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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Primavera nos dentes

Ronaldinho Gaúcho está de volta ao futebol brasileiro. Agora é jogador do Fluminense, após passagem discreta pelo Querétaro, do México.



O custo para o clube é relativamente alto. O que se coloca em questão, depois de inúmeros casos de descompromisso com a própria carreira, são os benefícios.

Sua passagem pelo Flamengo foi um desastre. Conquistou apenas um Carioca, sem nenhum brilhantismo. Seu melhor momento com a camisa rubro-negra foi em um jogo histórico contra o Santos, na Vila Belmiro.

No Atlético-MG, foi da redenção ao ocaso em curto período. Após se destacar na conquista da Libertadores em 2013, resolveu se dedicar à noite com afinco. Saiu do Galo como ídolo, embora a torcida já não visse a hora disso acontecer.

O OUTRO LADO DA MOEDA

E não é que pode dar certo? Pare e pense.

Do ponto de vista comercial, qualquer solo que Ronaldinho pise é digno de nota no mundo todo. Naquele papo de internacionalização da marca do Flu, é uma tacada de gênio da diretoria. Tão genial quanto o futebol que ele já teve e conquistou fãs em todo o planeta.

Dentro do campo, pode ser o último clube de Ronaldinho. Ele tem 35 anos e pode se motivar a querer encerrar a carreira de forma, no mínimo, digna. Pode ficar alheio ao jogo por 88 minutos, mas se colocar o Fred duas vezes na cara do gol, como ele sabe muito bem fazer, o adversário que se vire para fazer três e vencer o jogo.

Enfim, se por um lado pode desestabilizar um time certinho que, ao contrário de todas as previsões, está nas cabeças do Brasileirão. Por outro, pode motivar ainda mais essa molecada a correr por ele, jogar por ele.


Algo que na cabeça dos garotos era inimaginável fora do videogame, pode resultar em um final de ano feliz nos gramados.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um último domingo de magia

Segunda-feira, o futebol brasileiro já acordará mais medíocre.

Pela última vez, Alex sairá de sua casa rumo ao Alto da Glória a fim de disputar uma partida como jogador profissional. O menino que saiu do Coritiba, cresceu no Palmeiras, passou pelo Flamengo, se agigantou no Cruzeiro e virou mito no Fenerbahce, da Turquia.



Pela seleção brasileira, nunca nenhum treinador compreendeu a importância de Alex para o futebol. Apesar do título em 2002, é incompreensível sua ausência na lista dos 23 nomes que foram para a Copa. Mas já está provado que o Felipão não gosta de futebol.

Alex é um dos últimos remanescentes de nossa maior carência no Brasil dos atuais tempos. Nos falta um meia que faça o mundo parar de girar, que dite o ritmo do jogo como quem rege uma orquestra.

Seu último ato como craque que sempre foi, é e continuará sendo por toda a eternidade das nossas lembranças sobre o esporte bretão, será enfrentar o Bahia e, lamentavelmente, rebaixá-lo à segunda divisão. Isto após ter garantido a presença do Coritiba na primeira.

Este período no Coritiba serviu para despertar em Alex uma liderança para fora do campo, para além das quatro linhas, que parecia impensável há tempos atrás. O genial camisa 10 do Coxa se tornou uma referência na luta por um futebol melhor para todos, através do Bom Senso FC.

É de Alex a afirmação que a CBF é, para o futebol brasiileiro, uma mera sala de reuniões. Quem manda mesmo é a Rede Globo, que paga a banda e escolhe a música.

Este Alex vindo da Turquia não para de jogar, nem pode. Deve continuar esta luta, mesmo aposentado dos gramados.

Do outro Alex, que parecia tímido, aparentava ser sonolento - o que lhe deu o injusto apelido de Alexotan - fica a genialidade dos lances de rara beleza. A precisão na conclusão, a velocidade de raciocínio, aquele chapéu no Rogério Ceni...

O futebol acordará na segunda-feira menos mágico, ainda mais medíocre. As esperanças de um sopro desta magia continua apenas em Ganso, que não é convocado por Dunga - que também não gosta de futebol.

