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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Escrever é preciso...

Já tem muito tempo que não publico nada por aqui. Uma soma de falta de tempo, de ânimo, até de gosto pela escrita, foram deixando esse espaço para trás.

No entanto, talvez pelo excesso de razões que a vida anda me dando, resolvi voltar a escrever.

É necessário voltar a pegar gosto pela coisa. É bom pra minha saúde mental, inclusive.




Vivo no país da mamadeira de piroca. Por si só, já é motivo suficiente pra gritar, espernear, arrancar os cabelos. E isso eu, geralmente, faço melhor por escrito.

Ainda não sei a frequência com que me dedicarei, mas pretendo não passar muito tempo sem me alimentar disso aqui. Também não sei se minha temática se restringirá ao futebol, já que este perdeu muita graça de uns tempos pra cá.

Só pra se ter uma ideia, a final mais esperada da história da Libertadores será na Espanha. Na terra dos colonizadores. É, no mínimo, muita falta de noção da Conmebol.

Mas já não se espera nenhuma razoabilidade dentro de um ambiente onde uma porrada de gente foi presa por enriquecer às custas do nosso esporte favorito e, na prática, nada muda. Segue o jogo (sujo)!

Seguimos nós também, pois a vida não pode parar e a hora é de resistência.

Nem que seja por escrito.

Bem-vind@s novamente!


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 12 de maio de 2015

O tal do futebol

“Para estufar esse filó como eu sonhei, só se eu fosse o Rei.”, dizia Chico Buarque, em “O Futebol”.



Começou o Campeonato Brasileiro da CBF, aquele que nos prova a cada ano como esta entidade é um atraso de vida para o nosso futebol. O que vimos na primeira rodada, em termos de público, é vergonhoso. Salve-se aí o Fluminense, com seus 20 mil no Maracanã, e o Palmeiras em São Paulo.

O que se vê em campo é de fazer chorar. Da alegria do Botafogo pela vitória importante na estreia contra o Paysandu, na série B, ao tempo perdido pelo Flamengo em Atibaia, com um time perdido em campo.

O Vasco, ou pela ressaca, ou pelo choque de realidade, também estreou mal. Perdeu dois pontos importantes. O Flu, ao menos, venceu. Mesmo que a bola tenha sido bem pequena.

Enfim, nada diferente do que andou se vendo por aí. Com exceção de Pato e Ganso, que voltaram a jogar bola, não houve nada de extraordinário nesta primeira rodada.




NO TEMPO DE DONDON

Vivemos tempos onde o resultado se tornou primordial, o caminho para isso só importa se for vencedor. Apenas dois lances, em todo o final de semana, são dignos de nota.

“Um senhor chapéu, para delírio das gerais no coliseu”, de Valdívia – que só fez isso no jogo, mas valeu o salgado ingresso da arena de nome proibido pela CBF e a Globo, tal como a Liesa fez com a Beija Flor em 89.



“Captar o visual de um chute a gol”, de Renato Cajá – que golaço – jogando pela Ponte Preta diante do Grêmio, no substituto do saudoso Olímpico.

A primeira impressão do Brasileiro é a de saudades de tabelas assim: “Para Mané, para Didi, para Mané, Mané para Didi, para Didi, para Mané, para Didi, para Pagão, para Pelé e Canhoteiro.” O final dessa história a gente sabe onde acaba.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vai começar a festa?

Neste final de semana começam os estaduais. Mas para o nosso quintal interessa mesmo o Carioca. O que ficou conhecido como “charmoso”, devido à queda acentuada de qualidade durante os anos 90, que se arrastou ao longo dos anos.

Não é nenhum absurdo creditar parte dos nossos insucessos ao grande feudo instalado na FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), encabeçado por Rubens Lopes, cria do lendário homem de “boa imagem”, o Caixa d’Água.



Nesse mato não tem só cachorro. Existe uma gama de bichos que devoram nosso campeonato ao longo dos anos.

A polêmica dos ingressos é pitoresca. A FERJ promove um festival de preços baixos, Flamengo e Fluminense se pronunciam contrários. Por trás de toda esta história, a figura de Eurico Miranda.

Apesar das razões comerciais da dupla Fla-Flu, não dá pra ser contra ingresso barato. Pega até mal, né não? Apesar da conhecida dupla Rubens-Eurico, existe a chance de o povo voltar aos estádios.

Na bola, pode ser melhor

Os times cariocas, fora da Libertadores, jogarão pra valer o estadual. A ligeira vantagem do Flamengo, neste ano de vacas magras, coloca mais pressão sobre o rubro-negro.

O Fluminense tenta segurar aquele que, hoje, é um bom time. Amanhã, ninguém sabe. No Vasco, time novo, treinador novo e um velho dirigente.

O Botafogo é uma incógnita cuja tarefa é voltar à elite do futebol nacional. Depois do desastroso ex-presidente, qualquer notícia de General Severiano já é melhor que as do ano passado.

O Bangu enfiou cinco no time chinês. Por mais que Vágner Love, Montillo e Cuca estejam praticamente dando um rolé por estas bandas, cinco é bastante coisa. Pode surpreender.

Já o time do Macaé, repleto de empresários fazendo testes, acabou de levar a Série C do Brasileiro. Será, no mínimo, curioso.


É pagar pra ver. Embora ainda discutam se será muito ou pouco.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cotidiano

O leitor já deve estar cansado de ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.

A “margarida” que atende pelo nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu aparecer.



Chamou uma coletiva de imprensa e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.

Sheik, Bolívar, Julio César e Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.

Cá entre nós, imagina se o seu patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria para trabalhar?

A resposta para a primeira pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros. Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.

Esta situação no Botafogo se repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados improváveis.

Com cada vez menos jogadores no elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.

O eclíptico presidente coloca o Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes mais ativas contra os desmandos do sumido.


Quem é o próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
                                                

A torcida do Botafogo ora pelas almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete azul seja o próprio Assumpção.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 22 de julho de 2014

FlaBrasil

Enganou-se quem pensou que o Flamengo fosse a Alemanha, por conta da cor da camisa. O Flamengo é o retrato do futebol brasileiro, no pior sentido.

