Há um clamor, principalmente por meio da imprensa esportiva, para que Tite seja o novo treinador da seleção. É evidente que, de todos os treinadores brasileiros, ele é o mais atualizado, o mais competente.
Particularmente, concordo. Acho que ele deve ser o novo treinador da seleção, desde que a corja que habita e se alimenta na CBF caia. Não recomendo a nenhum treinador sério trabalhar pra esses caras.
Joguei uma isca no Facebook. Postei uma matéria sobre o treinador campeão brasileiro, convocando-o para a seleção brasileira.
A reação dos corinthianos foi absolutamente justa, compreensível e legítima. Todos negaram com veemência qualquer possibilidade dele sair do Corinthians para ir à seleção brasileira.
No lugar deles, talvez fizesse o mesmo. Aliás, qualquer um que estivesse no lugar deles, faria o mesmo.
Sabe por quê?
Porque somos nosso clube. Não somos seleção.
Essa identidade, cada vez mais, forçada do povo brasileiro com a seleção brasileira, nada mais é do que a rede do investimento atirada no lago do retorno financeiro.
A Globo, que detém exclusividade sobre tudo o que diz respeito à seleção brasileira, tenta forjar em nós uma paixão pela seleção que, por si só, não existe.
A seleção só nos encanta quando joga de acordo com as melhores tradições do nosso futebol. De forma vistosa, bonita, cheia de jogadores com talento.
Com a seleção capengando, o nosso interesse pela mesma cai sistematicamente. Diante do que, hoje, nossos jogadores e treinadores, quando convocados, são mais um estorvo à caminhada dos nossos clubes do que qualquer outra coisa.
Para ver jogo feio, melhor ver nosso campeonato. Onde reside a nossa paixão: o nosso clube, que é nossa nação, muito mais do que o nosso país.
Para aferir isto, basta se fazer a seguinte pergunta: se a seleção brasileira e seu clube se enfrentarem, para quem você torce?
Valeu,
Bruno Porpetta
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Pretensão
O ano acabou para a seleção brasileira. Os próximos jogos do
escrete canarinho são em março do ano que vem.
Pode parecer pretensioso, mas é o momento de um balanço. Até
porque o que mais se ouve por aí são boatos de uma possível queda de Dunga.
Encerramos o ano vencendo o Peru, pelo placar expressivo de
3 a 0. Descobrimos ali que é possível contar com Willian para algo mais que ser
um “parça” do Neymar. Que Douglas Costa é um jogador que faz a diferença. Que o
meio-campo do Corinthians é um exemplo a ser seguido.
O Brasil foi melhor no segundo tempo porque seu meio-campo,
formado por metade do meio-campo do Corinthians, passou a jogar como joga no
clube. Renato Augusto não é segundo volante, apesar de quebrar o galho. Deve
jogar mais solto, como jogou no segundo tempo, revezando com Elias.
Ou seja, Dunga apelou para a “titebilidade” do meio-campo
corinthiano para sair do sufoco que o Peru conseguiu dar na defesa brasileira
em alguns momentos do primeiro tempo.
O jornalista Juca Kfouri, em um programa de TV, colocou uma
questão interessante a respeito do cargo de Dunga. O treinador dependia muito
pouco do resultado contra o Peru, seu cargo está vinculado a Del Nero. Se o
Marco Polo que não viaja cair, Dunga cai junto.
É bastante razoável esta teoria. Quem presidir a CBF depois
de Del Nero, vai querer “mostrar serviço” e jogar para a galera. Dunga não tem
esse prestígio todo com o povo brasileiro, então roda.
Independente de qual a razão, tomara que caia.
É enorme a diferença tática entre Dunga e boa parte dos
treinadores de outras seleções. Ganhamos dos dois últimos colocados, jogando em
casa, e tivemos algum trabalho para vencer.
Nos testes reais, perdemos para o Chile sem ver a bola e empatamos
com uma Argentina bem desfalcada.
Na real e na moral, é isso.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Nome aos bois
Aos poucos, os caras que controlam
o futebol brasileiro transformaram o esporte em uma vaca, que lhes deu leite
aos litros por muito tempo. Continua dando, mas a teta dá sinais de que pode
secar.
O Estatuto do Torcedor, dentre os
méritos que possui, um deles é o fim da esculhambação de regulamentos das
competições. Ou seja, um regulamento não muda durante o campeonato, nem para o
do ano seguinte. O que acaba com qualquer chance da tal virada de mesa que pode
salvar o Vasco no fim do ano.
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil
Mas existem coisas que são de
competência exclusiva das entidades que administram o esporte. Leia-se, estão
na mão da CBF e federações estaduais. Aí, você já pode imaginar o resto.
A arbitragem é uma destas tarefas.
Portanto, a culpa de toda essa bagunça no Brasileirão, provocada por uma
bobagem maior que a outra feita pelos apitadores, é da CBF.
Marco Polo Del Nero, que está
exilado em seu próprio país, pois não existe qualquer lugar no mundo que seja o
paraíso penal para ricos como o Brasil, é quem “organiza” essa balbúrdia toda.
Isso para não falar de um que já está preso, outro processado,...
A resistência da CBF em admitir a
profissionalização dos árbitros, o uso da tecnologia e a racionalidade das
escalas provoca a situação do último Fla-Flu, onde o zagueiro Wallace enfia o
braço na bola e o olho despreparado do sujeito não vê. Para não falar dos outros
inúmeros crimes cometidos país afora.
Esta direção do nosso futebol é
responsável pelo desinteresse crescente do público pelo campeonato. Assim como
provocou o desdém pela nossa seleção, alvo de piadas até hoje envolvendo os
números sete e um.
A seleção joga, desfalca os
times, e ninguém vê. Ainda prefere o Brasileirão. Não se sabe até quando.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Gol da Alemanha
Há um tempão atrás, os jogos que enchiam nossos bares e restaurantes eram jogos decisivos dentro do Brasil. Hoje nos mobilizamos por uma final entre clubes europeus.
Barcelona e Juventus são duas escolas de futebol. A catalã, jogando aquele futebol bailarino do meio para frente, mas muito eficiente do meio para trás. A italiana... bem, é italiana, daí você entende o resto.
Óbvio que eu parei pra assistir. Num bar. Estava ansioso pelo jogo. E torcendo pelo Barça.
No bar ao lado, uma espécie de torcida organizada pela Juve. Todos devidamente vestidos com camisas da Juve. Tiveram momentos de forte emoção durante o jogo.
O Barcelona começou matador. Sufocou a Juventus na sua área, marcou logo aos 2 minutos de jogo. Tocando bola dentro da área, chegou a ter mais chances. Buffon fez, ao menos, um milagre no primeiro tempo.
No retorno do intervalo, o Barcelona continuou superior, apesar da Juventus conseguir fechar mais os espaços. E assustava em contra-ataques.
Na primeira vez que a Juventus conseguiu tocar um pouco mais a bola na frente, o giro de Tevez para chutar forte e o rebote nos pés de Morata deu à Juventus a chance que ela queria. Dali para frente, dava pra vencer o Barcelona do temível trio MSN.
E a Juventus foi melhor depois do gol. Pode ainda reclamar de um pênalti não marcado em Pogba, cometido por Daniel Alves. Assim como o Barcelona pode reclamar do gol anulado de Neymar. Ou seja, o juiz se enrolou no jogo.
Só que, a despeito do domínio italiano no jogo naquele momento, no Barcelona tem um baixinho monumental chamado Lionel Messi, que costurou alguns marcadores e bateu para o gol. O monstruoso Buffon não teve como segurar, acabou dando o rebote no pé de Suarez (que até aquele momento era parado insistentemente por Buffon) e o Barcelona pulou na frente de novo.
Aí restou a Juventus largar-se pra frente. Daquele jeito que os italianos tem uma dificuldade danada em fazer. O Barcelona também tomou suas precauções. O resultado acabou sendo óbvio, com um contra-ataque mortal para encerrar o jogo e dar o título ao Barça.
Se não é tão vistoso como em 2010/2011, não deixa de ser excepcional um time com um ataque como esse.
Bem, vou voltar ao parágrafo inicial.
Há um tempão atrás, os jogos que enchiam nossos bares e restaurantes eram jogos decisivos dentro do Brasil. Hoje nos mobilizamos por uma final entre clubes europeus.
Neste final de semana, graças à administração do nosso futebol, que consegue jogar farofa no nosso futebol, jogava a seleção e tinha jogo do campeonato. Ou seja, depois de ver Barcelona e Juventus, eles me obrigaram a ver Flamengo e Chapecoense.
No dia seguinte, tinha amistoso do Brasil contra o México. O retorno da seleção brasileiro aos (péssimos) gramados brasileiros após os 10 gols sofridos em dois jogos elucidativos acerca do tamanho do estrago que esses caras da CBF fizeram no nosso futebol.
E geral cagou e andou para a seleção. Quem foi ao jogo do Brasil, nos destroços do Palestra Itália, é público de restaurante francês. Uma vergonha o tipo de torcida que frequenta os jogos da seleção. Não podemos sediar tão cedo uma Copa América, sob pena de passarmos um vexame horroroso nas arquibancadas.
Ou seja, o futebol brasileiro acompanhado no bar, nas ruas, em churrascos, com uniformes e gritos de gol por aí, foi trocado por um jogo em Berlin.
Justo em Berlin, a capital da Alemanha.
Valeu,
Bruno Porpetta
Barcelona e Juventus são duas escolas de futebol. A catalã, jogando aquele futebol bailarino do meio para frente, mas muito eficiente do meio para trás. A italiana... bem, é italiana, daí você entende o resto.
Óbvio que eu parei pra assistir. Num bar. Estava ansioso pelo jogo. E torcendo pelo Barça.
No bar ao lado, uma espécie de torcida organizada pela Juve. Todos devidamente vestidos com camisas da Juve. Tiveram momentos de forte emoção durante o jogo.