Diante de tantos treinadores que desprezam a arte em detrimento dos resultados que garantam tão somente os lucros da quadrilha que se apossa do futebol brasileiro através da CBF, o talento tem pouco espaço.

O Brasil parece não querer novos Alex, mas o Brasil precisa de novos Alex. Dentro e fora do campo.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Por que o 10 não joga?

O Brasil, desde a Copa do Mundo, fez uma opção por jogadores rápidos no meio-campo. Estes roubam a bola no campo defensivo, partem em velocidade para o ataque. Não trocam passes, nem sentam na bola quando é preciso diminuir o ritmo.

O futebol brasileiro sente falta de um autêntico camisa 10, alguém que dite o ritmo da partida e até mesmo o giro da Terra. Este jogador, gostando ou não, é Paulo Henrique Ganso.



Ele é irregular, não é protagonista no São Paulo, como não era no final de sua passagem no Santos. Na prática, foi responsável só pelo título paulista do Santos, em 2010.

Depois, foi soterrado por suas lesões e pela ascensão do craque Neymar. O cara que se recusou a sair de campo, dando bronca no treinador, naqueles tempos, nunca mais voltou.

Poderia ir à Copa, mas não fez nada para merecer a convocação, a não ser o jogador que é. Um craque!

Quer saber outra? Não precisa nem ser titular, pode ser apenas uma opção. Mas não pode ficar de fora.

Um jogador como Ganso pode parecer antiquado. Afinal de contas, a Alemanha foi campeã do mundo sem um cara exatamente assim. O mais próximo é Schweinsteiger, que joga como “volante”.

Que se dane o mundo! Um cara como Ganso pode trazer de volta uma ideia de futebol que estão tentando enterrar desde 82. Não ganhamos, mas é uma das maiores seleções da história das Copas. Com beleza, que é uma marca nossa.

Está aí nosso grande problema. A cada derrota, fomos “aprendendo” algo com os europeus. Revivemos tempos de Cabral, com a aristocracia da bola sentindo orgulho das influências coloniais do Velho Mundo.

E assim vamos abrindo mão de todas as nossas características, cultuando volantes e mais volantes. A ideia do “feio que vence” predomina, mesmo que tenha perdido mais do que vencido.


Enquanto isso, o Ganso faz golaços pelo São Paulo...



Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Uma grande declaração de amor

Podem até pensar, induzidos pelo título da crônica, que tratarei dos dois gols de Vágner Love.

Ledo engano!



A maior declaração de amor já vista, pelo menos no futebol "moderno" de ultimamente, por alguém que poderia não ter nenhum motivo para tanto, foi de Loco Abreu.

Sebastian Abreu, nascido no Uruguai, mais precisamente na cidade de Minas, é torcedor declarado do Nacional, time de Montevidéu.

Time também de Eduardo Galeano, cuja poesia no olhar do escritor foi declamada pelo Nacional. Em si, o fato de possuir um torcedor como ele, já é digno de muito respeito.



O Flamengo vencia por 2 a 0, tinha ímpeto e podia chegar ao terceiro, mas foi freado pelo amor de Abreu pelo Botafogo.

Provocado, próximo à bandeira de escanteio, pela torcida do Flamengo, levantou a camisa do Figueirense e exibiu um distintivo do Botafogo, beijando-o de frente aos torcedores que o hostilizavam.

Alguém pode vir com o papinho de que Loco "desrespeitou a torcida do Figueirense". Convenhamos, a relação dele com o Botafogo está a milhões de léguas à frente da curta história no time continental de Florianópolis.

Este singelo gesto, de um uruguaio que vestiu e introjetou a camisa do Botafogo, foi uma linda declaração de amor. De quem sabe, e tem orgulho disto, que faz parte da história do alvinegro carioca.

Hoje em dia isto é tão raro, mas tão raro, que é de emocionar quando acontece.

Toda esta carga de emoção cumpriu também um papel no campo. O jogo ficou tenso, a partir da tensão entre Loco e a torcida do Flamengo.



Ali, ele tirou a torcida do ataque, fazendo-a recuar no campo para marcá-lo. O árbitro paralisou o jogo várias vezes, para conter as provocações de Loco, e assim fez o Flamengo esquentar a cabeça e esfriar o jogo. Até para fazer o tempo passar, já estava sacramentada a vitória que coloca o nariz para fora da... água... e enfim, respirar um pouco mais aliviado.

