Esta noite foi espetacular!
De repente, cinco torcidas de cinco gigantes do futebol brasileiro passaram os últimos 15 minutos desta quarta-feira vidradas, em pânico absoluto.
O São Paulo por um gol de cair fora da Sul-Americana. O Cruzeiro a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Santos a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Atlético-MG a um gol de cair fora da Copa do Brasil. O Flamengo a um gol de cair fora da Copa do Brasil.
Respiraram aliviadas as torcidas do São Paulo, do Cruzeiro e do Galo. Santistas e rubro-negros voltam para casa chorando.
Quanto aos santistas, não tenho muito o que falar. Caíram para o melhor time do Brasil e de forma digna.
Vou tratar do meu quintal. Vou falar, especificamente, do único time que não quis jogar futebol nesta quarta-feira. Vou falar do Flamengo.
Futebol é um esporte tão maravilhoso, tão apaixonante, que talvez uma das grandes frustrações da minha vida foi não ter talento suficiente pra viver jogando futebol. Nem talento, nem equilíbrio emocional para ser profissional e vestir outra camisa que não fosse a do Flamengo.
Respeito quem conseguiu.
Pois bem. É tão maravilhoso que eu não consigo entender como quase um time todo consegue passar 90 minutos sem jogá-lo.
Não vou me ater, inicialmente, à escalação do time. Obra daquele que, a meu ver, foi quem mais errou nesta noite. O "pofexô".
O jogo de futebol é bom para quem tem a bola. Ainda assim é possível ter menos a bola e jogar bem, se a proposta for mais defensiva. Mas para isso é preciso ter alguma válvula de escape da defesa para o ataque.
A falta de um passador no primeiro tempo que colocasse os mais rápidos para puxar o contra-ataque e a ausência dos mais rápidos no segundo tempo foram determinantes para que o time não saísse de trás da linha do meio-campo.
Aliás, este é outro ponto. O jogo se ganha no meio-campo. Se você não consegue sequer segurar a bola por ali, você está perdido.
Não se abre mão da bola e de dois terços do campo ao mesmo tempo impunemente.
Aí passamos aos "destaques" individuais.
Eduardo da Silva NUNCA poderia dar um toque de letra antes da linha do meio-campo com a defesa toda saindo, era hora de dominar a bola e escolher a melhor jogada. Tinha espaço para isso.
Os laterais não podem ser driblados o tempo todo como foram. Estes, ao menos, tem atenuantes. O Léo jogou uma partida e meia no Brasileirão, passou boa parte do ano no departamento médico. João Paulo é ruim mesmo.
As substituições foram um fiasco. Quem é Elton? Quem é Matheus? O que fazem? Como se reproduzem? Com a palavra, Sérgio Chapelin...
No entanto, como disse anteriormente, Luxemburgo foi quem mais errou.
Samir é titular deste time até com câncer no esôfago. As substituições foram descabidas. Ele estava nervoso demais e, por consequência, o time também. As pixotadas da defesa e a incapacidade de manter a bola nos pés nos faziam pensar que o Atlético estava classificado desde o primeiro tempo, uma questão puramente emocional.
O trabalho de Luxemburgo foi pro vinagre? Não. Mas é preciso reconhecer que ele não está entre os grandes treinadores da atualidade. O seu trabalho foi importante pra sair da confusão, mas ninguém passa 10 anos sem vencer títulos nacionais à toa. Até a Copa do Brasil ficou grande demais pra ele.
Pois bem. Agora é juntar os cacos, levantar a cabeça e, temporariamente, mudar um pouco de assunto.
Aliás, a final da Copa do Brasil nos traz um fator interessante. Muito anda se falando em terceiro turno das eleições. Aécio é Cruzeiro, Dilma é Galo.
O Flamengo deve ser a Marina, neste raciocínio.
Para não dizer que esqueci de mim mesmo, paguei pela minha soberba. Se estivesse no Irã, mereceria umas 120 chibatadas por cantar vitória antes da hora. E não dá pra dizer que não me alertaram do risco que eu corria... né, Gustavo?