Enquanto a CBF tira onda com a nossa cara ao trazer o ex(???)-empresário Gilmar Rinaldi, para ser o cara que “mudará” o nosso futebol, e Dunga, pra abandonar a ideia de família e recolocar as crianças no colégio interno, o Flamengo é o lanterna do Brasileirão.



Aliás, campeonato difícil de assistir depois dos jogos da Copa. É evidente que o futebol brasileiro carece de uma nova direção. Esta turma de Marin e Del Nero deve sair imediatamente.

A diretoria rubro-negra, que parecia um sopro de novidade, se perdeu em suas escolhas. Sucumbiu à política interna do Flamengo e hoje alimenta monstros que colocaram o clube na situação em que se encontra.

A goleada sofrida para o Internacional, embora esteja bem abaixo tecnicamente, foi um novo Brasil X Alemanha para os rubro-negros. No entanto, desta vez, o Flamengo era o Brasil.

Um bando em campo, uma cratera no meio-campo para o Inter passear, corredores enormes atrás dos laterais e outra goleada. Não chegou aos 7 porque o Inter não chega a ser uma Alemanha, embora tenha feito um excelente jogo para os padrões do nosso campeonato.

Ney Franco teve um mês inteiro para organizar esta bagunça. Não importam as razões, ele não conseguiu. O elenco do Flamengo é o quarto mais caro do Brasil.

Em crise, a diretoria não sabe o que fazer. Os antigos caciques do clube se agitam. As organizadas perdem a cabeça e fazem mais bobagens. Mudanças são necessárias e não podem ser como as da CBF, que não mudam nada.


O Flamengo tem tempo, pode subir na tabela, mas não pode apenas se fiar na camisa e na torcida. Um bom começo é baixar o preço dos ingressos ao nível do espetáculo, que não vale nem um galo.


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudades do Costinha

Olha, antes de qualquer coisa, não me preocupei em momento algum em ser "politicamente correto", tampouco em ofender quem quer que seja. Mas, convenhamos. Costinha era sensacional!

Ele é do tempo de um humor mais "incorreto", porém com algum limite para o bom senso e sem nenhum para a diversão. Costinha já me fez morrer de rir um milhão de vezes. Muito mais que os parcos mil gols de Pelé, até porque ainda não era nascido.

Só que Costinha morreu, e já o acompanham no panteão dos caras mais engraçados do país outros companheiros de humor da época, como Chico Anysio, Tião Macalé, Mussum, Zacarias, Rony Cócegas e outros. Sem eles, o Brasil perdeu um pouco da graça.



Se tornou um país que, dentre outras coisas, não deixa a juventude ser rebelde. Ora, mas se a rebeldia é o traço mais marcante da juventude, por que reprimi-la?

Porque os caretas, babacas e poderosos venceram.

Estão todos por aí espalhados. Nos governos, nas TV's, na dita justiça, nos jornais,... no Ministério da Justiça!

Se estão em toda parte da nossa vida, por que não haveriam de estar no futebol?

Pois estão. E na ausência da nata do nosso bom humor, se põem a fazer graça. Sem nenhuma graça.

O anúncio de Gilmar Rinaldi como novo "diretor de seleções" da CBF é um exemplo clássico de escárnio indevido.

Em tempos de 7x1 na orelha, em algum lugar sério cairia o Rei de Copas, o de Ouros, o de Espadas, o de Paus... não ficaria nada! Não só não caíram, como riem da nossa cara.

Gilmar foi um grande goleiro. Salvou a pele do meu clube na estreia do Casagrande, contra o Corinthians no Pacaembu. Em jogo que poderíamos ter levado uns cinco, mas só levamos um graças a Gilmar.

Fora isso, não muito mais. Foi o terceiro reserva na Copa de 94, sendo portanto um tetracampeão.

Depois disso, virou Gilmar Rinaldi. Ganhou seu sobrenome de volta e passou a agenciar jogadores. Teve também uma passagem curta como "diretor de futebol" do Flamengo, sem muito sucesso. Sabe quando batemos na Lei Pelé pelo excessivo poder concedido aos empresários no futebol? Então, Gilmar Rinaldi é um deles. Foi empresário, inclusive, de Adriano, que se tivesse alguém decente a seu lado para orientá-lo, seria titular da seleção nesta Copa.

Ou era empresário, pelo menos até a noite anterior ao anúncio.

Pois é... a noite anterior! O momento em que ele, por SMS, comunicou aos seus atletas que estava deixando de agenciá-los porque estava dando um passo importante na carreira. Ganhando menos, diga-se de passagem.

Pelo menos avançou um pouco em relação à "cultura do fax" no futebol. A tecnologia evoluiu tanto e o futebol tão pouco que os clubes ainda confirmam suas contratações por fax. Agora, o novo "diretor de seleções" da CBF os dispensa por SMS. Estamos caminhando...

Caberá a ele, que ainda possui licença da FIFA para negociar jogadores, escolher quem vai convocar a maior mola propulsora de bons negócios no futebol do país: a seleção brasileira.

E na coletiva do anúncio falam ele, Marin, Del Nero e Gallo, visto agora como o novo homem forte do futebol brasileiro, o cara da base.

Gallo impressiona a imprensa citando a palavra "Gap" umas 10 vezes. Nesta hora, percebemos o tal do "complexo de vira-latas" que soterra nossos veículos de comunicação, onde quaisquer três letrinhas, desde que estejam em inglês, conferem status ao sujeito que as pronuncia.

E assim, mais uma vez, nada muda. Aliás, mudar pra quê? Pra turma perder a "oportunidade de trabalhar pelo bem do futebol brasileiro"? Não pode, a caneta e os contratos devem estar nas mãos deles. Só deles.



Agora repara. Leia de novo, se achar que for preciso. Não é um roteiro de comédia? Um texto que caberia num Zorra Total da vida, ou qualquer outro programa infame da TV brasileira, rotulado como humor?