O Barcelona começou matador. Sufocou a Juventus na sua área, marcou logo aos 2 minutos de jogo. Tocando bola dentro da área, chegou a ter mais chances. Buffon fez, ao menos, um milagre no primeiro tempo.
No retorno do intervalo, o Barcelona continuou superior, apesar da Juventus conseguir fechar mais os espaços. E assustava em contra-ataques.
Na primeira vez que a Juventus conseguiu tocar um pouco mais a bola na frente, o giro de Tevez para chutar forte e o rebote nos pés de Morata deu à Juventus a chance que ela queria. Dali para frente, dava pra vencer o Barcelona do temível trio MSN.
E a Juventus foi melhor depois do gol. Pode ainda reclamar de um pênalti não marcado em Pogba, cometido por Daniel Alves. Assim como o Barcelona pode reclamar do gol anulado de Neymar. Ou seja, o juiz se enrolou no jogo.
Só que, a despeito do domínio italiano no jogo naquele momento, no Barcelona tem um baixinho monumental chamado Lionel Messi, que costurou alguns marcadores e bateu para o gol. O monstruoso Buffon não teve como segurar, acabou dando o rebote no pé de Suarez (que até aquele momento era parado insistentemente por Buffon) e o Barcelona pulou na frente de novo.
Aí restou a Juventus largar-se pra frente. Daquele jeito que os italianos tem uma dificuldade danada em fazer. O Barcelona também tomou suas precauções. O resultado acabou sendo óbvio, com um contra-ataque mortal para encerrar o jogo e dar o título ao Barça.
Se não é tão vistoso como em 2010/2011, não deixa de ser excepcional um time com um ataque como esse.
Bem, vou voltar ao parágrafo inicial.
Há um tempão atrás, os jogos que enchiam nossos bares e restaurantes eram jogos decisivos dentro do Brasil. Hoje nos mobilizamos por uma final entre clubes europeus.
Neste final de semana, graças à administração do nosso futebol, que consegue jogar farofa no nosso futebol, jogava a seleção e tinha jogo do campeonato. Ou seja, depois de ver Barcelona e Juventus, eles me obrigaram a ver Flamengo e Chapecoense.
No dia seguinte, tinha amistoso do Brasil contra o México. O retorno da seleção brasileiro aos (péssimos) gramados brasileiros após os 10 gols sofridos em dois jogos elucidativos acerca do tamanho do estrago que esses caras da CBF fizeram no nosso futebol.
E geral cagou e andou para a seleção. Quem foi ao jogo do Brasil, nos destroços do Palestra Itália, é público de restaurante francês. Uma vergonha o tipo de torcida que frequenta os jogos da seleção. Não podemos sediar tão cedo uma Copa América, sob pena de passarmos um vexame horroroso nas arquibancadas.
Ou seja, o futebol brasileiro acompanhado no bar, nas ruas, em churrascos, com uniformes e gritos de gol por aí, foi trocado por um jogo em Berlin.
Justo em Berlin, a capital da Alemanha.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Muita sede ao pote
Há quem acredite que viver cheio da grana, passeando em
iates com belas modelos, frequentar os melhores hotéis e restaurantes do mundo,
beber os melhores vinhos, é tudo na vida. Deve ser bom mesmo, mas a conta, de
uma forma ou de outra, um dia chega.
Não é de hoje que a imprensa fustiga as extravagâncias dos
homens ligados à FIFA. E não há problema algum falar em “homens”, porque
mulheres neste meio são mero adorno. E de pensar que vem daí todas as decisões
sobre o futebol feminino, por exemplo. Nada mais ilustrativo.
Mas a fortuna, em especial aquela adquirida de forma pouco
ortodoxa, é um castelo de areia. Um dia cai, por mais que possa levar muito
tempo.
E já tem tempo que esses magnatas da FIFA se divertem às
custas da nossa paixão. O futebol, que é um meio de vida para milhões em todo o
mundo, para eles é a própria vida. Todo o luxo e a luxúria possível no mundo se
realizam através do futebol, que todos sabemos ser um grande negócio.
Dando uma olhada no nosso quintal, observamos o papel
cumprido por João Havelange para que a FIFA se tornasse esse monstro. Um bicho
que jorra dinheiro.
O ex-presidente da CBD (a CBF de outrora) e da FIFA,
transformou o futebol mundial em uma máquina de sustentar toda a palhaçada
acima referida. E deixou filhos adotivos ao longo do tempo.
Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, Nicolas Leóz e outras
pragas, crias de Havelange, que venderam a paixão do brasileiro e de todo o
continente americano para qualquer um que pudesse distribuir dinheiro na mão de
todos eles. Muito dinheiro.
As investigações estão, depois de 24 anos chafurdando na
lama da FIFA, tirando suas primeiras conclusões. A princípio, somente os sete
presos, além de Nicolas Leóz e Jack Warner foram citados nominalmente no relatório.
Sobre os outros, indícios bem fortes, mas apenas indícios. Até para Kleber
Leite, ex-presidente do Flamengo que contratava jogadores e não lhes pagava em
suaves prestações, acabou sobrando.
O que desespera os demais figurões, como Del Nero, que saiu
correndo da Suíça, é que o barbante só tem uma ponta para fora. Ainda há muito
para puxar. E, quem diria, os EUA parecem dispostos a fazer isso. Embora os EUA
sempre nos deem motivos para desconfiança.
Para salvar o futebol desta quadrilha da FIFA, existem duas
iniciativas a ser tomadas.
Uma delas é institucional. É preciso aprovar a Medida
Provisória 671, que trata da responsabilidade fiscal dos clubes de futebol e
derrotar este Congresso que, se não abrirmos os olhos, revoga até a Lei Áurea.
A segunda é fundamental. Sem ela, não tem MP, não tem
futebol, não tem nada. Os torcedores precisam se colocar nesta questão e ocupar
as ruas pedindo as cabeças dos dirigentes da FIFA e da CBF.
Os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil – que entrou
no ratatá da grana investigada – devem ter faixas, bandeiras, apitos, cornetas
e, se for do gosto do freguês, até panelas nas arquibancadas denunciando esses
caras.
Do ponto de vista simbólico, as investigações do FBI cumprirão
o papel importante de mandar vários da quadrilha para execração pública. É
ótimo, mas não é tudo.
Há quem financie tudo isso. Até então chamados de parceiros comerciais,
amanhã não se sabe. Os tais parceiros não gostam de atrelar suas marcas a
escândalos, a menos que ainda seja segredo.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Por que o 10 não joga?
O Brasil, desde a Copa do Mundo,
fez uma opção por jogadores rápidos no meio-campo. Estes roubam a bola no campo
defensivo, partem em velocidade para o ataque. Não trocam passes, nem sentam na
bola quando é preciso diminuir o ritmo.
O futebol brasileiro sente falta
de um autêntico camisa 10, alguém que dite o ritmo da partida e até mesmo o
giro da Terra. Este jogador, gostando ou não, é Paulo Henrique Ganso.
Ele é irregular, não é protagonista
no São Paulo, como não era no final de sua passagem no Santos. Na prática, foi
responsável só pelo título paulista do Santos, em 2010.
Depois, foi soterrado por suas
lesões e pela ascensão do craque Neymar. O cara que se recusou a sair de campo,
dando bronca no treinador, naqueles tempos, nunca mais voltou.
Poderia ir à Copa, mas não fez
nada para merecer a convocação, a não ser o jogador que é. Um craque!
Quer saber outra? Não precisa nem
ser titular, pode ser apenas uma opção. Mas não pode ficar de fora.
Um jogador como Ganso pode
parecer antiquado. Afinal de contas, a Alemanha foi campeã do mundo sem um cara
exatamente assim. O mais próximo é Schweinsteiger, que joga como “volante”.
Que se dane o mundo! Um cara como
Ganso pode trazer de volta uma ideia de futebol que estão tentando enterrar
desde 82. Não ganhamos, mas é uma das maiores seleções da história das Copas.
Com beleza, que é uma marca nossa.
Está aí nosso grande problema. A
cada derrota, fomos “aprendendo” algo com os europeus. Revivemos tempos de
Cabral, com a aristocracia da bola sentindo orgulho das influências coloniais
do Velho Mundo.
E assim vamos abrindo mão de
todas as nossas características, cultuando volantes e mais volantes. A ideia do
“feio que vence” predomina, mesmo que tenha perdido mais do que vencido.
Enquanto isso, o Ganso faz
golaços pelo São Paulo...
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
“A estrutura do nosso futebol é reacionária, corrupta e corruptora”
JUCA KFOURI – Um dos mais conceituados jornalistas
esportivos do país fala ao Brasil de Fato
Por Bruno Porpetta (RJ)
José Carlos Amaral Kfouri ou, simplesmente, Juca é cientista
social de formação, mas foi no jornalismo que deixou um legado fundamental. É
uma referência de jornalismo esportivo comprometido com os fatos e o
crescimento do esporte no Brasil e tal postura, por si só, o fez romper com os
círculos de poder dos dirigentes.
Nesta entrevista, Juca analisa a situação do futebol
brasileiro e suas perspectivas após a votação do Proforte, a Lei de
Responsabilidade Fiscal do futebol, sem poupar ninguém e da maneira que o
notabilizou, com independência. Confira:
Brasil de Fato – Às
vésperas da votação do Proforte, na Câmara, a presidenta Dilma se reuniu com o
Bom Senso numa semana e na outra semana com os clubes. O que está exatamente em
jogo?
Juca Kfouri – Está em jogo, de fato, que ao invés de mudar o
modelo de gestão do futebol brasileiro, vamos ter mais uma maneira de disfarçar
os problemas deste modelo, que é aprovando aquilo como os clubes querem, um “me
engana que eu gosto”. Eles vão fingir de novo que vão pagar as dívidas e não
vão ser responsabilizados se não pagarem.
