Enquanto escrevo, o Atlético-PR decide sua vida na Libertadores, a 3600 metros acima do nível do mar, contra o The Strongest (ainda se fosse o mais fraco...), e Adriano começa a partida.
É inegável que possuo uma admiração singular pelo Imperador. Cria da Gávea, ganhou o mundo, voltou e me deu um Brasileiro de presente. Como posso não amá-lo?
Exemplo da mais genuína tradição de craques do Brasil. Temperamental (palavra usada para evitar o "maluco"), habilidoso, de origem pobre.
Mesmo que suas entrevistas sejam moldadas por cuidadosos assessores de imprensa, suas atitudes fora de campo são dignas de inveja. Ninguém no futebol atual é tão autêntico quanto Adriano. Ele é favelado, e é na favela que ele se encontra.
A propósito, Adriano foi decisivo para um reencontro da torcida do Flamengo com sua própria origem. Na favela! Toda a chamada "molambada" cantando a favela.
Quem diz que a favela é um problema na vida de Adriano o faz por ódio de classe. O problema na vida de Adriano é, na verdade, a Barra da Tijuca!
Adriano ficou rico! E assim, atraiu todo tipo de gente em torno de si. Inclusive playboys da Barra, um mundo ao qual ele não pertence. Mas esta necessidade de pertencimento é que detona o Adriano.
Muita gente não acredita, mas se Adriano quer voltar a ser um jogador de futebol profissional, tem plenas condições para tal. Indo à favela. Sem ela, Adriano não é nada.
Torço pelo dia em que o nome de Adriano esteja entre os destaques do Campeonato Brasileiro. Quem sabe já em 2014?
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 8 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
Que coisa, né Sr. Rubens?
Em meio a troca de farpas entre o "aclamado" Rubens Lopes, presidente da distinta FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), e o Bom Senso FC, não é que o Botafogo - um dos gigantes do Rio - pode estar prestes a entrar em greve?
Segundo o FutDados, até a penúltima rodada da Taça Guanabara, o Botafogo tinha acumulado um prejuízo de R$ 70 mil. O mesmo Botafogo que, na "eleição" da FERJ, convocou a "aclamação" para a reeleição de Rubens Lopes, ignorando as posições contrárias de Flamengo, Fluminense e Vasco.
O mesmo Botafogo que outrora prometeu pagar o que deve a seus jogadores antes de quarta-feira, mas emitiu depois um comunicado avisando que não teria previsão para pagá-los.
Este Botafogo que, às vésperas de uma partida decisiva pela Libertadores (cujo privilégio foi evidente neste início de temporada), tem seus jogadores organizando um movimento para reivindicar o óbvio: seus salários em dia.
Hoje são só 30 minutos sem fazer nada, no meio de campo, conversando sobre os próximos passos. Desde o ano passado que o time não concentra antes dos jogos. Ou seja, não é um problema tão recente. Mas quais serão os próximos passos?
O torcedor deposita suas esperanças no jogo contra o Unión Española, na quarta-feira. Mas não tem certeza se o time vai treinar para tal.
Se eu der um palpite, direi que o time deve fazer algo mais consistente depois da classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Ou seja, após vencer o Unión Española, que garante, inclusive, a primeira colocação no grupo.
Mas voltando ao tema lá de cima, acho sintomático que o único gigante do Rio a "aclamar" Rubens Lopes esteja passando por uma situação dessas. O Botafogo é a prova cabal que os estaduais devem mudar. E mudar para melhorar a situação dos clubes - grandes e pequenos - ao invés de melhorar a situação de um punhado de dirigentes.
Ou você acha que o Sr. Rubens ganha sozinho com este circo?
Viva o Bom Senso FC!
Valeu,
Bruno Porpetta
Segundo o FutDados, até a penúltima rodada da Taça Guanabara, o Botafogo tinha acumulado um prejuízo de R$ 70 mil. O mesmo Botafogo que, na "eleição" da FERJ, convocou a "aclamação" para a reeleição de Rubens Lopes, ignorando as posições contrárias de Flamengo, Fluminense e Vasco.
O mesmo Botafogo que outrora prometeu pagar o que deve a seus jogadores antes de quarta-feira, mas emitiu depois um comunicado avisando que não teria previsão para pagá-los.
Este Botafogo que, às vésperas de uma partida decisiva pela Libertadores (cujo privilégio foi evidente neste início de temporada), tem seus jogadores organizando um movimento para reivindicar o óbvio: seus salários em dia.
Hoje são só 30 minutos sem fazer nada, no meio de campo, conversando sobre os próximos passos. Desde o ano passado que o time não concentra antes dos jogos. Ou seja, não é um problema tão recente. Mas quais serão os próximos passos?
