no escuro
              qual bicho-do-mato,
              sem teogonia,
              sem parede nua
              para se encostar,
              sem cavalo preto
              que fuja a galope,
              você marcha, José!
              José, para onde?


    (Carlos Drummond de Andrade)



O Flamengo, clube de maior torcida do país, cujo time passa sucessivas vergonhas em campo, outro dia teve seus telefones cortados. Hoje, seu Centro de Treinamento em Vargem Grande, está sem luz.

Enquanto isso, a presidenta-vereadora Patrícia Amorim passeia por Londres, acompanhando o prenúncio de um vexame da delegação brasileira nas Olimpíadas, onde vários atletas do clube - especialmente na natação - competem.

Sua administração faz a torcida rubro-negra passar vergonha pelas ruas, e esta já começa a pedir que ela nem volte para o Brasil.

E aí? O que fazer?

Não elegê-la para nada a que se propõe (clube e Câmara) pode ser um bom início.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 31 de julho de 2012

Pinceladas olímpicas

Devo confessar-lhes. Não tenho acompanhado a contento às Olimpíadas de Londres.

Entre a procura de um apartamento, o exercício de minhas convicções políticas e o tempo com a minha filha, tem sobrado pouco espaço para as Olimpíadas.

Mas, sempre que possível, eu dou uma olhadinha, ou uma lidinha a respeito, ou um papinho sobre o tema com uns e outros. Assim, de forma meio torta, vou formando minha opinião sobre as coisas.

Vou, então, dar uns pitaquinhos.

Neymar é craque, e disto ninguém tem dúvida. O Brasil é favorito ao ouro, ainda mais depois da eliminação precoce da Espanha. Mas vamos devagar com o andor, que o santo é de barro. Ganhamos da Bielorússia, cujo maior orgulho na vida foi um dia ter feito parte da União Soviética. Pelo menos, eu teria...

Diego Hypólito pode ser azarado, medroso, ou qualquer outra coisa, mas creditar a ele toda a responsabilidade do mundo por outro tombo que resultou em frustração olímpica é de uma maldade sem tamanho. Dos dirigentes da ginástica brasileira eu não ouço um piu sequer, e eles são diretamente responsáveis por jogarmos toda esta responsa nas costas do cara, porque só tem ele, mais alguns figurantes.

Acho excelente que nosso primeiro ouro seja no judô feminino! Antes disso, parecia que só haviam homens na delegação de judocas. Este é outro esporte que, sabe-se lá como, sobrevive no Brasil.

Apesar das inconstâncias na partida, começamos no basquete masculino com uma vitória importantíssima. Finalmente temos um time que dá gosto de ver, e podemos, enfim, deixar de sermos viúvas do Oscar.

O Dream Team estadunidense é, sem dúvida, um timaço de basquete! Mas a cada quatro anos eu sinto uma falta danada de Jordan, Johnson, Bird, Pippen, Drexler, Malone, Ewing, Mullin,...

O revezamento 4x100 metros da natação ficou de fora da final. Especialistas do mundo todo afirmam que a comissão técnica brasileira fez bobagem poupando Cesar Cielo da eliminatória. Bobagem faz a CBDA ao não dar condições para que mais Cielos apareçam. Ficamos na dependência de um só, dá nisso.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Olimpíada invisível

Começaram os Jogos Olímpicos de Londres-2012, a maior festa do esporte mundial, que carrega à eternidade o Barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da era moderna, iniciada em 1896, na cidade de Atenas (GRE), onde a competição já era consagrada.

O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.

Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.



Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.

Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.



Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.

Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.

Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?

Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.

A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.

Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.



Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.

A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.

Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.

É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?

A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.

O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.



O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.

O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.

O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.


Valeu,

Bruno Porpetta






terça-feira, 15 de novembro de 2011

A nossa "democracia"


Para quem não sabe, o "Blog do Paulinho" foi quem apresentou várias informações sobre as atividades nada peculiares de Ricardo Teixeira e Carlos Arthur Nuzman.


