Devo confessar-lhes. Não tenho acompanhado a contento às Olimpíadas de Londres.
Entre a procura de um apartamento, o exercício de minhas convicções políticas e o tempo com a minha filha, tem sobrado pouco espaço para as Olimpíadas.
Mas, sempre que possível, eu dou uma olhadinha, ou uma lidinha a respeito, ou um papinho sobre o tema com uns e outros. Assim, de forma meio torta, vou formando minha opinião sobre as coisas.
Vou, então, dar uns pitaquinhos.
Neymar é craque, e disto ninguém tem dúvida. O Brasil é favorito ao ouro, ainda mais depois da eliminação precoce da Espanha. Mas vamos devagar com o andor, que o santo é de barro. Ganhamos da Bielorússia, cujo maior orgulho na vida foi um dia ter feito parte da União Soviética. Pelo menos, eu teria...
Diego Hypólito pode ser azarado, medroso, ou qualquer outra coisa, mas creditar a ele toda a responsabilidade do mundo por outro tombo que resultou em frustração olímpica é de uma maldade sem tamanho. Dos dirigentes da ginástica brasileira eu não ouço um piu sequer, e eles são diretamente responsáveis por jogarmos toda esta responsa nas costas do cara, porque só tem ele, mais alguns figurantes.
Acho excelente que nosso primeiro ouro seja no judô feminino! Antes disso, parecia que só haviam homens na delegação de judocas. Este é outro esporte que, sabe-se lá como, sobrevive no Brasil.
Apesar das inconstâncias na partida, começamos no basquete masculino com uma vitória importantíssima. Finalmente temos um time que dá gosto de ver, e podemos, enfim, deixar de sermos viúvas do Oscar.
O Dream Team estadunidense é, sem dúvida, um timaço de basquete! Mas a cada quatro anos eu sinto uma falta danada de Jordan, Johnson, Bird, Pippen, Drexler, Malone, Ewing, Mullin,...
O revezamento 4x100 metros da natação ficou de fora da final. Especialistas do mundo todo afirmam que a comissão técnica brasileira fez bobagem poupando Cesar Cielo da eliminatória. Bobagem faz a CBDA ao não dar condições para que mais Cielos apareçam. Ficamos na dependência de um só, dá nisso.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 31 de julho de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A Olimpíada invisível
Começaram os Jogos Olímpicos de Londres-2012, a maior festa do esporte mundial, que carrega à eternidade o Barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da era moderna, iniciada em 1896, na cidade de Atenas (GRE), onde a competição já era consagrada.
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
O lema olímpico é Citius, Altius, Fortius (o mais rápido, o mais alto, o mais forte), eternizado por este que foi o segundo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), presidido anteriormente pelo grego Demetrius Vikelas.
Outra máxima clássica do Barão foi "O mais importante não é vencer, mas participar!". A frase que embala o chamado espírito olímpico, onde a superação dos próprios limites humanos se coloca acima do resultado, propriamente dito.
Não é preciso nem dizer que, devido a inúmeros contratos publicitários que envolvem os atletas nas mais diversas modalidades, esse espírito foi para o beleléu. A cor da medalha conquistada, além da quebra de recordes mundiais (nem os olímpicos são tão relevantes), rendem milhões de dólares para atletas de alto rendimento.
Pelas bandas de cá, a expectativa é que o desempenho da delegação brasileira seja o melhor de toda a história de nossa participação olímpica. Tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, o Brasil corre para deixar sua delegação nos cascos para daqui a quatro anos.
Cabe uma ressalva aí. O Brasil prepara uma geração de ponta para os jogos em casa, mas não vai muito além disso. Nossa política esportiva é focada no alto rendimento, e o saldo relacionado à prática esportiva em nosso país - que acarretaria em uma redução drástica nos gastos em saúde, só pra ficar em um aspecto apenas - é praticamente zero.
Outro aspecto interessante a ser ressaltado, diz respeito a quem costuma frequentar redes sociais como o Facebook. Lá, as Olimpíadas parecem não ter começado.
Poucos posts, comentários, compartilhamentos de notícias... O que será que está acontecendo?
Não é muito difícil explicar. Estes Jogos são os primeiros, depois de longa data, cujos direitos de transmissão não pertencem à Rede Globo.
A Globo, quando detentora dos direitos, sempre teve um carinho especial com a competição. Não raro era a interrupção de inúmeros programas de alta visibilidade para a exibição de disputas mais "nobres" nas Olimpíadas, além de outras competições onde atletas brasileiros despontavam com chances de medalha.