O torcedor deposita suas esperanças no jogo contra o Unión Española, na quarta-feira. Mas não tem certeza se o time vai treinar para tal.
Se eu der um palpite, direi que o time deve fazer algo mais consistente depois da classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Ou seja, após vencer o Unión Española, que garante, inclusive, a primeira colocação no grupo.
Mas voltando ao tema lá de cima, acho sintomático que o único gigante do Rio a "aclamar" Rubens Lopes esteja passando por uma situação dessas. O Botafogo é a prova cabal que os estaduais devem mudar. E mudar para melhorar a situação dos clubes - grandes e pequenos - ao invés de melhorar a situação de um punhado de dirigentes.
Ou você acha que o Sr. Rubens ganha sozinho com este circo?
Viva o Bom Senso FC!
Valeu,
Bruno Porpetta
domingo, 16 de março de 2014
À disposição
Meus caros e minhas caras, finalmente tô de volta!
Apesar de merecer 120 chibatadas por tamanha ausência do blog (podem deixar que eu mesmo me flagelo), enfim retorno, após defender monografia, passar carnaval, entre outras tantas coisas.
Voltei impelido pela aposentadoria de Rivaldo.
Este cara é vítima de uma das maiores injustiças da história do nosso futebol. As lembranças sobre o papel dele no pentacampeonato, em 2002, por parte da imprensa esportiva são sempre colaterais. Ele foi o maior jogador daquela seleção.
Não que Ronaldo não tenha jogado muito, mas ao elegê-lo como o "melhor jogador" daquele ano, tanto a FIFA quanto a mídia demonstram que não entendem nada de futebol.
Rivaldo não teve tanto apelo midiático, nunca foi o bonitinho da parada, nem o das melhores entrevistas. Ficou relegado a um injusto segundo plano. Devia ter uma estátua em algum lugar por onde passou, seja em Barcelona, ou no Palmeiras, ou em Mogi Mirim.
Como tantos outros, perdeu um pouco o timing de parar. Talvez porque esperasse por todos estes anos pelo justo reconhecimento que não teve. Ele não precisava disso.
Ao menos nós, que gostamos e entendemos um "cadinho" de futebol, prestemos todas as homenagens a este grande craque da nossa seleção. Ele merece!
Pra dar sentido ao título
Outro papo que eu gostaria de levar com vocês é sobre o Bolívar, time boliviano que enfrentou o Flamengo de "igual para igual" no Maracanã, na última quarta-feira.
Discordo da avaliação de alguns (muitos, quase todos) que o Bolívar é um timeco.
São necessários três quesitos para se chegar a uma vitória: técnica, tática e disposição.
O Flamengo foi superado pelo Bolívar em dois, a tática e a disposição. É inegável que na técnica o Flamengo é superior, mas ela tem sido cada vez mais o "patinho feio" dos três quesitos.
Futebol, hoje em dia, se ganha principalmente na disposição, que sobrou aos bolivianos e faltou ao Flamengo.
Esperamos que o Flamengo se vire lá no alto pra recuperar os pontos perdidos no Maracanã.
Valeu,
Bruno Porpetta
Apesar de merecer 120 chibatadas por tamanha ausência do blog (podem deixar que eu mesmo me flagelo), enfim retorno, após defender monografia, passar carnaval, entre outras tantas coisas.
Voltei impelido pela aposentadoria de Rivaldo.
Este cara é vítima de uma das maiores injustiças da história do nosso futebol. As lembranças sobre o papel dele no pentacampeonato, em 2002, por parte da imprensa esportiva são sempre colaterais. Ele foi o maior jogador daquela seleção.
Não que Ronaldo não tenha jogado muito, mas ao elegê-lo como o "melhor jogador" daquele ano, tanto a FIFA quanto a mídia demonstram que não entendem nada de futebol.
Rivaldo não teve tanto apelo midiático, nunca foi o bonitinho da parada, nem o das melhores entrevistas. Ficou relegado a um injusto segundo plano. Devia ter uma estátua em algum lugar por onde passou, seja em Barcelona, ou no Palmeiras, ou em Mogi Mirim.
Como tantos outros, perdeu um pouco o timing de parar. Talvez porque esperasse por todos estes anos pelo justo reconhecimento que não teve. Ele não precisava disso.
Ao menos nós, que gostamos e entendemos um "cadinho" de futebol, prestemos todas as homenagens a este grande craque da nossa seleção. Ele merece!
Pra dar sentido ao título
Outro papo que eu gostaria de levar com vocês é sobre o Bolívar, time boliviano que enfrentou o Flamengo de "igual para igual" no Maracanã, na última quarta-feira.