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Confusão
Vanderlei Luxemburgo, pode não
ser mais o melhor treinador do Brasil, mas está no topo dos melhores frasistas,
junto com Joel Santana, do nosso futebol pós-Neném Prancha.
Essa história da confusão no
Flamengo foi genial. Acabou virando sinônimo de zona do rebaixamento,
transformando o mesmo em expressão proibida na Gávea. De repente, todos os
jogadores compraram a ideia e saíram por aí dizendo que o negócio era sair da
confusão.
Daí a pegar na imprensa
esportiva, foi um pulo. A confusão se tornou um imediato sucesso de público,
crítica e, principalmente, bola. O Flamengo virou outro, sem a pressão da
palavra rebaixamento e sabendo exatamente quais eram suas pretensões.
Assim, de forma leve, o Flamengo chegou
longe na Copa do Brasil. Mas é bom que se diga que a redução do preço dos
ingressos ajudou a devolver o time para os braços de sua torcida. E Luxemburgo
teve um papel importante, inclusive, neste aspecto.
Mas nem todo mundo quer sair da
confusão. O Botafogo parece chafurdar, cada vez mais, nela. Graças às inúmeras
trapalhadas de sua diretoria, o clube parece fadado a ocupar o lugar do Vasco,
que vai subir.
Ao menos, o alvinegro de General
Severiano economizará algum dinheiro de avião, indo de ônibus para Macaé. O
Vasco torce para que as eleições no clube passem logo e que alguém assuma o
clube de uma vez por todas.
Outros acham uma confusão boa
para se meter, como a das vagas na Libertadores. Há algumas rodadas atrás, até
mesmo alguns tricolores resolveram jogar a toalha, mas com quatro vitórias
seguidas o time volta a brigar.
Resumindo, dá pra achar confusão
em qualquer ponta da tabela. O campeonato está embolado e confusão é o que não
falta. O Flamengo, não só se livrou de uma, como também não se envolveu nas
outras.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Ponta esquerda
Na Copa de 82, ficou famoso um
personagem humorístico interpretado por Jô Soares chamado Zé da Galera. O dito
cujo sacaneava o treinador Telê Santana, colocando em suas falas o bordão “Bota
ponta, Telê!”.
Aquela época era o ocaso do
ponteiro, que fez parte dos esquemas táticos do futebol até os anos 70. Embora,
desde 58, o ponta esquerda já compunha mais a marcação no meio-campo da seleção
brasileira. O sujeito em questão era Zagallo.
Com a chegada dos anos 80 e a
necessidade de ter mais marcadores atrás da linha de ataque, os pontas
começaram a desaparecer.
O futebol foi mudando ao longo do
tempo. Por muito tempo, ficou mais chato. Sem os pontas, a linha de fundo virou
quase um território proibido. Quase não se pisava por ali.
Aí veio o Barcelona de Guardiola,
que por marcar e trocar passes no campo de ataque, percebeu que não podia se
confinar na intermediária. Alguém teria que ir à linha de fundo.
Foi o retorno do ponta. Não
exatamente com as mesmas funções de antigamente, mas estava lá.
Hoje, os pontas, além de ir à
linha de fundo, voltam para marcar a saída dos laterais. Os atacantes abertos
pelos lados do campo foram fundamentais para dar mais graça ao futebol atual.
Ou seja, redescobriu-se que o
futebol é a arte da ocupação de espaços. Quase um xadrez de peças “malemolentes”.
Este é o centro da discussão mais inevitável do momento: as eleições
presidenciais.
No segundo turno, cada um correu
para a ponta do ataque onde se sentiu mais à vontade para jogar. Dilma foi à
esquerda, Aécio à direita.
Na defesa adversária, FHC, o
lateral-direito, dava várias pixotadas. O jogo era por ali, pela
ponta-esquerda.
A estratégia deu certo. A vitória
veio pela esquerda.