Coincidentemente, enquanto o Botafogo perdia em casa para o Palmeiras, com dois gols de Barcos, o nome de Loco Abreu era gritado no Engenhão.

Não à toa.


Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

E agora, José?


       


                 E agora, José?
              A festa acabou,
              a luz apagou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, José?
              e agora, você?
              você que é sem nome,
              que zomba dos outros,
              você que faz versos,
              que ama, protesta?
              e agora, José?
              Está sem mulher,
              está sem discurso,
              está sem carinho,
              já não pode beber,
              já não pode fumar,
              cuspir já não pode,
              a noite esfriou,
              o dia não veio,
              o bonde não veio,
              o riso não veio
              não veio a utopia
              e tudo acabou
              e tudo fugiu
              e tudo mofou,
              e agora, José?
              E agora, José?
              Sua doce palavra,
              seu instante de febre,
              sua gula e jejum,
              sua biblioteca,
              sua lavra de ouro,
              seu terno de vidro,
              sua incoerência,
              seu ódio - e agora?
              Com a chave na mão
              quer abrir a porta,
              não existe porta;
              quer morrer no mar,
              mas o mar secou;
              quer ir para Minas,
              Minas não há mais.
              José, e agora?
              Se você gritasse,
              se você gemesse,
              se você tocasse
              a valsa vienense,
              se você dormisse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, José!
              Sozinho no escuro
              qual bicho-do-mato,
              sem teogonia,
              sem parede nua
              para se encostar,
              sem cavalo preto
              que fuja a galope,
              você marcha, José!
              José, para onde?


    (Carlos Drummond de Andrade)



O Flamengo, clube de maior torcida do país, cujo time passa sucessivas vergonhas em campo, outro dia teve seus telefones cortados. Hoje, seu Centro de Treinamento em Vargem Grande, está sem luz.

Enquanto isso, a presidenta-vereadora Patrícia Amorim passeia por Londres, acompanhando o prenúncio de um vexame da delegação brasileira nas Olimpíadas, onde vários atletas do clube - especialmente na natação - competem.

Sua administração faz a torcida rubro-negra passar vergonha pelas ruas, e esta já começa a pedir que ela nem volte para o Brasil.

E aí? O que fazer?

Não elegê-la para nada a que se propõe (clube e Câmara) pode ser um bom início.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 23 de junho de 2012

Ao mestre, com carinho

Há exatos 40 anos, nascia em Marseille, na França, o neto de argelinos, símbolo de uma França etnicamente diversificada, que mudou para sempre a história do futebol francês e mundial.

O nome dele é Zinedine Zidane, ou Zizou, para os íntimos da bola.

Quando qualquer francês normal imaginava que nunca haveria ninguém como Platini, eis que surgiu Zidane. Além da Euro, ganhou a Copa. E inscreveu seu nome na galeria dos maiores jogadores de toda a história do futebol no mundo. E que me perdoe Platini, mas Zizou é o maior jogador da França, desde a revolução burguesa!





Havia uma outra disputa em curso, no período em que Zidane jogou, pelo mundo da bola.

Um certo Ronaldo Nazário andava nas cabeças, ganhava prêmios, títulos, marcava muitos gols. Zidane não costumava ser artilheiro, somente decisivo.

Se enfrentaram pela primeira vez, naquela competição realmente importante no mundo, justo em uma final!

Era 1998, e a França de Zidane marcava 3 a 0 no Brasil, do combalido Ronaldo, e era campeã da Copa do Mundo pela primeira vez. Dois gols do camisa 10 francês, ambos de cabeça, que não era lá sua especialidade.

Demos um desconto à situação de Ronaldo, recém saído de uma convulsão, e que sequer deveria estar em campo naquela partida.

O novo encontro em Copas, foi este acima no vídeo, em 2006, nas quartas-de-final. Ano em que a França, com um time bem mais limitado que o de 1998, foi conduzida por Zidane à final, até sua cabeçada (mesmo que equivocada, merecida) em Materazzi.