A contrapartida a esta possibilidade é que se aprove aquilo
que o Bom Senso quer, propondo que, a cada benefício que os clubes consigam na
renegociação da dívida, haja uma responsabilidade correspondente. Foi este o
compromisso que a Dilma assumiu com o Bom Senso FC. Fazer desta nova legislação
um dos legados para o futebol após a Copa do Mundo.
Então ou vamos ter, neste Proforte, uma forma disfarçada da
Timemania, ou teremos uma nova lei que faça com que os clubes se responsabilizem
por aquilo que fazem na gestão do seu dia-a-dia.
Brasil de Fato – Algumas
diretorias eleitas em clubes representaram um “sopro de esperança” no futebol
brasileiro, como Belluzzo (Palmeiras), Dinamite (Vasco), Bandeira de Mello
(Flamengo) e Bebeto de Freitas, sucedido por Maurício Assumpção (Botafogo). Por
que fracassaram neste sentido?
JK – O problema estrutural é tão grande, tão forte, a
estrutura do nosso futebol é tão reacionária, tão avessa a qualquer tipo de
mudança, tão corrupta e tão corruptora, que a questão não se altera com nomes. As
pessoas acabam tragadas por essa estrutura.
O melhor exemplo é o do Belluzzo. Eu cheguei até a escrever,
depois da malfadada gestão dele no Palmeiras, que se o Belluzzo fracassou, eu
fracassaria mais ainda do que ele, porque ele é mais bem preparado do que eu. Precisa
mexer é nessa estrutura, de forma tal que, democratizada, ela permita um
respaldo a quem venha gerir o futebol de forma diferente do que temos hoje.
Durante muitos anos, achei que um Dinamite no Vasco, um Zico
no Flamengo, um Rogério Ceni no São Paulo, seriam soluções. Não são nessa
estrutura, porque eles tem que se adaptar a ela, tem que prestar vassalagem à
CBF.
Houve uma inversão no nosso futebol. A CBF, que deveria ser
uma entidade a serviço dos clubes, virou uma entidade a serviço de si mesma. As
federações, que deviam ser meios, viraram fins. E os clubes acabam se
submetendo a isso de maneira subserviente.
Mexer na estrutura significa, por exemplo, os clubes se
transformarem em sociedades empresariais. Não como na Inglaterra, que permite
que um sheik ou um milionário russo compre um clube, mas como na Alemanha, que
se garanta 51% para os sócios, permitindo uma gestão profissional, empresarial.
Brasil de Fato – A Copa Verde, projeto da CBF para atender a
reivindicação de centros menos desenvolvidos, como o Norte, o Centro-Oeste e o
Espírito Santo, para jogar um torneio mais rentável e visível. Não deu certo e,
além disso, o campeão foi definido no “tapetão”. O que dizer sobre isso?
JK – Então, aí você tem duas questões. A primeira questão é
a criação de paliativos. Por exemplo, um bom paliativo é a Copa do Nordeste,
mas é por muito menos tempo do que deveria. Quais as duas questões centrais pro
Bom Senso FC? O fair play financeiro, e o calendário do futebol brasileiro. Que
é o calendário do único exército que tá marchando de um jeito, enquanto todos
os outros marcham de outro jeito. Não se trata mais de falar da adequação ao
calendário europeu, mas sim ao calendário mundial. É o que, não apenas a Europa, mas a Argentina,
México, Uruguai... Enfim, os países que contam no mundo do futebol hoje têm. Por
questões eleitorais, pra manter as capitanias hereditárias e esse modelo
coronelista do nosso futebol, você tem os campeonatos estaduais.
É incompatível com qualquer solução, de médio ou longo prazo,
para os clubes menores, que os campeonatos estaduais permaneçam como estão.
O Tribunal de Justiça Desportiva, da maneira como é feito no
Brasil, vira um instrumento de poder. Ele tem a mesma eficácia da escala de
árbitros que, por mais que você tente minimizar com sorteios e tal, permanece
sob administração das entidades dirigentes. Tanto a arbitragem como a justiça
desportiva deveriam ser instituições absolutamente independentes das federações
e dos clubes. Na verdade, as federações não fazem mais nenhum sentido.
Federação de futebol estadual é como jaboticaba, só tem no Brasil.
A justiça desportiva tem que ser, por exemplo, como a gente
vê na Copa do Mundo, que é o chamado rito sumário. Você tem lá o regulamento,
as faltas, o que equivale a cada falta em termos de punição e simplesmente
aplicar. Não essa palhaçada bacharelesca que a gente tem no Brasil. Tão simples
quanto isso, mas é muito difícil porque é um instrumento de poder. Faz parte
dessa estrutura podre do nosso futebol.
Brasil de Fato – Como a CBF é uma entidade privada, há uma série de
dificuldades do ponto de vista legal para mudanças. Quais os caminhos para
democratizar a CBF e o papel do governo e da sociedade nisso?
JK – O papel da sociedade, infelizmente, até hoje a gente
não viu no que diz respeito a CBF. A gente vê torcedor se mobilizando pra ir
bater em jogador em treino de time quando perde no domingo, e a gente não vê
mobilização em torno da exigência de democratização da CBF, nos clubes e tudo
mais. O torcedor, por enquanto, se restringe à questão dos resultados dentro de
campo e a sua indignação não passa disso, porque ele não vê a questão
estrutural.
Quanto ao fato da CBF ser uma entidade privada, é sim, mas
de óbvio interesse público. O futebol é considerado, pela Constituição,
patrimônio cultural do povo brasileiro. É, portanto, submetido à fiscalização
do Ministério Público Federal. O hino que toca quando o time da CBF perfila
antes de um jogo não é o hino da CBF, é o hino do Brasil. As cores do uniforme
não são as cores do time da CBF, são as cores da bandeira do Brasil.
Existe um artigo na Constituição que é muito usado, de
maneira desonesta, ou por ignorância, inclusive, do Judiciário brasileiro, que
é o artigo 217. Fala da autonomia das entidades dirigentes, é o mesmo escudo
que a CBF usa por não se abastecer de dinheiro público, diferentemente dos
esportes olímpicos. Há uma decisão do STF, do ex-ministro Cezar Peluso, o
último ato dele como ministro do STF, numa ADIN contra o Estatuto do Torcedor, exatamente
por, de alguma maneira, interferir nessa tal autonomia.
O relatório do Peluso, aprovado por unanimidade no STF, é no
sentido de que autonomia não equivale a soberania.
Por exemplo, a universidade pública brasileira é autônoma, e
é bom que seja, mas isso não dá a uma faculdade o direito de estabelecer o
currículo que ela queira. Quem estabelece o currículo é o Ministério da
Educação, o Estado brasileiro.
A autonomia deveria ter este limite. Acaba não tendo, não só
porque nós estamos no país dos bacharéis que gostam de trabalhar a ambiguidade,
como porque há uma grande ignorância por parte dos juízes todas as vezes que
essa questão aparece. Quando as entidades se defendem falando em nome da
autonomia, boa parte dos juízes desconhece essa decisão da STF. Então o caminho
é uma PEC, que o governo deveria propor para eliminar de vez essa dúvida e
acabar com essa coisa da autonomia posta nesses termos.
Brasil de Fato – Dunga pode estar envolvido com agenciamento de
jogadores, além de Gilmar Rinaldi ter deixado de ser empresário da noite para o
dia, antes de assumir o cargo de diretor de seleções. O que propõe a CBF com
estas novas nomeações?
JK – O passadismo, a mercantilização, a pouca transparência,
a pouca vergonha. A CBF é responsável por transformar a seleção brasileira na
grande grife do nosso futebol, em detrimento dos clubes. Eu sou de uma época em
que, uma excursão do Santos de Pelé, era paga com valores comparáveis ao que se
pagava por um amistoso da seleção. Da mesma maneira, o Botafogo de Mané ou o
Palmeiras de Ademir da Guia. Isso acabou.
A CBF faz um calendário que impede que os nossos clubes
façam jogos durante o período de pré-temporada na Europa, ela vende a sua
camisa em todas as lojas esportivas do mundo e você não encontra uma camisa de
clube brasileiro nelas, embora encontre de argentinos.
Você encontra do Boca, do River, mas não encontra do
Flamengo, time mais popular do país. Não encontra do Santos de Pelé, do
Corinthians, bicampeão mundial. Tem do Bayern, do Milan, da Juventus, do
Barcelona, do Real Madrid, do Paris Saint-Germain e dos times argentinos. Esta
é uma política deliberada de uma entidade que se compraz de ver o nosso futebol
como mero exportador de pé-de-obra, nós em vez de exportarmos o espetáculo,
exportamos os artistas.
Como se a Disney, em vez de vender seus filmes, vendesse o
Pato Donald, o Mickey e o Pateta. É isso que nós fazemos. Então esta é uma
política deliberada e deletéria, aprimorada pelo Ricardo Teixeira, sob as luzes
de João Havelange.
Valeu,
Bruno Porpetta
Sim, é só porque ele é preto!
Em tempos de reflexão sobre as lições deixadas pelos sete gols alemães na Copa, já se falou muita bobagem, mas também muita coisa relevante.
Dentre as maiores bobagens, a entidade que diz que administra o nosso futebol - a tal da CBF - responde por 96% delas. Falam e fazem, por supuesto.
Um tanto vem da imprensa, outro tanto dos treinadores - dentre eles o "pofexô" -, algum tiquinho da torcida. Ou seja, todo mundo já falou alguma bobagem de lá pra cá.
Dentre as coisas relevantes, uma delas foi Tite, que preferiu estudar mais para melhorar e chegar à Europa. O "mais cotado" antes da escolha de Dunga, quer chegar ao continente europeu, em um clube grande, porque lá é o exemplo. Pode quebrar a cara, mas não custa tentar.
Outro é Cuca, que parece ter se livrado da "uruca" de não ganhar nada. Já tem uma Libertadores no currículo, mas alguém com uma Libertadores não poderia ir pra China. Vai aprender o quê lá? Mandarim?