Para governar, é hora de entender
o recado que o Brasil deu: “Bota ponta-esquerda, Dilma!”.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Mais cômicos do que nunca
Os amigos de Aécio que dirigem o
futebol brasileiro não se cansam de tirar uma onda com a nossa cara. Só podem
ser humoristas, brincalhões, piadistas de mão cheia.
Não faz muito tempo, fomos
humilhados dentro de casa com uma vergonhosa goleada por 7 a 1 aplicada pela
Alemanha em plena capital mineira. Por muito menos do que isso, o goleiro
Barbosa foi crucificado por 64 anos. Cada gol da Alemanha serviu para redimir o
goleiro da Copa de 50.
Pois bem. Terminada a Copa de
2014, a CBF – tal como um vira-latas cheio de pulgas e carente de atenção –
solicitou à Federação Alemã datas para uma “revanche”. Aliás, nem isso a CBF
faz. Uma empresa chamada Pitch é a responsável por marcar os amistosos da
seleção, em uma escandalosa terceirização de tarefas.
A Alemanha negou, pois já tem
ocupadas todas as datas FIFA em 2015. O Brasil, ainda não. Nestas datas, o
campeonato alemão vai parar para que seus jogadores disputem os amistosos por
suas seleções. No Brasil, não.
Essa excrescência provoca
situações bizarras como as do atacante Diego Tardelli e do goleiro Jefferson,
que jogaram na terça em Cingapura contra o Japão.
O primeiro esteve em campo na
quarta-feira em BH e, graças à classificação do Galo às semifinais da Copa do
Brasil, se tornou herói. Já o segundo, deveria estar em campo na quinta, no
Pacaembu. Não jogou e virou vilão para dirigentes e comissão técnica do
Botafogo. Ambos vinham de 26 horas de vôo.
É inegável que o Brasil jogou bem
contra a Argentina e que Neymar arrasou o Japão, como se fosse ele próprio uma
bomba atômica. Daí a sermos “mais respeitados do que nunca”, como disse Marin,
não é só um exagero. É um escárnio!
Parece que combinam tudo antes.
Marin lança uma piada dessas, vem o Del Nero e emenda dizendo que os alemães “não
querem enfrentar o Brasil”.
É pra rir?
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Cotidiano
O leitor já deve estar cansado de
ler sobre o Botafogo nesta coluna. Entendo, mas é necessário.
A “margarida” que atende pelo
nome de Maurício Assumpção, presidente desta instituição centenária e que
transformou o cargo no maior exemplo de funcionário fantasma do país, resolveu
aparecer.
Chamou uma coletiva de imprensa
e, no que deveria ser um pedido de desculpas aos torcedores do clube por
tamanha incompetência, demitiu quatro referências técnicas do elenco alvinegro.
Sheik, Bolívar, Julio César e
Edílson foram dispensados por razões “técnicas” pelo sujeito. Segundo ele, o
desempenho deles em campo está aquém do quanto falam fora dele.
Cá entre nós, imagina se o seu
patrão deixa de te pagar por meses. O que você faria? Que motivação encontraria
para trabalhar?
A resposta para a primeira
pergunta é simples. Greve! Nada menos do que isso para lidar com caloteiros.
Para a segunda, seria muito difícil trabalhar com disposição.
Esta situação no Botafogo se
repete desde o ano passado, onde esses heróis que lá jogam conseguiram
recolocar o clube na Libertadores da América. O time vem sendo desmontado pouco
a pouco, ainda assim os caras jogam e, às vezes, conseguem resultados
improváveis.
Com cada vez menos jogadores no
elenco, é natural que o time fique pior e flerte com o rebaixamento mais do que
qualquer outro objetivo. Além disso, quem fica não recebe.
O eclíptico presidente coloca o
Botafogo ainda mais entre os favoritos a uma vaga na série B. É um desrespeito
com os torcedores e com o próprio elenco, que tinha nos quatro demitidos vozes
mais ativas contra os desmandos do sumido.
Quem é o
próximo na lista de dispensas? O Jefferson?