Um lance determinou quem era o craque daquela geração. Muito mais que a cobrança de falta pela esquerda do campo, nos pé de Henry, que acabou definindo o placar, outro lance foi decisivo.

Zidane deu um chapéu em Ronaldo!

Por mais que o estado de Ronaldo também não fosse dos melhores, visivelmente acima do peso, estavam ali os dois melhores jogadores do mundo na ocasião, e levar um chapéu define muita coisa.

O franco-argelino Zinedine Zidane, foi o melhor jogador do mundo naquele período, e é um dos maiores gênios do futebol.

Ele entrou naquela pequena lista, que inclui "apenas" Maradona, Romário e Zico, e agora também, Lionel Messi.

Ou seja, Zidane está, para mim, que tive a honra de poder, ao menos, assistir pela televisão suas exibições, entre os cinco maiores jogadores da história.

Só pra constar, Pelé não conta! É o Clóvis Bornay do futebol! É hors concours!

De qualquer forma, em seu aniversário, não pude deixar de prestar minhas reverências à Zidane.

Acima de tudo, obrigado!

E parabéns também pra Cindy Lauper, que fez 59 anos ontem. Ela merece, ao menos, uma citação!


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"La respuesta"

Santos 8 x 0 Bolívar!

Abaixo, uma foto auto-explicativa.





As respostas são:

1) Ganha jogos quem joga bola, não garrafas ou pedras.

2) O treinador boliviano agora sabe quem é Neymar.

3) Além de Neymar, o Santos dispõe de outro gênio, chamado Paulo Henrique Ganso.

Qualquer coisa além disso, é mera encheção de linguiça.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ah! O futebol...

Poderia enumerar mil e uma razões para o futebol ser um esporte tão popular, tão apaixonante, tão lindo.

Uma delas, definitivamente, é a imprevisibilidade.

O que dá lógica ao futebol é, justamente, a ausência de lógica.



Se fosse realizada uma pesquisa, com os mais de sete bilhões de habitantes no planeta, fora os chatos, onde me enquadro, seria imensa maioria cravando Real Madrid e Barcelona, jogando em Munique, aos 19 de maio de 2012, a grande final da Liga dos Campeões.

Os chatos, em geral, são os do contra. Os que tentaram a sorte em um bolão, cravando um palpite diferente pra ganhar toda a grana sozinho. Ou os que, como eu, consideraram a hipótese de uma zebra. No meu caso, cheguei a pensar com meus botões no caso do Bayern, não do Chelsea.

Mas, mesmo sendo chato, pensava o óbvio ululante. O grande clássico espanhol daria fim à Liga dos Campeões!

E não é que o futebol pregou mais uma de suas peças?



A final da Liga dos Campeões é, exatamente, a oposição à lógica, ao previsível.

Bayern e Chelsea farão a grande final. Cada um com suas marcas de batalha, mas estão lá.

Tanto um, quanto outro, chegam com desfalques. O Chelsea tem quatro, o Bayern, outros três.

Mas ainda assim, farão a final, e tenham certeza, será igualmente um grande jogo!

O Chelsea é, como diriam os Raimundos, "primo véio e cancrado". Um time montado a partir do dinheiro de Roman Abramovich, que bateu na trave por alguns anos na própria Liga.

Porém, cheio de grandes jogadores, que tem nesta Liga sua última chance de se afirmar. Como Lampard, Terry e Drogba.

Este último, inclusive, marcou gol decisivo no primeiro jogo, após um grande período em má fase. Cresceu na hora certa!

John Terry, que foi perfeito no primeiro jogo, acabou expulso no segundo, e não joga a final.



Lampard deu o passe para Ramires - outro que fez grande partida - fazer o golaço que colocou o Chelsea no segundo jogo. Ainda tem Torres, que marcou o gol "fecha-caixão", um dos poucos que fez pelo time londrino.

Do lado do Bayern, além de um excelente time, haverá a torcida.



O grande jogo será em Munique, e o Bayern terá a oportunidade de se tornar um dos poucos que conquistaram a Liga em casa.

Os dois times, chegam com excelentes goleiros, em excelentes fases.