Discordo da avaliação de alguns (muitos, quase todos) que o Bolívar é um timeco.
São necessários três quesitos para se chegar a uma vitória: técnica, tática e disposição.
O Flamengo foi superado pelo Bolívar em dois, a tática e a disposição. É inegável que na técnica o Flamengo é superior, mas ela tem sido cada vez mais o "patinho feio" dos três quesitos.
Futebol, hoje em dia, se ganha principalmente na disposição, que sobrou aos bolivianos e faltou ao Flamengo.
Esperamos que o Flamengo se vire lá no alto pra recuperar os pontos perdidos no Maracanã.
Valeu,
Bruno Porpetta
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
De que lado você samba?
O dia 16 de dezembro de 2013 é uma data marcada por mais uma morte do futebol brasileiro.
Um país cujo campeonato é, mais uma vez, decidido nos tribunais.
Diferentemente do italiano, onde as relações que levaram ao rebaixamento da Juventus e deram o título a Inter de Milão eram criminosas e quem arbitrou sobre a questão foi a justiça comum, aqui temos um tribunal corporativo que se move ao sabor do vento que sopra mais forte.
É inegável que, do ponto de vista legal, a Portuguesa cometeu um equívoco primário que acabou por lhe tirar os pontos e a permanência na primeira divisão.
Da mesma forma que, falando em peso político, o Fluminense possui muito mais que a Portuguesa.
Pois bem, este post não é pra qualquer pessoa.
Quem me conhece, sabe que sou comunista. Desses chatos que não gostam de shopping center, McDonalds e outros símbolos do capitalismo, embora muitas vezes por motivos mais torpes que as teorias marxistas.
Gostaria de falar aos comunistas, aos que sonham com outra sociedade, aos que sabem que o estrito cumprimento das leis - feitas por aqueles a quem costumeiramente combatemos - favorecem aos poderosos, à legitimação da ordem hegemônica. Resumindo, à opressão de classe que dizemos lutar contra.
Sob a batuta da lei, massacramos os povos originários do Brasil. Porque, afinal de contas, as propriedades portuguesas estavam assim determinadas.
De acordo com a lei, negros e negras viveram em condições sub-humanas nas senzalas, trabalhando de sol a sol para os senhores da casa grande, sendo vendidos, trocados, devolvidos, como se fossem pedaços de carne que deterioram ao relento. Tava lá, escritinho no nosso caderno supremo de normas que nos regiam.
Pela lei, esses "vagabundos" do MST devem ser retirados à força das terras ocupadas (ou poderíamos dizer invadidas?) porque nossa constituição coloca a propriedade (mesmo concentrada nas mãos de poucos) no mesmo patamar da vida. Não tem o que discutir, é lei!
O aborto é crime, tá na lei! Homofobia pode, porque não tá!
Esta semana vi várias daquelas frases clássicas sobre direito, justiça... Acho que este ponto nós precisamos voltar a estudar. Lutamos pelo direito ou por justiça?
A frase que me chamou mais atenção sem sequer ser publicada nesta semana foi:
"Aos amigos, tudo! Aos inimigos..." Olha ela aí de novo!
Para concluir (nos três minutos de vossa atenção que toda reunião, de forma protocolar, me dá), o que aconteceu hoje está absolutamente dentro da lei.
O que, para nós comunistas, não devia significar absolutamente nada!
Aliás, em outros tempos, ser comunista também foi ilegal...
Valeu,
Bruno Porpetta
P.S.: Este post está recheado de fotos do "estrito cumprimento da lei".
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Minhas conclusões
Depois de tudo o que eu já li a respeito, finalmente cheguei a uma conclusão sobre o julgamento de segunda-feira no STJD.
Transcrevo abaixo uma declaração do Procurador Geral do STJD, Paulo Schmitt, em 2010:
"Não acredito que haja condição moral, disciplinar, até (de tirar os pontos do Fluminense). Pode ter (condição) técnica. Técnica, jurídica, com base em uma jurisprudência. Mas moralidade… rediscutir o título que foi conquistado no campo de jogo, da forma como foi, agora, abrindo um precedente… Essa decisão poderia ser em algum momento revista, mas isso seria um caos."
Pau que bate em Chico, bate em Francisco.
Fluzão, pode passar no banco!
Valeu,
Bruno Porpetta
Transcrevo abaixo uma declaração do Procurador Geral do STJD, Paulo Schmitt, em 2010:
"Não acredito que haja condição moral, disciplinar, até (de tirar os pontos do Fluminense). Pode ter (condição) técnica. Técnica, jurídica, com base em uma jurisprudência. Mas moralidade… rediscutir o título que foi conquistado no campo de jogo, da forma como foi, agora, abrindo um precedente… Essa decisão poderia ser em algum momento revista, mas isso seria um caos."