Mesmo com todo o investimento da Record (atual detentora dos direitos transmissivos) na exibição dos Jogos Olímpicos, a emissora dos pastores não emplaca o mesmo nível de audiência que a concorrente dos Marinho. Na prática, a audiência da Globo é capaz de "invisibilizar" as demais emissoras.
Ou seja, no presente momento, o tamanho do poder conferido à Globo tornou, simplesmente, a Olimpíada em uma competição invisível.
A Vênus Platinada pode até alegar que sua equipe está em Londres, cobrindo os Jogos, e seu canal de esportes para TV fechada está exibindo em tempo real as competições nas mais variadas modalidades.
Mas o acesso à TV fechada é tão restrito quanto a pelota dada pela Globo às Olimpíadas em seu canal aberto.
É o caso de se perguntar: em se tratando de concessões públicas, a cobertura de um tema, inegavelmente, de interesse público, não deveria ter um tratamento mais adequado?
A resposta para esta pergunta está no Ministério da Distribuição de Concessões, conhecido oficialmente como Ministério das Comunicações, que ao longo da história do país - principalmente no período da ditadura militar - ajudou a construir impérios, derrubar outros, e contribuiu decisivamente para uma correlação de forças midiáticas tremendamente injusta.
O reflexo disto está nas pautas que o brasileiro discute diariamente.
O futebol masculino, bombado de ufanismo em torno de nossa possível primeira medalha de ouro na história, que antecederia a Copa do Mundo no Brasil, gerando um clima de confiança e apoio à seleção brasileira (excelentes ingredientes para a audiência), parece ser a única modalidade em disputa. Às demais, o silêncio.
O Brasil é o país do futebol, do carnaval e do arroz com feijão, bife e batata frita. Um tanto por enraizamento cultural, outro por construção midiática dos "donos" da bola.
O sistema de telecomunicações brasileiro padece de um pouco mais de espírito olímpico. Todo mundo só quer ganhar, e neste caso, ganha mais quem está bem a frente.
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 22 de julho de 2012
O camisa 10
Quanto mais o futebol fica veloz, e o preparo físico se sobrepõe à técnica, mais importante é o papel do camisa 10 em um time.
Hoje em dia, ele pode estar com qualquer número nas costas. Seja o 90, 87, 64, 33 ou 4.500.000. O camisa 10 não é um número às costas, é um estilo de jogo, é um personagem.
Ele é o responsável, na prática, por armar as jogadas de ataque. Fica um pouco atrás do ataque para observar a movimentação de seus atacantes e descobrir buracos na marcação adversária. Para isso, é preciso ter boa visão de jogo e um excelente passe.
Além disto, o camisa 10 é quem dita o ritmo do jogo. Para encontrar a melhor jogada de ataque, nem sempre dar mais velocidade ao jogo ajuda. Às vezes, diminuir o ritmo, segurar a bola e enfiar a bola no momento mais adequado é imprescindível.
O camisa 10 virou um artigo de luxo, em um futebol tão empobrecido de arte. Por isso, vê-los jogar é um privilégio a quem paga ingresso, e aos que não pagam também.
O motivo deste post foi a estreia de Seedorf no Botafogo.
Estádio cheio, muita expectativa, e uma boa perspectiva apesar da derrota.
Sim, camaradas! O Grêmio botou água no chope botafoguense.
Com uma marcação implacável, o time gaúcho dificultou a participação do time do Botafogo no ataque e, em especial, de Seedorf.
Mas se o holandês não pode ser efetivo, outro camisa 10 o foi.
O meia Zé Roberto, também recém-chegado ao Grêmio, fez uma belíssima partida e foi dele o passe para o gol de Marcelo Moreno, que definiu o confronto. Aliás, que passe!
Outra coisa, depois de um longo jejum, o centroavante boliviano desandou a fazer gols após a chegada de Zé Roberto. Compreensível. Quando as bolas chegam redondas, o atacante fica em melhores condições para finalizar e, consequentemente, alterar o placar.
Por essas e outras, é fundamental ter um autêntico camisa 10 no time. Os gols saem, as torcidas ficam felizes... e é tão bonito vê-los jogar!
Valeu,
Bruno Porpetta
Hoje em dia, ele pode estar com qualquer número nas costas. Seja o 90, 87, 64, 33 ou 4.500.000. O camisa 10 não é um número às costas, é um estilo de jogo, é um personagem.