Peter Cech e Manuel Neuer, foram decisivos para o inusitado. Agarraram tudo, até sonho! E o sonho de ir à final, de improvável, se tornou possível.

Devo confessar, apesar dos riscos que corro, que acho que vai dar Chelsea. Ou Bayern. Não sei. Ah!, deixa pra lá!

Depois de tudo o que aconteceu, melhor não arriscar muito.

Como descrevi anteriormente, o futebol é apaixonante. Exatamente por isso. Sabe-se lá o que pode dar?


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 11 de março de 2012

Tricolores e rubro-negros, seja onde for

Dia de Fla-Flu!

Apesar dos inúmeros desfalques, sejam por contusão ou por poupança para a Libertadores - embora os dois estejam com as poupanças viradas para o Carioca -, é sempre um Fla-Flu!



Ainda mais, no ano do centenário do clássico, que ganhou este nome em 1933, através do jornalista Mário Filho. Aquele que, desde 1950, simplesmente dá nome ao templo do Maracanã.

Desde 1912, e a cisão no ano anterior do primeiro time do Fluminense com o clube, fundando posteriormente o primeiro time de futebol do Flamengo, a dupla se enfrenta.



Uma história que começou em 7 de julho de 1912, com vitória do segundo time tricolor sobre o recém-formado time rubro-negro, o ex-primeiro tricolor. De lá pra cá, foram 303 jogos, com 107 vitórias rubro-negras, 98 empates e igual número de vitórias tricolores. O Flamengo marcou 438 vezes, contra 403 tentos do Fluminense. Não falarei em títulos, para não parecer torcedor. Nem falarei em finais vencidas, para não ser anti-patriota.

Se existe um clássico em que ninguém, nunca, é favorito, é este!

No próximo domingo, na primeira capital do país, a Soterópolis mal cuidada pelo prefeito, é dia de Ba-Vi!

Igualmente um ano comemorativo, o clássico que completa 80 anos, continua cheio de charme, mas sem a pujança de antes, perante a nova ordem do capitalismo da bola, decididamente anti-nordestina e anti-nortista.



Em 18 de setembro de 1932, começa-se a contar a história do Ba-Vi, com vitória do Bahia por suculentos três a zero.

Os dois frequentaram, não há muito tempo, a terceira divisão do futebol brasileiro. Hoje, o Bahia está na primeira, o Vitória na segunda. Mas não era raro, até outros tempos, assistir a este clássico na elite do futebol brasileiro.

Diferentemente do clássico carioca, não houve nenhuma personalidade que o apelidou. O Ba-Vi foi obra do próprio povo baiano, este que lota estádios por onde passa. É urgente este reencontro na primeira divisão nacional!



Ao longo destes 80 anos, no total de 442 jogos, o Tricolor de Aço venceu por 177 vezes, o Leão Rubro-Negro conquistou 135 vitórias, ambos saíram de cara amarrada diante do empate por 130 vezes. O Bahia balançou as redes rubro-negras por 593 oportunidades, o contrário ocorreu por 493 ocasiões.

Imaginem se hoje alguém marca sete gols? Teremos uma marca histórica!

Seja pelo "entésimo" de um dos dois, seja pelo placar em si, que é vergonhoso pra quem leva.

Sob as bênçãos de Oxalá, que comecem as pelejas!


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 9 de março de 2012

Parabéns pra quem?

Dia 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres.



São anúncios de floriculturas por toda a parte. Homens, delicadamente, desejando felicidades às mulheres. Uma enxurrada de parabéns.



Parabéns para quem sofre, diariamente, pela violência masculina dentro de casa?



Parabéns para quem recebe salários inferiores aos dos homens, executando rigorosamente a mesma função?



Parabéns para não tem direito sequer sobre o próprio corpo, e é obrigada a morrer em açougues chamados de clínicas de aborto porque isto, em vários países, é ilegal?



Merecem parabéns, por suportar tamanha opressão todos os dias e, mesmo assim, não desistir.



Parabéns às mulheres que lutam, que não se acomodam. Seja como mães, como esposas, como trabalhadoras, como estudantes, mas especialmente, como guerreiras.



Mulheres que ousam romper com o culto à fragilidade, sem perder a ternura.



Enfim, muito mais que parabéns, estas merecem agradecimentos.