Pena que não é.

Eles estão mesmo nos "zuando". A esta hora devem estar, entre copos de whisky e charutos, rindo até dar cãimbra no abdômem.

Só nos cabe, nós que amamos essa porra desse futebol, lutar para arrancar esses pulhas dali. Derrotar os caretas, babacas e poderosos. Retomar o futebol para o povo.

Caso contrário, em breve estaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa. E enquanto assistimos a festa dos outros pela TV, eles continuarão rindo. Sem nenhuma graça.



Valeu,

Bruno Porpetta

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Meu primeiro baque

Pra quem não sabe, nasci em Santos. Naquela cidade, onde vivi meus primeiros 23 anos de vida, quem não gosta de futebol é um insensível capaz de chutar o andador do avô.

Mesmo não torcendo pelo time mais famoso da cidade (devo confessar aqui e agora que tinha uma queda pela Portuguesa Santista, indo diversas vezes ao Ulrico Mursa assistir a jogos de qualidade técnica próxima à temperatura média do inverno russo), não havia como ser imune ao Santos FC.



Já corri da torcida deles por vestir a camisa do Flamengo, em pleno Canal 5 e durante o dia. Não era fácil torcer por um clube distante dali, era visto como um autêntico traidor das noções mais básicas de cidadania de um santista.

Mesmo assim, fui a vários jogos do Santos na Vila Belmiro. Acompanhava meu pai, meu irmão e meu avô nas arquibancadas da Vila, pois era um programa bacana pra se fazer em família, mesmo que eu tivesse que conter qualquer sinal de euforia diante de um revés santista.

Mais velho, já pude ir a jogos do Flamengo na Vila. Na arquibancada visitante, podendo gritar à vontade. Mas esta é uma outra história.

Certa vez, na escola, tínhamos que escolher uma disciplina para o trabalho da Feira de Ciências. Eu e mais uns cinco malucos por futebol escolhemos Educação Física e nosso trabalho seria sobre o Santos.

Foi maravilhoso! Conhecemos os vestiários, os jogadores (em especial o Guga, artilheiro do Santos à época), o gramado e todo o clube.

Batia uma certa satisfação em poder visitar às instalações do clube que dava tanto orgulho à cidade. Me amarrei mesmo nisso.

Em dado momento do "passeio", fomos à sala de troféus.

Era 1992, e o Santos não conquistava um título desde 84. Ou seja, um prato feito para minha sanha em sacanear os santistas. Fui à sala de troféus e saí de lá com rinite alérgica, de tão velhos os coitados.

Mas o grande impacto que tive não foi com troféu algum. Foi com um quadro.

A pintura era um retrato de Pelé. De costas, com o número 10 estampado na camisa, no gramado do Maracanã.

Ao fundo, o placar do jogo apontava Flamengo 1 x Santos 7.

A partida em questão era pelo Rio-São Paulo de 1961. Ou seja, dezoito anos antes do meu nascimento.

Não vi o jogo, claro. Mas olhar àquele quadro me deu uma tristeza tão grande no momento, que me senti como se estivesse na arquibancada do Maracanã, com lágrimas nos olhos.

É duro ver seu time perder por 7 a 1, dentro de casa.

De repente, parei de olhar o placar e passei a olhar para Pelé. Pensei que, estando lá, eu teria visto ele jogar.

Teria a oportunidade que todos da minha geração gostariam de ter. Parar de ouvir conversinha do pai, do avô, dos paralelepípedos da velha cidade. Poderia bater no peito e dizer: "Eu vi Pelé jogar!".

Fiquei imaginando o espetáculo que deve ter sido. O show que ele deve ter dado. O aplauso constrangido que eu seria obrigado a dar.

Depois da dor inicial, a sensação que o jogo que testemunharia não era uma simples goleada, era parte da história do futebol.

Este quadro me ajuda a relativizar um pouco a vergonha pelo jogo da seleção brasileira. Queiramos ou não, a Alemanha ajudou a escrever a história do futebol no Mineirão.

Mas este, por mais que tenha doído muito, pelo menos eu vi.



E não é por nada, não. Te juro que, se o Brasil estivesse todo de branco, eu me sentiria um pouco vingado.



Valeu,

Bruno Porpetta

Barbosa, descanse em paz

Não dá pra amaciar. A goleada alemã sobre nossas cabeças foi a pior tragédia da história do futebol brasileiro.

Sem dúvida, o trauma de 50 ainda tinha peso. Nós temíamos perder a final da Copa no Maracanã. A diferença é simples: em 50, tínhamos time para ir à final. Inclusive, chegamos à final após golear a Suécia por 7 a 1.



O time que cercava Neymar não era o camarão na empada. Até podia chegar à final, mas chegaria com a camisa tão somente. Os alemães acabaram dando uma lição: basta desta corja que dirige o futebol brasileiro! Não basta dizer fora fulano ou beltrano, todos tem que sair!

Era visível que Felipão estava absolutamente perdido. Perdeu o controle, perdeu a razão, perdeu o tempo. Tempo este que agora será contado em gols da Alemanha. Não será incrível que passemos a calcular quantos gols da Alemanha levamos para ir de Madureira à Central.

Só que Felipão não foi parar lá à toa. Alguém o contratou. Contratou por que queria um centroavante fixo na área? Não, porque tinha medo de chegar à Copa com um treinador sem experiência, coincidentemente, contratado pela mesma turma. Só variaram as moscas.

Se havia algo para nos envergonhar nesta Copa, que foi fantástica, é buscar um hexa sem a bola passar no meio-campo, acreditar que “famílias” formam seleções, assistir a esta turma da CBF esculachar o futebol brasileiro.

Temos saudades dos nossos clubes no Brasileirão, mas sabemos que a Copa é um oásis de bom futebol nos nossos gramados. Não formamos mais craques aos montes. A seleção não está tão distante do que temos de melhor hoje.