Muricy é outro que parece, pelo menos, estar atento às lições que o mundo lhe dá. Depois da surra que levou do Barcelona, pelo Santos, ele vem procurando mudar seus conceitos, tentando manter seu time mais com a bola nos pés e menos sobrevoando as cabeças. Não dá pra dizer que ele não está tentando.
O problema é que, em todos os aspectos positivos que o futebol brasileiro vem tentando se arrumar, sempre está associado um treinador branco, um visionário.
É nesta invisibilidade dirigida que, muitas vezes, deixamos passar batido o que tem realmente impressionado neste Brasil pós-goleada. Quem parece ter entendido tudo, até porque não precisou da goleada para aprender, já via tudo isso rolando aqui mesmo, é um negro.
Cristóvão Borges assumiu uma bucha no Vasco, logo após o AVC de Ricardo Gomes, que poucos teriam peito pra assumir. Levou o time na Libertadores e, não fosse o gol perdido pelo Diego Souza, estaria, no mínimo, nas semifinais da competição com um time bom, mas que não passava muito disso.
Algum tempo depois, sucumbiu à pressão da torcida vascaína e saiu. Não saiu correndo atrás de outro clube dias depois. Foi pra sua casa estudar.
Enquanto os jornalistas estão preocupados em saber quantas milhas os treinadores andaram acumulando em seus cartões-fidelidade de companhias aéreas indo para a Europa, Cristóvão diz ao blog do PVC que viajou pouco, suas reflexões vem de leitura e observação de algumas coisas bem mais próximas. Sampaoli, no tempo de Universidad do Chile, foi um dos alvos de seus olhares.
Depois de uma passagem pelo Bahia, em que conseguiu fazer um time sofrível permanecer na primeira divisão, Cristóvão tem uma grande chance no clube que o projetou como jogador. O Fluminense.
Nesta história de valorizar o passe como um fundamento sem igual na arte de ganhar bem os jogos, Cristóvão faz do Fluminense o time mais bonito de se ver. E ganha!
Mas sabe porque se pensa em Tite, se fala em Muricy e se traz o Dunga sempre? Pra além da panelinha da cúpula da CBF, é porque o Cristóvão é negro! Por isso o nome dele sequer aparece, mesmo que o seu trabalho venha dando frutos.
É simples. Somos um país racista, imagina a CBF?
E não acho que esta era a hora dele, nem a ocasião. Ele precisa de um título polpudo pra chamar de seu, além disso entrar na seleção agora significa baixar a cabeça pra essa gente, coisa que ele nunca deve fazer.
Não é preciso transpor simplesmente o esquema alemão para cá, basta ocupar bem os espaços. Isto faz muita diferença no futebol.
A lição alemã passa mais pela organização do futebol, que é justamente quem não quer aprender nada.
E tenho dito...
Valeu,
Bruno Porpetta
Dentre as maiores bobagens, a entidade que diz que administra o nosso futebol - a tal da CBF - responde por 96% delas. Falam e fazem, por supuesto.
Um tanto vem da imprensa, outro tanto dos treinadores - dentre eles o "pofexô" -, algum tiquinho da torcida. Ou seja, todo mundo já falou alguma bobagem de lá pra cá.
Dentre as coisas relevantes, uma delas foi Tite, que preferiu estudar mais para melhorar e chegar à Europa. O "mais cotado" antes da escolha de Dunga, quer chegar ao continente europeu, em um clube grande, porque lá é o exemplo. Pode quebrar a cara, mas não custa tentar.
Outro é Cuca, que parece ter se livrado da "uruca" de não ganhar nada. Já tem uma Libertadores no currículo, mas alguém com uma Libertadores não poderia ir pra China. Vai aprender o quê lá? Mandarim?
Muricy é outro que parece, pelo menos, estar atento às lições que o mundo lhe dá. Depois da surra que levou do Barcelona, pelo Santos, ele vem procurando mudar seus conceitos, tentando manter seu time mais com a bola nos pés e menos sobrevoando as cabeças. Não dá pra dizer que ele não está tentando.
O problema é que, em todos os aspectos positivos que o futebol brasileiro vem tentando se arrumar, sempre está associado um treinador branco, um visionário.
É nesta invisibilidade dirigida que, muitas vezes, deixamos passar batido o que tem realmente impressionado neste Brasil pós-goleada. Quem parece ter entendido tudo, até porque não precisou da goleada para aprender, já via tudo isso rolando aqui mesmo, é um negro.
Cristóvão Borges assumiu uma bucha no Vasco, logo após o AVC de Ricardo Gomes, que poucos teriam peito pra assumir. Levou o time na Libertadores e, não fosse o gol perdido pelo Diego Souza, estaria, no mínimo, nas semifinais da competição com um time bom, mas que não passava muito disso.
Algum tempo depois, sucumbiu à pressão da torcida vascaína e saiu. Não saiu correndo atrás de outro clube dias depois. Foi pra sua casa estudar.
Enquanto os jornalistas estão preocupados em saber quantas milhas os treinadores andaram acumulando em seus cartões-fidelidade de companhias aéreas indo para a Europa, Cristóvão diz ao blog do PVC que viajou pouco, suas reflexões vem de leitura e observação de algumas coisas bem mais próximas. Sampaoli, no tempo de Universidad do Chile, foi um dos alvos de seus olhares.
Depois de uma passagem pelo Bahia, em que conseguiu fazer um time sofrível permanecer na primeira divisão, Cristóvão tem uma grande chance no clube que o projetou como jogador. O Fluminense.
Nesta história de valorizar o passe como um fundamento sem igual na arte de ganhar bem os jogos, Cristóvão faz do Fluminense o time mais bonito de se ver. E ganha!
Mas sabe porque se pensa em Tite, se fala em Muricy e se traz o Dunga sempre? Pra além da panelinha da cúpula da CBF, é porque o Cristóvão é negro! Por isso o nome dele sequer aparece, mesmo que o seu trabalho venha dando frutos.
É simples. Somos um país racista, imagina a CBF?
E não acho que esta era a hora dele, nem a ocasião. Ele precisa de um título polpudo pra chamar de seu, além disso entrar na seleção agora significa baixar a cabeça pra essa gente, coisa que ele nunca deve fazer.
Não é preciso transpor simplesmente o esquema alemão para cá, basta ocupar bem os espaços. Isto faz muita diferença no futebol.
A lição alemã passa mais pela organização do futebol, que é justamente quem não quer aprender nada.
E tenho dito...
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Provação
Vivemos tempos bicudos! Durante décadas os trabalhadores foram perdendo o debate ideológico. A elite fincou o cajado no chão e disse: este país é meu!
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
Resistimos, sobrevivemos... Pois é, ainda estamos vivos. Este deve ser o ponto de partida pra começarmos a entender algumas coisas, ou produzir novas perguntas.
Não adianta negar. Coube à esquerda a defesa dos trabalhadores ao longo da história. A direita está aí desde a revolução francesa fazendo cagada com o mundo, brincando com a vida das pessoas como se estas fossem copos plásticos.
Diante da tentativa de uma galera, em geral jovens que não enfrentaram ainda a contradição capitalista no mundo do trabalho, de se levantar, a reação é estúpida, estapafúrdia, violenta. Os jovens não fizeram nada além de dizer que as coisas, do jeito que estão, não estão boas. E não estão mesmo, ora bolas!
Alguém ainda quer me convencer que tudo vai bem enquanto pessoas dormem na rua, só porque nossas empresas estão competitivas no mercado e outras bobagens deste tipo?
De qualquer forma, mesmo que entendêssemos que tudo vai bem, se algo não nos agrada, nós temos o direito de falar e, principalmente, de sermos ouvidos.
Até porque há uma distância enorme entre uma coisa e outra. Falar a gente fala, mas o nosso alcance é a família, o vizinho, o cara da quitanda, da padaria. Não que isso não seja importante, mas a nossa voz merece mais do que isso.
Infelizmente, apenas 11 famílias neste país tem direito a falar com todo mundo. Ou seja, só eles podem ser ouvidos. Até porque nossa tímida voz fica perdida no meio dessa parafernália da comunicação de massa.
Pois bem, nos fizemos ouvir a fórceps, no ano passado. Fomos pra rua, por qualquer motivo. Uns pelos 20 centavos, outros por mais que os 20 centavos, outros pela PEC-37, outros contra a corrupção, outros contra a Globo e a Veja, outros contra a PM. Que seja! Finalmente fomos ouvidos.
Aí os caras, com medo de perder o país de controle, além de descer a porrada na galera, prende indiscriminadamente uma turma. Uns por portar Pinho Sol, outros por livros, outros só por gosto mesmo.
Inventam as mais esdrúxulas patacoadas para justificar as prisões. Ora, até "amante de um pai de família" a anedotária Sininho se tornou. As tais 11 famílias fazem tudo para que toda a nossa história se transforme em uma novela, o maior produto de exportação da TV brasileira.
Ou seja, além de todos aqueles adjetivos que pertencem à nossa elite, podemos incluir mais um: jocosa.
Sim, a elite já está nos esculhambando. Querendo nos sacanear. Tirar uma onda com a nossa cara.
Trazendo para o mundinho particular do futebol, já havíamos conversado anteriormente sobre esta "tendência" dos poderosos em nos esculachar. Eles não só estão cagando para o que falamos, como ainda querem rir da nossa cara.
Aproximando ainda mais a lente, vou entrar no mundinho ainda mais particular do Flamengo, o clube pelo qual acabei me apaixonando com seis anos de idade e nunca mais larguei.
A forma com que a atual diretoria trata de algumas questões é igualmente violenta como a porrada nas manifestações. A demissão de Jayme de Almeida é um exemplo bastante eloquente disso.
Pois bem, não basta ser violento, tem que ser jocoso.
Os caras, na onda "retrô" da CBF, se igualando ao que existe de mais funesto no futebol brasileiro e, "coincidentemente", estabelecendo uma relação esquisita entre uma coisa e outra, ressuscitam o Vanderlei Luxemburgo.