Por contribuir tanto para que todos entendamos que não existe mudança sem o fim do machismo. E o machismo é um valor do sistema que vivemos.




Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 8 de março de 2012

Noites de Messi, Neymar e... Fred

A quarta-feira foi um dia de visitas a uma exposição de belas pinturas. Um dia que deixou a curadoria do Louvre com uma ponta de inveja.

Na noite catalã (fim da tarde para nós), foi a primeira bela obra de arte. Uma avalanche de bom futebol, conduzida pelo artista maior do planeta bola, Lionel Messi.


O dono da bola


Não foi um jogo, foi um desfile.

É importante lembrar que o jogo valia vaga nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa. O Barcelona já havia vencido o jogo de ida, na Alemanha, por 3 a 1. Bastava administrar a importante vantagem conquistada pelo time catalão.

Mas a inspiração dos grandes artistas da humanidade se abateu sobre o Barça e, principalmente, sobre Messi. Só dele, foram cinco gols (pela primeira vez na história da competição). Destes, três golaços. O jovem Tello marcou outros dois e perdeu a oportunidade de guardar mais um no fim do jogo.

O goleiro Leno, a despeito de ter falhado em dois gols, não pode ser condenado. Nem Yashin seguraria esse rojão. Pela frente, havia o melhor time do mundo e um dos melhores da história do futebol. Em um dia de grande inspiração.

Os 7 a 1 foram pouco, por incrível que pareça!

É bom destacar que este gol solitário do Bayer, marcado por Bellarabi, foi belíssimo. Por isso a bola entrou. Hoje, só era permitido fazer gols com classe. Isto, o Barcelona tem de sobra. E quanta sobra!

De Barcelona para minha terra natal, a cidade de Santos.

O maior porto da América Latina, o maior jardim de orla do mundo, o bolinho de bacalhau do Toninho, o pastel do Carioca, os gigantescos sanduíches do CPE (Centro de Paqueras do Embaré), Plínio Marcos, Patrícia Galvão - a Pagu, e a Vila Belmiro.

O estádio Urbano Caldeira é uma terra dentro da terra. Por lá passaram Zito, Pepe, Dorval, Mengálvio, Coutinho... E naquele solo brilhou Pelé!


Neymar, um dos maiores terráqueos do Santos, carrega o sobrenatural


Em proporções mais terráqueas, por lá está Neymar, que hoje destruiu o Inter com três gols, dois dignos de reprodução em tela.

Noite inspirada, muito provavelmente, pela noite catalã. Neymar assistiu Messi, aprendeu como fazer e, com gratidão, esculachou.

Houve um personagem mais silencioso, sem gols, mas igualmente encantador e, enfim, reencontrando seu futebol. O que falar da partida de Paulo Henrique Ganso? Monumental, é o mínimo!


Ele está de volta? Amém!


Pegamos um vôo para Buenos Aires, onde nossos poderosos reais bebem os melhores vinhos de uma combalida economia argentina, para aportar no estádio que melhor representa a dureza da Libertadores: La Bombonera.

O Fluminense foi, viu e venceu!

Com grandes partidas de Deco, Diguinho e Diego Cavalieri (o DDD?), o Fluminense se tornou o quarto clube brasileiro a derrotar o Boca Juniors dentro de seus domínios. Juntou-se ao Santos de Pelé, o Cruzeiro de Ronaldo e o Paysandu, de uma torcida apaixonada e maravilhosa, sacaneada pelos dirigentes locais e nacionais com mais constância que as chuvas de Belém.

Mas é preciso ressaltar que o Fluminense, além do grande time que tem, é o Fluminense de Fred.

O camisa nove do Flu é o que há de diferente na posição. Alia técnica e (muita) inteligência. Dá o seu tom para o jogo e marca gols. Volto a defender seu nome para a posição na seleção brasileira, e não recuo.


Para o craque, basta uma bola


Quando o Fluminense precisou amarrar o jogo para suportar a pressão do Boca, lá estava Fred, que malandramente arrumou uma falta no campo defensivo, interrompendo uma sequência de golpes do time de Riquelme contra a meta tricolor.

Para mim, foi o cara da partida!