Pau que bate em Chico, bate em Francisco.
Fluzão, pode passar no banco!
Valeu,
Bruno Porpetta
Fósforo no posto de gasolina
Você sabia que o Cruzeiro escalou o goleiro reserva Elisson, contra o Vasco, no dia 23 de novembro de 2011, de forma irregular, sendo punido pelo artigo 214 caput do CBJD (o mesmo pelo qual a Portuguesa está sendo enquadrada) e foi multado em 10 mil reais?
Ou seja, é possível aplicar a lei e preservar o esporte.
Basta querer.
Valeu,
Bruno Porpetta
Ou seja, é possível aplicar a lei e preservar o esporte.
Basta querer.
Valeu,
Bruno Porpetta
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Era pra ser sarro, mas virou filosofia
Um cara como eu, rubro-negro, deveria estar postando os inúmeros memes da internet tratando da quitação de dívida do Fluminense com a famigerada série B.
Não digo que não o fiz, em algum momento, mas o que era doce se acabou.
Vou mandar a real, só a Portuguesa vai se dar mal neste julgamento no STJD.
Quanto ao Flamengo, o STJD tem que ter peito de aço e colhões de titânio para rebaixá-lo. Os auditores devem estar fazendo contas para que isto não aconteça.
Mas pela lei, está correto!
É exatamente sobre este aspecto que eu gostaria de tratar.
Existe, no direito, uma parada chamada Teoria dos Círculos.
Esta teoria relaciona direito e moral, com três linhas de pensamento diferentes.
A teoria de Betham, onde o direito está contido na moral.
Em Du Pasquer, os círculos são secantes, ou seja, existe um campo de intersecção entre os círculos, onde existe uma parte do direito que está contido na moral, contudo outra parte não, tal como parte da moral não está contida no direito.
Para Hans Kelsen, os círculos não tem nenhum contato. Direito é direito, moral é moral. Fim de papo!
No geral e também no específico, a legislação brasileira espelha a teoria de Du Pasquer.
Não precisando ir tão longe, o próprio caso do mensalão possui inúmeras imoralidades, sem que estas configurem os crimes pelos quais foram condenados os réus. Mas neste caso, podemos afirmar que a questão foi política. O jurídico foi para o saco!
Voltando para o específico, é legal a perda de pontos pelos dois. Sim, pelos dois!
Mas, diante dos efeitos que podem produzir, fica a pergunta: é moralmente aceitável?
A decisão é dos auditores do STJD, mas o que ficará para a história não é o cumprimento da lei, estritamente. Ninguém quer ser "o cara que rebaixou o Flamengo na justiça".
A Portuguesa não goza deste mesmo "prestígio".
Já para o Fluminense, tudo novo de novo...
Valeu,
Bruno Porpetta
Não digo que não o fiz, em algum momento, mas o que era doce se acabou.
Vou mandar a real, só a Portuguesa vai se dar mal neste julgamento no STJD.
Quanto ao Flamengo, o STJD tem que ter peito de aço e colhões de titânio para rebaixá-lo. Os auditores devem estar fazendo contas para que isto não aconteça.
Mas pela lei, está correto!
É exatamente sobre este aspecto que eu gostaria de tratar.
Existe, no direito, uma parada chamada Teoria dos Círculos.
Esta teoria relaciona direito e moral, com três linhas de pensamento diferentes.
A teoria de Betham, onde o direito está contido na moral.
Em Du Pasquer, os círculos são secantes, ou seja, existe um campo de intersecção entre os círculos, onde existe uma parte do direito que está contido na moral, contudo outra parte não, tal como parte da moral não está contida no direito.
Para Hans Kelsen, os círculos não tem nenhum contato. Direito é direito, moral é moral. Fim de papo!
No geral e também no específico, a legislação brasileira espelha a teoria de Du Pasquer.
Não precisando ir tão longe, o próprio caso do mensalão possui inúmeras imoralidades, sem que estas configurem os crimes pelos quais foram condenados os réus. Mas neste caso, podemos afirmar que a questão foi política. O jurídico foi para o saco!
Voltando para o específico, é legal a perda de pontos pelos dois. Sim, pelos dois!
Mas, diante dos efeitos que podem produzir, fica a pergunta: é moralmente aceitável?
A decisão é dos auditores do STJD, mas o que ficará para a história não é o cumprimento da lei, estritamente. Ninguém quer ser "o cara que rebaixou o Flamengo na justiça".
A Portuguesa não goza deste mesmo "prestígio".
Já para o Fluminense, tudo novo de novo...
Valeu,
Bruno Porpetta
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