Ele é o responsável, na prática, por armar as jogadas de ataque. Fica um pouco atrás do ataque para observar a movimentação de seus atacantes e descobrir buracos na marcação adversária. Para isso, é preciso ter boa visão de jogo e um excelente passe.
Além disto, o camisa 10 é quem dita o ritmo do jogo. Para encontrar a melhor jogada de ataque, nem sempre dar mais velocidade ao jogo ajuda. Às vezes, diminuir o ritmo, segurar a bola e enfiar a bola no momento mais adequado é imprescindível.
O camisa 10 virou um artigo de luxo, em um futebol tão empobrecido de arte. Por isso, vê-los jogar é um privilégio a quem paga ingresso, e aos que não pagam também.
O motivo deste post foi a estreia de Seedorf no Botafogo.
Estádio cheio, muita expectativa, e uma boa perspectiva apesar da derrota.
Sim, camaradas! O Grêmio botou água no chope botafoguense.
Com uma marcação implacável, o time gaúcho dificultou a participação do time do Botafogo no ataque e, em especial, de Seedorf.
Mas se o holandês não pode ser efetivo, outro camisa 10 o foi.
O meia Zé Roberto, também recém-chegado ao Grêmio, fez uma belíssima partida e foi dele o passe para o gol de Marcelo Moreno, que definiu o confronto. Aliás, que passe!
Outra coisa, depois de um longo jejum, o centroavante boliviano desandou a fazer gols após a chegada de Zé Roberto. Compreensível. Quando as bolas chegam redondas, o atacante fica em melhores condições para finalizar e, consequentemente, alterar o placar.
Por essas e outras, é fundamental ter um autêntico camisa 10 no time. Os gols saem, as torcidas ficam felizes... e é tão bonito vê-los jogar!
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 19 de julho de 2012
A dor do "não"
Levar um fora sempre é de doer!
Quando estamos numa festa, olhamos para alguém e gentilmente nos aproximamos, apesar de considerarmos sempre a possibilidade da negativa, esta sempre dói um pouquinho. Claro, sempre esperamos uma resposta positiva e a frustração pelo contrário é inevitável.
Imaginem só quando, da resposta, depende nossa própria "sobrevivência". Este é o caso de Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo.
No futebol profissional, estamos habituados a saber de recusas de jogadores a ofertas dos clubes. Em geral, por motivos financeiros, ou estruturais.
O "não" de Riquelme ao Flamengo é, no mínimo, inusitado. Mas, fundamentalmente, desesperador para sua torcida e, em especial, para a presidenta-vereadora.
O craque argentino, última esperança do Fla em contar com um camisa 10 de renome internacional, negou a proposta do clube - a melhor proposta financeira, segundo seus empresários - por questões relacionadas estritamente ao futebol.
Riquelme assistiu ao jogo entre o Flamengo e o Corinthians, onde o rubro-negro foi vergonhosamente derrotado por 3 a 0, sem sequer ver a cor da bola, dentro de casa, diante de sua torcida, mesmo que esta tenha se colocado de costas durante a partida.
Ao ver o que viu, uma presa fácil para o Corinthians, sem nenhuma inspiração e diante de uma pressão enorme vinda das arquibancadas, declinou do convite e preferiu não meter a mão nessa cumbuca.
A agonia da torcida rubro-negra, após ver aquela exibição patética do time e sem esperanças por grandes contratações às vésperas do encerramento da janela de transferências internacionais, fica ainda maior e a pressão sobre jogadores, treinador e dirigentes beira o insuportável.
Pior está a situação de Patrícia Amorim.
Candidata a reeleição em duas frentes - no próprio clube e na Câmara Municipal do Rio -, enxergava na contratação de Riquelme uma última cartada em busca de um trunfo eleitoral para o fim do ano. Não foi desta vez, e provavelmente não será em nenhuma.
O desespero da dirigente, em ligação telefônica com Zinho (diretor profissional de futebol), revela o tanto de esperança que depositava em Riquelme para alavancar suas pretensões.
Como se a contratação do meia argentino "apagasse" os inúmeros equívocos cometidos até então, que alcançaram seu ápice na atabalhoada saída de Ronaldinho Gaúcho do clube, gerando uma dívida milionária e, no momento, impagável.