Esta tragédia no Mineirão fez o Maracanazo ficar muito pequeno. Deu saudade do nosso futebol. Deu saudade de Barbosa que, feliz e finalmente, está absolvido.


Assim enterramos, de uma vez, a derrota em 50.


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 6 de julho de 2014

A outra metade da laranja

Há pouco mais de um mês, prestei reverências a Washington, ex-atacante do Fluminense, da lendária dupla de ataque que ganhou o apelido de Casal 20.



Agora, as reverências são para a outra metade dessa laranja. O craque Assis, o autor do gol do título carioca de 83, também se foi.

Além da torcida tricolor, todo o país deveria se consternar por, em tão pouco tempo, termos perdido uma dupla de ataque infernal dessas.

Fred, jogue por eles!


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Malditos hinchas!

Sejamos sinceros, as centenas de torcedores chilenos detidos no Maracanã pela tentativa de invasão do estádio para ver o jogo contra a Espanha que classificou de maneira brilhante a seleção do excelente Jorge Sampaoli só estão sendo tão divulgadas e rigorosamente punidas porque foi pela Sala de Imprensa.



Quando cerca de mil argentinos invadiram o Maracanã no domingo, para ver o golaço de Messi contra a Bósnia, quase ninguém soube. Entraram pelas catracas mesmo.

Agora que o mundo todo viu a invasão, a FIFA precisa tomar providências. E tomou as piores, como sempre se pode esperar da entidade.

Os chilenos tem 72 horas para deixar o país ou serão deportados.

Deportados?

Estamos falando de torcedores de verdade, gente que senta a bunda em arquibancada. Não de filhos da classe média que se amarram em cantar seu orgulho e seu amor por ser brasileiro, mas preferiam morar na Europa.

Esta deportação é das coisas mais absurdas que podem haver. Eles são torcedores, estão por aí nos bares tomando sua cerveja, gastando dinheiro no Brasil e queriam muito ver sua seleção aniquilar a atual campeã mundial.

Uma das coisas mais bonitas da Copa é este clima de Libertadores. Para isto, não pode haver plateia, tem que haver torcida.

É exatamente isto que a FIFA não gosta, de torcida, de futebol e de quem gosta de futebol. Para eles é só um espetáculo, não tem nada de paixão.

Quero mais umas dez Copas, desde que a FIFA não controle mais o futebol.


Valeu,

Bruno Porpetta

Que se dane "la roja", que volte "La Furia"

Para quem não sabe, sou descendente de família espanhola e torço pela seleção da Espanha desde a Copa de 86, quando a Espanha era um país que ia a Copa do Mundo para "jogar como nunca e perder como sempre".



A camisa pesava muito para países menores do futebol, fora dos grandes centros do ludopédio mundial. Perto de outros como o Brasil, a Alemanha, a Itália, a Argentina, não tinha nada de furiosa. Pelo contrário, ficava mansinha, mansinha...

Foi roubada descaradamente pelo Brasil por duas vezes, em 62 e 86. Ao passo que foi também roubada até pela Coreia do Sul, em 2002. Ou seja, não tinha tanto peso assim.

De repente, os caras formam uma geração que ganhou a Euro 2008 e sentiu que podia ganhar o mundo. Acabou por ganhá-lo em 2010.

Não contente, tornou a ganhar a Euro em 2012. Mas aí, este ciclo estava se encerrando sem que a Espanha percebesse.

Neste período, a seleção espanhola aboliu o apelido de "Furia Española", passando a ser "la roja". Nada contra, acho bonita a cor vermelha. Além disso, a "roja" estava ganhando tudo. Eles estavam podendo ser chamados até de "leopardos ibéricos", se assim quisessem.

Só que o encanto acabou. E não basta apelar apenas ao óbvio declínio físico de um Xavi envelhecido, existem outras razões.

O tal atacante de referência espanhola só deu certo até a saída de Villa do time. Antes mesmo do declínio de Xavi, quando Villa se lesionou seriamente seu futebol nunca mais foi o mesmo e isso fez uma diferença danada. Porque Villa fazia parte da troca de passes espanhola, o tal Tiki-Taka.

Ou seja, o time por inteiro tocava a bola. Quando Villa saiu e abriu lugar para centroavantes clássicos de área, que definem jogadas ao invés de participar delas.

A Espanha tentou Torres, Llorente, Soldado e Diego Costa. O primeiro foi o cara em 2008, mas também se lesionou e nunca mais foi o mesmo. E era justamente o cara que mais fácil perderia a posição para que a seleção espanhola pudesse vencer a Copa em 2010.

Só o último sabia jogar com velocidade fora da área, por isso veio. Só que não era o Atlético de Madrid. Haviam craques ao seu lado, coisa que ele nunca havia visto na vida, e assim ele sumiu em campo.

Além disto, Diego Costa não coube no estilo de jogo espanhol. O último que coube foi Villa, que não é mais aquele.

É provável que a Espanha entre em campo contra a Austrália, no clássico dos perus da Copa, que morreram de véspera, com fome de gols para aliviar a vergonha. Só que isto vai se materializar se a Espanha achar o gol logo, caso contrário a Austrália pode começar a acreditar na vitória. E aí, fodeu!



Neste momento, é fundamental que o time espanhol se lembre da Fúria.

Daquele que não comemorava o sexto gol, porque já estava eliminado. Como foi com Luis Henrique, atual treinador do Barcelona, em 98.

É pra Espanha acabar com a Austrália, se restar alguma dignidade na fuça destes senhores espanhois. Eu acho que existe dignidade ainda.

Mas aí, eu acho que devem voltar Xavi e Villa. Eles merecem não ver tudo o que fizeram acabar deste jeito.

Portanto, "re-Viva La Furia"!


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O jogo enamorado do Brasil

O Brasil, na estreia da Copa em casa, contra a Croácia, veio no espírito do Vai Ter Cópula!