Pode não ter sido cinematográfico como os jogos anteriormente comentados, mas foi simbolicamente importante, principalmente porque reafirma o Flu como um dos favoritos ao título.

Voltando um pouco ao mundo dos mortais, e a pedido de Sally Liechocki, que merece reverências tantas, um breve comentário sobre a estreia do Independente, de Tucuruí-PA, na Copa do Brasil.

Perdeu por 1 a 0, para o São Paulo, em Belém.


Não é um bloco de carnaval, são só umas comprinhas na 25


Deve agradecer pela má atuação do tricolor paulista, pois com o placar magrinho ganhou a oportunidade de caminhar pela 25 de março, fazer umas comprinhas e, quem sabe, comer uma fogazza no Gianotti.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 7 de janeiro de 2012

Mamãe, quero ser pop!

Surfando na notoriedade de Michel Teló, e esperando que este vídeo faça o blog ter mais acessos que os tucanos tem em dólares nas Ilhas Virgens Britânicas, segue uma versão genial do sucesso Ai Se Eu Te Pego.

Cantada por Darth Vader, e contando com inspirados dançarinos vindos diretamente do lado negro da força.

Luke Skywalker, ou o Mestre Yoda, não teriam feito melhor.





E lembre-se: que a força esteja com você!



Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O fim de uma parte minha

Ontem, o R.E.M. anunciou que vão encerrar suas atividades após 31 anos de bons serviços prestados ao rock'n roll.

Escolhi o primeiro enorme sucesso da banda, porque é uma canção que me diz muito respeito.

Lembro-me que esta música "bombava", em uma época modestamente feliz da minha vida.

Tempos de Satélite, clube de funcionários do Banco do Brasil, em Itanhaém, no litoral paulista.

À época, ainda conseguia minhas medalhas em competições de tênis de mesa e totó.




Bons tempos! Estes, que o R.E.M. marcou fortemente com esta música.

O fim da banda, confesso, me deu um acesso de nostalgia.

Como disse um amigo, o rock'n roll perdeu QI. Não duvido disso.

Porém, como já cantava Michael Stipe, em um sucesso anterior a este, inclusive: "It's the end of the world, as we know it..."

Hora de sair dos palcos, para ficar na memória!


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 19 de junho de 2011

Eduardo Galeano: um gênio, não um intelectual!

Nesta entrevista, concedida aos acampados da Praça Catalunha, em Barcelona, além de destacar o papel da juventude na transformação deste mundo, que é "uma merda", em outro possível, ele descasca a intelectualidade.

Segundo o jornalista e historiador uruguaio, os intelectuais "tem a cabeça separada do corpo", e ele não se propõe a ser "uma cabeça rolando" por aí.

O que reforça minha admiração por este, que como poucos, descreveu de forma maravilhosa os séculos de exploração das colônias europeias sobre os países da América Latina.





Pra melhorar, o cara ainda é fanático por futebol, sendo torcedor apaixonado pelo Nacional, de Montevidéu, e fã do futebol brasileiro.

Não à toa, um dos meus livros de cabeçeira é Futebol ao sol e à sombra, de autoria dele.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Muchas gracias, Maradona!




Muchas gracias Maradona, mismo que te vei muy poco jugar.
Pero como vocero del fútbol, siempre te voy a estrañar.
Manda palos a la Fifa, lleva todos tus delanteros al Mundial.
Como el Che de tu brazo, juega bonito hasta al final.

Verdad que no has triunfado como entrenador.
Y qué? Junto a burócratas te toca jugar otro rol.
Al carajo con lo puro disputar,
El tema no es cuanto, más como ganar.

Ni siempre se puede alzar la copa.
Importa como tratas la pelota.
Que no se mancha, no Dieguito?
Pues se adelanta, se adelanta.

Mira vos, vengo de Brasil y a muchos de ahí debo elogios.
Pero fuera de la cancha, Pelé no pasa de tu hijo.
Desculpame eterno polera 10, incomparable atleta.
Pero, como dijo Romário, el Rey callado es un poeta.

(de Vinícius Mansur, el enano, escrito após a derrota argentina frente à Alemanha, em 2010)


Valeu,

Bruno Porpetta