12 de novembro de 2011

Desde o último dia 09 de junho, por decisão judicial, que contraria a Constituição do Brasil, o “Blog do Paulinho” encontra-se censurado para acesso pelos provedores deste país.
No exterior, não sofremos restrições.
Ingressamos, há meses, com recurso solicitando a reparação da injustiça, e aguardamos, pacientemente, pela decisão dos desembargadores.
Os mais prejudicados são os leitores que acessam a internet pela “NET”, que nos bloqueia desde que a decisão foi pronunciada.
Em contrapartida, os usuários do “Speedy”, da Telefônica, continuam nos acessando normalmente.
Para os que estão sendo tolhidos de seus direitos de ler nossas informações, onde e quando desejarem, a alternativa é acessar por intermédio de sites que desbloqueiam o travamento.
Entre eles o “anonymouse”.
Basta acessar http://anonymouse.org e digitar, quando solicitado, o endereço http://blogdopaulinho.net, para ter o acesso restabelecido.
Não é a melhor maneira, mas é a alternativa possível neste momento.
Assim que a decisão do recurso for promulgada, publicaremos nesse espaço, e tomaremos as providências cabíveis para reparação.




Valeu,




Bruno Porpetta

domingo, 30 de outubro de 2011

Reflexões sobre o Pan

Terminado o Pan-Americano de Guadalajara (MEX), podemos fazer algumas reflexões pertinentes.

A primeira delas é sobre a mudança de mãos nas transmissões do Pan para o Brasil. Agora, feita pela Record, com exclusividade.

Diferente da Globo? Nada disso!

Edir Macedo: nem a palavra do Senhor o tornou tão bonzinho


Tão ufanista quanto, tão sensacionalista quanto, tão monopolista quanto.

Para comprovar as afirmações acima, citemos três exemplos.

A Record afirma que o Brasil terminou o Pan em segundo no quadro de medalhas. Mentira! Para isto, ela se valeu da mesma estratégia estadunidense nas Olimpíadas de Pequim, contando o total de medalhas, ao invés do histórico critério das medalhas de ouro, tendo as de prata e bronze como critérios de desempate, consecutivamente. Estratégia esta, à época, difundida pela Globo.

Jaqueline, ponteira-passadora da seleção brasileira de vôlei feminino, lesionou a coluna cervical na estreia do time no Pan. Acompanhou suas colegas pela televisão, até a conquista da medalha de ouro. Durante a final, foi filmada em casa e, apesar da solidariedade do time para com ela, obviamente não estava feliz por estar de fora. Seu rosto, nitidamente entristecido, foi incansavelmente retratado pela equipe de reportagem da Record. Desligar a câmera, ao menos, naquele momento, seria mais prudente. Diria até, mais humano. Mas, provavelmente, estavam subindo os índices de audiência, e nada mais importa na televisão brasileira.

A ESPN Brasil chegou a fazer uma consulta à Record sobre a compra dos direitos de transmissão para os Jogos Pan-Americanos. O valor pedido foi tão elevado, que a emissora de esportes teria que vender o Mickey Mouse para pagar (a ESPN pertence à Disney). Exatamente o que a Globo costuma fazer, quando tem exclusividade em seus eventos.

Ou seja, a Record não quer ser diferente, quer ser, tão somente, uma Globo do B.

Outra questão importante para se refletir, principalmente às vésperas de uma Olimpíada no Brasil, é o próprio quadro de medalhas.

O pior cego, é quem não quer ver.


O Brasil ficou em terceiro lugar, com 47 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze, total de 140 medalhas.

Cuba, em segundo lugar, com 58 de ouro, 35 de prata e 43 de bronze, completando 136 medalhas.

O país verde e amarelo possui mais de 192 milhões de habitantes (segundo o último Censo), distribuídos em  8.514.876,599 km2 de território (22 habitantes/km2), com PIB de US$ 2,1 trilhões (estimativa de 2010), a sétima economia de todo o planeta.

Cuba tem pouco mais de 11 milhões de habitantes (pouco menos que a cidade de São Paulo), espalhados em 110.861 km2 (102 habitantes/km2), seu PIB, considerando o embargo que sofre por parte de seu vizinho mais indesejado, os Estados Unidos, é o 85º do mundo, estimado em US$ 51,110 bilhões.

Agora, façamos uma relação entre as medalhas conquistadas no Pan e os dados apresentados?