O time demorou a entrar no jogo. Um tanto pela ansiedade de resolver logo a parada, diante de uma torcida mal educada que vaiou e xingou a Presidenta Dilma de uma forma vil, partindo da área VIP onde estavam artistas que já se manifestam publicamente a favor da candidatura de Aécio, o demônio da vez.

Outro tanto, porque Oscar demorou a entrar no jogo. O melhor em campo jogou por 75 minutos. Nos primeiros 15, errou tudo o que tentou, tanto passes curtos como dribles.

Coube ao Brasil inaugurar o marcador. O lateral-esquerdo Marcelo - que fez boa partida, diga-se de passagem - acabou botando pra dentro um cruzamento de Olic - o melhor croata em campo.

Aí o Brasil acordou, passou a tocar mais a bola, a ter mais paciência. Os croatas não davam muitos espaços e o empate só poderia sair do jeito que saiu, em jogada individual de Neymar que, diante do goleiro gigante Pletikosa, bateu sacanamente por baixo, bem no cantinho.

A tragédia croata já estava anunciada. Antes sair com um 0x0 no primeiro tempo do que permitir o empate, que colocou a torcida (se é que dá pra chamar aquilo de torcida, sem um preto no estádio) dentro de campo.

No segundo tempo, a despeito da opinião de muitos, o Brasil foi muito bem. Teve mais tranquilidade que no início do primeiro, tocou bem a bola, não deu muitos espaços para a Croácia.

Quando a Croácia equilibrou um pouco mais as ações, o juiz japonês - por incrível que pareça - viu demais no lance de Fred dentro da área. Deu um pênalti que, só com muito boa vontade, alguém poderia marcar.

Neymar bateu mal, mas fez. Quase mandou um telegrama para Pletikosa, dizendo onde iria bater.

Com 2 a 1 no placar, o Brasil relaxou ainda mais. Tanto que permitiu alguns sustos, mas fundamentalmente a Croácia chegava em chutes de fora da área, onde Julio Cesar pegou duas bolas, mas ainda não inspirou a confiança necessária que se precisa ter em um goleiro numa Copa.

Só um parêntese, se o Flamengo trouxer o Julio Cesar, não tem problema. Ele não jogará Copa do Mundo pelo Flamengo, então serve bem.

De qualquer forma, o Brasil foi senhor do jogo no segundo tempo. Com ou sem pênalti, resolveria a partida em algum momento.

E foi assim, com tamanha superioridade, que Oscar fez um golaço, coroando sua excelente atuação. Com o biquinho a la Romário. Mandou qualquer especulação sobre sua saída do time para as cucuias.

Os croatas estão revoltados com o pênalti, e com razão. Mas não jogaram tanto a ponto de impedir a derrota.

Em pleno dia dos namorados, o Brasil fez do seu jogo uma noite de amor. Começou duro, terminou mole.


Valeu,

Bruno Porpetta

sábado, 7 de junho de 2014

Enfim, a Copa...

Pois é. A despeito da "guerra de torcidas" promovida entre governo (a quem caberia ser mais sensato) e movimentos sociais diversos e cada vez menos influentes nos rumos das mobilizações populares, vai começar a Copa do Mundo. Aquela que uns dizem que vai ter, outros dizem que não vai ter.

Talvez esta tenha sido a discussão mais imbecil que eu já tenha presenciado em minha "curta" vida.



Vai ter Copa porque parte considerável do povo quer que tenha. Não devia ter porque parte considerável do povo foi expulsa de suas casas, porque usou-se a Copa como pretexto para modelos de cidade excludentes, porque a FIFA é uma quadrilha que está se especializando em assaltar países da periferia do capital e o seu "padrão" não nos interessa, porque o Brasil abriu mão de sua soberania sobre pequenas partes de seu território para satisfazer os interesses dos assaltantes.

O custo dos estádios, sinceramente, é troco de pão. Não é pelos gastos que se pega a Copa pelo calcanhar de aquiles. É pelo futuro.

Pagou-se estádios para entregá-los à iniciativa privada. Por consequência, os ingressos são caros e o povo tem tido cada vez mais dificuldades para ir aos jogos, que já são ruins "só pra ajudar".



Portanto, em minha modesta opinião, enquanto estivermos debatendo se "vai ter" ou "não vai ter", estamos andando em círculos.

Sobre a competição em si, que é realmente muito mais interessante do que os tecnocratas da FIFA, quando me pedem pra cravar uma final, digo logo Brasil x Argentina.

Por quê?

Porque são as seleções favoritas que tem menos problemas físicos e mais jogadores decisivos de todas.

França sem Ribery; Alemanha sem Reus e com Schweinsteiger, Lahm e Neuer baleados; Itália praticamente só com o Balotelli para decidir, ou rezar para se marcarem muitas faltas na entrada da área para o Pirlo bater; Uruguai só com a história na mão e Suárez baleado; Espanha com um time mais velho e uma base que não conseguiu jogar bem neste ano; Inglaterra só ganha em casa e se for roubado; Portugal eu nem coloco na lista de favoritos, mas se alguém poderia decidir a favor dos lusos, seria Cristiano Ronaldo, e este também não está com o joelho muito confiável; a Holanda, no máximo, será vice... de novo.

No fim das contas, restaram sem problemas Brasil e Argentina.

A Argentina tem Messi, um grupo fácil, um time mais equilibrado que há quatro anos atrás, torcida mais presente que em outras Copas e a camisa.



O Brasil tem Neymar, um grupo não tão fácil que pode dar mais força ao time na reta final (ou não), uma defesa mais sólida que de costume. Torcida, se estiver esperando show, pode jogar até contra, como foi ontem no amistoso em São Paulo. Camisa, nem se fala... pesa muito!

Sobre a seleção brasileira, algumas impressões bem rápidas. Oscar deve perder a vaga se não jogar mais bola contra a Croácia, o William tá voando. O time é este, mas os laterais são o nosso calcanhar de aquiles, se entra pelas costas deles como se convidados fossem os atacantes.

Se tenho um favorito para esta hipotética final? Torço pelo Brasil, mas acho que dá Argentina.