O resultado da desastrosa administração de Patrícia a frente do Flamengo é exatamente o que Riquelme assistiu ontem, e o fez desistir de aceitar a proposta rubro-negra. O time é um retrato fiel dos sucessivos erros da gestão, da acomodação de interesses de grupos políticos internos que passam longe dos reais interesses do clube, e da postura indolente dela própria nos momentos mais delicados.
Hoje, sobrou a Patrícia um enorme mico nas mãos. Com a pressão da torcida pela demissão de Joel, antes fritado pela direção e agora garantido no cargo por conta da alta multa rescisória que o Flamengo não é capaz de arcar, além da ausência de grandes jogadores, exceção feita a Vágner Love, sua situação é bastante delicada e sua reeleição, em ambos os cargos, depende única e exclusivamente de uma estratégia política baseada em acordos bastante frágeis.
Para a presidência do Flamengo, Patrícia terá que reeditar a composição entre grupos internos, que já não parecem tão dispostos a isto, além de usar o discurso das "piscinas". Quando o futebol vai mal, só as "piscinas" podem sensibilizar os sócios do clube. A pressão externa, diante do tamanho do Flamengo, pode inviabilizar esta estratégia.
Já na Câmara Municipal, onde os eleitores são, em grande medida, torcedores dos clubes da cidade, para os do Flamengo, ela já não convence, e para os outros, menos ainda. Vascaínos, tricolores e botafoguenses torcem, somente, para que ela se reeleja no Flamengo, nada mais que isso.
Haja cloro pra limpar a barra dela...
Valeu,
Bruno Porpetta
Quando estamos numa festa, olhamos para alguém e gentilmente nos aproximamos, apesar de considerarmos sempre a possibilidade da negativa, esta sempre dói um pouquinho. Claro, sempre esperamos uma resposta positiva e a frustração pelo contrário é inevitável.
Riquelme faz cara feia pro futebol do Flamengo
Imaginem só quando, da resposta, depende nossa própria "sobrevivência". Este é o caso de Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo.
No futebol profissional, estamos habituados a saber de recusas de jogadores a ofertas dos clubes. Em geral, por motivos financeiros, ou estruturais.
O "não" de Riquelme ao Flamengo é, no mínimo, inusitado. Mas, fundamentalmente, desesperador para sua torcida e, em especial, para a presidenta-vereadora.
O craque argentino, última esperança do Fla em contar com um camisa 10 de renome internacional, negou a proposta do clube - a melhor proposta financeira, segundo seus empresários - por questões relacionadas estritamente ao futebol.
Riquelme assistiu ao jogo entre o Flamengo e o Corinthians, onde o rubro-negro foi vergonhosamente derrotado por 3 a 0, sem sequer ver a cor da bola, dentro de casa, diante de sua torcida, mesmo que esta tenha se colocado de costas durante a partida.
Ao ver o que viu, uma presa fácil para o Corinthians, sem nenhuma inspiração e diante de uma pressão enorme vinda das arquibancadas, declinou do convite e preferiu não meter a mão nessa cumbuca.
A agonia da torcida rubro-negra, após ver aquela exibição patética do time e sem esperanças por grandes contratações às vésperas do encerramento da janela de transferências internacionais, fica ainda maior e a pressão sobre jogadores, treinador e dirigentes beira o insuportável.
Pior está a situação de Patrícia Amorim.
Candidata a reeleição em duas frentes - no próprio clube e na Câmara Municipal do Rio -, enxergava na contratação de Riquelme uma última cartada em busca de um trunfo eleitoral para o fim do ano. Não foi desta vez, e provavelmente não será em nenhuma.
O desespero da dirigente, em ligação telefônica com Zinho (diretor profissional de futebol), revela o tanto de esperança que depositava em Riquelme para alavancar suas pretensões.
Como se a contratação do meia argentino "apagasse" os inúmeros equívocos cometidos até então, que alcançaram seu ápice na atabalhoada saída de Ronaldinho Gaúcho do clube, gerando uma dívida milionária e, no momento, impagável.
O resultado da desastrosa administração de Patrícia a frente do Flamengo é exatamente o que Riquelme assistiu ontem, e o fez desistir de aceitar a proposta rubro-negra. O time é um retrato fiel dos sucessivos erros da gestão, da acomodação de interesses de grupos políticos internos que passam longe dos reais interesses do clube, e da postura indolente dela própria nos momentos mais delicados.