No Brasil, conquistamos uma medalha de ouro para, aproximadamente, cada 4 milhões de habitantes. Em Cuba, uma para cada 189 mil.

Prefere o critério estadunidense de deformação de resultados olímpicos?

Ok. Cada medalha pode ser curtida por pouco mais de 1 milhão e 300 mil brasileiros, enquanto cerca de 80 mil cubanos se deleitam com outra.

Por território, o Brasil possui uma medalha para cada 60.820 km2, aproximadamente. Cuba, tem uma para cada 815 km2, também em valores aproximados.

Se observarmos o Produto Interno Bruto de ambos, uma medalha brasileira custa US$ 15 milhões, enquanto a cubana está em promoção, saindo por quase US$ 376 mil.

A sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é o Rio de Janeiro, não Havana.

Com justiça?


Valeu,

Bruno Porpetta





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ceticismo?

Ao saber das acusações contra Orlando Silva, o Ministro dos Esportes, e responsável direto pelos dois maiores eventos que estão para acontecer no Brasil, a princípio, fiquei ressabiado.

O Exmo. Sr. Ministro dos Esportes, Orlando Silva, até outros tempos, eu conhecia como Orlando.

Orlando e a necessidade de se defender


Nos longínquos tempos meus de movimento estudantil, Orlando era o presidente nacional da UJS (União da Juventude Socialista).

Apesar das divergências, eternamente manifestas, à mesma, sempre reconheci que a UJS teve o mérito de ser muito mais do que, simplesmente, um braço da juventude do PCdoB. Ela foi uma organização de massas da juventude brasileira. Lógico que, dentro das limitações impostas pela própria conjuntura, que não era favorável a nada que remetesse ao socialismo, após a derrocada do chamado Bloco Soviético.

À época, ainda cheio de hormônios, eu os demonizava. Lembro-me que, ao lado de vários companheiros e companheiras, gritei uma série de impropérios para a UJS. Até de aliança com o Gargamel, no desenho dos Smurfs, eu os acusei de ter feito.

Era divertidíssimo cantar: "PCdoB, mas que cruel, nos Smurfs apoiou o Gargamel"


Hoje, um pouco mais maduro, reconheço o grande trabalho deles. Mesmo com as divergências anteriormente citadas. Não posso dizer que eram santos, mas sempre foram muito inteligentes.

Por isso, me causaram estranheza tais acusações.

Diante dos eventos vindouros, é óbvio que o Ministério do PCdoB ganha uma centralidade que poucas vezes, é bom que se diga, foi vista na história republicana brasileira. E o modus operandi da política, costuma alvoroçar a turma em Brasília, em ocasiões tão especiais assim.

De repente, aparece um policial militar, fazendo uma série de acusações, pela Veja e a Globo, se reunindo com a tucanada, o eterno ex-PFL, e prometendo revelar provas. Mas não as revela.

Se forem verdadeiras, revelam um certo "amadorismo" por parte do Ministério. A própria história da nossa república, mostra que os donos do poder são "profissionais" em sacanear o povo. Não seria este o caso.

O povo tem o direito de saber o que está acontecendo!

Sem pré-julgamentos, se Orlando tiver culpa no cartório, paga. Se não, que pague o PM.

Só não consegui, ainda, formar algum tipo de suspeita sobre um ou outro.

Apesar do ônus da prova caber a quem acusa, por se tratar do que está envolvido, o Ministro Orlando Silva deve se antecipar.

Sob pena de, mesmo provando sua inocência, arrastar uma crise que, independente de quem se beneficiar com ela, sempre envolve diretamente todo o povo.


Valeu,

Bruno Porpetta


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aos jovens de Londres

Às vésperas de 2012, Londres sente os efeitos da exclusão olímpica.

Gente com pouca perspectiva que acreditou que os Jogos Olímpicos poderiam mudar suas vidas. Não mudaram!

Diante disso, a rebeldia se tornou inevitável.

Mais uma lição que devemos aprender para os megaeventos que se aproximam por aqui.



As manifestações londrinas fazem com que a obra do The Clash seja atualíssima!


Valeu,

Bruno Porpetta