A propósito, só para não deixar de cometer rubro-negrices por aqui, o gramado do glorioso estádio José Bastos Padilha, na Gávea, está lindo! A Holanda nos deu um presentão! Falta agora somente alguém ter coragem de recolocar as arquibancadas tubulares em torno do campo e voltarmos a mandar jogos na Gávea. Arena é o c...!


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 25 de maio de 2014

Reverência à tristeza

Hoje, o domingo acordou mais triste.

Morreu Washington, a metade do temido ataque do Fluminense na primeira metade da década de 80. O conhecido "Casal 20", formado com Assis.



Campeões cariocas em 1983, em um dos gols mais doloridos da história de cada rubro-negro como eu. Campeões brasileiros em 84. Uma dupla que entrou para a história do Fluminense. E do futebol.

Aí você pode se perguntar: mas quem fez o tal gol não foi o Assis? Sim. O Washington só estava ali na área para plantar a dúvida na cabeça de Raul.



Neste dia, em que o Fluminense celebra a liderança do Brasileirão (ao menos, provisória), perde um de seus artistas.

Afinal, o que faziam Washington e Assis nos gramados senão arte?

Perdemos todos que amamos futebol.

Fica a reverência de um adversário, com todo o respeito.


Valeu,

Bruno Porpetta

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pausa para idolatria

Enquanto escrevo, o Atlético-PR decide sua vida na Libertadores, a 3600 metros acima do nível do mar, contra o The Strongest (ainda se fosse o mais fraco...), e Adriano começa a partida.

É inegável que possuo uma admiração singular pelo Imperador. Cria da Gávea, ganhou o mundo, voltou e me deu um Brasileiro de presente. Como posso não amá-lo?



Exemplo da mais genuína tradição de craques do Brasil. Temperamental (palavra usada para evitar o "maluco"), habilidoso, de origem pobre.

Mesmo que suas entrevistas sejam moldadas por cuidadosos assessores de imprensa, suas atitudes fora de campo são dignas de inveja. Ninguém no futebol atual é tão autêntico quanto Adriano. Ele é favelado, e é na favela que ele se encontra.

A propósito, Adriano foi decisivo para um reencontro da torcida do Flamengo com sua própria origem. Na favela! Toda a chamada "molambada" cantando a favela.

Quem diz que a favela é um problema na vida de Adriano o faz por ódio de classe. O problema na vida de Adriano é, na verdade, a Barra da Tijuca!

Adriano ficou rico! E assim, atraiu todo tipo de gente em torno de si. Inclusive playboys da Barra, um mundo ao qual ele não pertence. Mas esta necessidade de pertencimento é que detona o Adriano.

Muita gente não acredita, mas se Adriano quer voltar a ser um jogador de futebol profissional, tem plenas condições para tal. Indo à favela. Sem ela, Adriano não é nada.

Torço pelo dia em que o nome de Adriano esteja entre os destaques do Campeonato Brasileiro. Quem sabe já em 2014?


Valeu,

Bruno Porpetta

domingo, 16 de março de 2014

À disposição

Meus caros e minhas caras, finalmente tô de volta!

Apesar de merecer 120 chibatadas por tamanha ausência do blog (podem deixar que eu mesmo me flagelo), enfim retorno, após defender monografia, passar carnaval, entre outras tantas coisas.

Voltei impelido pela aposentadoria de Rivaldo.

Este cara é vítima de uma das maiores injustiças da história do nosso futebol. As lembranças sobre o papel dele no pentacampeonato, em 2002, por parte da imprensa esportiva são sempre colaterais. Ele foi o maior jogador daquela seleção.



Não que Ronaldo não tenha jogado muito, mas ao elegê-lo como o "melhor jogador" daquele ano, tanto a FIFA quanto a mídia demonstram que não entendem nada de futebol.

Rivaldo não teve tanto apelo midiático, nunca foi o bonitinho da parada, nem o das melhores entrevistas. Ficou relegado a um injusto segundo plano. Devia ter uma estátua em algum lugar por onde passou, seja em Barcelona, ou no Palmeiras, ou em Mogi Mirim.

Como tantos outros, perdeu um pouco o timing de parar. Talvez porque esperasse por todos estes anos pelo justo reconhecimento que não teve. Ele não precisava disso.

Ao menos nós, que gostamos e entendemos um "cadinho" de futebol, prestemos todas as homenagens a este grande craque da nossa seleção. Ele merece!

Pra dar sentido ao título

Outro papo que eu gostaria de levar com vocês é sobre o Bolívar, time boliviano que enfrentou o Flamengo de "igual para igual" no Maracanã, na última quarta-feira.



Discordo da avaliação de alguns (muitos, quase todos) que o Bolívar é um timeco.

São necessários três quesitos para se chegar a uma vitória: técnica, tática e disposição.

O Flamengo foi superado pelo Bolívar em dois, a tática e a disposição. É inegável que na técnica o Flamengo é superior, mas ela tem sido cada vez mais o "patinho feio" dos três quesitos.

Futebol, hoje em dia, se ganha principalmente na disposição, que sobrou aos bolivianos e faltou ao Flamengo.

Esperamos que o Flamengo se vire lá no alto pra recuperar os pontos perdidos no Maracanã.


Valeu,

Bruno Porpetta

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De 62 a 68, em 51 anos (o Brasil de Amarildo a Amarildo)

Pelé saía de campo lesionado, no empate em 0 a 0 entre Brasil e Tchecoslováquia.

Diante de tal tragédia, a alternativa mais viável para Aymoré Moreira era colocar o ataque do Botafogo pra jogar. Que parceiro faria melhor companhia à Garrincha senão seu companheiro Amarildo?



Aquele time, já um pouco envelhecido, contava com o agora saudoso Djalma Santos (ao qual este blog se curva em reverência), além do infernal Garrincha e o "Possesso" Amarildo, mais um grande artilheiro do nosso futebol, mais um que deve ao Anjo das Pernas Tortas seu contrato para jogar na Europa.