Hoje, sobrou a Patrícia um enorme mico nas mãos. Com a pressão da torcida pela demissão de Joel, antes fritado pela direção e agora garantido no cargo por conta da alta multa rescisória que o Flamengo não é capaz de arcar, além da ausência de grandes jogadores, exceção feita a Vágner Love, sua situação é bastante delicada e sua reeleição, em ambos os cargos, depende única e exclusivamente de uma estratégia política baseada em acordos bastante frágeis.
Para a presidência do Flamengo, Patrícia terá que reeditar a composição entre grupos internos, que já não parecem tão dispostos a isto, além de usar o discurso das "piscinas". Quando o futebol vai mal, só as "piscinas" podem sensibilizar os sócios do clube. A pressão externa, diante do tamanho do Flamengo, pode inviabilizar esta estratégia.
Já na Câmara Municipal, onde os eleitores são, em grande medida, torcedores dos clubes da cidade, para os do Flamengo, ela já não convence, e para os outros, menos ainda. Vascaínos, tricolores e botafoguenses torcem, somente, para que ela se reeleja no Flamengo, nada mais que isso.
Haja cloro pra limpar a barra dela...
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Merecido luto
Morreu, aos 71 anos, Jon Lord.
O tecladista "só" era fundador do Deep Purple, e um dos poucos músicos que admirei que se "aposentou".
A este gênio dos teclados, nem um minuto de silêncio. Muito pelo contrário!
Valeu,
Bruno Porpetta
O tecladista "só" era fundador do Deep Purple, e um dos poucos músicos que admirei que se "aposentou".
A este gênio dos teclados, nem um minuto de silêncio. Muito pelo contrário!
Valeu,
Bruno Porpetta
Brincando de polícia e... doente
Não basta o "iluminado" Sergio Cabral Filho querer derrubar o IASERJ (o Hospital do Servidor Estadual do Rio de Janeiro), eliminando o único hospital geral da região central da cidade, que apesar de "exclusivo" aos servidores públicos estaduais, atende a milhares de pessoas pelo SUS. O protótipo de Führer ainda envia a Tropa de Choque da Polícia Militar, durante a madrugada, para retirar cerca de 70 pacientes internados.
O IASERJ atende a mais de 40 especialidades, e será substituído por mais uma unidade do INCA (Instituto Nacional do Câncer), do Governo Federal. O INCA merece mais uma dezena de unidades, desde que estas não sejam simples substituições de hospitais mais abrangentes que atendem a parcelas significativas da população, que não tem pra onde correr.
Os servidores do hospital ainda resistem, mas o estado do Rio de Janeiro, além do município, andam tão policialescos que se verifica um quadro alarmante de resquícios fascistas na duplinha Cabral-Paes. Não há nada em que a força policial não seja acionada, e ela não costuma ser muito elegante no trato com as pessoas.
Esta idolatria criada em torno das fardas militares é preocupante, e mais preocupante ainda é ver isto pegando na classe média, tal como pegou nas imediações do ano de 1964.
No popular, diz-se: "Errar é humano, repetir o erro é burrice!".
Ou um pouquinho mais acadêmico: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa." (Karl Marx)
Taí um belo exemplo onde o povão e a intelectualidade acertam na mosca!
Valeu,
Bruno Porpetta
O IASERJ atende a mais de 40 especialidades, e será substituído por mais uma unidade do INCA (Instituto Nacional do Câncer), do Governo Federal. O INCA merece mais uma dezena de unidades, desde que estas não sejam simples substituições de hospitais mais abrangentes que atendem a parcelas significativas da população, que não tem pra onde correr.
Os servidores do hospital ainda resistem, mas o estado do Rio de Janeiro, além do município, andam tão policialescos que se verifica um quadro alarmante de resquícios fascistas na duplinha Cabral-Paes. Não há nada em que a força policial não seja acionada, e ela não costuma ser muito elegante no trato com as pessoas.
Esta idolatria criada em torno das fardas militares é preocupante, e mais preocupante ainda é ver isto pegando na classe média, tal como pegou nas imediações do ano de 1964.
No popular, diz-se: "Errar é humano, repetir o erro é burrice!".
Ou um pouquinho mais acadêmico: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa." (Karl Marx)
Taí um belo exemplo onde o povão e a intelectualidade acertam na mosca!
Valeu,
Bruno Porpetta
sábado, 14 de julho de 2012
Para não passar em branco... parabéns para nós!
Devido à correria de campanha, só agora vai uma singela homenagem ao dia do rock.
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
O meu, o seu, o nosso dia! Todo dia!
Valeu,
Bruno Porpetta
Assinar:
Postagens (Atom)