E boto a coincidência entre aspas, porque considero bastante esquisito que Luxemburgo assuma o Flamengo logo após ser cogitado para a seleção, em nome da amizade com Gilmar Rinaldi, o novo diretor de seleções da CBF. Esta mesma entidade que leva bastante tempo para regularizar a situação dos dois únicos reforços do Flamengo neste período de Copa.
E convenhamos, o Flamengo possui uma joia chamada Samir no elenco. Apontado por alguns como um zagueiro capaz de estar na próxima Copa, e uma excelente oportunidade de negócios.
Resumindo, esta diretoria - que pertence à elite, tal como todos os outros "caciques" da política rubro-negra - não só violenta o torcedor, como ainda tira uma onda. Tal como sua classe social.
E acho bem provável que "dê certo". Ou seja, o Flamengo não deve cair.
O que vai permear essa caminhada é que parece muito esquisito. Tal como na nossa vida por aí.
Não acredito que estejamos derrotados, muito pelo contrário. Temos dado prova de vida, respirado. O que nos faz pensar que tudo isto, na verdade, é uma grande provação pela qual temos que atravessar.
E vamos...
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 22 de julho de 2014
FlaBrasil
Enganou-se quem pensou que o
Flamengo fosse a Alemanha, por conta da cor da camisa. O Flamengo é o retrato
do futebol brasileiro, no pior sentido.
Enquanto a CBF tira onda com a
nossa cara ao trazer o ex(???)-empresário Gilmar Rinaldi, para ser o cara que “mudará”
o nosso futebol, e Dunga, pra abandonar a ideia de família e recolocar as
crianças no colégio interno, o Flamengo é o lanterna do Brasileirão.
Aliás, campeonato difícil de
assistir depois dos jogos da Copa. É evidente que o futebol brasileiro carece
de uma nova direção. Esta turma de Marin e Del Nero deve sair imediatamente.
A diretoria rubro-negra, que
parecia um sopro de novidade, se perdeu em suas escolhas. Sucumbiu à política
interna do Flamengo e hoje alimenta monstros que colocaram o clube na situação
em que se encontra.
A goleada sofrida para o
Internacional, embora esteja bem abaixo tecnicamente, foi um novo Brasil X
Alemanha para os rubro-negros. No entanto, desta vez, o Flamengo era o Brasil.
Um bando em campo, uma cratera no
meio-campo para o Inter passear, corredores enormes atrás dos laterais e outra
goleada. Não chegou aos 7 porque o Inter não chega a ser uma Alemanha, embora
tenha feito um excelente jogo para os padrões do nosso campeonato.
Ney Franco teve um mês inteiro
para organizar esta bagunça. Não importam as razões, ele não conseguiu. O
elenco do Flamengo é o quarto mais caro do Brasil.
Em crise, a diretoria não sabe o
que fazer. Os antigos caciques do clube se agitam. As organizadas perdem a
cabeça e fazem mais bobagens. Mudanças são necessárias e não podem ser como as
da CBF, que não mudam nada.
O Flamengo tem tempo, pode subir
na tabela, mas não pode apenas se fiar na camisa e na torcida. Um bom começo é
baixar o preço dos ingressos ao nível do espetáculo, que não vale nem um galo.
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 20 de julho de 2014
Nem o Dunga merece esse escárnio
Amigos e amigas, não pensem que, em virtude do título, farei qualquer defesa do nome do Dunga para treinador da seleção, ou tratarei do cara como um inocente nesta ardilosa tiração de sarro com a nossa cara por parte da cúpula da CBF.
Sou radicalmente contra o nome do Dunga! A passagem dele pela seleção foi melhor do que a última do Felipão, nada além disso.
Como quem anda pra trás é caranguejo, o nome do Dunga é inadmissível. Não foi por falta de "amor à camisa" (pretexto utilizado na primeira vez que o anão foi chamado à tarefa de organizar o bando) que a seleção, e o futebol brasileiro por consequência, caiu.
Resumindo, não aprendemos lição alguma com a surra alemã. Pelo contrário.
Na terça-feira, Dunga será apresentado como novo treinador da seleção. A partir desta data, reinstauramos a igrejinha no escrete. Sem malandros, sem canalhas, sem qualidade.
O capitão do tetra preza pelo bom comportamento. Se você, como eu, achou ridículo o nosso comportamento de escolinha ao entrar em campo, com as mãos sobre os ombros do companheiro à frente, agora todas elas estarão erguidas aos céus.
A questão é que, observando bem, isso tá com cara de provisório, de "vamos ganhar tempo enquanto arrumamos outra solução estapafúrdia". Por isso digo que, mesmo que contrário ao Dunga, reconheço que ele já levantou um caneco e merece um pouco de respeito. Não merece mais esta palhaçada da CBF.
Se você acredita em Deus, sabe que ele está vendo. E não cabe a ele mudar nosso futebol.
É o fim do futebol brasileiro? Não! Enquanto houver um punhado de moleques batendo bola na rua, na praia, no campinho de terra batida ou até no esgoto, o futebol brasileiro não acaba.
O futebol pertence a esses moleques, não à CBF. Basta colocarmos isso nas nossas cabeças.
Valeu,
Bruno Porpetta
Sou radicalmente contra o nome do Dunga! A passagem dele pela seleção foi melhor do que a última do Felipão, nada além disso.
Como quem anda pra trás é caranguejo, o nome do Dunga é inadmissível. Não foi por falta de "amor à camisa" (pretexto utilizado na primeira vez que o anão foi chamado à tarefa de organizar o bando) que a seleção, e o futebol brasileiro por consequência, caiu.
Resumindo, não aprendemos lição alguma com a surra alemã. Pelo contrário.
Na terça-feira, Dunga será apresentado como novo treinador da seleção. A partir desta data, reinstauramos a igrejinha no escrete. Sem malandros, sem canalhas, sem qualidade.
O capitão do tetra preza pelo bom comportamento. Se você, como eu, achou ridículo o nosso comportamento de escolinha ao entrar em campo, com as mãos sobre os ombros do companheiro à frente, agora todas elas estarão erguidas aos céus.
A questão é que, observando bem, isso tá com cara de provisório, de "vamos ganhar tempo enquanto arrumamos outra solução estapafúrdia". Por isso digo que, mesmo que contrário ao Dunga, reconheço que ele já levantou um caneco e merece um pouco de respeito. Não merece mais esta palhaçada da CBF.
Se você acredita em Deus, sabe que ele está vendo. E não cabe a ele mudar nosso futebol.
É o fim do futebol brasileiro? Não! Enquanto houver um punhado de moleques batendo bola na rua, na praia, no campinho de terra batida ou até no esgoto, o futebol brasileiro não acaba.
O futebol pertence a esses moleques, não à CBF. Basta colocarmos isso nas nossas cabeças.
Valeu,
Bruno Porpetta
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Saudades do Costinha
Olha, antes de qualquer coisa, não me preocupei em momento algum em ser "politicamente correto", tampouco em ofender quem quer que seja. Mas, convenhamos. Costinha era sensacional!
Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.
Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.
Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?
Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.
Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!
Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?
Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.
O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.
Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.
Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.
Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.
Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.
Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.
Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.
Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...
Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.
E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.
Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.
E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.
Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?
Pena que não é.
Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.
Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.
Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.
Valeu,
Bruno Porpetta
Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.
Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.
Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?
Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.
Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!
Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?
Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.
O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.
Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.
Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.
Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.
Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.
Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.
Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.
Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...
Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.
E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.
Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.
E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.
Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?
Pena que não é.
Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.
Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.
Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 13 de julho de 2014
Justo, justíssimo
Acabou da forma mais óbvia para quem sabe de futebol. A Alemanha é mais time que qualquer outra seleção, tem um treinador monumental no banco, opções aos montes para mudar uma partida.
Não à toa o gol saiu em jogada pela esquerda de Schurrle para a conclusão de Gotze, ambos saídos do banco de reservas.
O modelo alemão de organização, que ultimamente virou a menina dos olhos da mídia brasileira, é bom, mas não pode ser simplesmente copiado pelo Brasil. Imaginem só se houver apenas um clube multimilionário no Brasil e todos os bons valores dos demais são contratados por ele?
Pois é. Em nome da Copa do Mundo, a Alemanha tem um superclube - Bayern de Munique - e outros que lutam para quebrar a hegemonia dele. O último foi o Borussia Dortmund, mas não está dado que continue sendo por muito tempo, vai faltar "perna" em algum momento.
Noves fora, a Alemanha enfrentou um adversário à altura de uma grande final de Copa. A Argentina valorizou o título alemão. Muito mais valoroso que sua passagem para a final, onde enfrentou um bando de camisas amarelas amontoadas no campo.
A Argentina teve a chance de abrir o placar no primeiro tempo, mas Higuaín deu mole. Não é todo dia que se dá um presente desses como o que Kroos deu. Aliás, Kroos não foi bem no jogo, a despeito da grande Copa que fez.
É preciso reconhecer a Copa monstruosa de Mascherano. Assim como o Barcelona deve pensar que o lugar dele não é na zaga, mas sim à frente dos zagueiros.
Messi, apesar de não ter decidido hoje, pode ser considerado um dos grandes nomes da Copa. Quando não conseguiu decidir, puxou a marcação, abriu espaços.
Porém, coube a um menino decidir a parada. Mario Gotze - uma aposta muito grande do futebol alemão, que surgiu no Borussia, mas foi comprado pelo Bayern - com apenas 22 anos fez o gol que sacramentou o título alemão na prorrogação. Quando a Argentina tinha pouca perna pra acompanhá-lo. Aliás, este time alemão, além da técnica, sobra fisicamente.
Pois bem. Venceu quem se preparou melhor, quem teve a paciência de perder uma Copa em casa por um projeto de reestruturação do seu futebol, quem melhor dialogou com a cultura brasileira, com os hábitos locais. Mesmo que este tenha sido um "golpe de marketing", foi muito mais eficiente que as inúmeras selfies no Instagram de auto-proclamação. Venceu uma seleção.