Amarildo editou, junto a Garrincha, belíssimas páginas da história do Botafogo e da seleção brasileira. Páginas que inspiraram amantes do futebol, nos estádios e nos cartórios.

Não é de hoje que jogadores de futebol eternizam seus nomes nos filhos dos outros. As homenagens feitas a craques no registro de crianças recém-nascidas é notória e antiga.

Em uma delas, em 1966, nasceu Amarildo.



Amarildo Dias de Souza era um pedreiro. De tanto carregar pedras, assim como craque alvinegro, também ganhou um apelido. Era chamado de Boi.

Cresceu na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro. Que os bairros de São Conrado e Gávea fingem não existir. Mas ela existe.

Tal como as demais favelas, cresceu desordenadamente, sem planejamento, sem água, sem luz, sem esgoto. Se tornou um depósito de gente descartada do "asfalto". Gente invisível, como se não fossem gente.

Nesta ausência do básico, é duro não se revoltar. Nesta revolta sem perspectiva, o crime aponta uma saída fácil, às vezes única. Assim, aos 17 anos, o jovem Amarildo registra sua única passagem policial, por furto.

A característica de pé-de-boi, que lhe rendeu o apelido, impediu que Amarildo trilhasse este caminho. Não fosse por isso, já estaria morto há muito tempo. O crime só compensa a curto prazo, até porque o prazo é necessariamente curto pra quem vive dele.

Entre a vitória da seleção do Possesso e o nascimento do Boi, sob a "iminente ameaça comunista", o país iniciou-se no capítulo mais vergonhoso de sua história. Em 64 os militares tomaram o poder e levaram consigo nossa liberdade. O Amarildo da Rocinha nasce em um Brasil proibido de pensar.



Com apenas dois anos de idade, Amarildo ainda não tem consciência, mas seu país mergulha nos piores anos desta excrescência que foi a ditadura militar. O Ato Institucional nº5 foi editado para liberar a tortura, o assassinato.

O jovem Amarildo deve ter visto pela TV, na telinha da Globo, milhares de pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, comemorando o aniversário da cidade.

Mal sabia ele que, na verdade, lutavam por democracia no Brasil. Isto, a Globo não contou a ele.

Amarildo, com 23 anos, pela primeira vez votou para Presidente da República. Acreditou viver em um país democrático, retornando às urnas nos anos pares que se seguiram para cumprir o único direito que lhe foi concedido, já que todos os outros lhe eram sistematicamente negados.

Talvez tenham lhe ensinado que o Brasil foi "descoberto" por Cabral, até porque o massacre dos povos originários não permitiu que estes contassem sua história. E a vida (ou a "democracia"), lhe colocava diante de outro Cabral, mais de 500 anos depois.

Pela TV, lhe diziam das maravilhas que transformavam as favelas em territórios pacificados, longe dos crimes que Amarildo se recusou a prosseguir cometendo. Ele, que nasceu no país proibido de pensar, mais uma vez acreditou no que a TV lhe mostrava.

O que talvez não tenham lhe dito é que, para favelados como ele, só havia uma paz possível. A paz do porrete. O Estado, como foi por toda a sua vida, só se fazia presente através da polícia. Ainda assim, para Amarildo, a esperança de dias melhores.



O Boi acreditava que, carregando pedras, construiria uma vida melhor.

Assim, viu a seleção brasileira vencer, sem o Possesso que lhe dava o nome, mais três títulos mundiais. Viu a urna de votação, e ali a possibilidade de escolher qual país ele queria. Viu a UPP chegar à favela com status de heróis da liberdade. Viu o povo voltando às ruas para reivindicar direitos.

Depois disso, não viu mais nada.

No estado de exceção criado por Cabral, foi levado pelos policiais - os mesmos que resgataram sua esperança - para dentro do posto de comando da UPP da Rocinha, sem mais nem menos. Nunca mais foi visto.

Tal como naqueles anos, em que Amarildo ainda era uma criança, e pessoas desapareciam nas mãos sujas de sangue dos militares, chegou a sua hora.

Não teve tempo sequer de ver Cabral editar o "novo AI-5", retomando uma vergonhosa ditadura que seu partido disse um dia combater. Nem mesmo pedir perdão por eventuais pecados ao Papa.

Nem foi digitalmente incluído, para poder, pelo Twitter, dizer ao Papa o que a PM do Rio andava publicando por lá. Talvez o Papa perdoasse, inclusive, os pecados da PM. Não houve tempo.

Tal como Djalma Santos, Amarildo não está entre nós. Que Deus os tenha! Não é não, Papa Chico?

Ao menos Djalma terá um velório.

Amarildo, que viveu sem luz, sem água, sem esgoto, mas com orgulho, não teve escolha. Mesmo ao morrer, não tem direito a seu próprio corpo, nem à verdade, nada!

Sua família e sua favela exigem saber, mas continuam sem respostas. São recebidos a balas e bombas no Leblon.



O que o governo Cabral e a PM do Rio não querem dizer, nem Aymoré Moreira dá jeito.

E agora? Sem Pelé! Cadê o Amarildo?


Valeu,

Bruno Porpetta


N.B.: A homenagem ao Possesso é ficcional, assim como os programas de TV que ele por ventura assistiu durante a vida. Gostaríamos muito de poder perguntar ao próprio sobre isto. Pode ser, Cabral?

domingo, 9 de junho de 2013

Pro dia nascer feliz

Ok! Concordo que, se considerada minha ausência por aqui nos últimos dias, um post com este título em dia de vitória do Flamengo é puxar a brasa para a minha sardinha.

E é mesmo!

Voltar a vencer, do ponto de vista de quem só escreve sobre futebol porque, além de amar o esporte, tem paixão por um clube, é reconfortante.

Mas, como não poderia deixar de ser, procurarei fazer uma análise mais global da coisa.





O Flamengo é, em qualquer tempo, um caldeirão prestes a entornar.

Entra diretoria, sai diretoria e o termo "crise na Gávea" parece até incorporado ao nome do bairro. Como se fosse um ponto de referência.