A torcida do Botafogo ora pelas
almas de Garrincha e Nilton Santos, desejando que o próximo a receber o bilhete
azul seja o próprio Assumpção.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Tá tudo errado
Duas situações envolvendo o
Botafogo demonstram a inversão de valores no futebol brasileiro. Uma delas nos
tribunais, tão ou mais decisivos que os craques dentro de campo ultimamente. A
outra, entre goles de cerveja e suculentos pedaços de carne, linguiças e
drumetes.
O STJD julgou os casos de Emerson
Sheik, que reclamou da arbitragem no jogo com o Bahia e disparou contra a CBF
na saída do campo, e Airton, por pisar a cabeça de Pato na partida o São Paulo.
Sheik foi absolvido pelas
críticas à CBF, mas pegou quatro jogos de suspensão por ofensas ao árbitro.
Airton pegou dois jogos de gancho pela agressão. No mesmo julgamento, o meia
Valdívia pegou também dois jogos pelo pisão em Amaral, no confronto entre
Palmeiras e Flamengo.
Para o STJD ofender o árbitro é mais
grave que pisar na cabeça de um companheiro de profissão. Para os jogadores
fica a lição: melhor arrebentar alguém que se dirigir ofensivamente ao Deus
todo-poderoso vestido de preto.
Nossa arbitragem, que anda de mal
a pior, só falta ser condecorada pelos serviços prestados ao futebol. Após o
jogo entre Santos e Goiás, onde os “castanheiras” não viram um gol esmeraldino
onde entre a bola e a linha do gol cabia uma carreta, estes novos personagens
do futebol foram alçados à condição de árbitros.
Deixam de prejudicar o jogo da
linha de fundo e passam a fazer dentro do campo o que a pomba faz nos fios de
alta tensão.
A outra situação aconteceu no
churrasco do aniversariante Maurício Assumpção, presidente do Botafogo.
Os salários dos jogadores atrasam
e Jefferson vai a público dizer que, para fugir do rebaixamento, o time só pode
contar consigo mesmo, a comissão técnica e a torcida. Assumpção bebe, come e
ri. Chorar e sofrer, só na frente da Presidenta Dilma.
A cartolagem brasileira não
merece sequer um pão dormido.
Valeu,
Bruno Porpetta
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Tempos sinistros
Emerson Sheik, por qualquer razão
que se possa imaginar, expôs o quanto a CBF coloca nossa democracia à prova,
retomando medos de outros tempos, quando falar o que se pensava era tratado
como crime contra a segurança nacional.
Não importa se Sheik está “politizando”
suas férias ou se acaba, involuntariamente, tornando-se uma liderança em um
processo de questionamentos à CBF que se iniciou com o Bom Senso FC. Deve-se
considerar, inclusive, a possibilidade de um processo coletivo arquitetado pelo
próprio movimento, utilizando-se de novas figuras, como Sheik e Ganso.
O mais importante é falar e,
principalmente, poder falar. Foi por este, e outros direitos, que muitos
tombaram. Foram torturados, mortos e seus cadáveres foram ocultados, negando a
suas famílias a simples chance de enterrá-los.
Nada que não vivemos nas favelas
e periferias do país nos dias de hoje, mas existe um especial simbolismo nas
mortes da ditadura militar. Uma referência em desrespeito aos direitos humanos.
Dentre as inúmeras similaridades
que temos entre o presente e o passado, uma delas é o cerceamento ao direito de
expressar suas opiniões. Por mais infames que possam ser, devem ser todas
ditas.
A hipótese da punição a Emerson,
já cogitada instantaneamente quando o atacante foi às câmeras de TV dizer que a
CBF era uma vergonha, é um resquício muito grande destes tempos que ninguém
nunca enterrará. A naturalização desta ideia é perigosíssima.
Uma coisa é a falta que provocou
sua expulsão na partida. Por esta, ainda dá uma discussão. Pelo desabafo,
nenhuma repreensão deve ser considerada normal.
Não é a toa que, ultimamente, vem
ganhando força uma turma que adora deveres, mas tem pouco apreço por direitos,
falando em “família”, “valores” e “moral”.
Que Deus nos proteja, mas que
façamos por onde.
Valeu,
Bruno Porpetta
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