Se vamos aprender as lições disso tudo? Não sei. Acho muito difícil, inclusive.
Seria necessário cair muita gente pra isso. Muita gente disposta a continuar se pendurando nas tetas do futebol brasileiro.
Parabéns, Alemanha!
Valeu,
Bruno Porpetta
Não à toa o gol saiu em jogada pela esquerda de Schurrle para a conclusão de Gotze, ambos saídos do banco de reservas.
O modelo alemão de organização, que ultimamente virou a menina dos olhos da mídia brasileira, é bom, mas não pode ser simplesmente copiado pelo Brasil. Imaginem só se houver apenas um clube multimilionário no Brasil e todos os bons valores dos demais são contratados por ele?
Pois é. Em nome da Copa do Mundo, a Alemanha tem um superclube - Bayern de Munique - e outros que lutam para quebrar a hegemonia dele. O último foi o Borussia Dortmund, mas não está dado que continue sendo por muito tempo, vai faltar "perna" em algum momento.
Noves fora, a Alemanha enfrentou um adversário à altura de uma grande final de Copa. A Argentina valorizou o título alemão. Muito mais valoroso que sua passagem para a final, onde enfrentou um bando de camisas amarelas amontoadas no campo.
A Argentina teve a chance de abrir o placar no primeiro tempo, mas Higuaín deu mole. Não é todo dia que se dá um presente desses como o que Kroos deu. Aliás, Kroos não foi bem no jogo, a despeito da grande Copa que fez.
É preciso reconhecer a Copa monstruosa de Mascherano. Assim como o Barcelona deve pensar que o lugar dele não é na zaga, mas sim à frente dos zagueiros.
Messi, apesar de não ter decidido hoje, pode ser considerado um dos grandes nomes da Copa. Quando não conseguiu decidir, puxou a marcação, abriu espaços.
Porém, coube a um menino decidir a parada. Mario Gotze - uma aposta muito grande do futebol alemão, que surgiu no Borussia, mas foi comprado pelo Bayern - com apenas 22 anos fez o gol que sacramentou o título alemão na prorrogação. Quando a Argentina tinha pouca perna pra acompanhá-lo. Aliás, este time alemão, além da técnica, sobra fisicamente.
Pois bem. Venceu quem se preparou melhor, quem teve a paciência de perder uma Copa em casa por um projeto de reestruturação do seu futebol, quem melhor dialogou com a cultura brasileira, com os hábitos locais. Mesmo que este tenha sido um "golpe de marketing", foi muito mais eficiente que as inúmeras selfies no Instagram de auto-proclamação. Venceu uma seleção.
Se vamos aprender as lições disso tudo? Não sei. Acho muito difícil, inclusive.
Seria necessário cair muita gente pra isso. Muita gente disposta a continuar se pendurando nas tetas do futebol brasileiro.
Parabéns, Alemanha!
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 12 de julho de 2014
A honra em poucas palavras
Dedicarei ao jogo entre Brasil e Holanda pouquíssimas palavras.
Proporcionais à importância da partida. Ou seja, quase nenhuma.
É pra salvar a honra da seleção brasileira? Desculpe, mas não salva nada.
Mas vamos lá, assistir ao baba. Afinal de contas, a gente gosta, né?
Valeu,
Bruno Porpetta
Proporcionais à importância da partida. Ou seja, quase nenhuma.
É pra salvar a honra da seleção brasileira? Desculpe, mas não salva nada.
Mas vamos lá, assistir ao baba. Afinal de contas, a gente gosta, né?
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Meu primeiro baque
Pra quem não sabe, nasci em Santos. Naquela cidade, onde vivi meus primeiros 23 anos de vida, quem não gosta de futebol é um insensível capaz de chutar o andador do avô.
Mesmo não torcendo pelo time mais famoso da cidade (devo confessar aqui e agora que tinha uma queda pela Portuguesa Santista, indo diversas vezes ao Ulrico Mursa assistir a jogos de qualidade técnica próxima à temperatura média do inverno russo), não havia como ser imune ao Santos FC.
Já corri da torcida deles por vestir a camisa do Flamengo, em pleno Canal 5 e durante o dia. Não era fácil torcer por um clube distante dali, era visto como um autêntico traidor das noções mais básicas de cidadania de um santista.
Mesmo assim, fui a vários jogos do Santos na Vila Belmiro. Acompanhava meu pai, meu irmão e meu avô nas arquibancadas da Vila, pois era um programa bacana pra se fazer em família, mesmo que eu tivesse que conter qualquer sinal de euforia diante de um revés santista.
Mais velho, já pude ir a jogos do Flamengo na Vila. Na arquibancada visitante, podendo gritar à vontade. Mas esta é uma outra história.
Certa vez, na escola, tínhamos que escolher uma disciplina para o trabalho da Feira de Ciências. Eu e mais uns cinco malucos por futebol escolhemos Educação Física e nosso trabalho seria sobre o Santos.
Foi maravilhoso! Conhecemos os vestiários, os jogadores (em especial o Guga, artilheiro do Santos à época), o gramado e todo o clube.
Batia uma certa satisfação em poder visitar às instalações do clube que dava tanto orgulho à cidade. Me amarrei mesmo nisso.
Em dado momento do "passeio", fomos à sala de troféus.
Era 1992, e o Santos não conquistava um título desde 84. Ou seja, um prato feito para minha sanha em sacanear os santistas. Fui à sala de troféus e saí de lá com rinite alérgica, de tão velhos os coitados.
Mas o grande impacto que tive não foi com troféu algum. Foi com um quadro.
A pintura era um retrato de Pelé. De costas, com o número 10 estampado na camisa, no gramado do Maracanã.
Ao fundo, o placar do jogo apontava Flamengo 1 x Santos 7.
A partida em questão era pelo Rio-São Paulo de 1961. Ou seja, dezoito anos antes do meu nascimento.
Não vi o jogo, claro. Mas olhar àquele quadro me deu uma tristeza tão grande no momento, que me senti como se estivesse na arquibancada do Maracanã, com lágrimas nos olhos.
É duro ver seu time perder por 7 a 1, dentro de casa.
De repente, parei de olhar o placar e passei a olhar para Pelé. Pensei que, estando lá, eu teria visto ele jogar.
Teria a oportunidade que todos da minha geração gostariam de ter. Parar de ouvir conversinha do pai, do avô, dos paralelepípedos da velha cidade. Poderia bater no peito e dizer: "Eu vi Pelé jogar!".
Fiquei imaginando o espetáculo que deve ter sido. O show que ele deve ter dado. O aplauso constrangido que eu seria obrigado a dar.
Depois da dor inicial, a sensação que o jogo que testemunharia não era uma simples goleada, era parte da história do futebol.
Este quadro me ajuda a relativizar um pouco a vergonha pelo jogo da seleção brasileira. Queiramos ou não, a Alemanha ajudou a escrever a história do futebol no Mineirão.
Mas este, por mais que tenha doído muito, pelo menos eu vi.
E não é por nada, não. Te juro que, se o Brasil estivesse todo de branco, eu me sentiria um pouco vingado.
Valeu,
Bruno Porpetta
Mesmo não torcendo pelo time mais famoso da cidade (devo confessar aqui e agora que tinha uma queda pela Portuguesa Santista, indo diversas vezes ao Ulrico Mursa assistir a jogos de qualidade técnica próxima à temperatura média do inverno russo), não havia como ser imune ao Santos FC.
Já corri da torcida deles por vestir a camisa do Flamengo, em pleno Canal 5 e durante o dia. Não era fácil torcer por um clube distante dali, era visto como um autêntico traidor das noções mais básicas de cidadania de um santista.
Mesmo assim, fui a vários jogos do Santos na Vila Belmiro. Acompanhava meu pai, meu irmão e meu avô nas arquibancadas da Vila, pois era um programa bacana pra se fazer em família, mesmo que eu tivesse que conter qualquer sinal de euforia diante de um revés santista.
Mais velho, já pude ir a jogos do Flamengo na Vila. Na arquibancada visitante, podendo gritar à vontade. Mas esta é uma outra história.
Certa vez, na escola, tínhamos que escolher uma disciplina para o trabalho da Feira de Ciências. Eu e mais uns cinco malucos por futebol escolhemos Educação Física e nosso trabalho seria sobre o Santos.
Foi maravilhoso! Conhecemos os vestiários, os jogadores (em especial o Guga, artilheiro do Santos à época), o gramado e todo o clube.
Batia uma certa satisfação em poder visitar às instalações do clube que dava tanto orgulho à cidade. Me amarrei mesmo nisso.
Em dado momento do "passeio", fomos à sala de troféus.
Era 1992, e o Santos não conquistava um título desde 84. Ou seja, um prato feito para minha sanha em sacanear os santistas. Fui à sala de troféus e saí de lá com rinite alérgica, de tão velhos os coitados.
Mas o grande impacto que tive não foi com troféu algum. Foi com um quadro.
A pintura era um retrato de Pelé. De costas, com o número 10 estampado na camisa, no gramado do Maracanã.
Ao fundo, o placar do jogo apontava Flamengo 1 x Santos 7.
A partida em questão era pelo Rio-São Paulo de 1961. Ou seja, dezoito anos antes do meu nascimento.
Não vi o jogo, claro. Mas olhar àquele quadro me deu uma tristeza tão grande no momento, que me senti como se estivesse na arquibancada do Maracanã, com lágrimas nos olhos.
É duro ver seu time perder por 7 a 1, dentro de casa.
De repente, parei de olhar o placar e passei a olhar para Pelé. Pensei que, estando lá, eu teria visto ele jogar.
Teria a oportunidade que todos da minha geração gostariam de ter. Parar de ouvir conversinha do pai, do avô, dos paralelepípedos da velha cidade. Poderia bater no peito e dizer: "Eu vi Pelé jogar!".
Fiquei imaginando o espetáculo que deve ter sido. O show que ele deve ter dado. O aplauso constrangido que eu seria obrigado a dar.