- Onde fica aquele bar?

- Fica ali perto do "crise na Gávea".

Piadinhas infames à parte, o Flamengo não cultiva paz nem mesmo com uma diretoria de altos executivos do capitalismo nacional, interessados em fazer do clube a máquina de gerar riquezas que ele é capaz de ser.

A tal "gestão profissional" esbarra, muitas vezes, na capacidade que o clube também tem de inflar egos, vaidades e outras questões que passam longe dos interesses de sua torcida.

Demite-se Dorival Júnior pelos altos salários. Contrata-se Jorginho pelos baixos salários. Demite-se Jorginho pelos altos salários de Carlos Eduardo e a péssima relação custo-benefício. E no fim das contas, a única nota oficial do clube é para garantir o emprego de Paulo Pelaipe.

Vejamos.

Está errada a ideia de contar com um comandante caro para dirigir um elenco humilde, mas bem limpinho? Não! Mas os "profissionais" devem, no mínimo, guardar alguma coerência em suas decisões.

A mesma questão se colocou na demissão de Dorival, há apenas dois meses. E a opção feita foi pelo barato. Como o barato saiu caro - no campo, pelo menos - muda-se de ideia.

Ainda assim, não é um completo absurdo mudar de ideia quanto ao treinador.

Faz-se agora uma outra opção, com relação ao elenco. Treinadores caros gostam de times caros. Para consegui-los, é preciso abrir definitivamente o cofre. E aí reside a maior contradição desta diretoria.



O investimento maior feito pelo Flamengo, até o momento, foi em Carlos Eduardo - que pouco joga - e Marcelo Moreno - que graças ao nosso "fantástico" calendário, servirá à seleção boliviana por várias rodadas no Brasileirão.

Agora, se fala em nomes de peso para a defesa, o meio e o ataque. Enquanto isso, o Flamengo dos "profissionais" não comenta uma dívida de R$ 5 milhões com Dorival, pela rescisão do contrato.

Para estas questões, e para acabar com quaisquer dúvidas sobre possíveis rachas na diretoria, esta deveria se pronunciar oficialmente. Tal como qualquer executivo de uma grande empresa faria para detalhar os passos a serem dados, junto aos acionistas da mesma.

No entanto, o mundo desaba, notícias vazam (um filme que a torcida do Flamengo já viu centenas de vezes em administrações anteriores), mas a diretoria vem a público dizer apenas que Pelaipe fica.

É compreensível que, diante da inexperiência dos "profissionais" no futebol, chamar alguém que está habituado ao porco submundo da bola é quase uma imposição. Mas deve-se lembrar sempre do ditado: quem se junta aos porcos, come farelo.

Considerando a esperança que a torcida deposita nos girondinos rubro-negros, mais transparência e menos "intocáveis" são essenciais.

Em meio a tudo isto, às vésperas da parada para a Copa das Confederações, o Flamengo venceu, e lembrando o poema, "amanhã, ninguém sabe o que será".


Valeu,

Bruno Porpetta

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Foi há 12 anos...

Estava em um quarto da Santa Casa de Santos-SP.



Acompanhava meu querido e saudoso avô Pepe, internado há dias ali.

Ele dormia e eu, com o radinho na orelha, ouvia uma insossa final de Campeonato Paulista entre Corinthians e Botafogo de Ribeirão Preto.

Era a segunda partida entre ambos. Na primeira, o Corinthians tinha sapecado 3 a 0 no tricolor da terra da Cervejaria Pinguim, na casa dos caras. Ou seja, a parada estava resolvida.

No segundo jogo, o Corinthians levava o jogo em banho-maria. O Botafogo, tentava ao menos justificar sua presença ali. Como não podia ser diferente, um 0 a 0 chatíssimo.

Chato, mas não só pelo jogo em si.

Principalmente porque, como estava no estado de São Paulo, era obrigado a suportar a final do Paulista, quando na verdade estava ligado nas informações do jogo no Rio.

Na época, havia um estádio nas imediações do Rio Maracanã, cujo rio apelidava o mesmo. Era o maior estádio do mundo!

O Flamengo havia perdido o primeiro jogo por 2 a 1, e o Vasco tinha a vantagem de dois resultados iguais. Quando o juiz da final paulista resolveu acabar com aquele troço, estava 2 a 1 para o Flamengo.

Eu já estava uma pilha de nervos, e logo que a transmissão sai de São Paulo e passa para o Rio, o árbitro marca falta para o Flamengo. Eram 42 minutos do segundo tempo, e mais um pouco eu pedia licença ao meu avô para ficar internado no lugar dele.

O iugoslavo/sérvio e montenegrino/sérvio (espero que pare por aí) Dejan Petkovic ajeita a bola. Não dava pra ter ideia, pelo rádio, da distância que a bola tinha para o gol.

Pela narração do Garotinho, parecia perto. Mas sabe como é rádio...

A esta altura, meu coração cravava o melhor tempo e conquistava a pole-position no GP de Mônaco, superando a velocidade das Ferrari, Williams, McLaren, etc.

Petkovic corre, bate e é gol!

Os eternos 43 minutos do segundo tempo que deram aquele tricampeonato ao Flamengo. Três vezes contra o Vasco. Três vezes contra o favorito.

Eu, sem poder gritar, achei que iria passar mal.

Mas o aroma do título era maior que o do éter!

Passei a andar de um lado pro outro no corredor do hospital.

A enfermeira, vendo minha agitação, me pergunta se está tudo bem.

Se está tudo bem? Está tudo ótimo!!! Tricampeão!!!!

Pois é... já faz 12 anos.

Uma mistura de saudades. Do meu avô, daquele gol, do Maracanã, até do Botafogo de Ribeirão Preto!

Acho que eu tô ficando velho...


Valeu,

Bruno Porpetta

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Para tudo!

Este blog terá uma breve pausa, pelo mais nobre dos motivos.

É carnaval!

Isto basta...




Bom carnaval a tod@s!


Valeu,

Bruno Porpetta