Depois da dor inicial, a sensação que o jogo que testemunharia não era uma simples goleada, era parte da história do futebol.
Este quadro me ajuda a relativizar um pouco a vergonha pelo jogo da seleção brasileira. Queiramos ou não, a Alemanha ajudou a escrever a história do futebol no Mineirão.
Mas este, por mais que tenha doído muito, pelo menos eu vi.
E não é por nada, não. Te juro que, se o Brasil estivesse todo de branco, eu me sentiria um pouco vingado.
Valeu,
Bruno Porpetta
Barbosa, descanse em paz
Não dá pra amaciar. A goleada alemã sobre nossas cabeças foi
a pior tragédia da história do futebol brasileiro.
Sem dúvida, o trauma de 50 ainda tinha peso. Nós temíamos
perder a final da Copa no Maracanã. A diferença é simples: em 50, tínhamos time
para ir à final. Inclusive, chegamos à final após golear a Suécia por 7 a 1.
O time que cercava Neymar não era o camarão na empada. Até
podia chegar à final, mas chegaria com a camisa tão somente. Os alemães
acabaram dando uma lição: basta desta corja que dirige o futebol brasileiro! Não
basta dizer fora fulano ou beltrano, todos tem que sair!
Era visível que Felipão estava absolutamente perdido. Perdeu
o controle, perdeu a razão, perdeu o tempo. Tempo este que agora será contado
em gols da Alemanha. Não será incrível que passemos a calcular quantos gols da
Alemanha levamos para ir de Madureira à Central.
Só que Felipão não foi parar lá à toa. Alguém o contratou.
Contratou por que queria um centroavante fixo na área? Não, porque tinha medo
de chegar à Copa com um treinador sem experiência, coincidentemente, contratado
pela mesma turma. Só variaram as moscas.
Se havia algo para nos envergonhar nesta Copa, que foi
fantástica, é buscar um hexa sem a bola passar no meio-campo, acreditar que “famílias”
formam seleções, assistir a esta turma da CBF esculachar o futebol brasileiro.
Temos saudades dos nossos clubes no Brasileirão, mas sabemos
que a Copa é um oásis de bom futebol nos nossos gramados. Não formamos mais
craques aos montes. A seleção não está tão distante do que temos de melhor
hoje.
Esta tragédia no Mineirão fez o Maracanazo ficar muito pequeno. Deu saudade do nosso futebol. Deu saudade
de Barbosa que, feliz e finalmente, está absolvido.
Assim enterramos, de uma vez, a derrota em 50.
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 6 de julho de 2014
A outra metade da laranja
Há pouco mais de um mês, prestei reverências a Washington, ex-atacante do Fluminense, da lendária dupla de ataque que ganhou o apelido de Casal 20.
Agora, as reverências são para a outra metade dessa laranja. O craque Assis, o autor do gol do título carioca de 83, também se foi.
Além da torcida tricolor, todo o país deveria se consternar por, em tão pouco tempo, termos perdido uma dupla de ataque infernal dessas.
Fred, jogue por eles!
Valeu,
Bruno Porpetta
Agora, as reverências são para a outra metade dessa laranja. O craque Assis, o autor do gol do título carioca de 83, também se foi.
Além da torcida tricolor, todo o país deveria se consternar por, em tão pouco tempo, termos perdido uma dupla de ataque infernal dessas.
Fred, jogue por eles!
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 5 de julho de 2014
A Reforma da Previdência
Inicialmente, este artigo se chamaria "A esperança venceu o medo", baseado no slogan da campanha de Lula em 2002 que, por sua vez, decorreu das "sábias" palavras de Regina Duarte, quando disse que tinha medo do PT acabar com todos os "avanços" da economia brasileira durante a era FHC.
Do pânico provocado pela péssima atuação da seleção brasileira diante do Chile, a vitória de ontem sobre a Colômbia deu algum fio de esperança para nós, torcedores.
Independente da pouca variação tática, do baixo repertório de jogadas, da centralização do jogo em Neymar, ontem vimos uma seleção que enfrentou o bom time colombiano e controlou a partida.
Até levarmos o gol - e aí está outro grande problema, o Brasil sente demais os gols que leva, se contra o Chile foi ainda no primeiro tempo, desta vez, pelo menos, foi no segundo - e a Colômbia crescer no jogo. Deu susto, mas foi.
Neymar nem ia tão bem, mas foi o autor da cobrança de escanteio que resultou no gol de Thiago Silva (que, alíás, foi importantíssimo pra ele e pra seleção) e sofreu a falta do gol de David Luiz.
Por estas e outras, fica evidente o quão fundamental é Neymar.
Pois bem, após a esperança vencer o medo da eliminação, tal como em 2003, logo vem um banho de água fria. Na época, a reforma da Previdência, que criou uma confusão danada na esquerda com o cumprimento de uma agenda conservadora por parte do governo recém-eleito e recheado de esperança.
A reforma da Previdência do jogo de ontem foi a lesão de Neymar.
Um banho de água fria nas esperanças do povo brasileiro.
Ao saber da notícia do corte, Fred fez cara de espanto, de descrença. Saiu-se com a pergunta: "Você tá brincando, né?"
Exatamente a mesma cara e a mesma pergunta que eu fiz. E que muitos devem ter feito.
Fica no ar aquela sensação de "fodeu".
Enfrentaremos a maior seleção desde o início da Copa, e sem Neymar. Pra piorar, sem Thiago Silva, suspenso.
Bem, agora é com a camisa mesmo. E só!
Sobre a entrada do Zuñiga em Neymar, foi dura, mas não desleal. Ele olhava pra bola e atingiu o brasileiro. Então parem de pilhar o cara.
Ele não é o grande vilão de uma hipotética derrota na Copa, até porque esta história de vilão é coisa da Globo, que adora fazer novela com tudo.
Quanto aos insultos racistas à Zuñiga pelas redes sociais, é mais um triste episódio de nossa má educação, que vaia a Dilma, vaia o hino do Chile e ofendeu até mesmo o Marcelo, quando este fez um gol contra.
Valeu,
Bruno Porpetta
Do pânico provocado pela péssima atuação da seleção brasileira diante do Chile, a vitória de ontem sobre a Colômbia deu algum fio de esperança para nós, torcedores.
Independente da pouca variação tática, do baixo repertório de jogadas, da centralização do jogo em Neymar, ontem vimos uma seleção que enfrentou o bom time colombiano e controlou a partida.
Até levarmos o gol - e aí está outro grande problema, o Brasil sente demais os gols que leva, se contra o Chile foi ainda no primeiro tempo, desta vez, pelo menos, foi no segundo - e a Colômbia crescer no jogo. Deu susto, mas foi.
Neymar nem ia tão bem, mas foi o autor da cobrança de escanteio que resultou no gol de Thiago Silva (que, alíás, foi importantíssimo pra ele e pra seleção) e sofreu a falta do gol de David Luiz.
Por estas e outras, fica evidente o quão fundamental é Neymar.
Pois bem, após a esperança vencer o medo da eliminação, tal como em 2003, logo vem um banho de água fria. Na época, a reforma da Previdência, que criou uma confusão danada na esquerda com o cumprimento de uma agenda conservadora por parte do governo recém-eleito e recheado de esperança.
A reforma da Previdência do jogo de ontem foi a lesão de Neymar.
Um banho de água fria nas esperanças do povo brasileiro.
Ao saber da notícia do corte, Fred fez cara de espanto, de descrença. Saiu-se com a pergunta: "Você tá brincando, né?"
Exatamente a mesma cara e a mesma pergunta que eu fiz. E que muitos devem ter feito.
Fica no ar aquela sensação de "fodeu".
Enfrentaremos a maior seleção desde o início da Copa, e sem Neymar. Pra piorar, sem Thiago Silva, suspenso.
Bem, agora é com a camisa mesmo. E só!
Sobre a entrada do Zuñiga em Neymar, foi dura, mas não desleal. Ele olhava pra bola e atingiu o brasileiro. Então parem de pilhar o cara.
Ele não é o grande vilão de uma hipotética derrota na Copa, até porque esta história de vilão é coisa da Globo, que adora fazer novela com tudo.
Quanto aos insultos racistas à Zuñiga pelas redes sociais, é mais um triste episódio de nossa má educação, que vaia a Dilma, vaia o hino do Chile e ofendeu até mesmo o Marcelo, quando este fez um gol contra.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 24 de junho de 2014
Necessariamente Neymar
O Brasil bateu em bêbado ontem, no Mané Garrincha.
Enfrentou uma seleção de Camarões sem seus maiores talentos, esfacelada por problemas internos e eliminada.
Ok. Isso basta para achincalhar a seleção? Não.
O time do primeiro tempo, ainda com Paulinho (que a meu ver foi bem contra a Croácia, e só), fazia apenas ligação direta da defesa para o ataque. Os lançadores que municiavam o ataque eram David Luiz, Daniel Alves e Marcelo.
O primeiro gol saiu em jogada de Luiz Gustavo pela esquerda.
Dá pra reclamar de Fred? Sim, mas nem tanto.
Com um meio-campo que não cria nada, fica difícil ter um centroavante na área. Fred erra ao não sair da área para ajudar na construção do jogo no meio-campo.
Assim, Neymar ganha um peso gigantesco na criação das jogadas que ele mesmo tem que definir. Ou seja, mais um pouco o craque brasileiro teria que bater escanteio e subir na área pra cabecear. Assim fica difícil.
Em compensação, a entrada de Fernandinho foi alentadora. O meio-campo funcionou melhor e o Brasil conseguiu dominar completamente o jogo. Deu até pena de Camarões.
A grande preocupação agora é se Felipão terá peito pra mudar seu querido time. Não dá pra ter muitos sentimentos nessa hora. Se a mudança é necessária, deve ser feita.
E não é só Paulinho que deve sair. O Daniel Alves que se cuide...
Caso contrário, Neymar será cada vez mais necessário. Mas se for muito bem marcado, em um teste mais difícil que os da primeira fase, fodeu!
Que venha o Chile, que é freguês, mas tem um time melhor que a média dos anteriores.
Valeu,
Bruno Porpetta
Enfrentou uma seleção de Camarões sem seus maiores talentos, esfacelada por problemas internos e eliminada.
Ok. Isso basta para achincalhar a seleção? Não.
O time do primeiro tempo, ainda com Paulinho (que a meu ver foi bem contra a Croácia, e só), fazia apenas ligação direta da defesa para o ataque. Os lançadores que municiavam o ataque eram David Luiz, Daniel Alves e Marcelo.
O primeiro gol saiu em jogada de Luiz Gustavo pela esquerda.
Dá pra reclamar de Fred? Sim, mas nem tanto.
Com um meio-campo que não cria nada, fica difícil ter um centroavante na área. Fred erra ao não sair da área para ajudar na construção do jogo no meio-campo.
Assim, Neymar ganha um peso gigantesco na criação das jogadas que ele mesmo tem que definir. Ou seja, mais um pouco o craque brasileiro teria que bater escanteio e subir na área pra cabecear. Assim fica difícil.
Em compensação, a entrada de Fernandinho foi alentadora. O meio-campo funcionou melhor e o Brasil conseguiu dominar completamente o jogo. Deu até pena de Camarões.
A grande preocupação agora é se Felipão terá peito pra mudar seu querido time. Não dá pra ter muitos sentimentos nessa hora. Se a mudança é necessária, deve ser feita.
E não é só Paulinho que deve sair. O Daniel Alves que se cuide...
Caso contrário, Neymar será cada vez mais necessário. Mas se for muito bem marcado, em um teste mais difícil que os da primeira fase, fodeu!
Que venha o Chile, que é freguês, mas tem um time melhor que a média dos anteriores.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Das coisas da Copa
Depois de alguns dias no meio do mato, revigorando as baterias mas com TV pra ver a Copa, dá pra falar de algumas coisas sobre a Copa que merecem destaque.
Uma delas é a Argentina.
Não jogou nada em dois jogos, mas tem o Messi. O cara meteu dois golaços e definiu o placar dos dois jogos. O treinador Sabella comete erro atrás de erro, deve agradecer a Dios por ter o Messi jogando a seu favor.
E a propósito, não foi pênalti do Zabaleta no iraniano!
Outra, é a Alemanha.
Quando pegou um craque sem time, goleou. Quando pegou um time sem craque, penou.
Agora enfrenta os EUA, podendo fazer um jogo de "comothers" que classifica os dois. O treinador dos EUA é Jurgen Klinsmann... dizer mais o quê?
A terceira é a Costa Rica.
Você junta um treinador inteligente, um time muito esforçado e um excelente jogador (Campbell), o resultado não é nenhuma surpresa.
Mas que a Costa Rica, merecidamente, subverteu qualquer lógica no grupo da morte, isso sim.
A quarta é o Brasil.
Sabe o que realmente me preocupa? O Brasil não está na sua melhor safra de jogadores. No entanto, nunca vi tantos jogadores da seleção estrelando propagandas durante a Copa.
Dos 11 titulares, oito (que eu tenha visto) estão estrelando propagandas.
Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. Mas seria melhor ganhar a Copa antes...
Já que está na moda fazer listas do melhor e do pior da Copa, vou arriscar fazer o mesmo.
Vou listar as 10 coisas mais importantes que ocorreram nestas duas rodadas, embora ainda tenha muita Copa pela frente.
1 - A torcida 'coxinha' brasileira. Como os ingressos são caros, a maior parte dos frequentadores (nem é bom chamar de torcedores) dos jogos do Brasil nunca esquentaram cimento numa arquibancada. A galera foi transportada do sofá para as arenas, sem escala. Resultado: só sabem cantar uma música (o hino 'coxinha' do "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor") e estão levando um vareio de outras torcidas. Até mesmo quando o Brasil está em campo, como contra os mexicanos que, em menor número, sufocaram o hino 'coxinha'.
2 - As torcidas sul-americanas. Já tem tempo que essa Copa virou Libertadores. O tanto de 'hincha' que tem circulado pelas ruas e ido aos estádios está maravilhosamente absurdo. Os caras vieram e estão dando aula de torcida pros brasileiros. Houve, inclusive, duas tentativas de invasão nas arenas limpinhas da FIFA, tratadas pelas autoridades de forma bizarra. Manda os caras irem pro boteco! Deportação, que nada...
3 - A volta dos gols. Tinha tempo que não saía tanto gol em Copa. Ao menos esta bênção estamos presenciando. É gol toda hora, de tudo quanto é jeito. Alguns golaços, mas outros bem esquisitos, como o gol de Gotze contra Gana, uma cabeçada no próprio joelho e do joelho para o gol. Coisa linda!
4 - A Costa Rica. Precisa explicar?
5 - A insubordinação das torcidas à FIFA. As torcidas africanas levaram seus instrumentos, os chilenos levaram rojões e, se os paraguaios aqui estivessem, levariam as pedras que mataram o futebol do Elivelton no Defensores del Chaco. Que se dane a FIFA!
6 - O chororô dos brasileiros durante o hino. A emoção é tanta que eles choram e não jogam. Que tal inverter?
7 - O gol de Klose. Com apenas um toque na bola, Miroslav Klose igualou o recorde de gols em Copas que antes pertencia somente ao boneco gordo da campanha do Aécio.
8 - O cabelo despenteado do Cristiano Ronaldo. Em Salvador, às 13h, contra a Alemanha, não tinha topete que resistisse. Um momento mágico!
9 - A reação de Klinsmann diante do gol perdido contra Portugal. Ao ver o sujeito dos EUA ter o gol inteiro à sua disposição e acertar um simples joelho no caminho, o ex-atacante alemão - que fazia gols aos montes - falou até português.
10 - Ver parte da turma do #nãovaiterCopa vibrando com gols. Sem comentários...
Valeu,
Bruno Porpetta
Uma delas é a Argentina.
Não jogou nada em dois jogos, mas tem o Messi. O cara meteu dois golaços e definiu o placar dos dois jogos. O treinador Sabella comete erro atrás de erro, deve agradecer a Dios por ter o Messi jogando a seu favor.
E a propósito, não foi pênalti do Zabaleta no iraniano!
Outra, é a Alemanha.
Quando pegou um craque sem time, goleou. Quando pegou um time sem craque, penou.
Agora enfrenta os EUA, podendo fazer um jogo de "comothers" que classifica os dois. O treinador dos EUA é Jurgen Klinsmann... dizer mais o quê?
A terceira é a Costa Rica.
Você junta um treinador inteligente, um time muito esforçado e um excelente jogador (Campbell), o resultado não é nenhuma surpresa.
Mas que a Costa Rica, merecidamente, subverteu qualquer lógica no grupo da morte, isso sim.
A quarta é o Brasil.
Sabe o que realmente me preocupa? O Brasil não está na sua melhor safra de jogadores. No entanto, nunca vi tantos jogadores da seleção estrelando propagandas durante a Copa.
Dos 11 titulares, oito (que eu tenha visto) estão estrelando propagandas.
Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. Mas seria melhor ganhar a Copa antes...
Já que está na moda fazer listas do melhor e do pior da Copa, vou arriscar fazer o mesmo.
Vou listar as 10 coisas mais importantes que ocorreram nestas duas rodadas, embora ainda tenha muita Copa pela frente.
1 - A torcida 'coxinha' brasileira. Como os ingressos são caros, a maior parte dos frequentadores (nem é bom chamar de torcedores) dos jogos do Brasil nunca esquentaram cimento numa arquibancada. A galera foi transportada do sofá para as arenas, sem escala. Resultado: só sabem cantar uma música (o hino 'coxinha' do "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor") e estão levando um vareio de outras torcidas. Até mesmo quando o Brasil está em campo, como contra os mexicanos que, em menor número, sufocaram o hino 'coxinha'.
2 - As torcidas sul-americanas. Já tem tempo que essa Copa virou Libertadores. O tanto de 'hincha' que tem circulado pelas ruas e ido aos estádios está maravilhosamente absurdo. Os caras vieram e estão dando aula de torcida pros brasileiros. Houve, inclusive, duas tentativas de invasão nas arenas limpinhas da FIFA, tratadas pelas autoridades de forma bizarra. Manda os caras irem pro boteco! Deportação, que nada...
3 - A volta dos gols. Tinha tempo que não saía tanto gol em Copa. Ao menos esta bênção estamos presenciando. É gol toda hora, de tudo quanto é jeito. Alguns golaços, mas outros bem esquisitos, como o gol de Gotze contra Gana, uma cabeçada no próprio joelho e do joelho para o gol. Coisa linda!
4 - A Costa Rica. Precisa explicar?
5 - A insubordinação das torcidas à FIFA. As torcidas africanas levaram seus instrumentos, os chilenos levaram rojões e, se os paraguaios aqui estivessem, levariam as pedras que mataram o futebol do Elivelton no Defensores del Chaco. Que se dane a FIFA!
6 - O chororô dos brasileiros durante o hino. A emoção é tanta que eles choram e não jogam. Que tal inverter?
7 - O gol de Klose. Com apenas um toque na bola, Miroslav Klose igualou o recorde de gols em Copas que antes pertencia somente ao boneco gordo da campanha do Aécio.
8 - O cabelo despenteado do Cristiano Ronaldo. Em Salvador, às 13h, contra a Alemanha, não tinha topete que resistisse. Um momento mágico!
9 - A reação de Klinsmann diante do gol perdido contra Portugal. Ao ver o sujeito dos EUA ter o gol inteiro à sua disposição e acertar um simples joelho no caminho, o ex-atacante alemão - que fazia gols aos montes - falou até português.
10 - Ver parte da turma do #nãovaiterCopa vibrando com gols. Sem comentários...
Valeu,
Bruno Porpetta
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